Evite ser uma empresa, gestor ou profissional ágil só até um erro acontecer, pois alguns nesse momento esquecem tudo o que viram, fizeram e aprenderam nos últimos meses e começam a buscar explicações não baseadas nos debates colaborativos e decisões colegiadas, só o que importa é achar um culpado.
Praticar agilidade é antecipar riscos e oportunidades, é aprendizado diário, é tirar o tapete da sala, não quer dizer que não haverá mais poeira, apenas quer dizer que ela vai ficar visível o quanto antes porque não terá tapete para varrer para baixo dele, mascarando problemas por meses, em equipes ágeis a transparência e coletivo é o grande trunfo. É frente a problemas que este mindset se põe a prova!
Por exemplo, uma vez feito o planning, debates instigantes, histórias fracionadas em tarefas, estimativas consensuadas, kanban e daily, tudo isso não garante que não ocorrerão imprevistos, e é quando eles ocorrem que separamos o ágil do comando-controle. Ao invés de focar na busca de culpados, é preciso analisar passo-a-passo tudo o que fizemos e ver porque não percebemos antes o risco daquilo acontecer, onde precisamos melhorar, sacudir a poeira e seguir.
Gestores e lideranças
Os melhores desenvolvem novas competências, reinventam-se, assumem nova postura, fazem cursos de Management 3.0, energizam e empoderam seus times, compartilham com eles acertos e erros. Partem da própria responsabilidade em selecionar seus liderados, de alocá-los da forma adequadas, apoiá-los, desenvolvê-los, tornam-se líderes ágeis e inspiradores, delegam de fato e dão suporte.
Mas há gestores que curtem os métodos ágeis, mas fazem questão de prestar atenção somente nas frases que dizem que haverão entregas frequentes, que a meta é o máximo de valor, eliminação de desperdícios, que o cliente participará mais e compartilhará com o time cada decisão. Fazem que esquecem que não é bala de prata, que não é mágico, que é uma estrada e não um passo.

A potencialização do coletivo é tão eficiente que esquecem como eram seus projetos antes e após alguns sprints de sucesso já assumem que todos tem a obrigação de dar certo, erros que antes geravam grandes prejuizos agora acontecem e são mitigados o quanto antes, mas mesmo assim volta a ser importante ter um culpado ou um judas, babáus para o coletivo.
Clientes
Há clientes que reinventam seus contratos, estabelecem relações de confiança, participando mais intensamente dos projetos acabam por deter maior controle sobre a otimização de recursos para entregar o máximo de valor a cada iteração.
Alguns clientes entram nesta vibe ágil resistentes, mas rapidamente percebem que o maior beneficiado são eles, começam a apoiar, participar mais, mas alguns veem riscos em ter uma ampla colaboração e ter que assumir riscos junto, preferem a Lei Ricupero, quando é bom, é nosso, quando é ruim, é de vocês!
Equipes
Por incrível que pareça, muitas vezes o gestor e o próprio cliente entendem que estarão experimentando e aprendendo, erros são um incômodo, mas uma vez acontecendo o nosso objetivo deve ser convertê-los ao máximo aprendizado para que não voltem a acontecer.
Mas frente ao erro temos integrantes que inconscientemente buscam achar um culpado que livre todos da sensação de algo ter dado errado e que todos estão juntos nessa viagem. As vezes o gestor está ciente e o cliente também de que todos tentamos acertar e que algo passou e nos ensinará … mas tem quem surte e queira a cabeça de alguém, desde que não seja a sua.
Conclusões
A mudança para uma cultura ágil já é um grande desafio com todos puxando para o mesmo lado, alguém voltar para sua zona de conforto é pior, mas basta termos consciência que isso também faz parte e precisamos todos manter a coerência e relembrar os ques e porques. O que não pode é cada vez que um surtar os outros irem ma onda.
Tenhamos sempre consciência dos passos, cada momento, debates e decisões, cada ação na tentativa de acertar, cada contingência e tratamento de riscos, se algo deu errado é preciso focar no aprendizado antes mesmo de ações e replanejamentos … senão podemos estar priorizando errar de novo 😦
Afinal, curso de Agile não é um curso de magia com o Prof Dumbledore. A proposta é trabalhar projetos complexos de forma a antecipar riscos e oportunidades, o resto é aprendizado.
