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The Course Design Canvas – Adaptado e expandido

No último Toolbox na Educação na Politécnica da PUCRS eu era facilitador, como tal é preciso me isentar, concentrando-me na facilitação. Um colega me pediu que eu compartilhasse qual e como eu uso meu canvas para me organizar visualmente quanto a minhas disciplinas e cursos, então percebi que apesar de conviver com estes mapas visuais pedagógicos na parede de meu quarto, ainda não tinha compartilhado por aqui.

Faço questão de manter a referência e o nome, como tributo a quem criou, mas meu foco é compartilhar a minha prática e aprendizados, via de regra com adaptações à minha realidade ou perfil. É o caso do “Course Design Canvas” credidato à NetMind.net, que proporciona uma mapa cartesiano de características de uma disciplina, curso ou workshop, um exercício de empatia com quem propõe ou propôs o conteúdo e com quem vai assistir ele em busca de conhecimento e valor.

Não uso o canvas inicialmente proposto pela NetMind per si, mas como pano de fundo para o que realmente me interessa, que é o planejamento de aulas. Dito isto, meu maior valor é a visualização do planejamento aula-a-aula, composto por elementos variados como teoria, trabalhos em grupo e exercícios, dinâmicas e jogos, convidados e debates, laboratório, etc. O canvas é útil por concentrar visualmente as principais informações, mas seu verso com os dias e programas é mágico.

Eu uso em papel com postits e selos, poderia ser virtual, mas não acho necessário, curto a manipulação, modelagem, acho divertido, fácil ir adaptando às mudanças durante o semestre. Os campos do Canvas são interessantes, inclui uma segunda página, aproveitando a necessidade de ter duas A4 em linha para o planejamento aula-a-aula no verso, de forma muito simples tenho uma célula para cada dia, para até 24 dias, o que ajuda muito para o (re)planejamento e ajustes.

FRENTE

Curso? O nome e contexto, caso seja a disciplina de um curso;
Duração? Período(s) e horário(s);
Alunos? Quem vai participar, perfil, persona, o que define o quórum;
Pré-requisitos? Conhecimentos prévios exigidos ou desejados;
Conteúdos? Quais os principais conteúdos e proporcionalidade entre eles;
Objetivos? Quais os objetivos de aprendizagem;
Pré-curso? Ações prévias que o professor ou instrutor deve fazer;
Materiais? Qual material didático será usado e/ou entregue no curso;
Metodologia? É presencial, EAD ou semi-presencial, expositiva, invertida ou co-criada.
Pós-curso? Ações subsequentes que o professor ou instrutor deve fazer;
Avaliação? Quais as formas e cálculo para eventuais avaliações;
Empatia? Personas ou técnicas para ampliar a atenção e retenção;
Locais? Sala(s), prédio(s), locais programados;
Obs Gerais? Informações adicionais.

VERSO

No verso, há uma matriz para identificação de cada data e logo abaixo distribuição de conteúdo e previsão de técnicas, dinâmicas, salas, etc. Utilizo postits pequenos, sobrepostos, com selos coloridos que indicam jogos, laboratório, convidados, exercícios à distância.

Para quem curtiu mais a frente que o verso, compartilho o link do original – https://www.netmind.net/knowledge-center/the-course-design-canvas/

Para quem ficou curioso com a minha adaptação, aqui está em pdf – Course Design Canvas adaptado – frente e verso

HISTÓRIA

Em 2015 quando comecei a dar aulas na PUCRS eu fiquei incomodado, estava acostumado a planejar cursos e workshops no próprio PPTX ou Prezi, mas tinham no máximo 16Hrs de duração distribuidos em alguns dias em sequência. Então comecei a usar a parede do escritório de casa para mapear dia-a-dia em postits a distribuição da matéria em aula com postits adicionais sobrepostos com detalhes sobre jogos e técnicas em especial … funcionava muito bem, mas queria muito poder ter comigo …

Também encontrei alguns canvas e artefatos para planejamento de aulas, mas o foco de todos eram conceitos e planejamento geral e não detalhando a distribuição aula-a-aula, então acabei fazendo uma fusão do Canvas que considerava o mais interessante com o meu método. Uma curiosidade é que de largada eram duas folhas A3, a parte de cima com o planejamento geral e a parte de baixo a distribuição a cada dia … depois optei por fazer frente e verso e o que mantenho a vista sempre é o verso.

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Esquizofrenia Ágil frente a um período de estabilização

Nos últimos anos finalmente iniciamos uma caminhada esperada, em que o Agile assume seu papel de alternativa viável em qualquer negócio, projeto ou operação. Cada vez mais valores, princípios e boas práticas deixa de ser algo diferente, algo “novo” a ser pilotado e passa a compôr aToolbox de todas as empresas e profissionais.

A TI Bi-Modal do Gartner tem mais de meia década flexibilizando grandes empresas, o PMBOK Edição 6 e seu Guia de Boas Práticas Ágeis já está no mercado há mais de um ano. Desde 2016 alerto que esse momento chegaria, mesmo assim há um sem número de “agilistas surpreendidos” de calça curta e “sem saber se comportar”.

No post de 2017 sobre quem mexeu no meu queijo eu escrevi – “Em alguns anos ninguém vai perguntar se você é PMBOK ou Agile, eles vão perguntar se você gerencia bem seus projetos, se há desperdício ou sinergia na geração de valor às partes!”

O problema é que muitos agilistas estão viciados com a ribalta de serem reverenciados como singulares e ganham milhões sendo os “cools” e “inovadores”, então não aceitam a realidade que métodos e técnicas são meios, que projeto é projeto e operação é operação. Agile não é um segmento, agile é opção para todos os segmentos.

Frente a realidade do Agile estar acessível a todos, disponíveis e factíveis à maioria, muitos agilistas apelam e NEGAM a essência de que TODOS tem o direito de tentar, experimentar, aprender, melhorar. Preocupados, partem para a NEGAÇÃO de que qualquer agilidade SEM ELES ou DIFERENTE DELES é ERRADA.

Os Lord Beckets do mercado terão que se ajustar ao fato que não estão mais sozinhos, foram sim early adopters, mas isso já é história, agora eles são players e a cada mês entra mais um punhado e o fato deles terem sido early adopters não lhes garante nada, terão que saber trabalhar com concorrência sem negar seus princípios.

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É quase NON SENSE quem advoga empirismo, auto-organização, kaizen, pragmatismo, defendendo seu FEUDO, seu QUEIJO, acusando e negando outras tentativas fora de seu alcance, afirmando peremptóriamente o que é melhor para todos, negando que eles mesmos e os seus cases muito erraram até acertar …

Aliás, reduzi a quase zero eventos “puro sangue” Agile, porque me tira do sério tanta maquiagem e lentes, métodos mágicos que tudo resolvem, consultores que atuam em empresas que eu conheço bem e que em palestras omitem o óbvio, o humano, as dificuldades naturais, a resiliência e a variedade de opções.

Os mesmos que abrem seus cursos dizendo que NÃO É BALA DE PRATA, garantem que longe deles não há salvação, que os Agile dos outros são errados e não devem ser tentados, PIOR, a mensagem subliminar é que eles ACREDITAM sim que ELES são a bala de prata, que ELES representam um único método que conseguem fazer acontecer do jeito “certo” os outros são “errados” … Onde está o Agile nessa abordagem?

Desculpa aí, tentar Scrum, Kanban, Lean, XP, SAFe, SoS, DSDM, … patatí ou patatá, é parte da crença que pessoas irão interagir e aos poucos encontrar seu melhor fluxo e dinâmica. Um método serve como acelerador inicial para a mudança de um ancestral mindset WATERFALL para um mais cooperativo, sinérgico, equitativo.

Se agilistas afirmam que as pessoas NÃO podem tentar nada diferente daquilo que elas recomendam, é porque lá no fundo acreditam que elas NÃO possuem inteligência suficiente ou atitude para evoluir e melhorar a partir de suas tentativas. Outra opção é porque ganhavam muito dinheiro com o que faziam e agora estão mexendo no seu queijo!

Fico imaginando o MEDO nesses agilistas que acham que o mundo está repleto de gente que faz coisas diferentes do que ele faz, logo, “erradas” … Ao contrário, quando inicio um trabalho ou curso, a primeira coisa que afirmo é que não mudamos porque fazemos algo errado, mudamos porque o mundo muda, gira, e exige de nós experimentação.

Experimentar novos mindsets, valores, princípios, métodos, frameworks, técnicas e boas práticas é uma coisa mágica, vamos experimentando, aprendendo e somente fazendo isso é que saberemos o que é melhor para nós … porque se ainda não o fizemos, tudo o mais é o que foi bom para os outros, que temos que validar.

Conclusão

Alguns tem que parar de tratar Agile da mesma forma que a criatura Gollum tratava o anel do poder, tá na hora de desapegar, entender que as crenças, valores e princípios de que pessoas são a chave, que auto-organização é a base, experimentação, tentar, errar e acertar, aprender. Concorda? Então deixe de julgar e deixe de ser arrogante ao pensar que a única solução é a SUA, que sem você e seu anel (método) de poder NÃo há agilidade. Pare de falar palavras ao vento sobre pessoas, equipes e empresas praticando Kaizen, porque na frase seguinte você diz que eles não sabem nada e não tem condições de aprender nada a não ser que seja com o SEU método, do SEU jeito, preferencialmente com a $UA consultoria Scrum, Kanban, Lean, XP, SAFe, … Todas são ponto de partida, todas proporcionarão uma construção. Pronto, falei! –

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De Tempos Liquidos de Bauman ao Mundo VUCA de Bennis e Nanus

Já tinha postado minhas interpretações sobre o livro e reflexão de Tempos Liquidos de Zygmunt Bauman, mas reitero esta percepção frente a um termo que tenho visto ganhar destaque, o mundo V.U.C.A. de Warren Bennis e Burt Nanus – Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity. Me impressiona tantas empresas levadas a falência pela inépcia em se adaptar a um mercado cada vez mais fluido, tanto quanto profissionais que se deixam tornarem-se obsoletos enquanto insistem em manter-se fiéis a uma receita que no passado foi lucrativa ou satisfatória, talvez tenham sido até inovadoras.

É impensável imaginar hoje, ano de 2019, manter-se planejamentos estratégicos engessados para cinco anos como se fazia na década de 70 ou 80, impensável imaginar profissionais ou mesmo executivos seguindo um plano escrito há anos atrás, mantendo reuniões anuais, não para adaptação, mas para garantir a execução do plano, seguindo dotações orçamentárias, penalizando oportunidades e persistindo em erros. Em tempos e mercados líquidos, precisamos seguir modelos iterativo-incrementais-articulados, frente a verdades voláteis, incertas, complexas e ambíguas.

MUndo.VUCA

Em artigo de 1995, dois signatários do manifesto ágil publicaram “Scrum And The Perfect Storm”, refletindo sobre as desventuras do barco Andrea Gail, diferenciando confiar apenas na leitura dos instrumentos (plano e métricas) e a importância de sempre se olhar pela janela do deck. Antes disto, Takeushi & Nonaka, fonte de inspiração para o Scrum ao citar a analogia ao Rugbi no antológico artigo “The New New Product Development Game” de 1986 na HBR dissertando sobre times auto-organizados, permanentemente reorganizando-se a medida que o jogo segue.

Somando Bauman, Bennis e Nanus, temos bons livros que nos fazem pensar em um tempo LIQUIDO e em uma realidade MU.V.U.C.A. (mundo VUCA), em permanente mudança, que nos exige multi-ajustes de rumo e posicionamento, que nos exige reposicionar na escala de horas, dias, semanas, não mais em meses ou anos, nossos planos, ou como disseram Ken e Jeff, mantenedores do framework SCRUM, ajustar o rumo de nosso barco de acordo com as ondas, o vento, a chuva e a nós mesmos … quer seja nosso barco uma organização, empresa, negócio, produto, serviço, projeto ou nossas carreiras.

O livro “Liquid Times” de Bauman é assim descrito:

“A modernidade imediata é leve, líquida, fluida, e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política.”

O livro “Leaders: Strategies for Taking Charge” de Bennis e Nanus:

“Neste estudo esclarecedor sobre liderança, o renomado guru de liderança Warren Bennis e seu coautor, Burt Nanus, revelam os quatro princípios-chave que todo gerente deve conhecer: Atenção por meio da visão, significado através da comunicação, confiança através do posicionamento e a implantação de si mesmo. Nesta era de enxugamento e reestruturação afetando muitos processos, as empresas caíram na armadilha da falta de comunicação e desconfiança, por isso a visão e a liderança são necessárias mais do que nunca.”

Fecho com uma reflexão, um pensamento bem mais antigo, categórico ;o)

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Dia 26/01/19 vai rolar um curso SCRUM de raiz

Tenho vários amigos e colegas querendo fazer uma reciclagem ou mesmo ter uma introdução aos princípios, métodos e moderadores na prática de métodos ágeis. Este não é um curso de certificação, é um workshop focado no que dá certo, no que não dá certo, principais desvios e oportunidades.

Terá teoria, práticas e diversão, um Sábado entre iguais, com pessoas com desconhecimento ou dúvidas sobre o tema. Quero compartilhar 10 anos de experiência e muito aprendizado vicariante (acertos e erros) – http://bit.ly/s360-0119

MODELO MENTAL Escotismo | Muros e feudos | Desarmando rótulos e paixões | Sociedade industrial ou do conhecimento | Autoconhecimento Não mudo nada porque não posso mudar tudo | Felicidade | Individualismo ou coletivo | Confiança e melhoria são como uma poupança | Mudança de hábito | Morte às baias e gaveteiros | Equilíbrio

SOBRE OS OMBROS DE GIGANTES  Lei Yerkes-Dodson | Ciclo de Deming | Pareto e Juran | Teoria da dissonância cognitiva | Teoria da contingência | Curva de Tuckman | Teoria da agência | Teoria institucional | Teoria das restrições | Matriz Cynefin | Gamification

PRINCÍPIOS ÁGEIS  Por que o método se chama “ágil” | Granularidade ágil | Manifesto ágil | Princípios ágeis | Algumas pessoas olham para o lado errado | Gestão do tempo | Estratégias de adoção | Pacto de equipe

INTRODUÇÃO AO MÉTODO  Scrum | Três pilares do Scrum | Overview do método Scrum | Product Owner | Scrum Master | Equipe de desenvolvimento | Fases do Scrum, Discovery e Delivery

DISCOVERY  Visão, 77 | User story | Critérios de aceitação | Reuniões de elicitação | Mínimo Produto Viável | User story mapping | Product backlog e sprint backlog

DELIVERY  Sprint planning | Planning poker | TDD, Test Driven Development | Engenharia ágil | Scrum board | Tarefas | Daily Burndown | Artefatos adicionais

MELHORIA CONTÍNUA  Review Entrega de pacotes | Retrospectiva | Melhoria contínua em TI é com Dojos | Resumo de 4 dicas em cada momento | Ferramentas para Scrum

GESTÃO E LIDERANÇA  Esferas de atuação | Gestão e liderança ágil | Agile é uma revolução permanente | Evite ser ágil só enquanto tudo dá certo | Ensaio sobre estimativas | Sem confiança não existe agilidade | Contratos ágeis

MÉTODOS  Extreme programming | Lean software development | Kanban | BDD, Behavior driven development | DDD, Domain driven designPMBOK | Engenharia de software

ECOSSISTEMA  Execução | PDCL, ágil | Estratégia para inovação | Manifesto ágil ajustado para outras áreas | Um PDCL no financeiro | Rainforest

GESTÃO DO CONHECIMENTO  Gestão do conhecimento | Conceito de Ba | Comunidades de prática | Agile subway maps e dashboards | Tipos de eventos | Hackatona PDCL | A colaboração é a menor distância | Eventos, confrarias e voluntariado | Acho que aprendi algo novo

Aqui compartilho um PDF em tamanho A3 no dropbox, se quiser baixar e imprimir, para ter na forma de um guia rápido a disposição – <baixe aqui>.

guiarápidoSCRUM360

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II Toolbox na Educação na Politécnica – 1ª parte

Uma noite mágica, o privilégio de interagir com mais de 50 professores da Politécnica, colegas e amigos dos cursos da engenharia, arquitetura e informática. Uma sequência de dinâmicas 100% horizontais, auto-organizadas, descontraidas … que geraram um mapa inicial de técnicas e estabeleceram metas para a segunda parte, mais duas horas semana que vem onde teremos Lightning Talks e detalhamento auto-organizado das melhores sugestões para 2019/1.

Rolou um papo inicial sobre o conceito e oportunidades, seguido de um super-warm up que adoro, o dos bonecos, que se transformaram em três personas em um exercício de empatia sobre o que esperam e pensam sobre o semestre que em mais um mês se inicia. Depois debates em grupos sobre aulas, técnicas e boas práticas, com a escolha e apresentação daquelas que cada grupo acreditava serem as mais impactantes e clusterização de todas. Daqui a uma semana tem mais …

A preparação foi desde cedo, murais, material distribuido em mesas para 10 grupos, chegando ao prédio 32 sob o coro de passarinhos, em meio a uma vegetação ímpar e que transmite uma grande satisfação em poder considerar a PUCRS-TecnoPUC minha segunda casa. Hoje seria a primeira parte de duas, a segunda será daqui a mais uma semana e terá a missão proposta pelo próprio grupo de montar nosso mural e cada um detalhar aquela técnica que mais curte, para aplicar a técnica de wall com postits verdes e amarelos sobre dompinio e desejo … gestão do conhecimento em sua materialização mais distribuida.

Todos nós somos mestres e alunos nessa vida, nos inspiramos e somos inspiração, curto Piaget, Bandura, Prensky, Ausubel, Kolb, Maturana, Ebbinghaus, … dezenas de mestres que interpretamos e nos apropriamos, resignificamos a nosso contexto, porque o mundo gira e muda um pouco a cada volta. Como base, cada mesa ficou com uma provocação falando sobre Educação 3.0, nativos/imigrantes digitais e sobre o movimento PUCRS 360° cada vez mais materializado em cada prédio e colega.

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Planejamento – Quase sempre as preliminares são cruciais

Há alguns anos eu propus e uso de um canvas para pré-inception, entretanto, não é só em software que esta abordagem faz sentido, isso vale para a vida. O canvas em questão é o SCRUM SETUP CANVAS, destinado a materializar, debater ou refletir sobre questões básicas relacionadas ao planejamento de um software corporativo.

Há exceções, reunir um grupo de pessoas para discutir um projeto de software em uma organização pode seguir um viés de inovação tal que não temos nem ideia de qual a tecnologia, quem serão as pessoas envolvidas, metodologia, bem como arquitetura ou plataforma … mas essa não é a regra, nem para tecnologia, nem boas práticas.

Em 95% dos projetos que me envolvo há um domínio e tecnologia implícita, usualmente há uma equipe envolvida, há padrões e limitações. Em sistemas financeiro, de RH, logística, varejo, entre outros, a inovação via de regra está nas histórias, nas características, ergonomia, usabilidade, etc.

A tempo, clique no link para acessar o manual com o canvas em A3 para impressão – https://jorgeaudy.com/manual-ssc-scrum-setup-canvas-ed-5/

A Mayra de Souza Machado incrementou alguns campos adicionais relacionados a outras combinações, como times remotos, ajustado a realidade do ZAP em https://medium.com/guma-rs/alinhamento-teamrules-facilita%C3%A7%C3%A3o-agreements-teams-canvas-acordos-do-time-cee832b65ba3

Nem sempre preencho todos os campos, as vezes alguns campos possuem seu próprio quadro ou canvas, como o Elevator Stetement ou um Mapa de Tecnologia, mas a intenção aqui é registrar o contexto metodológico e tecnológico em que o projeto transcorrerá.

Arquitetura e tecnologia

Um amigo meu defende que não vale a pena perder tempo mapeando a arquitetura e tecnologia no início, diz que isso deve acontecer conforme o projeto anda e decisões vão sendo tomadas, mas a minha experiência em projetos de software é que poderão haver experimentos, mas sempre temos um mapa amplamente conhecido.

Digo isso, porque frameworks, bibliotecas, linguagem, automação, boas práticas e técnicas influenciam em tudo, desde expectativas, estimativas até a aceitação, algumas vezes já prevendo possíveis variações entre MVP’s e Releases. Normalmente é rápido e muito elucidativo a todos os envolvidos – riscos e oportunidades.

Planejamento Estratégico ou Tático

Sempre que posso, saber quem somos é fundamental, já conduzi várias dinâmicas de planejamento estratégico, portfólio, programas, meu primeiro passo sempre é mapear quem são as partes envolvidas, seu dimensionamento e ao que estão dedicados, se possível, com um mapa de dedicação e portfólio.

Eu chamo estas prévias de aquecimento de sinapses, conheço muita gente que acha que ser inovador é partir de uma página em branco, mas estes casos sempre demoram mais para chegar no ponto de largada e com frequência esquecem coisas importantes que inviabilizarão suas conclusões.

O mais surpreendente e positivo em um bom briefing e combinações sobre o contexto em que estaremos planejando algo é que com frequancia não há um consenso fácil e alguns termos precisam ser pactuados, as vezes, alguém tem que ceder ou decidir para que uma só percepção seja estabelecida coletivamente.

Desperdício

Planejar a revelia de quem somos, o que somos, nossas competências e deficiências, é sinônimo de querer não perder tempo alinhando percepções essenciais, expondo conhecimentos e domínios relevantes, normalmente isso é sinônimo de engavetamento, porque na hora de fazer, surgem questões que foram deixadas de lado.

Para qualquer tipo de planejamento, quer estratégico, tático ou técnico, auto-conhecimento e alinhamento de quem somos e quem queremos ser é fundamental, porque gera uma percepção de realidade e desafios, pontos de atenção e viabilidade. O maior valor é o debate, resultando em um pacto em torno de termos de contexto.

Por exemplo, em Design Thinking se diz que um MVP (Minimum Viable Product) é a intersecção entre algo que é Desejável, Factível e Viável. Logo, é de se pressupor ser importante um bom mapeamento e auto-conhecimento para balizar o que é factível e o que é viável, ou pelo menos o que não é e exigirá mais recursos ou tempo.

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As 10 disciplinas organizacionais básicas

Comecei a disseminar de forma estruturada a compilação do meu livro TOOLBOX 360° em 2015, lancei o jogo DESAFIO TOOLBOX em 2016, a técnica TOOLBOX WALL em 2017 e finalmente um workshop baseado no jogo em 2018, que foi evoluindo para um baralho com 115 técnicas e boas práticas.

Durante o transcorrer desta estrada foi preciso diferenciar a executivos, gestores e profissionais envolvidos quais seriam as disciplinas envolvidas, já que a angústia sempre era o fato de existirem centenas de métodos, frameworks, técnicas e boas práticas … aos poucos estabeleci 10 delas.

As 10 disciplinas organizacionais por mim propostas foram divididas em 4 disciplinas essenciais – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões – e 6 disciplinas pragmáticas – Estratégia, Modelagem, Validação, Planejamento, Engenharia e Desafios.

Não tem nada a ver com polarização ou discução sobre qual o método, framework ou corpo de conhecimento ideal, mas ser preciso conhecer ao maior número possível deles, pontos fortes e fracos, especialmente complementares, caso-a-caso, conforme cultura, contexto e pessoas.

Pela visão poética do Pequeno Príncipe, do ócio criativo proposto pelo sociólogo italiano Domenico de Masi, passando por desenvolvimento pessoal, carreira, desenvolvendo projetos e operações, produtos e serviços, uma provocação à frequente miopia organizacional ao focar apenas em uma delas.

Por exemplo, materializando este sincretismo, eu mesmo publiquei alguns livros e ebooks ecléticos sobre SCRUM, Toolbox, Team Building Games, todos com reflexões sobre modelos e teorias, muitas oriundas da filosofia, psicologia, sociologia, ciências sociais, um deles só sobre isso – “Sobre os Ombros de Gigantes!”.

Tudo parte de um modelo mental iterativo-incremental-articulado, um passo de cada vez, com foco naquilo que é mais relevante e voloroso, eliminando ou mitigando todo tipo de desperdício. Isto exige empatia, sinergia e protagonismo, individual e coletivo em seu sentido mais amplo.

As essenciais refletem e provocam a necessidade da mudança pessoal, coletiva, na relação líder-liderados e principalmente na relação entre todos os envolvidos, gerando conexões fortes lastreadas em metas e objetivos comuns ou complementares, convergentes ou coopetidos (*).

(*) “Coopetição é uma estratégia de negócios baseada na Teoria dos Jogos, combinando cooperação e competição, com ganhos percebidos a todos os envolvido”.

As 4 disciplinas que eu batisei de “essenciais”, dizem respeito a base cultural, pessoas e suas relações, desde aspectos de carreira (proteana), passando por equipes (auto-organizadas), lideranças (management 3.0) e as conexões espontâneas, induzidas ou orquestradas.

Não adianta debater metodologias sem antes refletir sobre paradigmas de valores pessoais e coletivos, desenvolvimento de carreira, nossos sonhos e seus reflexos comportamentais, preferencialmente sinérgicos às metas e objetivos organizacionais – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões:

Nas 6 disciplinas que batisei de pragmáticas, complementares e consequentes às anteriores, estabelece-se a necessidade de alinhamento em seus 360°, desde o mercado, empresa, missão, visão, objetivos, de forma a gerar resultados valorosos em equidade a todos os envolvidos.

O foco aqui é o permanente ajuste do próprio foco, usando de empatia e sinergia, na construção de processos fluidos onde o protagonismo é compartilhado em 360° e constantemente redirecionado à melhoria contínua – Estratégia, Modelagem, Validação, Planejamento, Engenharia e Desafios.

Cada uma destas disciplinas possui dezenas de oportunidades, algumas fundamentais, por vezes complementares, outras divergentes, mas ao todo são centenas de  boas práticas para desenvolvê-las a bom termo. Este substrato garantirá que nossas escolhas não sejam casuais, mas uma opção comparativa e depois evolutiva.

Human Thinking – Das 10 disciplinas básicas de uma organização, quatro delas são essenciais a qualquer objetivo e ao seu sucesso, dizem respeito à pessoas e suas relações, outras seis são mais pragmáticas, relativas a projetos e operações, produtos e serviços, exploitation e exploration. Em uma visão holística, todas são igualmente relevantes, mas em uma visão sustentável e exponencial, pessoas são a base