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Vamos aprender Agile e Gamification com os Escoteiros

E POR FALAR EM PRINCÍPIOS ÁGEIS:

O escotismo é um movimento sócio-construtivista por excelência, ele possui um programa e princípios que buscam oferecer atividades variadas, interessantes e divertidas, um abordagem lúdica na transferência de conhecimento e valores. Acima de tudo, a crença que cada indivíduo tem um potencial a desenvolver e algo a contribuir, ninguém é igual e unindo o melhor de cada um vamos além.

“Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.”

Como no SCRUM, há um guia que nos orienta, um framework baseado em princípios que valorizam as pessoas e suas individualidades, apostando no coletivo como meio de obter o pleno desenvolvimento de cada potencial, baseado em respeito, direitos e deveres, que a soma sempre é maior que um.

Visão: A organização de um grupo escoteiro fundamenta-se em reuniões semestrais chamadas INDABAs, onde todos os chefes reúnem-se para discutir como estão se saindo e como melhorar, organizando ou confirmando a programação futura, cada item com um responsável, meta e todas as idéias e sugestões anotadas.

Releases: Um ano é quebrado em diferentes ciclos de programa, cada qual com suas metas e objetivos, datas-marco e principais atividades, pensadas como meio para passar conhecimento na prática, se utilizando de todos os recursos disponíveis, sempre com muita criatividade e com um viés de desafios reais e superação, baseado sempre no perfil de seus escotistas e escoteiros.

Sprints: A cada semana há um grande esforço, reuniões e contatos, para organizar a próxima atividade de Sábado ou final de semana. O planejamento é complexo, sempre apoiado em 6 áreas, relacionadas ao desenvolvimento Físico, Intelectual, Social, Afetivo, Espiritual e Caráter. Não existe uma receita, fazer o melhor exige percepção do que se tem e potencial a cada momento.

Stakeholders: Há assembléias gerais entre escotistas + pais, conselhos de seção com escoteiros + escotistas + pais, há reuniões frequentes de escotistas + escoteiros, as famílias também podem participar como “pais de apoio”, interagindo e ajudando na administração e nas atividades. Cada pai pode contribuir com seu conhecimento profissional e vivências em eventos e passagem de conhecimento.

Kanban: Cada faixa etária, conhecida como seção ou ramo (lobinhos, escoteiros, seniors, pioneiros) possui mapas de avaliação com as seis áreas, etapas de crescimento e especialidades conquistadas e absolutamente nenhuma delas é imposta, deve partir de cada jovem interessar-se em dedicar-se a conquistar os famosos distintivos escoteiros.

Review: A todo momento, dada a valorização do coletiva para potencializar o desenvolvimento individual, jovens e seus pais participam e comemoram cada conquista, etapa atingida, distintivos alcançados, pequenas vitórias do dia-a-dia, um olhar especial ao fato de que cada um é especial e segue adiante em seu caminho.

Retrospectiva: Periodicamente os jovens de cada seção reúnem-se em rocas de conselho, côrtes de honra, comissões administrativas, além dos conselhos e assembleias, para avaliar o andamento do último período, decidir o que querem, como vem sendo o desenvolvimento, como melhorar, repactuar suas metas.

E POR FALAR EM GAMIFICATION:

Cada ano em um grupo escoteiro, cada trimestre, grandes eventos, mas principalmente cada reunião semanal é tratado como um grande jogo. Cada momento tem uma meta declarada a ser conquistada, uma sequencia de passos e atividades a serem superadas, medalhas e reconhecimentos a serem obtidos.  A elaboração de atividades escoteiras é uma construção sócio-construtivista, posto que em um ambiente descontraído e desafiador atingimos nosso melhor.

Quer seja um Sábado, um acampamento ou um evento escoteiro, ele inicia com um quebra-gelo, jogos divertidos de integração, instruções com novos conhecimentos, desafios a serem superados, mesclando games colaborativos e competitivos, iniciando sempre com um momento cívico junto a bandeira nacional e uma reflexão para desenvolvimento espiritual, sem religiões, mas a internalização de boas virtudes, valores, moral e ética próprios a cada idade.

Lobinhos: Cada Grupo Escoteiro pode possuir uma ou mais Alcatéias de lobinhos (crianças de 7 a 10 anos de idade), que realizam atividades lúdicas em que aprendem brincando o que são direitos e deveres, a respeitar o espaço dos outros, a cumprir sua promessa de fazer o melhor possível e boas ações. O fundo de cena é a Jungle Book, eles são lobinhos, reunidos em matilhas com nomes e cores próprias, que se reúnem em uma alcatéia, os adultos possuem nomes de animais da história de Mowgli e cada jogo segue suas histórias. Cada matilha possui um Primo e Segundo eleitos, são os lobinhos mais experientes, aprendendo a liderar, a ser um exemplo para os mais jovens.

Escoteiros: Os jovens entre 11 e 14 anos são escoteiros, são organizados em Tropas e divididos em patrulhas, cada uma delas auto-organizada de forma que eles mesmos selecionem papéis temporários entre eles – Monitor, sub-monitor, cozinheiro, primeiros-socorros, almoxarife, lehador, … Assim, eles desenvolvem diferentes habilidades e conhecimentos, aprendendo a trabalhar em equipe, liderança, responsabilidade, impacto de suas decisões e ações.

Seniors e Guias: Os jovens de 15 a 17 normalmente já possuem vivência nas seções anteriores e nesta etapa passam a desafiar seus limites, um passo além em autonomia, planejando suas atividades e as executando, o fundo de cena é aventuras radicais, jornadas de 15 kilometros, acampamentos em mata nativa, rapel, tirolesas, montanhismo, aventuras terrestres e aquáticas em que vão além nos mesmos princípios de equipe iniciados no ramo escoteiro.

Pioneiros: São os jovens adultos de 18 a 20 anos, o fundador Baden Powell imaginou esta seção como uma forma de mostrar aos jovens o quanto todo o aprendizado lúdico se materializa na vida social de cada um. O foco é cidadania, é ajudar o próximo em círculos concêntricos iniciando por si mesmo, família, grupo, sociedade, humanidade. As conquistas dizem respeito a ações em que se empenham a abrir horizontes durante atividades comunitárias e sociais. Geram oportunidades de fazer a diferença em suas vidas, dos que o cercam e de pessoas até então desconhecidas, obtendo reconhecimento comunitário de suas ações.

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A maioria dos agile games e dinâmicas lúdicas de transmissão de conhecimento sobre trabalho em equipe, colaboração, auto-organização, e muito mais são oriundos de minha experiência escoteira. Mais informações e conteúdo escoteiro que corroboram esta abordagem está no site do meu grupo de coração – http://www.guialopes.com.br.

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Gamification é um mindset natural para todos

Muitos acham que um ambiente descontraído e divertido é incompatível com o trabalho, que deve ser sério e sisudo. Por aspectos culturais seculares, se uma equipe estiver sorrindo muito e usando técnicas descontraídas durante o horário de trabalho é porque não estão produzindo, mas acima de tudo, eles não ganham para se divertir, apenas para trabalhar.

A dificuldade maior que Métodos Ágeis e Gamification enfrentam para entrar ou se consolidar nas empresas é que em pleno século XXI tem muitos executivos e gestores que só topam o jogo de esconde-esconde, preferem fazer de conta que cadeia de comando em um ambiente austero e sério significa produtividade. Na cabeça deles, descontração significa perda de controle.

Seriedade = Respeito é um produto cultural arraigado por séculos, imagine um militar, um religioso, uma esposa, um filho, um aluno no século XI nas primeiras universidades em Bolonha e Paris. A última coisa que seu “superior” esperaria ver é descontração e alegria, o “correto” é demonstrar seriedade e “respeito”, abrimos mão de fazer mais em troca de um conceito de “respeito” do século XI.

A proposta de Gamification tem o poder de reconstruir estas relações sobre um novo paradigma, substituindo uma relação de poder e dominação por outra baseada em parceria e confiança. Esta mudança já vem acontecendo em muitas frentes, algumas empresas já sacaram e aparentam ser “divertidas” para chamar e reter, alguns colaboradores aproveitam para “relaxar”, todos temos muito o que experimentar e aprender.

O caso do Lean Toyota (1950) e do Manifesto Ágil (2001)

Na década de 50 o mítico Taiichi Ohno revolucionou a indústria automobilística  e fabril com conceitos de aproveitamento do capital intelectual e social interno para uma ampla redução de desperdício e instigação da construção de valor como meta pessoal, coletiva e organizacional. A conceito Kaizen de melhorias diárias discutidas e implementadas por quem executa, o conceito de Gemba com transferência de alçada a todos para se manifestarem no momento e hora certas em que as coisas acontecem, gerando pertença e responsabilidade em todos.

Na década de 90 os métodos ágeis começaram a surgir, trazendo os mesmos princípios do Lean Toyota para a TI e seus clientes – KANBAN, SCRUM, XP, LEAN SW DEV, CRYSTAL, … em projetos de desenvolvimento de software. Mas foram além, introduzindo conceitos que mais adiante seriam definidos como Gamification, com reuniões participativas, gestão visual, auto-organizados, com avatares, dojos, hot spots, salas de descompressão, tudo isso com objetivos e metas desafiadoras propostas pelo time e acordadas com seus chefes e clientes.

O caso secular do Movimento Escoteiro

Gamification é um label interessante para algo que o escotismo usa a mais de um século, a construção de um ambiente que mistura hierarquia com diversão, ao mesmo tempo que há um coach (chefe escoteiro), há patrulha escoteiras auto-organizadas que possuem papéis, elegem seu líder, definem suas metas, sempre desafiadoras e instigantes, cabe ao coach (chefe) apenas orientar e agregar sua experiência e o papel de “juiz” quanto a vetar riscos ou imaturidades próprias da idade que possam ferir as crenças e princípios baseados em moral e ética.

Quem olha de fora, a promessa escoteira, seus valores, civismo, espiritualidade, moral, ética, … pode parecer algo militarizado, mas é o maior engano possível, pois é um movimento que mistura tudo isto com os maiores princípios da auto-organização ágil. Os jovens se manifestam, buscam fazer parte das decisões, desde os pequenos nas Rocas do Conselho, nas Côrtes de Honra, nas Comads. Liberdade com responsabilidade, Fazer o seu melhor possível, Estar sempre alerta e Servir ao próximo!

Enterprise Gamification

Basicamente trata-se do uso de técnicas típicas de jogos em outros contextos, visando fomentar engajamento, interesse, participação, pertença, conquistas, recompensas, etc. Tudo isso para a geração de um ambiente ou contexto mais lúdico, divertido, engajado, consciente ou mesmo inconscientemente.

Comunidades de Prática como o TecnoTalks são criadas internamente as empresas, uma poderosa forma de disseminar e instigar o conhecimento, mas mais que isso, fomenta a interação, o debate sobre boas práticas e novas abordagens para suas empresas, áreas, equipes e indivíduos.

Em TI, com o SCRUM e o manifesto ágil por exemplo, as principais metas continuam sendo o valor para o negócio, o cliente satisfeito, a redução de desperdícios e gargalos, a maximização da produtividade de cada um e do todo, mas tudo isso em um ambiente de integração, interação e iteratividade. Não é uma mesa de sinuca que constrói um ambiente motivado, é a liberdade com responsabilidade, esta premissa vale para TI e para toda a empresa.

Se você ainda acha que a solução é Taylorista, que funcionário bom é o que não pensa diferente, está na hora de rever seus conceitos. Lembram da citação às primeiras universidades de Bologna e París no século XI? Naquela época os alunos tinham que ficar calados, estudar e tornarem-se bons súditos, sem questionar, com certeza sem risadas em sala de aula, que era um lugar “sério”. Hoje a cada dia este paradigma cai, novas técnicas interativas, lúdicas, há propostas e projetos de Gamification na Educação … eu sou dessa tribo!

Já implantei quadros ágeis e postei aqui no blog cases em diferentes áreas da empresa, quadros, avatares, reuniões descontraídas mas responsáveis, é possível ser sério e responsável sem ser taylorista. Assim como no escotismo, não é necessário ordem unida e rabugentice para ter ou demonstrar respeito. Muito mais producente é gerar um ambiente construtivista em que cada um possa colaborar e o conjunto possa se desafiar a fazer muito mais que o esperado.

Tenho posts sobre dinâmicas laborais, desenvolvimento de equipes, sobre PDCL ágil para não TI, sobre a necessidade de entender o modelo Cynefin, o modelo de desenvolvimento de equipes de Tuckman, o modelo de Job Strain de Karasek, sobre Gamification, Agile, sobre SCRUM aplicado …

Quem me acompanha já leu muito sobre diferentes prismas de mobilização, construtivismo, auto-organização, quem chegou até aqui e é novo, entenda que um novo modelo de trabalho é possível, os resultados são melhores, mas cada um assume um papel de ainda maior responsabilidade que antes …

Cada um de nós quer crescer, ir além, quer poder pensar, quer curtir a viajem, quer interagir, fazer a diferença, ter orgulho do que faz e com quem faz … apenas cumprir ordens nos reduz a operários padrão, faremos muito bem o que nos foi mandado, mas é só o que faremos, pois não temos alçada para pensar diferente.

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Campanha do Material Escolar da AmigosAnjos

A todos os profissionais que conheço e que tem cadernos, canetas, lápis e mochilas de eventos estocadas, juntando poeira, e aguardavam a oportunidade de uma campanha do material escolar para ajudar ou mesmo abrir espaço no armário … mesmo que a ajuda seja um caderno e uma caneta, faça essa boa ação.

Incentivo ao conhecimento é a única ajuda que ninguém poderá tirar deles, por mais dura a realidade das crianças da ilha, a educação é a porta de saída para uma realidade melhor e nos custa nada ou pelo valor de um expresso ou de uma cerveja. Qualquer ajuda é bem-vinda, conseguiremos com a união de todos.

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É só me chamar em off – facebook, twitter, linkedin, skype, hangout, sinal de fumaça, … – farei o possível para recolher ou combinarmos uma forma. Se você é estudante de graduação, mestrado ou doutorado, sabe do que o conhecimento é capaz … vamos incentivar crianças que não podem mas precisam estudar!

Todos são bem-vindos no final de semana seguinte ao Carnaval para ir à ilha entregar, a AmigosAnjos tem sempre um ônibus e um caminhão cedidos para levar todos em segurança. Quem quiser, nos reunimos nos altos da Lucas com Anita, deixamos os carros lá e vamos todos juntos oferecer um dia diferente as crianças, com brincadeiras e neste caso kits escolares.

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Estilos: Chefia – Coaching – Mentoring

Profissionalmente, já fui funcionário público concursado na Procempa, fui empresário na década de 90 (ainda não existia o glamour de ser uma startup), fui professor e GP no primeiro ano da Ulbra em 1989, coordenador de desenvolvimento na iniciativa privada para ADP Brasil e Grupo RBS, sou mestrando na FACE/PUCRS e iniciei atuação como Agile Coach e Mentor para empresas de diferentes portes.

Não planejei deixar de ser chefe e passar a fazer Coaching, as coisas foram acontecendo, mas é muito legal transferir conhecimento e experiências de vida aos mais jovens e pares, bem como ficar atento em sempre estar aprendendo. De tudo isso, o mais importante é ver que a vida não passa de uma escola em turno integral, com direito a recreio, e nela somos eternos aprendizes.

Algumas pessoas tem o privilégio, ainda muito jovens, de participarem de experiências como no escotismo, intercâmbios no Rotary, Leo Clubes, DeMolays, vivências que ampliam suas percepções de horizonte e de mundo, das pessoas, lidar com lideranças, trabalho em equipe, responsabilidade, cultura, essências que a maioria dos colégios e faculdades tem menos a oferecer.

CHEFE

Fui “chefe” na maior parte de minha vida profissional, na cultura organizacional clássica esse papel a todo momento toma decisões em prol dos interesses da empresa, mantem o foco na busca de maiores resultados e menores custos. Resilientes, são valorizados na mesma medida em que conseguem isso: Sob pressão, melhorar resultados e diminuir as despesas.

Desde sempre na história humana houveram “chefes”, mesmo quando não era necessário emergiam aqueles mais carismáticos, conhecedores, experientes, poderosos ou ambiciosos, que assumia as rédeas, com ou sem legitimidade. Faz parte da história humana, do bem e do mal.

  • chefes tribais, por serem os mais fortes e/ou hereditário;
  • na igreja devido a seu carisma e sedução nos mistérios da fé;
  • no clã ou família em sociedades patriarcais ou matriarcais;
  • no trabalho, por conhecimento, tempo ou oportunismo;
  • na política, por princípios, oratória ou desonestidade;
  • é o princípio que organiza os exércitos e polícias, etc …

COACH

Não existe melhor exemplo de Coach que um técnico de futebol, ele sempre está lá mas não joga, é responsável por organizar e orientar o desenvolvimento dos seus jogadores, cobrar metas, indicar o que devem aprender ou aprimorar para melhor cumprir seu papel, montar um programa de treinamento.

Um treinador não necessariamente foi jogador, mas tem que conhecer bem o assunto, pode só ter participado em outros papéis e mesmo assim ser um grande coach. Quem faz acontecer é cada jogador e o coletivo, o treinador agrega uma visão neutra, imparcial, sempre interessado no melhor para jogadores e time.

Há mais de 30 anos já existe a prática do Coaching Executivo, através de consultores externos os executivos de grandes empresas recebem conselhos sobre áreas de desenvolvimento pessoal e profissional, debatem quesitos que lhe proporcionarão maior consistência para continuar seu crescimento na empresa.

O papel de Scrum Master acaba proporcionando esta mesma abordagem, mas em um coaching NÃO executivo, orientando coletiva e individualmente sobre como desenvolver-se em meio a um modelo auto-organizado. Uma mudança que gera muitas oportunidades e necessita apoio para contornar riscos que exigem conhecimento e um tanto de empatia.

MENTOR

O Mentor é aquele profissional experiente, hábil na comunicação interpessoal para transferência de conhecimento, atua mais no campo estratégico que operacional, ele transfere suas experiências de vida, conhecimentos, vivências e muito aprendizado vicário, com o objetivo de motivar e orientar seus pupilos à eles mesmos assumirem as rédeas, montarem seu planejamento pessoal e profissional.

O papel do Mentor é o papel de um irmão mais velho, que tem o interesse de vê-los desenvolver todo o seu potencial, se possível evitando que eles cometam os erros conhecidos, talvez já vivenciados por ele mesmo. Não se restringe a um campo de conhecimento, busca oferecer incremento consciente a nível de capacidade absortiva, ampliando a percepção de mundo, de oportunidades e riscos.

Um exemplo de mentoring é o que incubadoras e aceleradoras oferecem a suas startups, profissionais experientes que orientam sobre estratégia, negócios, produtos, princípios e métodos, tanto quanto pontos e competências pessoais, de carreira e profissionais. Normalmente os pupilos são jovens em sua primeira experiência de mercado e alguém com vivência agrega novos prismas e praxis.

No escotismo esse é o papel do chefe escoteiro ou mestre pioneiro, orientar, de forma que cada jovem faça o seu melhor, assumindo o controle e o remo de sua própria canoa (frase do fundador do movimento, Sir Baden Powell).

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Um novo Game chamado “Bambu Challenge”

A partir das regras e princípios dos melhores Agile Games que conheço, como o Mashmellow Challenge, Aviões 2.0, Scrumia e alfabeto perdido de macondo, criei o “Bambu Challenge” para uma introdução lúdica ao gerencimento de projetos por jovens escoteiros do Ramo Pioneiro (18 a 20 anos de idade).

Este game foi idealizado para o II Moot InterAmericano em Osório entre 31/12 e 04/01, oferecido aos 1200 jovens escoteiro de países latino-americanos com idade entre 18 e 20 anos. Iniciativa do PMI-PR através de seu diretor e chefe escoteiro Sérgio Marangoni, apoio do PMI-RS que forneceu os banners e material impressos, com a parceria do Chefe escoteiro Mauro Lages.

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Um Agile Game diferente de todos os outros, prototipagem, planejamento de tempo, materia-prima, responsabilidades e metas, com aquisição do material planejado, distribuição de tarefas, pair para transferência de conhecimento, renegociação, conclusão e venda, com possibilidade de bônus ou penalidades, por valor agregado, quebra de “contrato” e/ou qualidade.

As regras ficaram bem interessantes, a seguir um resumo 360º da dinâmica, lendo assim pode parecer bem mais complexo do que é, mas com a facilitação passo-a-passo o game se desenvolveu de forma muito simples e divertida, contando com dezenas de bons insights e trocas de aprendizados:

. Cada grupo tinha de 15 a 20 escoteiros e eram divididos em 4 equipes;
. Cada equipe recebe 40 moedas impressas em papel e recortadas;
. A meta final era construir um mastro autoportante de pelo menos 3 metros;
. O planejamento consistia em 10 minutos livres para definir o nome da equipe, definir um interlocutor, construção de uma maquete para planejamento de um mastro para hasteamento de uma bandeira e explicitação de quais seriam as tarefas necessárias para sua execução;
. Para a maquete, cada equipe recebia uma prancheta com papel, caneta, 20 palitos de churrasco e durex, com o qual criariam um modelo em escala do mastro para demonstração e cálculo do número de amarras e estimativa de metros de sisal, inclusive para a adriça de hasteamento  da bandeira. O formato do mastro, quer usando tripé, tablado ou torre era livre a cada equipe;
. Passados os 10 minutos de planejamento, cada equipe apresentava a si mesmo e sua maquete, projetando quantos metros de altura teria, quantos pedaços de taquara necessitariam e quantos metros de sisal seriam necessários;
. A compra usando parte das moedas recebidas no início seguem a tabela de R$1 por 2 taquaras e R$2 por 5 metros de sisal.

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Uma vez planejado, a produção acontece em 3 sprints de 15 minutos cada, intercalado com 5 minutos de review (apresentação ao cliente), retrospectiva e replanejamento (renegociar e adquirir mais material se necessário). Não utilizamos kanbans, mas no caso de um treinamento Agile seria muito instrutivo fazer um story mapping no planejamento inicial, dividindo tarefas em 3 Sprints e gerando o quadro de tarefas no início de cada Sprint.

A cada Sprint as equipes produziam e ao final de cada Sprint eles discutiam entre si como estava rolando, apresentavam ao cliente o que conseguiram fazer e finalmente revisavam o planejamento, podendo alterar a altura proposta e se precisariam adquirir mais taquaras e sisal.

Após o final do terceiro Sprint, no caso de atrasos, cada minuto representava uma penalidade de uma moeda até o hasteamento. Cada metro planejado e entregue (a partir de 3 metros) recebia 20 moedas, cada metro não planejado entregue a mais recebia 10 moedas, penalidade extra de 20 moedas a cada metro planejado e não entregue e, finalmente,  um bônus ou penalidade de 5 moedas para cada amarra conforme a qualidade acima ou abaixo do mínimo exigido.

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É um game muito interessante, mas exige espaço externo para os mastros, que podem atingir mais de 5 metros de altura, além disto, exigiu uma lista legal de material … se você for fazer e quiser entrar em contato comigo, posso ceder boa parte do material necessário, especialmente o bambu (ou taquara):

  • 4 pranchetas, folhas de papel, caneta;
  • 200 moedinhas ou notas de dinheiro falso para as compras;
  • 2 pacotes de espetinhos de churrasco ou espaguete grosso;
  • 2 rolos de fita durex estreita ou fita crepe;
  • 2 rolos de sisal
  • 4 tesouras;
  • 60 pedaços de taquara cortados em +/- 1 metro cada;
  • 4 argolas para servirem de passador para as adriças;
  • 4 bandeiras com tecido grosso (para que tenham peso);
  • 1 flip-chart para explicitar as regras, negociações e ranking;
  • 4 Canetões de cores diferentes.

Para os kanbans, por estarmos em ambiente externo, seria importante termos 4 folhas grandes de flip-chart, 4 blocos de postits, 4 canetões e pesos para firmar as folhas no chão, para que não voem (é melhor ter 1 flipchart para cada equipe, mas podemos deixar os kanbans no chão com pesos nas pontas para não voar).

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Paiol de dinâmicas Parte 2
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Dojos – Por que a TI não treina ?

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Ação de Natal – Precisamos de sua ajuda!

Galera, está chegando mais um Natal e peço que cada amigo que acredita que um pouco de alegria e uma barriga cheia pode dar esperança e ânimo para mudar a vida de uma criança coloque uma caixa de papelão na recepção de sua unidade e peça doações voluntárias de Kg de alimento e/ou brinquedinhos usados.

Um Kg de alimento custa R$2, um brinquedinho custa R$5, grana que não fará falta a nenhum de nós, podem arrecadar em dinheiro e doar em arroz, massa, etc. A entrega será 15/12 e se alguém puder acompanhar a entrega, cada novo amigoanjo ajuda muito na organização e atenção às famílias.

A ação deste ano da Amigos Anjos contempla cestas de alimento e brinquedos para uma das comunidades mais carentes da grande POA, famílias da Ilha Grande dos Marinheiros. Cada família ganhará um rancho para que o final de ano e a ceia de Natal seja alegre para as crianças, que também receberão um brinquedinho.

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A amigosanjos não é sequer uma ONG, ela é uma rede de amigos em torno da Cacau, a Ana Carla (bindrix@ig.com.br), uma menina de coração de ouro que consegue a cada ano realizar até 5 eventos de apoio as comunidades muito pobres e carentes da Ilha Grande dos Marinheiros e da Ilha do Pavão.

AÇÃO DE NATAL – Dia 15/12, Domingo, das 14 ás 18 Hrs

A Ação de Natal de 2013 será na Ilha Grande dos Marinheiros II, dia 15 de Dezembro, no turno da tarde. Serão 300 Famílias que ganharão kits de alimento e até 500 Crianças com lanches e brinquedos.

Para o lanche das crianças precisaremos até 500 pacotes de bolachinhas ou biscoitos doces e 500 sucos em caixinha. Os brinquedos podem ser usados, desde que em condições de uso ou novos, mas baratos para não dar briga.

Cada kit das Famílias conterá: 02 pacotes de massa, 01 lata de óleo, 03 kg de feijão, 03 kg de arroz, 02 pacotes de lentilha, 01 kg de Farinha de trigo, 01 kg de farinha de milho, 01 compota doce.

Arroz: 900 kg e já RECEBEMOS = 60 KG
Compota de Doce: 300 latas e já RECEBEMOS = 24 LATAS
Farinha de Milho: 300 kg e já RECEBEMOS = 36 KG
Farinha de Trigo: 300 kg e já RECEBEMOS = 50 KG
Feijão: 900 kg e já RECEBEMOS = 60 KG
Lentilha: 600 pacotes e já RECEBEMOS = 60 PACOTES
Massa: 600 pacotes e já RECEBEMOS = 60 KG
Óleo: 300 latas e já RECEBEMOS = 60 LATAS

Vamos precisar de muitas sacolas grandes para colocar os alimentos e a presença de qualquer novo amigo anjo no dia da ação é super bem-vinda.

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E por falar em desperdício … ninguém escapa!

É como se ninguém tivesse filhos ou ninguém se importasse nada com o futuro negro que estamos nos esforçando em construir e deixar à eles. A retórica ecológica e sustentável já passa desapercebida de tão vazia e inútil que ela é. Ninguém mais leva nenhum político, empresa ou ONG verde a sério, pois lá no fundo todos sabemos que todos, nós e eles somos culpados pelos status quo.

Todo mundo gosta de culpar alguém pelo efeito estufa, todo mundo gostaria que houvesse um só culpado, 75% do mundo gostaria de poder dizer que a culpa é dos EUA, da China ou do ‘pum’ das vacas (sim tem gente que culpa as vacas), mas enquanto isso em nossas casas é uma esbórnia … qualquer um de nós ficaria ruborizado se guardasse uma semana de lixo, analisasse e postasse o que viu.

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Se fizermos uma enquete, todos são conscientes, todos nós tentamos ser sustentáveis, mas menos de 0,1% se sujeita a abrir mão do desperdício, mesmo os mais conscientes temos dificuldade de nos forçar desperdiçarmos um pouco menos, menos embalagens fúteis, menos descartáveis inúteis, sempre em prol de mais alguns segundos de conforto dispensável.

Em breve, mais um Natal

Um simples boneca Barbie chega a ter o peso dela em lixo, á a caixa externa, tem o papelão com o fundo de cena onde ela está presa, tem os grampos plásticos que a sustentam, tem a capa plástica transparente, tem o embrulho em papel com fita e selos … TUDO isso vai para o lixo no dia 25 pela manhã.

Até a primeira metade do século XX havia venda a granel, bonecas e brinquedos ficavam na prateleira e iam para uma sacola ou caixa quando entregues ao comprador … em algum momento a Matel, a Estrela, a Grow, o Steve Jobs se deram conta que se colocassem um produto de R$20 em uma caixa bonita poderiam cobrar R$35 … pelo mesmo produto.

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Esse foi o começo do fim, mesmo com a densidade populacional crescendo, as empresas e os ‘consumidores’ (nós) aumentamos e sofisticamos sadicamente o desperdício, recursos naturais indo para o lixo, uso irracional de petroquímicos e florestas (papel), uma sociedade de consumo e pseudo-luxo que a cada dia antecipa o seu próprio fim.

Um bom termômetro são as festas

Querem um bom termômetro do grau de insanidade que chegamos, quase toda festa hoje em dia, quer seja de casamento, 15 anos, aniversário ou despedida de solteiro usa algumas dezenas de kilos de desperdício fútil de plástico e bagulhos ‘one way’ feitos na china, afinal, sem isso não tem como ser divertido.

Cada pulseira, colar, bolinha, óculos gigantes de plásticos com um micro dispositivo que faz piscar uma luz, faz um barulinho ou sei lá o que, cada vez mais sofisticados e todos descartáveis, cada um com uma ou duas pequenas pilhas (poluição grave), tudo vai para o lixo, alguns levam para casa … para então colocar em seu lixo.

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Traquitanas pseudo-tecnológicas chinesas

Hoje em dia, qualquer super-mercado ou biboca na esquina tem uma variedade de bugigangas chinesas, um país que é o sonho de grande parte da humanidade, onde alguém pode enriquecer produzindo bugigangas a preço mínimo, muito competitivo, as custas de trabalho semi ou completamente escravo.

A sandice é tal que tudo isso as custas de empresas e empregos nossos, e pior, pois quando acontece as pessoas ainda se dão ao requinte de dizer que a culpa são as leis trabalhistas brasileiras … não é a exploração chinesa, não é um modelo global autofágico, não é uma economia baseada em privilégios, oportunismos, especulação e corrupção … a culpa é da lei trabalhista.

Um professor aqui no mestrado citou o contra exemplo de uma pesquisa feita em uma empresa americana e exposta em um congresso internacional, era o case de sucesso de uma empresa que quebrou pequenos comerciantes usando de uma prática ‘comum’ de escala. Um modelo predatório, contra-sucesso em um país que no passado era exemplo de coletividade e tradição em pequenos negócios. Sucesso de um em detrimento a dezenas, ganham 10 e milhares perdem.

Conclusão

Temos bilhões esbanjando e desperdiçando a cada dia, luz, água, terra, minerais, vegetais, animais, e temos bilhões que passarão a fazê-lo assim que puderem, só não fazem porque não tem o suficiente para fazer. O que está errado não sou eu ou você, é o modelo mental da maior parte do mundo, na prática as coisas acontecem no piloto automático, sem pensar ou refletir, somos culpados e inocentes.

A revolução industrial atendeu uma demanda de sapatos, roupas, veículos, mas isso não era o suficiente, então criamos os artigos supérfluos para saciar a sede de status, demonstrar o que não somos, finalmente chegamos a uma fase em que não sabemos mais o que consumimos, pois não é a demanda que gera a oferta, é a oferta que dita o que queremos demandar.

Pó cacetear ai, mas essa é minha visão, temos muita estrada até esgotarem os recursos naturais mínimos, hídricos, vegetais, enquanto isto o número de pessoas que verdadeiramente se preocupam com isto e fazem algo para conscientizar e mudar é insignificante, desproporcional, é 0,000001%.

Em 2014 tem mais uma eleição

Sei que é difícil, mas vamos tentar achar alguém que não descenda de predadores, que não enlouqueça atrás de carniça, que ganhe seu salário como político e tente gerar leis e atos úteis para o nosso futuro.

Quer saber, nosso destino está lançado, não tem como mudar, mas se todos ajudassem podemos tentar garantir uma vida igual a nossa pelo menos para mais uma geração, para nossos filhos, isso já seria uma grande vitória.