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E por falar em Team Building …

Uma empresa no início do século XX era percebida explicitamente por grandes nomes da administração como máquinas, cada área e cada profissional em sua especialização, com um estrutura de comando e controle.

Em meados do século XX, empresas como organismos, pessoas como células tronco destinadas a especialização, equipes seriam órgãos e sistemas, pulmões, coração, ossos, músculos, com um cérebro tomando decisões.

Em função destas alegorias, nossos livros de administração mostram estruturas organizacionais previsíveis, como as tradicionais funcionais, matriciais e projetizadas, as três baseadas em premissas de comando e controle.

No início do século XXI temos estruturas ainda não reconhecidas por alguns livros de administração, mas que ilustram e materializam modelos baseados em redes, contendo ao mesmo tempo modelos formais e flexíveis.

Um dos meus gurus sobre teorias das organizações que aprendem e se adaptam dinamicamente, é Ikujiro Nonaka, que com seus parceiros gerou algumas das propostas mais consistentes para nortear esta mudança.

O modelo hipertexto propôs três dimensões organizacionais, uma formal, que estrutura e suporta, uma invertida com equipes auto-organizadas e uma terceira que explicita a gestão do conhecimento como um ativo organizacional.

Outro autor de renome, John P Kotter propôs uma estrutura que batizou de Dual, com uma dimensão formal, análoga a 1ª da hipertexto e uma análoga a 2ª através de redes dinâmicas conforme propósito, mais inquieta e inovadora.

“Kotter argumenta que você deve fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O lado hierárquico, analítico e sequencial dos negócios precisa de coordenação. O lado experimental, imaginativo e da rede, precisa de capacitação. Vinculando os dois para que operem em paralelo, mantendo o lado hierárquico conectado à inovações, para que a hierarquia acompanhe e construa o todo em vez de puxá-lo em direções diferentes.”

Kotter

Em 1972, Kotter doutorou-se e passou a lecionar na faculdade da Harvard Business School, passou a professor titular em 1981, nomeado Professor de Liderança Konosuke Matsushita, mítico fundador da Panasonic, inovador em gestão no Japão pré-guerra.

Os princípios de Konosuke Matsushita já na década de 30, foco da disciplina de Kotter, pregava a qualidade e eliminação de desperdícios, priorizando as necessidades dos clientes e colaboradores, com a responsabilidade de ser difusor de desenvolvimento social. O sucesso era a meta do empresário aos operários, nos anos 20 e 30 em meio a crises, manteve os quadros e pôs todos a vender e colaborar das formas possíveis.

matsushita

Não por acaso, há conhecimento e princípios essenciais que ligam os grandes nomes que admiro, Nonaka, Deming, Ohno, Matsushita, Juran, Kotter, Druker, mas me dando o direito à interpretação, prisma do aprendizado significativo de David Ausubel, pois precisamos interpretar o que descobrimos à luz de nosso saber (subsunçores).

Nos meus treinamentos, moldei gradualmente um conceito baseado em disciplinas, aos poucos consolidadas em sete, quatro essenciais e três pragmáticas – pessoas, equipes, liderança e conexões, seguido de estratégia, projetos e operações.

Dual ou ambidestramente, estruturei o cerne de conhecimentos e aprendizados em sete disciplinas, paradigmas e mais de 130 boas práticas, úteis de forma direta ou indireta no desenvolvimento humano e formação de times.

Materializando este sincretismo, publiquei livros e jogos sobre SCRUM, Toolbox, Team Building Games, com muitas teorias da filosofia, psicologia, sociologia e ciências sociais, porque precisamos estar “Sobre os Ombros de Gigantes!”.

TEAM BUILDING

4 essenciais – Quatro disciplinas que dizem respeito a base humana, social, sobre pessoas e suas relações, desde aspectos de contribuição e carreira (proteana), passando por equipes (auto-organizadas), lideranças e conexões (redes), espontâneas, induzidas ou orquestradas – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões:

3 pragmáticas – Três disciplinas práticas, onde o foco é inspiração e transpiração, usando de empatia e sinergia, na construção de processos fluidos onde o protagonismo é compartilhado em 360°, colegiado, colaborativo, constantemente redirecionado para melhoria contínua de suas metas, entregas e aprendizados – Estratégia, Projetos e Operações.

Não há uma receita de bolo, mas um grande substrato que nos proporcionam rápida interpretação, alinhamento, experimentação, validação, alimentando ciclos contínuos e virtuosos. A cada oportunidade, um maior domínio sobre este substrato garantirá que nossas escolhas não sejam casuais, mas uma opção comparativa e evolutiva.

Uma boa abordagem é discutir brevemente prismas e paradigmas de mercado, de estrutura e desenvolvimento humano, para então dedicar-se de forma prática no entendimento e exercício real, primeiro falando de pessoas, como se agrupam e trabalham juntas, como exercem liderança, para então entender as possibilidades de conexões.

Em um dia de exercícios partindo das questões mais essenciais, humanas, passamos a algumas das melhores práticas relacionadas a estratégia, táticas e execução de projetos e operações … desde o início com foco em modelagem de quem somos e como fazemos para nos ressignificarmos e propormos melhorias incrementais relevantes .

Cada uma das disciplinas conta com dezenas de oportunidades, variáveis conforme as características do próprio time, cultura organizacional, processos, produtos e serviços, mas há uma linha mestra:

  1. Pessoas com maior domínio sobre seu planejamento de carreira, auto-conhecimento e planos;
  2. Equipes com clareza de missão, contexto, intra e inter, em ciclos contínuos de melhoria contínua;
  3. Liderança baseada em transparência, confiança, proporcionando o substrato e meios possíveis;
  4. Conexões, tanto intra-equipe, inter-equipes e inter-organizacional, mercado e comunidade;
  5. Estratégia enquanto envolvimento, comunicação, alinhamento claro em prol de sinergia e resultados;
  6. Projetos, inspirado em paradigmas ágeis, colaborativos, empírico e convertendo o máximo de valor;
  7. Operações, baseadas intensamente em comunicação, gestão efetiva de fluxo com foco em solução.
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Desenhando sua vida

Na minha palestra no TEDxLaçador eu afirmo que “Somos Um Só”, quer no trabalho, lazer ou descanso, sempre podemos usar nossos conhecimentos e aprendizados. As empresas adotaram abordagens do Lean Startup, Design Thinking, Métodos Ágeis, Art Of Hosting, Gamification e muito mais, que também são úteis para nossas vidas pessoais e carreiras.

Um dos cursos mais famosos de Stanford é o “Designing Your Life”, criado por Bill Burnett e Dave Evans, que virou best seller sobre como podemos usar abordagens típicas do Design Thinking em tudo na nossa vida. O objetivo é termos uma boa vida e um bom trabalho.

Uma vida bem projetada é uma vida generativa, constantemente criativa, produtiva, mutável e evolutiva, sempre aberta a surpresa!

Existem quatro áreas, para as quais devemos manter ou buscar o equilíbrio em nosso redesenho de vida:

1. Saúde é a base, em todos os seus aspectos, física, emocional, mental e espiritual;
2. Trabalho, de forma plena, naquilo para o que somos pagos ou voluntariado;
3. Lazer, valorizando aquelas coisas que você faz para se divertir;
4. Amor em toda sua amplitude, apaixonado, fraterno, por pessoas e pelo mundo que nos cerca;

Abordagem esta que baseia-se, segundo os autores, em cinco atitudes:

1. Seja curioso – A melhor combustivel para melhorar algo é a curiosidade, ela nos move para o estudo, na busca por outras formas melhores em atingir nossos objetivos. Assim como na teoria da ambidestria organizacional, onde empresas devem gerar resultados ao mesmo tempo que devem dedicar algum tempo a inovação e empreendedorismo em suas diferentes forma. A curiosidade, o questionamento, a inquietude, são valores essenciais da melhoria contínua;

2. Experimente – Há décadas nos empenhamos para que empresas se utilizem de protótipos, pilotos ou etapas com rápido feedback. Sempre é possível fracionar o que é preciso fazer, de forma que ao iniciar, os resultados venham da forma mais rápida possível na forma de validação e geração de valor, ou mesmo da percepção antecipada do erro, para que possamos percebê-los o quanto antes e agir para mudar, corrigir, inovar;

3. Repense – Se experimentar é uma necessidade, é preciso estabelecer ciclos muito curtos de feedback, para assim dar-nos ao direito de repensar e mudar o que fazemos e mesmo o que queremos. Assim como nas empresas, a vida deve ser iterativo-incrementais-articulada, evitando as vezes a falta de foco, a postergação, a manutenção de algo errado além do mínimo necessário ou de nos beneficiarmos de algo que está dando certo o máximo possível;

4. Aproveite – A vida é uma longa caminhada cheia de surpresas, riscos e oportunidades, é preciso estarmos abertos a aproveitar a estrada e não viver apenas para aproveitar o destino final. Os autores afirmam que a vida é um processo e não um resultado, a qual precisa ser vivida a cada dia, as vezes aproveitando o melhor possível, as vezes assimilando algo de ruim que tentaremos reverter da melhor forma possível;

5. Parceiros – Eu uso o termo “parceiros de viagem”, porque se a vida é uma caminhada, é muito melhor se a trilharmos em boa companhia … Quem são seus parceiros de viajem? Mais que nunca, empresas se utilizam de processos empaticos e colaboradtivos para gerar melhores produtos, serviços e processos. Assim, é preciso estarmos atentos aos sinais que o mundo nos oferece na forma de feddbacks, de diferentes opiniões, sugestões, contra posições, a diversidade é aliada das boas decisões.

No curso de Burnet e Evans, em Stanford, os participantes realizam uma sequência de atividades de auto-conhecimento a (re)desenho de sua vida e carreira:

1. Avaliação – Aqui eu uso a roda da vida, alinhado ao que eles sugerem, que é a realização de uma autoreflexão sobre o balanceamento de sua vida, o que está legal e o que não. Este exercício mostrará um diagnóstico sobre o equilibrio entre a qualidade da vida, pessoal, profissional e relacionamentos;

2. Visão – Aqui eu uso o mapa dos sonhos e Ikigay, ferramentas que demonstram e nos lembram nosso propósito, o que amamos fazer, o que temos habilidades e conhecimentos para fazer bem, aquilo que alguém está disposto a nos pagar para fazer e aquilo que agrega valor ao mundo, ao nosso entorno;

Eles tem uma dinâmica em que propõe que cada um escreva até 250 palavras sobre o que entende como um bom trabalho e uma boa vida. Mais que isso, eles afirmam que a partir destas palavras é possível apreender nossa visão de vida e trabalho desejados e que negá-los gerará insatisfação, senão hoje, em curto prazo.

3. Diário – Eles chamam de Good Time Journal, que é na verdade um desenho de jornada onde esclarecemos o passo-a-passo de nossa vida durante três semanas típicas, podendo ser a jornada de casa, do trabalho e lazer. O desenho, assim como em Customer Journey Map, é enriquecido com informações e sentimentos;

As anotações devem ser sublinhadas ou escritas em verde aquilo que nos traz prazer e em vermelho o que não gostamos. Caso a caso devemos desdobrar, para cada anotação verde ou vermelha, ao que ela nos remete, o que nos lembra, o que nos inspira ou desagrada;

4. Planejamento – Eu uso um conceito próximo à uma User Story Mapping, enquanto eles propuseram um canvas muito legal que chamaram de “Odyssey Plan”, projetando os próximos 5 anos, mínimo de 3. Nele identificamos um título assertivo e perguntas que o plano responde/responderá;

5. Validação – Eles recomendam técnicas típicas de validação, através de prototipação, pesquisa, consultas com pessoas que são nossos parceiros de viagem, talvez nossos gurus e bruxos. É seguir o conceito do Lean Startup de “get out of the building” e validar ideias no mundo lá fora com pessoas e fatos reais.

https://www.forbes.com/sites/adigaskell/2016/09/16/5-steps-to-help-you-to-design-your-life/#7677482c24d1

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Conhecer e reconhecer Rapport pode ajudar

Aconteceu uma situação curiosa ontem, um amigo me confidenciou que foi comprar uma coisa no shopping e acabou comprando outras peças que não queria. Me lembrou um episódio dos anos 80, uma pessoa da família estava em um shopping e comprou um short colorido … quando chegou em casa, ele me deu o short porque jamais o usaria 🙂

Muito provavelmente, boas técnicas de vendas foram usadas para envolver, instigar e gerar uma reação imediata a seus estímulos, incentivando satisfazer o impulsos momentâneo de compra através de técnicas de Rapport. Isso não é do mal, é psicologia aplicada, pode sim estimular algo indesejado, mas pode ser usado para gerar sinergia e resultados positivos.

Segundo significados.com.br – “Rapport é um conceito do ramo da psicologia que simboliza uma técnica usada para criar uma ligação de sintonia e empatia com outra pessoa. Esta palavra tem origem no termo em francês rapporter que significa “trazer de volta”.

Muito estudado e praticado em vendas, marketing, área comercial, um tema comum em palestras de PNL. Valoriza a empatia como meio, atenção ao contato visual (olho no olho), valorização da comunicação não verbal (expressão facial, gestual, postura) e controle sobre a comunicação verbal (tom, volume, ritmo e vocabulário).

Não só em vendas, é claro, usado também em mentoria, facilitação, coaching, liderança, qualquer relacionamento inter-pessoal pode se beneficiar de boas práticas de empatia em interações humanas positivas. O foco aqui é lembrar que é interessante saber que existe, facilitando ser percebido conscientemente.

Ao conversar com estudiosos, comum ouvir técnicas como a de espelhamento, influenciando para que a outra pessoa se identifique e desarme-se durante uma conversa, demonstrar ser um bom ouvinte, mostrar interesse no que é falado e utilizar princípios da psicologia positiva nas devolutivas, chamar o outro pelo nome e … sorrir.

É bom ouvir o que o outro fala, mostrar que ouviu e teve interesse verdadeiro pelo que foi dito, é possível espelhar o comportamento do outro, postural, verbal, de forma a gerar uma identificação e maior empatia. No caso de vendas, é importante treinar, a naturalidade é chave para não parecer uma tática proposital, o que pode gerar rejeição.

Ao descobrirmos o conceito de Rapport, muitas das técnicas usadas em nós por vendedores, presenciais ou online, passam a chamar a atenção e, quanto mais estivermos conscientes, mais teremos controle sobre o que queremos ou não, evitando sermos envolvidos e respondermos a impulsos momentâneos nem tão conscientes assim …

Acho que hora dessas vou incluir Rapport no baralho de Toolbox  🙂

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Mais um ano de vida e de blog – 2012 a 2019

Fiquei curioso em montar uma linha de tempo, mês a mês com o que rolou de diferente, afora o trabalho de consultoria e facilitações mais habituais e curti muito, tanto que vou compartilhar na foma de relatos fotográficos e textuais mês a mês.

Já me considerei desenvolvedor (’80), analista (’90), gestor (‘2000) e agilista (‘2010), mas hoje sou acima de tudo apaixonado pela docência, sou professor, não para ensinar ou compartilhar, mas para provocar debates e reflexões.

A seguir os últimos quatro trimestres de interação com pessoas … alunos, professores, empresas, ONG’s e todo tipo de voluntariado e parcerias nos livros e workshops – Scrum, Toolbox, Jogos, propostas de modelos, canvas e abordagens.

No último ano ultrapassei os 1200 posts, a maioria sobre teorias, modelos e fundamentos que em 35 anos de carreira, cursos, mestrado e docência vou assimilando, jamais apenas repetindo, sempre interpretando e dando minha opinião.

No blog são mais de 500 pages views por dia, com picos que chegam a mil, fruto dos compartilhamentos sem filtros ou interesses, posto que os workshops aqui em Porto Alegre visam principalmente a inquietação e o auto-questionamento.

No dia do meu aniversário fiz o seguinte post com igual percepção, de agradecimento, pois o universo tem sido muito gentil comigo e por isso tenho tentado retribuir da melhor forma a meu alcance:

Desde já agradeço a todos, todos mesmo, perto ou distante, que sei torcemos uns pelos outros, que tentam fazer o bem e tornar esse nosso mundo um pouco melhor. Hoje faço níver, pelo telefone, redes e pessoalmente já recebi o carinho de pessoas queridas de minha infância, faculdade, trabalho, então quero compartilhar o que foi esse ano novo biológico que reinicia hoje. Primeiro, acima de tudo, após o nascimento dela, da Luisinha … quem é pai/mãe sabe, nossa maior conquista passa a ser ver nossos filhos crescerem, se desafiarem e irem atras de seus sonhos, orgulho maior não há. Aqui no trópico, com a Marinês, conquistamos muitas coisas juntos, nem sempre é fácil, há obstáculos, mas principalmente compartilhamos uma visão de futuro com vários desafios para nós e apoiando nossa pequena. Obrigado a todos, me sinto abençoado em ter chegado onde cheguei, com quem cheguei e com tantas perspectivas apaixonantes adiante! \o/ Feliz final de 2019 para cada e que venha 2020!

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Grato a quem interage comigo de alguma forma, quer no escotismo, na Amigos Anjos, na politécnica e escola de negócios da PUCRS, professores e alunos, na DBserver, empresa que escolhi trabalhar por me sentir em casa e nas redes sociais!

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Iniciando uma CoP

A seguir uma proposta para o início e realização de uma CoP, com alguns links de técnicas úteis a cada passo. Pensando em formação de grupos, teremos a FORMAÇÃO, mais a coragem de permitir a ENTROPIA inicial da auto-organização, seguido de um período significativo de SINERGIA, eventualmente enfrentando momentos de QUESTIONAMENTO.

1. FORMAÇÃO

A formação exige empenho de um ou mais early adopters, que se empenharão em identificar as pessoas, energizá-las, propor um primeiro formato baseado em boas práticas e eventualmente conduzirão a(s) primeira(s) experiência(s).

É preciso providenciar canais de comunicação simples, assíncrona e aberta (Slack, Rocket, GDrive, grupos em redes sociais, etc), bem como um espaço físico para a(s) primeira(s) agenda(s).

É legal formalizar um convite formal à participação, apresentando o conceito e valor de CoPs, auto-organização, aprendizado vicariante, foco em gestão do conhecimento, não só compartilhar, mas também gerar novos.

Sugerir a primeira pauta e promover uma primeira pesquisa junto aos convidados, alinhando expectativas, estabelecendo os principais temas que cada um pode contribuir e que cada um gostaria de desenvolver colaborativamente.

Propôr um formato simples de quebra-gelo para integração e check-in, diferenciado na primeira reunião e variado nas seguintes. Um pitch inicial pode ser Nome de guerra, hobby/paixão, área/valor/business envolvido, domínio do papel, expectativa na CoP ou nível de confiança. Variados quebra-gelos podem incentivar a inovação, a colaboração, etc.

Reiterar a importância deste canal de forma assíncrona, colaborativa, auto-organizada, muito além das reuniões, mas diariamente como forma de tirar dúvidas, sugestões, dicas, empoderamento do papel e o valor que agrega.

2. ENTROPIA

Evite decidir pautas, conteúdos, material, necessidades, … de forma unilateral. Faça a pesquisa sugerida no tópico de formação acima e monte as pautas de forma colaborativa. A primeira terá uma sugestão e provavelmente será seguida, mas auto-organização exige confiar nas pessoas e na sua capacidade de propôr e debater o que mais agrega valor.

Desmistifique desde o início a busca por reuniões perfeitas, formais, organizadas e assertivas, pois a auto-organização pressupõe “deixar que um grupo co-crie e co-gestione seus interesses em comum, experimentando e melhorando conforme suas características únicas, singulares”. Pressupomos que isso gera maior engajamento e senso de pertença.

O conceito de Ba (Takeushi & Nonaka) é a percepção que a geração de conhecimentos se dá em espaços físicos e virtuais que ofereçam as condições para que isso aconteça. Evite focar mais na reunião presencial que nos fundamentos, técnicas e condições para que a pauta, compartilhamento, debates e co-criação aconteça.

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3. SINERGIA

Uma CoP não é um grupo criado para tirar dúvidas e aliviar as “dores” sobre um assunto ou papel, muito mais que isso, ela existe para desenvolvimento pessoal, coletivo, para o compartilhamento e geração de conhecimento.

Desta forma, podemos inicialmente debater aqueles temas de maior dor, temas que estão prejudicando sua atuação e que colegas já resolveram (aprendizado vicário – A Bandura), a seguir aperfeiçoar aquilo que fazemos a bom termo mas descobrimos haver formas melhores de fazer, mas rapidamente passamos a experimentar, criar, ousar.

Há CoP’s que ao perceberem um esvaziamento de problemas explícitos a resolver, aproveitam seu fórum para promover o estudo, a leitura de livros, novas tecnologias, trazer profissionais de referência, assistir webinars e estudos de casos com o intuito de debate em grupo sobre entendimento e aproveitamento.

Na linha da Antroposofia, uma CoP não é só para aprender “o que sei que não sei”, possui missão mais ambiciosa em debater “o que sei”, “o que sei que não sei”, “o que não sei que não sei” e até mesmo “o que não sei que sei”. Muitas vezes é preciso fazer CoP de CoP’s, trazer diferentes visões, o que a IDEO chama de desfocar o grupo.

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4. QUESTIONAMENTO

O dia-a-dia é um vortex que em determinados períodos nos consome, é previsível que haja momentos de questionamento se uma CoP continua sendo útil … há quatro abordagens que respondem a esta pergunta:

1. Realmente não é mais necessária, simples assim, já cumpriu seu papel, agregou, mas há outros mecanismos que suprem esta necessidade de aproximação e sinergia, é o que Tuckman chamou de fase de Adjourning no seu estudo conhecido como a curva de Tuckman;

2. Talvez a CoP esteja focada demais no passado, em retrospectivas, tentando apenas resolver problemas ao invés de olhar o que queremos ser, em futurespectivas. Este momento é ultrapassado pela tomada de consciência de conceitos de ambidestria, de capacidade absortiva, de conceitos de carreira em perfil Pí e Comb Shape;

3. Muitas vezes é porque o dia-a-dia esta consumindo todo o tempo, nestes casos é preciso refletir o que Cristopher Argyris diferenciou entre single loop e double loop, talvez estejamos focados em resolver os efeitos e não as causas … está na hora de gerar tempo a partir de debates sobre análises causais e melhoria da origem dos problemas;

singlee double

4. É preciso sempre que seja algo auto-organizado, com apoio, mas com protagonismo e pertencimento distribuído, se alguém assume a propriedade e protagonismo centralizado da CoP, é uma questão de tempo para as pessoas não se verem como parte, mas como recurso, negando inconscientemente os motivos de sua participação.

LINKS ÚTEIS

Para embasar, sugiro a leitura de um post de 2014 sobre este tema – https://jorgeaudy.com/2014/10/27/agile-e-cop-como-queijo-e-goiabada/

Outra leitura sugerida é uma pesquisa publicada sobre inter x intra – https://jorgeaudy.com/2015/05/29/cop-capacidade-absortiva-e-desempenho-organizacional/

Modelo SECI e Conceito de Ba (Takeushi & Nonaka) – https://jorgeaudy.com/2014/10/11/seci-papeis-do-scrum-e-grupos-de-pratica/ e https://jorgeaudy.com/2013/07/11/a-teoria-do-ba-e-nao-e-piada-de-gaucho/

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Feedback do envelope

Um jogo bem descontraído e flexível, que pode ser aleatório ou N x N, em que a equipe acomoda-se em um círculo de conselho, eu curto sentar no chão ou em um círculo sem uma mesa ao centro.

Em círculo, coloque ao centro folhas de tamanho A5, canetinhas coloridas, supondo sete integrantes, cada um recebe um envelope A4, oferecendo alguns minutos para colocarem nele seu nome e um desenho que o represente.

Após cada envelope ter o nome de seu proprietário, cada um passa o envelope ao primeiro colega a sua esquerda (sentido horário), enquanto o facilitador solicita que cada um pegue uma folha e escreva ou desenhe algo.

Por exemplo, a primeira solicitação pode ser escrever um ponto forte ou elogio de algo recente sobre o dono do envelope que está com você. Cada um está com um envelope, cada um escreve algo e coloca dentro dele.

A partir daí, peça que repassem o envelope que tem em mãos para o próximo a sua esquerda (sentido horário), orientando um novo assunto, como os abaixo, até que cada um receberá seu envelope e encerra-se o ciclo.

Cadencie, é para ser breve, um minutinho ou dois para cada tópico, se alguém não quiser preencher em algum item, peça que coloque em branco. Na hipótese inicial de

  • Um ponto forte ou elogio?
  • Se ele(a) fosse um bicho, qual seria?
  • Uma mania, caquete ou esquisitice?
  • Alguma paixão que ele(a) tem, artes, música, filmes, esporte, …?
  • Uma atitude recente que ele(a) poderia ter feito diferente?
  • Qual a roupa preferida, estilo ou peça?
  • Se ele fosse um som, qual seria? escreva este som.

Dá para sequenciar de variadas formas, ao encerrar o ciclo e o envelope voltar aos donos, peça que cada um abra seu envelope, leia o que tem dentro e escolha aquele que achar mais pitoresco.

É possível deixar as perguntas mais descontraídas ou mais sérias, é possível fazê-lo com o objetivo de feedback oculto, apenas como quebra-gelo, eu adapto ao momento e oportunidades.

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Minha palestra no TEDxLaçador

Saiu o vídeo com a minha TEDx Talk no TEDxLaçador, compartilhando minhas vivências e aprendizados no uso de Agile, Lean Startup, Design Thinking e Team Building Games na vida de uma forma geral … do trabalho para nosso dia-a-dia e vice-versa, em grupos, coletivos, salas de aula, em família.

Link para playlist das palestras no Youtube

Agradeço esta oportunidade à Ana Goelzer, Claudia Sander e Cris Lavratti, pelo convite, mentoria e apoio neste marco na vida de qualquer um, palestrar em um TEDx como o TEDxLaçador. Antecedido pela manhã por palestras apaixonadas, falando de raça, inclusão e vida, a tarde por um tanto de tecnologia e futuro.

Diretor executivo do programa de design em Stanford na Design School, Bill Burnett usa o Design Thinking para fazer repensar nossas carreiras, naquele que se tornou um dos cursos mais famosos daquela universidade, conhecido como Designing Your Life.

Bruce Feiler tem uma ideia sensacional: Para lidar com o estresse da família moderna, sejamos ágeis. Com inspiração em metodologias para desenvolvimento de software Ágil, Feiler introduz práticas familiares que encorajam flexibilidade, fluxo de ideias e comunicação verdadeira em 360º, transparência e co-responsibilidade.

Um dos signatários do Manifesto Ágil, Jeff Sutherland é um dos maiores especialistas mundiais em gerenciamento organizacional. Ele vai explicar como ser ágil, como tudo começou, não apenas no desenvolvimento de software.

Não poderia deixar de fora a TED Talk do Tim Brown falando sobre Design em sistemas cada vez mais participativos, gerando valor relevante além das opções iniciais, co-criando novas opções além do previsível.

Grato, um dia marcante para mim e para muitos, que gerou muitos links, contatos e que provavelmente gerará variados frutos no futuro breve.

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