Modelos ancestrais de melhoria contínua valem para todos

Venho me dedicando a apoiar profissionais, times e empresas a repensarem a forma de trabalhar, esse desafio me induz a ampliar mais e mais minha caixa de ferramentas em todos os sentidos. Por outro lado, quanto mais se ampliam as opções, mais os alicerces são os mesmos, como a filosofia Kaizen e o ciclo de Deming, ou Schewhart.

PDCA e Kaizen é tipo uma volta a origem, pequenas iterações evolutivas – planejando (Plan), executando (Do), acompanhando (Check) e aprendendo (Act ou mais recentemente Learn, PDCL). Se pensarmos em métodos ágeis, tudo e todos estão baseados neste conceito básico e essencial, se pegarmos tudo o mais que hoje se destaca, idem.

PDCA é uma metodologia pétrea

O Ciclo de Deming, ícone de uma filosofia aplicada a empresas, grupos e pessoas, que quase escoteiramente tem o bordão “Aprender fazendo!”. A seguir uma imagem, ela é melhor que mil palavras, eu estava brifando cada passo, mas me dei conta que ficaria muito longo, para cada estágio do ciclo tenho uma dezena de posts sobre técnicas destinadas a retrospectivas, gap analisys, modelagem, validação, planejamento, execução, … retroalimentação.

Kaizen é uma filosofia essencial

Assim como no ciclo de Deming, a filosofia e sequenciamento de técnicas inerentes a filosofia Kaizen para melhoria contínua é o draft de tudo o que venho depois, quer seja Agile, variações do Design Thinking, do Lean Startup. Baby steps, em ciclos como o PDCA, destacando o protagonismo dos envolvidos, o bom ser inimigo do ótimo. A imagem diz tudo, além do princípio de que cada um pode e deve contribuir, não é preciso aguardar alguém ou verba, com um pouco de sinergia, auto-organização, criatividade e bom senso é possível evoluir, mitigar, contornar, enxugar e evoluir de forma gradual.

Senão vejamos, se lembrarmos que o ciclo de Deming, iniciado por Schewhart, e os princípios Lean representados pela filosofia Kaizen nos remetem à década de 50 e que muito do que referenciamos como métodos, frameworks e modelos ágeis como o Scrum, Kanban, XP, muitos do que citamos para inovação e disrupção como o Lean Startup e Design Thinking, todos tem em seu cerne a geração de pequenos ciclos, de entrega antecipada de valor, validação e melhoria.

Quando nos afastamos um pouco, é possível ver lá embaixo de tudo, pilares do PDCA e Kaizen em ação, não importa se você é de TI, negócio, marketing, pessoas, financeiro, logística, secretaria, limpeza, … todos podem partir do óbvio, valorizar o coletivo, contar com os envolvidos, incentivar a auto-organização, gap analisys, pareto, fracionamento, priorização, ideação, proposição e experimentação, para aprender, evoluir, recomeçar tudo outra vez  :o)

Minhas primeiras aulas de GP na graduação é “Eu S.A.”, nelas compartilho uma visão onde tudo e todas as técnicas e boas práticas que tão bem usamos no trabalho para empresas e produtos, também são úteis para planejar nossa carreira. Ao pensarmos grande demais, tudo fica mais difícil, muitas vezes entra em postergação indefinida, mas ao fracionar o todo em pequenos pedaços e priorizando-os, tudo fica mais fácil, inclusive nosso cérebro responde melhor e se engaja com pequenas conquistas intermediárias.

Tenho muitos posts sobre carreira, mais ainda sobre comportamento, teorias e modelos … todo e qualquer plano, estratégico, tático ou operacional se beneficia ao fracionar, priorizar e executar, gerar resultados parciais, com aprendizados e correções do plano.

 

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Dinâmica: É tudo improviso … Vamos improvisar!

Com o desafio de fazer em três dias o planejamento de MVP’s e MMP’s de dois produtos, que irão resignificar a relação dos clientes com a empresa, com a presença de 30 pessoas de diferentes áreas, TI e facilitadores, montei um programa típico de uma inception – iniciando por um briefing completo das duas ideias, desenho de visão, objetivos e personas, construção da jornada atual e desejada onde os dois produtos se integram, identificação inicial de features, modelagem de MVP’s e MMP’s, as vezes trabalhando em quatro e dois grupos, sempre debatendo e convergindo para um só.

No final do primeiro dia, já com o briefing de alinhamento do histórico, ideias, trajetória, que gerou uma única visão, objetivos e personas, encerramos jogando “É tudo improviso!”, inspirado no programa liderado pelo Marcio Ballas na Band, onde 7 pessoas assumiram cada uma o papel de uma das personas mapeadas – cliente, marketing, atendimento, relacionamento, comercial, consultor e jurídico.

Encerramos o primeiro dia de forma muito divertida e colaborativa, representando passo-a-passo cada interação desde uma peça de marketing, o cliente assistindo, primeira interação, até a contratação, execução, feedback e conclusões, tudo sem scripts ou preparação, mas com profissionais que atuam nestas áreas improvisando diferentes situações. Meu papel era, a cada interação, registrar na parede com postits a jornada apresentada e suas variações.

  • Dia 1 – Boas vindas, QG com apresentações, briefing, visão, personas e objetivos, elevator;
  • Dia 2 – Overview do dia 1, jornadas, levantamento e relacionamento de features;
  • Dia 3 – Modelagem de MVP’s, MMP’s e parking lot, revisão e próximos passos.

Esta dinâmica é uma forma excepcional de encerrar o primeiro dia, pois todas as informações essenciais de entendimento inicial estão mapeadas nas paredes e oferece a oportunidade de todos co-criarem uma narrativa, um exercício improvisado de storytelling, antecipando os principais pontos da jornada que será desenhada no dia seguinte. Na prática, a jornada atual é desenhada de forma lúdica, quase sem esforço, se divertindo.

Dica: No final, para a próxima tive a ideia de oferecer aos voluntários dos papéis 5 minutos para que escolham ítens em uma caixa ou grande portfólio com diferentes elementos de cena, como chapéus, gravatas, cartões recortados e pintados, em escala majorada representando emails,  telefones, contratos, etc … uma moldura de TV ou monitor do computador para representar o sistema, uma lâmpada gigante para representar uma ideia.

Estas dinâmicas, como o “é tudo improviso”, crachá, 1-2-3, o nó humano, origami, triângulos, pair plane, boneco, etc, são importantes tanto para instigar a reflexão sobre colaboração, auto-organização, comunicação, co-criação, quanto são muito importantes para descontrair e relaxar. Lembrando que três dias de dinâmicas e a responsabilidade que isso envolve podem tornar extremamente cansativos se não houverem momentos de explícita diversão e … improviso :o)

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Serendipity é um achado casual resultado de muito empenho e saberes

“Alguém sempre poderá justificar dizendo que foi sorte!”

A criatividade e a inventividade é como um “músculo”, no caso de não os exercitarmos, eles ficam atrofiados, se de repente precisarmos dele … provavelmente não vão corresponder. Ideação e adaptação, jogos de improviso e charetting são bons exemplos, muitas pessoas travam ao tentar variar o contexto, pivotar ou idear.

O uso de técnicas colaborativas, cada vez mais disseminado em empresas de todos os portes e áreas de atuação, onde dezenas de profissionais usam dinâmicas e jogos para co-criação de estratégia, negócios, produtos, serviços, processos, mais sinergicos, lean, inovadores, é uma academia para a capacidade de questionar, idear, inventar, inovar,

A palavra Serendipity foi criada no século XVIII pelo escritor Walpole, referenciando os protagonistas de um dos seus livros que faziam descobertas “ao acaso”. A valorização se dava por não possuírem delimitações ou método, mas poder de observação, amplitude de conhecimentos e perspicácia, isso é serendipity!

Quando falamos de inovação, de design thinking, de Lean Startup, não estamos falando de genialidade, estamos falando de ideias, estudo, preparo, pesquisa, técnicas de brainstorming, métodos, mas também o acaso, como os Pivots oferecidos a qualquer momento, pois pior que não validar uma ideia, é fechar os olhos para a serendipity.

Pessoas bem sucedidas no Design Thinking por exemplo, estão dispostas a seguir métodos para ideação, modelagem, validação, tanto quanto dispostos a desapegarem de um pressuposto a fim de questionam ideias e hipóteses a luz do inesperado, é o famoso “evitar se apaixonar” pela solução ao fechar os olhos ao seu entorno.

Há oportunidades por todos os lados, Design Thinking, Lean Startup, métodos ágeis, Art of Hosting, comunidades, Dragon Dreaming, Team Building Games, Storytelling, … creio que todos nós estamos dispostos a investir algum tempo para o desenvolvimento desta habilidade. Se sozinho já é interessante, com parceiros de viagem é muito mais divertido.

Alguns casos se tornaram lendas, como o ovo de Colombo, a maça e a Física de Newton, a banheira e o princípio de Arquimedes, uma combinação de acasos e a Penicilina por Fleming, as rãs e a bioeletricidade de Galvani, … está ao nosso alcance em uma observação seguida de dedução, perspicácia, ideia, pivot, melhoria, solução, algo novo ou mudança.

Quanto tempo cada um de nós dedica para ampliar horizontes, novos conhecimentos, interagir com pessoas incríveis, participar de processo de ideação e inovação, se propõe a debater e melhorar aquilo em que está direta ou indiretamente envolvido, vale também voluntariado, somar sua experiência a contextos completamente diferentes … tudo é possível.

Conclusão

Serendipity pode ser um presente dos deuses, mas a amplitude de conhecimento, o estudo de diferentes assuntos, o interesse real pelo mundo que nos cerca, são características comuns que definem muitos dos maiores nomes da humanidade, a maioria deles capaz de navegar nos mais diferentes campos do conhecimento humano.

Serendipity não é fruto da sorte, ela tem a ver com alimentar sinapses, instigar a sinergia neural, a habilidade de somar 2 e 2 e descobrir um 5, tem a ver com networking, com capacidade de absorção, ambidestria, ócio criativo, se houveram Michelangelos, Galileus, Édisons, nos dias de hoje todos nós podemos desenvolver esta capacidade e habilidade.

De uma forma ou outra, serendipity representa alguns dos temas que mais compartilho aqui, relaciona-se à gestão do conhecimento, a ambidestria do conhecimento profissional e organizacional, dar-se ao direito de participar de coisas novas, de mudanças, de exercitar sua criatividade, sua perspicácia, senso de observação, síntese e dedução.

Afinal, seria natural dizer em 2020 que não queremos apenas fazer mais do mesmo, ver o tempo passar, queremos pensar, criar, nos surpreender, nos ver fazendo e ajudando a fazer algo diferente, criativo, inovador, … para isso é preciso estar atento, perceber sutilezas, somar detalhes, para debater e co-criar o melhor de nós mesmos.

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Contornando crenças limitantes, síndrome do impostor e dissonância cognitiva

Um período agitado para organizações e profissionais imersos em um mundo globalizado, tecnológico, “líquido”, tão rico em riscos quanto oportunidades. Mudar e inovar deixou de ser um privilégio ou opção, mas para fazê-lo é preciso acreditar que somos capazes, com acesso a informações, técnicas e tecnologia.

Albert Bandura chamava esse sentimento de auto-eficácia, afirmando que somos tão mais capazes enquanto acreditamos que podemos, conceito fundamental na autoconfiança, é a crença que uma pessoa tem na sua própria capacidade em completar uma tarefa ou resolver um problema a bom termo.

gato ou leão

Acima de tudo, ano de 2020, é preciso ter crença no aprendizado pela experimentação, pois se estamos tentando algo com propósito, auto-organizado, iterativo-incremental, evolutivo, estamos no caminho certo … é certo que haverá dificuldades, mas vamos nos adaptando aos poucos, método e cultura, aprendendo e melhorando.

Síndrome do Impostor

Síndrome do Impostor – A síndrome do impostor é uma teoria da psicologia desde meados dos anos 70 (Clance e Imes), no qual pessoas capacitadas sofrem de uma inferioridade ilusória, subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles.

É essencial que nos sintamos empoderados através da busca contínua de novos conhecimento e vivências … evitando nos compararmos ao que os outros aparentam, evitando achar que os outros fazem melhor porque são melhores e o que estamos fazendo está errado. Vivemos uma realidade em que o showbiz apresenta suas façanhas de sucesso irretocável, contrastando com as dificuldades dos que iniciaram e praticam ciclos iterativos, melhoria contínua e evolutiva, auto-organização a se questionarem sobre sua capacidade, abrindo mão de seus aprendizados … um ciclo vicioso que os coloca à procura do santo graal, do método infalível que nunca é o atual, mas o do guru da vez com receitas infalíveis.

Crenças Limitantes

Determinados pensamentos nos impedem de fazer algo que desejaríamos ou precisaríamos que acontecessem, estes pensamentos acabam por força do hábito negando a nós mesmos oportunidades ao implicitamente justificar o porque não daria certo ou não poderia acontecer.

Desde sempre vamos materializando muros e limites imaginários, que para alguns passam a ser reconhecidos como intransponíveis. Alguns vem na forma de proteção, quando alguém em quem confiamos nos alertam para perigos que ao serem introjetados teremos no futuro dificuldades para nos libertar. Da mesma forma que estas crenças podem ser positivas ou protetivas, elas também podem ser negativas e acabar nos limitando e impedindo que cresçamos e alcancemos o sucesso, seja no âmbito pessoal ou no profissional. Estes pensamentos são conhecidos como crenças limitantes e nem sempre são reconhecidos como tal.

Dissonância Cognitiva

Proposta por Festinger, procura explicar a própria necessidade de coerência entre nossas ações e cognições (crenças e conhecimento). Sempre que nosso consciente não encontra explicação para uma inconformidade, mecanismos psíquicos de defesa criados pelo nosso inconsciente se encarregam de explicá-la.

Estas defesas psíquicas não são dolosas, existem para nos proteger de nossas angustias e mesmo não conscientes podem ser percebidas e melhoradas, alguns destes mecanismos de defesa, negam, projetam, transferem, racionalizam, substituem, identificam-se, reprimem ou geram uma formação reativa. O uso eventual de defesas pelo inconscientes é normal, passa a ser problema quando passamos a usá-las com muita frequência, mascarando a realidade, mentindo para nós mesmos, impedindo nossas reações e aprendizados. Frente ao excesso, este embate diário entre crenças e atitudes semi-conscientes podem gerar conflitos, internos e interpessoais.

Antídoto e alquimia

O autoconhecimento é o grande antídoto, aquilo que transmuta teorias, modelos e aprendizados em mudanças evolutivas tem a ver com querer saber, com a inquietação de quem acredita que há mais além do muro daquilo que já sabemos, envolvendo questionamento e aprendizado. Ao saber o que não sabemos, podemos tomar decisões melhores, escolher priorizar, aprender, internalizar, aplicar, sistematicamente melhores que ontem, piores que amanhã.

Do limão, uma limonada

O ideal é escolhermos nossas batalhas por estarmos de olho no mundo, no mercado e em nós mesmos, estudando e compreendendo os porquês, avaliando de que forma pode ou não ser bom cada técnica e boa prática, mantendo-se em movimento o suficiente para não sermos surpreendidos pelo óbvio (desconhecido).

Toolbox – Há uma infinidade de técnicas para autoconhecimento, muitas confrontam Crenças Limitantes, Síndrome do Impostor e Dissonâncias Cognitivas ao gerarem o debate e questionarem colaborativamente causas e efeito. O mínimo é escrever nossos objetivos, planos ou desafios para debate, registrando e debatendo restrições e motivações, questionando como ir além, desconstruindo cada limitação, ideando sem filtros para validar e seguir adiante – CSD, alçada, 5w2h, cynefin, HMW, C8′, Johari, MVP,  validation, N canvas, causa x efeito, desconstrução, há técnicas para todos os gostos 🙂

Protagonismo para a inovação nas organizações

Post de férias, houve época, em que o bom funcionário (operário) era o que executava sem pensar, rapida e repetitivamente, mas hoje queremos mais, nos sofisticamos, tecnologia, sociologia, era do conhecimento, empresas que aprendem, profissionais T-Shaped, transformação digital, estruturas Duais, … o tal mundo VUCA pegando.

Desde a revolução industrial, pessoas eram pagas ou para pensar ou executar, aos poucos surgiram as áreas de estratégia, criação, planejamento, centros de P&D, áreas de inovação, … resposta para desenvolver as ideias de visionários ou por exigência do mercado com sua mítica mão invisível.

Inovação imprescinde de estratégia

Curto a alegoria do PMRank do Ricardo Vargas, aquela imagem estimula a gestão continuada de um grande funil de ideias e iniciativas, com programas, projetos, ideias, problemas, desafios, necessidades, alternativas e prioridades fluindo para um portfólio com clareza no alinhamento estratégico para a gestão de tudo o que chega ou lá está.

Mas atenção, este modelo deveria ter uma espiral – A estratégia e inteligência de mercado como driver, retroalimentados pela inteligência de negócios e mercado, pela experimentação de possibilidades. Ele parece cartesiano, mas ao colocarmos uma espiral, estabelecemos o caminho na busca pela sinergia e entropia, entre a execução e a inovação:

Dito isso, a seguir listo algumas referências sobre modelos e paradigmas de entrega, invenção e inovação que valem serem conhecidos e melhor pesquisados e estudados:

1. Capacidade de absorção

Capacidade absortiva é “o conjunto de procedimentos e rotinas pelas quais as empresas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacidade organizacional dinâmica” (Zahra e George, 2002, p.186). Capacidade dinâmica é “a integração da visão de recursos e competências na compreensão não só da criação como também da sustentação da vantagem competitiva das empresas (Lin & Wu, 2014; Makadok, 2001; Wu, 2010).

Um resumo prático sobre o conceito de capacidade de absorção organizacional é o quanto uma empresa, através de seus profissionais, é capaz de se reinventar em um processo contínuo de melhoria de seus fluxos, ferramentas, ambiente e pessoas (desenvolvimento humano), gerando inovação não só em produtos e serviços, mas no seu cotidiano, Kaizen.

2. Ambidestria organizacional

A ambidestria organizacional (Duncan, 1976; Tushman e O’Reilly, 1996) reflete sobre equilibrar a rotina, a inovação e a invenção. É preciso entregar o necessário, garantindo algum tempo para a inovação e a invenção. Se a operação consomem todo o tempo, privamos a inteligência e a mudanças, a melhorias e a disrupção no futuro.

Se temos sobrecarga diária e reservar tempo para melhorias sempre parece impossível, provavelmente nunca teremos tempo para melhorar, fazer diferente, ir além. Desta forma, ambidestria trata-se de estratégia e gerenciamento de tempo, a busca de um equilíbrio entre o hoje e a construção do futuro de curto, médio e longo prazo.

3. Os três horizontes da McKinsey

Uma invenção é uma forma nova de se fazer algo, enquanto uma inovação é o quanto algo novo é implementado e consegue gerar resultado ou valor. O modelo de 3 horizontes da McKinsey tornou-se um paradigma ao propôr um domínio sobre a estratégia da execução, equacionando a entrega necessária hoje, a inovação do amanhã e a disrupção no futuro.

Disrupção é a quebra ou descontinuação de um processo estabelecido, a 3M possuia uma regra organizacional que desafiava seus colaboradores a sempre manter mais de 50% de seus resultados provenientes de lançamentos recentes, garantindo uma empresa permanentemente empenhadas em entregar o hoje, mas inquieta com o amanhã.

4. Innovation By All – GPTW

A GPTW propôs uma abordagem de mensuração sobre o quanto uma empresa instiga que a inovação aconteça da forma mais espraiada possível, um modelo que chamou de Innovation By All (link original). Seus cientistas de dados definiram como índice IVR (Innovation Velocity Ratio) a proporcionalidade de colaboradores tendendo a inovar versus os que não.

A cada ano em seus estudos de IVR em grandes empresas americanas, apontam que uma maior taxa disposta a inovação tem aparente relação direta a um maior desempenho organizacional. Enquanto algumas empresas com IVR maior, acima de 20, estão no topo do ranking de performance organizacional, as de menores taxas estão bem mais abaixo.

O índice IVR criado pela GPTW é inversamente proporcional ao atrito existente para que a inovação se desenvolva. O IVR pode ser lido como uma proporção entre profissionais que tendem a tentar inovar para aqueles sem disposição, como 20 (para cada 20 profissionais dispostos a inovar, há 2 não dispostos) ou 5 (para cada 5 pró-inovação, há 2 indispostos).

5. Exploitation x Exploration

O conceito de Exploitation e Exploration do conhecimento organizacional (James G March, 1991, Organization Science) é muito instigante, pois é possível perceber em meio a estes dois conceitos um continuum entre inovação e execução, fases simbióticas que podem ser entendidas pela alegoria da transpiração (produção) e inspiração (inovação).

March (1991) teorizou o exploitation do conhecimento como sendo a necessidade de investir em conhecimentos já assimilados, de forma a monetizá-lo, produzi-lo, refiná-lo, criar processos e relacionamentos para convertê-los em crescimento econômico. O exploration é simbolizada pela inovação, pela geração de novos conhecimentos, podendo este ser algo novo ou uma nova forma de trabalhar um conhecimento pré-existente.

6. Organizações Exponenciais

O livro Organizações Exponenciais, escrito por Salim Ismail, Michael Malone e Yuri van Geest, apresenta o conceito de estruturas organizacionais percebidas por empresas não lineares, não matriciais, mais leves e em condições de crescer exponencialmente com estrutura mínima, própria ou terceirizada, em rede, baseada em parcerias e não propriedade.

O mundo tornou-se exponencial, tecnologia, globalização, conectividade, densidade populacional, mercado e a informação, com aspectos positivos e negativos, exigindo soluções exponenciais para desafios com igual taxa de crescimento. Como disse Zygmunt Bauman, são tempos líquidos, a cada dia um mundo ainda mais dinâmico, fluído e veloz.

7. Fábrica 4.0

Para termos a agilidade necessária na interpretação de eventos, novos cenários, respondendo rapidamente com flexibilidade, adaptação e efetividade, é preciso ter profissionais e equipes descompromissadas com o trabalho mais repetitivo e braçal, mais focados na inteligência e melhoria contínua de forma auto-organizada.

A chave para fazer mais e melhor, inovando, é a máxima gestão do tempo, com a eliminação de todo desperdício, para tanto é preciso usar ao máximo a tecnologia, a informática, sensores, robôs, IoT, de forma que as pessoas possam focar naquilo que é mais importante, o negócio, o cliente, o relacionamento, a experiência, a sinergia.

8. Áreas de P&D

Apesar de muito gurus da nova ordem abominar e falar contra a existência de áreas de inovação, o que eles querem dizer (espero que sim) é que a inovação é papel de todos, a constante percepção de oportunidades, melhoria, evolução, aprendizado contínuo sendo convertido em novas e melhores práticas, produtos, serviços.

Ao lermos sobre a nova ordem da inovação organizacional, parece que eles acusam ser uma falácia as unidades ou áreas de inovação, mas nada substitui uma área dedicado a pesquisa e desenvolvimento ou os famosos Labs de toda a empresa que se prese, pesquisando, ideando, experienciando IoT, ciência de dados, experimentos sociais, etc.

Enfim, dizer que inovação é de todos não é incongruente com a afirmação e relevância da pesquisa aplicada por equipes multidisciplinares e especialistas, manipulando tecnologia de ponta … talvez haja falta de contextualização aos que são contra, talvez pela pouca clareza do contexto aos que dizem que áreas dedicadas a inovação são um erro.

9. Mecanismos variados

Há um sem número de mecanismos que retroalimentam cotidianamente o funil e execução de ideias e iniciativas, metodologias e boas práticas, desde um plano estratégico de inovação, sua curadoria, priorização, MVP’s, validação, aprendizado. Universidades corporativas, gestão do conhecimento, design thinking, agile thinking, lean startup, …

Um bom primeiro passo é a disseminação dos modelos acima, menos hierarquia e mais redes, treinamentos, instrumentalização tecnológica, o uso de bons modelos que estabeleçam processos e desafios auto-organizados, facilitação e gestão visual, hackdays, hackatonas, a liberdade de microculturas independentes por propósito.

Incentivo extra? Fica ligado na “LEI DO BEM”

A lei 11.196/05 concede incentivos fiscais às empresas que realizem P&D focada em inovação tecnológica. O objetivo do MCTIC é fazer girar a tripla hélice, aproximando empresas, universidades e institutos de pesquisa a gerarem novos conhecimentos, produtos, serviços e se possível patentes nacionais.

O enquadramento à Lei é através de pesquisa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento experimental. Todas as empresas com quem trabalhei desde 2005 vem buscando aproveitar a Lei para poder investir ainda mais em inovação através de pesquisa e desenvolvimento de novos softwares, produtos e serviços.

https://www.mctic.gov.br/…/Guia-da-lei-do-Bem-Outubro-de-2017.pdf

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Baralho de Jogos 360° é para facilitadores, professores, mentores, coachs, …

Tenho centenas de posts sobre jogos, que em 2016 viraram um livro batizado de Jogos 360°, que posteriormente derivou para um workshop de 8Hrs em que além de teorias e práticas, debatemos a seleção e exercitamos a co-criação de jogos. Este ano mandei fazer um super baralho com os melhores 130 jogos, mais um guia e canvas.

O valor é R$100, só mandar email para toolbox.audy.360@gmail.com pedindo informações ou informando o endereço completo, ao responder, posto via correio, registrado e com seguro. combo com o novo baralho e tabuleiro redimensionados do Desafio Toolbox 360° é R$180.

No workshop, após experimentarmos e debatermos vários jogos ativos e também reflexivos, usamos vários canvas para modelagem de aulas com jogos, criação e desenvolvimento de jogos, canvas de gamification organizacional, exercícios inspiracionais em que cada grupo formado cria algo e apresenta.

1. Jogos 360° – https://jorgeaudy.com/jogos-360o/
2. Exemplo 1 – https://jorgeaudy.com/2018/08/06/11-08-18-1330-as-1730-jogos-360/
3. Team building games – https://jorgeaudy.com/2015/02/18/agile-games-team-building-games-icebreakers-warmups/

JOHAN HUIZINGA – O livro ‘Homo Ludens’ propõe o jogo como elemento cultural, inato ao homem e fundamental a sua evolução: “O jogo é uma atividade voluntária, exercida dentro de certos limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas obrigatórias; dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana.”

4. Criando jogos – https://jorgeaudy.com/2019/10/09/criando-jogos-para-times-grupos-turmas/
5. Exemplo 2 – https://jorgeaudy.com/2019/10/14/maratona-de-12hrs-de-jogos-e-seus-aprendizados/
6. Exemplo 3 – https://jorgeaudy.com/2018/07/17/workshops-de-14-07-jogos-360-e-toolbox-360/

RAIMUNDO ANGEL DINELLO – Dr. em Ciências Psicológicas, Sociologia da Educação, fundador da ‘Federación Latinoamericana de Ludotecas’: “En la expresión ludocreativa están todas las dimensiones del ser humano: social, cultural, afectividad, cognición, motricidad, placer, imaginación, diversión y mucho estímulo para un permanente aprender dado que estimula interés y alegría por descubrir sus propias potencialidades”.

7. Escola alemã de jogos – https://jorgeaudy.com/2018/11/16/a-nova-escola-alema-em-jogos-de-tabuleiro/
8. Game Mapping – https://jorgeaudy.com/2018/11/07/game-mapping-um-passo-a-passo-no-planejamento-de-jogos/

JUAN ANTONIO MORENO MURCIA – No livro ‘Aprendizagem Através do Jogo’ o autor espanhol trabalha as características evolutivas em cada uma das etapas educativas – “A atividade lúdica é tão antiga quanto à humanidade, o ser humano sempre jogou e através do jogo aprendeu a viver. A identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo como gerador de cultura”.

9. Organizando workshops – https://jorgeaudy.com/2019/03/05/organizar-workshops-e-muito-mais-que-burocracia/

JOGOS 360° em tabuleiro e baralho

O tabuleiro do JOGOS 360° é tamanho A3, dobrado ao meio, com frente e verso coloridos, de um lado temos um grande guia de possibilidades com espaço para marcação e possibilidade de uso de postits para apontamentos, no verso temos o meu canvas de mapeamento de jogos, desde a oportunidade/missão a sua organização e execução.

O baralho vem com quase o dobro de jogos que o livro, 130 icebreakers, warmups e agilegames, cada carta possui um QRCode que nos leva para o blog em um artigo mais detalhado sobre uso e com a possibilidade de comentários e contribuições, interagir comigo sobre detalhes, variações, material preparatório e muito mais.

Não acredito mais em livros para compartilhar conteúdos que são modulares, passíveis de serem reagrupados, versáteis o suficiente para montar murais, jornadas, marcações, … dezenas de possibilidades conforme nossa criatividade.

Não tenho mais livros, mas workshops e baralhos de TOOLBOX 360° e JOGOS 360°, cartas e tabuleiros ampliados, ainda mais úteis, fruto dos últimos meses de workshops, muitos feedbacks e aprendizados.

Um trabalho em equipe, a Luisa com sua arte, a Marinês com sua experiência em design, o investimento foi de 14k em gráfica e muito mais em tempo, preliminares, editoração, protótipos, bonecos, arte, editoração e atividades apaixonantes.

Jogos não são de hoje e vieram para ficar:

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Universidade Corporativa não é só para os grandes

Universidade Corporativa é “qualquer entidade educacional que estabeleça-se como uma ferramenta estratégica, projetada para auxiliar uma organização, focada nas formações específicas de seus líderes e colaboradores, sintonizada a seus interesses, objetivos e estratégias” – wikipedia.

Algumas das mais conhecidas Universidades Corporativas no Brasil são de empresas públicas, mas há cases no Brasil e mundo afora de universidades corporativas de grandes empresas, há décadas investindo no desenvolvimento de cursos de gestão, liderança e outros temas estratégicos.

O objetivo não é titulação, mas aprimoramento estratégico de hard e softskills desejados pelas organizações em seus quadros. A iniciativa pode ser própria ou desenvolvida em parcerias com instituições educacionais, um modelo que tradicionalmente exige grandes investimentos.

Pense bem, no século XXI, ano de 2020, milhares de cursos online de mínimo custo, nada impede que qualquer empresa, só ou em parceria, faça ou consuma aproveite trilhas a partir do que existe na web e pela geração de spots de videos ou podcasts sobre temas de interesse.

Antes de argumentar, alguns links após segundos de pesquisa no Google:

  • TED, por um mundo melhor e mais sustentável
  • 99U, uma grande variedade de vídeos educacionais
  • Coursera, uma plataformas de educação gratuíta
  • OEB, o Open Education Base tem milhares de aulas
  • AE, a Academic Earth oferece vídeos de universidades
  • Quora, comunidade aberta com milhares de tópicos
  • Gutemberg, o projeto disponibiliza milhares de livros
  • Wikiversidade, a versão educacional da WikiPedia
  • Duolingo é um site de ensino de linguas gratuito
  • Udacity é um site de aulas, diferentes matérias e campos

Qual o valor, o custo x benefício de uma boa curadoria web de conteúdos disponiveis na web e próprios, talvez uma plataforma com cursos, videos, podcasts, artigos, com agregação de comentários, contribuições, anexação de mídias variadas, …

Desta forma, pequenas e médias também poderiam ter sequências recomendadas de treinamentos e estudos de forma mediada, registrada e avaliada, fomentando o aprendizado organizacional a partir de seu nível mais essencial.

Muito se diz do imenso volume de conhecimento gerado a cada minuto, também sobre a (falta de) integridade ou confiabilidade de grande parte deste volume. Infelizmente, por outro lado, muitas empresas parecem perpetuar seus problemas aguardando poder contratar cursos famosos e onerosos.

Garimpar o que tem de bom no universo de possibilidades na web, pagos, freemium e abertos é uma arte acessível a todos e onde todos ganham … o importante é pensar Lean, baby steps, é praticar constantemente o desapego pelo ideal e gerar valor incremental …

O acesso cada vez maior à tecnologia permite hoje que informações de toda sorte cheguem até nós das mais diferentes formas. Num momento em que todos podemos ser, ao mesmo tempo, leitores e autores, surge a necessidade de saber selecionar no meio do caos aquilo que, de fato, tem relevância e credibilidade. Afinal, em que prestar atenção? O que realmente importa? Mario Sergio Cortella e Gilberto Dimenstein levam a debate nesse livro a ideia de curadoria do conhecimento. Em bate-papo instigante, eles apresentam esse novo conceito e iluminam vários aspectos de nossa cidadania. Pois, como apontam aqui, a formação continuada para a prática da curadoria, isto é, da socialização e mediação dos saberes, torna-se fundamental nesta nova era, seja nas escolas, seja nas empresas ou nos meios de comunicação, como forma de empoderamento do indivíduo.