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Home Office exige disciplina e indisciplina na medida certa

Listei alguns tópicos relevantes para quem nesses dias de covid-19 está atipicamente em casa fazendo um home office forçado, marquei de forma despretensiosa com (+) aqueles que exigem um tanto de maior disciplina e com (-) aqueles que inevitavelmente, por bem ou por mal, exigirá abrir um pouco a mão da disciplina e controle:

Antes de mais nada, carinho com quem tem menos compreensão: Tenha empatia, alerte e combine com os colegas e chefe para todos terem um pouco de paciência com eventuais deslizes dos filhos. Mas, pense bem, ter o papai ou a mamãe em casa, mostrando para eles como é legal o seu trabalho, pedindo uma “ajudinha”, brincando vez em quando no vídeo com os colegas, … Assim ficará mais fácil eles colaborarem. Lembre-se que seus filhos (gatos e cachorros também) estão acostumados a ter toda sua atenção quando você está em casa, precisarão de tempo para se acostumar que você está em casa, mas não a disposição, tenha paciência com eles e se necessário alerte e peça que o chefe, o cliente e os colegas também tenham.

AMBIENTE (+): Estabeleça uma mesa para ser o seu “home office”, preferencialmente uma mesa para que tenhas uma postura ergonômica, isso vai ajudar a seu cérebro começar a se adaptar caso essa parada de covid-19 demore um pouco mais que o esperado, sem stress, mas essa definição ajuda também a conjuge, filhos, outras pessoas a lembrarem que estás trabalhando.

CHURRASCARIA (+): Divirta-se, faça uma placa tipo churrascaria, vermelha de um lado e verde do outro. Assim como o garçom, se estiver no vermelho não é para atrapalhar (vídeo, áudio ou tentando achar uma solução), só não deixe sempre no vermelho nem brigue se alguém esquecer … é uma forma de tornar esse puxa e solta com a família mais inusitado, diferente;

START (+): Eu recomendo o mindset da técnica dos 7 minutos no início de cada dia ou jornada, garanta alguns minutinhos com uma folha em branco, <1> liste as pendências do dia anterior, <2> liste os compromissos do dia, <3> seja criativo, pense o que vai rolar, ordene, priorize, veja e avise a quem está aguardando se algo não vai rolar. Um brainstorming individual e singular no início de cada dia ajuda a ter maior clareza nas prioridades, entregas, comunicações de status e é um excelente motor de arranque;

AGENDA (+): É importante manter uma agenda clara de reuniões, mesmo aquelas que antes não precisava agendar. No escritório é só cutucar o ombro do colega e bater um papo, mas lá percebemos o contexto, se o momento é apropriado, agora estamos todos distantes uns dos outros, então é preciso um pouco mais de disciplina e se possível combinar os melhores horários e agendá-los;

HORÁRIO (+/-): Por um lado, é muito positivo manter a rotina, acordar, tomar um bom banho, colocar uma roupa (**) confortável, mas por outro é preciso relaxar com os pequenos imprevistos previsíveis por estar em casa, o interfone, o vizinho, o conjuge, a filha (*), o contexto doméstico exige que não tornemos o dia “duro” demais para não tornar a experiência tensa … aproveite;

(*) FILHOS (-): Cara, relaxa, tenha uma visão de produtividade e entrega para o seu dia, mas não tente fazer de conta que está no escritório, seus filhos ou crianças não conseguirão entender isso. É preciso ser estratégico, ter papel e lápis, ir administrando e fazendo combinações de boas, sem stress, a parada tem que ser equilibrada e diplomática, senão vai ser o inferno. Em alguns casos, sua produtividade provavelmente será menor e a galera, inclusive o chefe tem que entender isso;

(**) DRESS CODE (-): Pessoalmente acho ruim trabalhar em casa de pijama e pantufa, melhor manter um mínimo de indicadores ao cérebro que você está perto do sofá, da TV, da geladeira, mas que não é final de semana e temos trabalho a fazer. Manter o habito de “ir para o trabalho” é significativo para o seu cérebro. Outra coisa, evite iniciar um vídeo sem camiseta, de cueca, etc, achando que ninguém vai perceber, daqui a pouco o celular cai, você passa na frente do espelho, o note fecha e aí vira folclore;

SW VÍDEO (+): Mantenha o(s) SW de video sempre aberto(s) e disponível(is) para chamadas (***), combine entre a galera o meio e mantenha-o aberto, porque cada um deles tem seu tempo para abrir e conectar, o Zoom usa uma chave, Teams, Whatsapp web, Skype, Hangout, Whereby, etc, cada um demora um tanto para abrir e fechar a conexão, senão terão que chamar mandar email ou Whats pedindo para abrir o vídeo ou áudio.

(***) OLHO-NO-OLHO (-): Uma coisa que aprendi com algumas equipes remotas é que podemos manter a chamada de vídeo o tempo que quisermos, mesmo sem falar, focados no trabalho, com todos em MUTE, para alguns ver os rostinhos dos colegas ali na tela ao lado ou em background torna tudo mais confortável e focado. Dá para fazer uma brincadeira, mostrar um recado, aproximar descontraindo;

GELADEIRA (+): Você vai ter que ter mais disciplina com a geladeira, no final de semana assaltar a geladeira faz parte, mas assaltar sete dias por semana não vai dar … policie-se, senão quando o covid-19 passar, você vai ter que passar uma temporada numa clínica de emagrecimento ou spa. Mantenha os mesmos hábitos do trabalho, um chimarrão, talvez um lanchinho no horário de sempre. Uma opção legal é ter frutas a mão e comprar menos bugigangas, isso tira a ansiedade gerada pela proximidade da geladeira;

Relaxe e aproveite, quem sabe é uma experiência forçada que nos autorizará a praticá-la com mais frequência por opção no futuro próximo.

A tempo, covid-19 não é o apocalipse Zumbi, então não consuma mais que o necessário, não compre mais que o necessário, seja racional em tudo, é só seguir as orientações … sem corridas aos supermercados, ok! Com calma, cuidados, consumo inteligente e usando a tecnologia a nosso favor, logo passa e dentro do possível aos poucos voltamos ao normal.

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Um quadro virtual para rabiscar em tempos de COVID-19

Na linha do “Estamos isolados em casa, e agora?”, a seguir compartilho várias ferramentas para co-criação de mapas mentais e diagramas de forma compartilhada e distribuida. No post anterior postei os que uso para reuniões em vídeo, neste post vai mapas mentais colaborativos:

https://miro.com/app/dashboard/ – Este é o que mais eu usei e ouvi citações nos últimos meses, permite diferentes mapas mentais em uso compartilhado de forma que todos possam interagir e editar o mapa em construção.

https://canvanizer.com/ – Esse é um dos mais antigos e mais versáteis, permitindo dezenas de templates em diferentes tipos de mapas, canvas e modelos muito úteis. Eu não o uso muito basicamente porque 99% dos times com quem trabalho estão fisicamente reunidos ou muito próximos.

https://www.mindmeister.com – Mapas mentais raiz, para quem curte síntese e diagramação de mapas conceituais com seus nodos, conectores, informações, cores, etc. Também tem os http://www.xmind.net/download/win/, o http://www.mindnode.com, o http://coggle.it/, entre outros.

https://sketchboard.io/ – Esta solução oferece vários tipos de elementos e recursos para a montagem mapas, diagramas, modelos e permite a edição concorrente por várias pessoas ao mesmo tempo.

https://drive.google.com/drive/u/0/my-drive – Não podemos deixar de forma alguma o GDrive fora desta lista, porque todos os tipos de arquivos por ele facilitados permitem colaboração e concorrência – documentos, planilhas, desenhos, …

Há muitos mais, se procurar por ferramentas colaborativas para mapas mentais, desenho e canvas, vai aparecer uma lista enorme … mas o que eu queria era provocar a experimentação de uma delas, gerar o interesse … em tempos de todas as equipes estarem distribuídas em home office, essas dicas podem ser úteis. As vezes tudo o que queremos é um quadro branco para poder rabiscar  🙂

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Entrevista para o programa Mundo VUCA

Falamos sobre paradigmas e pragmatismos, disrupção e status quo, sobre teorias e modelos, porque se o Mundo é VUCA, como fazer para surfar nessa onda? É óbvio que não tem receita de bolo, mas tem muitas dicas legais de ingredientes, gestão do conhecimento, parceiros de viagem e sobretudo autoconhecimento, autodiagnóstico e mãos a obra, experimentando, tentando e aprendendo a cada tentativa.

Conheci o Alexandre Ascal e o Ramon Peres Luis da I2DH em um dos meus workshops Toolbox 360° há um ano atras, como o universo conspira e é 100% VUCA, quis o destino que descobríssemos amigos em comum e que acabaríamos no Living 360° juntos gravando um programa sobre empresas e profissionais do século XXI para o programa Mundo VUCA da Esteio News OnLine, onde são âncora, produção, direção e câmera.

Grato pela oportunidade!

Alexandre Ascal – https://www.linkedin.com/in/alexandre-ascal-de-melo-05230921/

Ramon Luis – https://www.linkedin.com/in/ramon-luiz-486473195/

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A forma precisa estar a serviço da função

É preciso estarmos atentos e pró-ativos quando percebemos que a empresa irá investir em espaços mais integrados ou disruptivos, garantir que haja o debate de visão, brainstorming, personas, co-criação de jornadas, trade off e priorização. Nossa pró-atividade pode gerar ótimos espaços e de quebra disseminar com outras áreas e profissionais abordagens de Design e Service Thinking, de quebra potencializar o investimento.

Estamos envolvidos diariamente em técnicas do Lean Startup, Design Thinking, Service Thinking, Art of Hosting, Agile e muitas outras fontes, chega um hora que parece que todo mundo está na mesma batida, mas não é assim, projetos, ações e iniciativas a todo momento são iniciadas sem pesquisa, buscar por empatia e sinergia, debate e seleção envolvendo de alguma forma todos direta e indiretamente interessados.

SALAS INOVADORAS

Todos nós vemos pipocarem fotos de salas destinadas a incentivar a inquietação, criatividade, inovação, disrupção, … cores, formas, puffs amarelos, sofás, quadros, até obras de arte e jogos  🙂   Em parques tecnológicos, empresas privadas e estatais, espaços coworking, mais recentemente em universidades e colégios … a provocação visual e dinâmica de que são lugares diferentes para fazer diferente!

Há uma profusão de estudos e modelos, é preciso pesquisar as práticas que ali acontecerão e necessidades, consultar os usuários. A forma e a função devem andar juntas, espaços arenas possuem um propósito, não é para qualquer sala, ao invés de tentar preencher todos os espaços como todas as ideias, buscar o equilíbrio e lembrar que menos é mais, garantindo espaço para dinâmicas e movimentação por exemplo.

A foto abaixo é uma sala da UniRitter Iguatemi, o amarelo ao fundo é uma colméia de Puffs em seus nichos, assim não atrapalham quando não usados e ficam bonitos, poderiam até ser de duas cores ou tons para fazerem mosaicos, As 24 mesas são dobráveis e ficam embaixo de uma grande bancada, as cadeiras são empilháveis em um nicho ao fundo a direita, há três projetores independentes, um maior ao centro e dois nas laterais, ligados juntos ou em separado para liberar a parede para uso, a bancada sobre as mesas pode receber mochilas e materiais para não ficarem atrapalhando, a sala tem equipamento de áudio pelo HDMI e a parede lateral esquerda é toda de vidro para a rua … não sei quem projetou, mas com certeza estudou, pesquisou, foi um trabalho profissional. Um sala realmente multiuso que vale cada tostão investido!

SALAS DE TRABALHO

O mesmo vale para espaços aberto com grandes bancadas, que deveriam instanciar um estudos e conceito sobre o tema, espaços amplos, áreas de transição, zoneamento multiuso, intercalando com espaços privados, como salas de reuniões de diferentes portes e de integração. Espaços abertos não são o mesmo que linha de produção, não são várias bancadas apertadas em espaço mínimo, com mais gente que o razoável.

Em 2016 a Johnson & Johnson materializou muito de minhas crenças em um post sobre seus estudos e investimentos no que chamaram de “Programa de inovação do local de trabalho“. Um Conceito de Open Workspace com espaços amplos em equilíbrio com áreas de transição e espaços privados temporários, diferenciados, semelhante a vários exemplos que compartilho mais adiante.

Aproveitando, da uma olhada nessa matéria na Harward Business Review, ela discute o assunto de “workspaces-that-move-people“, um artigo denso, longo e multi-facetado … Para ser publicado na HBR isso é o mínimo que podemos esperar … fala sobre o uso de espaços abertos ou não, promover interações entre as pessoas, fala de zonas de conforto, mudança em adaptação a novos paradigmas.

Conceito de Ba 

A sala não é a protagonista, a empresa pode ter salas pequenas, grandes ou médias, mas sempre serão as pessoas que geram, compartilham, trocam, doam e adquirem conhecimentos. Mas, com certeza, o ambiente é um moderador ou mediador em muitas destas possibilidades de constituição do conceito de Ba, oferecendo espaços mais atraentes, amplos, instigantes, provocativos em diferentes sentidos e percepções.

Quando falamos de “Ba Concept” (Takeushi & Nonaka), a sala ou espaço utilizados podem sim ajudar, podemos chamar de Ba cada espaço compartilhado momentaneamente para geração de conhecimento, de forma consciente e organizada, mesmo uma conversa na hora do intervalo, um café, se investido de contexto visando o debate e troca.

  • Um espaço Físico como escritório, espaço de negócios, etc;
  • Um espaço Virtual como e-mail , teleconferência, etc;
  • Um espaço Mental como ideias, valores, objetivos, experiências.

O Ba não é um valor objetivo, mas subjetivo e dependente dos atores que o constituem ou constroem, cabe a organização proporcionar as condições, incorporar estes valores em seu modelo mental e de seus integrantes, não tem hierarquia, é orientado ao senso de pertencimento. São quatro os tipos de Ba: originating, dialoguing, systemizing e exercising:

Bah

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Mais um papo descontraído para um Canal de vídeo

Mais uma entrevista legal falando sobre mercado, pessoas e reflexões sobre a era do conhecimento, novamente para o Vale dos Sinos, para o Canal Esteio News. Esta foi gravada ali no prédio 15, conhecido como Living 360° na PUCRS, para o Alexandre Ascal e o Ramon Peres Luis.

https://www.facebook.com/RTvesteionews/ – te inscreve no canal para não esquecer e conto com feedback de quem assistir, ok. Antigamente eu recusava todos os convites para mídias tradicionais e digitais … mas são experiências muito instigantes e geram uns feedbacks muito legais.

Vai pro ar na terça-feira do dia 10/03, a data invertida do meu aniversário, compartilhando muito das minhas crenças enquanto professor PUCRS, consultor DBServer e instrutor Sputnik sobre mercado, empresas e profissionais em uma era de reconhecimento de soft skills e sinergia.

Espero que curtam   o/

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Contornando crenças limitantes, síndrome do impostor e dissonância cognitiva

Um período agitado para organizações e profissionais imersos em um mundo globalizado, tecnológico, “líquido”, tão rico em riscos quanto oportunidades. Mudar e inovar deixou de ser um privilégio ou opção, mas para fazê-lo é preciso acreditar que somos capazes, com acesso a informações, técnicas e tecnologia.

Albert Bandura chamava esse sentimento de auto-eficácia, afirmando que somos tão mais capazes enquanto acreditamos que podemos, conceito fundamental na autoconfiança, é a crença que uma pessoa tem na sua própria capacidade em completar uma tarefa ou resolver um problema a bom termo.

gato ou leão

Acima de tudo, ano de 2020, é preciso ter crença no aprendizado pela experimentação, pois se estamos tentando algo com propósito, auto-organizado, iterativo-incremental, evolutivo, estamos no caminho certo … é certo que haverá dificuldades, mas vamos nos adaptando aos poucos, método e cultura, aprendendo e melhorando.

Síndrome do Impostor

Síndrome do Impostor – A síndrome do impostor é uma teoria da psicologia desde meados dos anos 70 (Clance e Imes), no qual pessoas capacitadas sofrem de uma inferioridade ilusória, subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles.

É essencial que nos sintamos empoderados através da busca contínua de novos conhecimento e vivências … evitando nos compararmos ao que os outros aparentam, evitando achar que os outros fazem melhor porque são melhores e o que estamos fazendo está errado. Vivemos uma realidade em que o showbiz apresenta suas façanhas de sucesso irretocável, contrastando com as dificuldades dos que iniciaram e praticam ciclos iterativos, melhoria contínua e evolutiva, auto-organização a se questionarem sobre sua capacidade, abrindo mão de seus aprendizados … um ciclo vicioso que os coloca à procura do santo graal, do método infalível que nunca é o atual, mas o do guru da vez com receitas infalíveis.

Crenças Limitantes

Determinados pensamentos nos impedem de fazer algo que desejaríamos ou precisaríamos que acontecessem, estes pensamentos acabam por força do hábito negando a nós mesmos oportunidades ao implicitamente justificar o porque não daria certo ou não poderia acontecer.

Desde sempre vamos materializando muros e limites imaginários, que para alguns passam a ser reconhecidos como intransponíveis. Alguns vem na forma de proteção, quando alguém em quem confiamos nos alertam para perigos que ao serem introjetados teremos no futuro dificuldades para nos libertar. Da mesma forma que estas crenças podem ser positivas ou protetivas, elas também podem ser negativas e acabar nos limitando e impedindo que cresçamos e alcancemos o sucesso, seja no âmbito pessoal ou no profissional. Estes pensamentos são conhecidos como crenças limitantes e nem sempre são reconhecidos como tal.

Dissonância Cognitiva

Proposta por Festinger, procura explicar a própria necessidade de coerência entre nossas ações e cognições (crenças e conhecimento). Sempre que nosso consciente não encontra explicação para uma inconformidade, mecanismos psíquicos de defesa criados pelo nosso inconsciente se encarregam de explicá-la.

Estas defesas psíquicas não são dolosas, existem para nos proteger de nossas angustias e mesmo não conscientes podem ser percebidas e melhoradas, alguns destes mecanismos de defesa, negam, projetam, transferem, racionalizam, substituem, identificam-se, reprimem ou geram uma formação reativa. O uso eventual de defesas pelo inconscientes é normal, passa a ser problema quando passamos a usá-las com muita frequência, mascarando a realidade, mentindo para nós mesmos, impedindo nossas reações e aprendizados. Frente ao excesso, este embate diário entre crenças e atitudes semi-conscientes podem gerar conflitos, internos e interpessoais.

Antídoto e alquimia

O autoconhecimento é o grande antídoto, aquilo que transmuta teorias, modelos e aprendizados em mudanças evolutivas tem a ver com querer saber, com a inquietação de quem acredita que há mais além do muro daquilo que já sabemos, envolvendo questionamento e aprendizado. Ao saber o que não sabemos, podemos tomar decisões melhores, escolher priorizar, aprender, internalizar, aplicar, sistematicamente melhores que ontem, piores que amanhã.

Do limão, uma limonada

O ideal é escolhermos nossas batalhas por estarmos de olho no mundo, no mercado e em nós mesmos, estudando e compreendendo os porquês, avaliando de que forma pode ou não ser bom cada técnica e boa prática, mantendo-se em movimento o suficiente para não sermos surpreendidos pelo óbvio (desconhecido).

Toolbox – Há uma infinidade de técnicas para autoconhecimento, muitas confrontam Crenças Limitantes, Síndrome do Impostor e Dissonâncias Cognitivas ao gerarem o debate e questionarem colaborativamente causas e efeito. O mínimo é escrever nossos objetivos, planos ou desafios para debate, registrando e debatendo restrições e motivações, questionando como ir além, desconstruindo cada limitação, ideando sem filtros para validar e seguir adiante – CSD, alçada, 5w2h, cynefin, HMW, C8′, Johari, MVP,  validation, N canvas, causa x efeito, desconstrução, há técnicas para todos os gostos 🙂

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E por falar em Team Building …

Uma empresa no início do século XX era percebida explicitamente por grandes nomes da administração como máquinas, cada área e cada profissional em sua especialização, com um estrutura de comando e controle.

Em meados do século XX, empresas como organismos, pessoas como células tronco destinadas a especialização, equipes seriam órgãos e sistemas, pulmões, coração, ossos, músculos, com um cérebro tomando decisões.

Em função destas alegorias, nossos livros de administração mostram estruturas organizacionais previsíveis, como as tradicionais funcionais, matriciais e projetizadas, as três baseadas em premissas de comando e controle.

No início do século XXI temos estruturas ainda não reconhecidas por alguns livros de administração, mas que ilustram e materializam modelos baseados em redes, contendo ao mesmo tempo modelos formais e flexíveis.

Um dos meus gurus sobre teorias das organizações que aprendem e se adaptam dinamicamente, é Ikujiro Nonaka, que com seus parceiros gerou algumas das propostas mais consistentes para nortear esta mudança.

O modelo hipertexto propôs três dimensões organizacionais, uma formal, que estrutura e suporta, uma invertida com equipes auto-organizadas e uma terceira que explicita a gestão do conhecimento como um ativo organizacional.

Outro autor de renome, John P Kotter propôs uma estrutura que batizou de Dual, com uma dimensão formal, análoga a 1ª da hipertexto e uma análoga a 2ª através de redes dinâmicas conforme propósito, mais inquieta e inovadora.

“Kotter argumenta que você deve fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O lado hierárquico, analítico e sequencial dos negócios precisa de coordenação. O lado experimental, imaginativo e da rede, precisa de capacitação. Vinculando os dois para que operem em paralelo, mantendo o lado hierárquico conectado à inovações, para que a hierarquia acompanhe e construa o todo em vez de puxá-lo em direções diferentes.”

Kotter

Em 1972, Kotter doutorou-se e passou a lecionar na faculdade da Harvard Business School, passou a professor titular em 1981, nomeado Professor de Liderança Konosuke Matsushita, mítico fundador da Panasonic, inovador em gestão no Japão pré-guerra.

Os princípios de Konosuke Matsushita já na década de 30, foco da disciplina de Kotter, pregava a qualidade e eliminação de desperdícios, priorizando as necessidades dos clientes e colaboradores, com a responsabilidade de ser difusor de desenvolvimento social. O sucesso era a meta do empresário aos operários, nos anos 20 e 30 em meio a crises, manteve os quadros e pôs todos a vender e colaborar das formas possíveis.

matsushita

Não por acaso, há conhecimento e princípios essenciais que ligam os grandes nomes que admiro, Nonaka, Deming, Ohno, Matsushita, Juran, Kotter, Druker, mas me dando o direito à interpretação, prisma do aprendizado significativo de David Ausubel, pois precisamos interpretar o que descobrimos à luz de nosso saber (subsunçores).

Nos meus treinamentos, moldei gradualmente um conceito baseado em disciplinas, aos poucos consolidadas em sete, quatro essenciais e três pragmáticas – pessoas, equipes, liderança e conexões, seguido de estratégia, projetos e operações.

Dual ou ambidestramente, estruturei o cerne de conhecimentos e aprendizados em sete disciplinas, paradigmas e mais de 130 boas práticas, úteis de forma direta ou indireta no desenvolvimento humano e formação de times.

Materializando este sincretismo, publiquei livros e jogos sobre SCRUM, Toolbox, Team Building Games, com muitas teorias da filosofia, psicologia, sociologia e ciências sociais, porque precisamos estar “Sobre os Ombros de Gigantes!”.

TEAM BUILDING

4 essenciais – Quatro disciplinas que dizem respeito a base humana, social, sobre pessoas e suas relações, desde aspectos de contribuição e carreira (proteana), passando por equipes (auto-organizadas), lideranças e conexões (redes), espontâneas, induzidas ou orquestradas – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões:

3 pragmáticas – Três disciplinas práticas, onde o foco é inspiração e transpiração, usando de empatia e sinergia, na construção de processos fluidos onde o protagonismo é compartilhado em 360°, colegiado, colaborativo, constantemente redirecionado para melhoria contínua de suas metas, entregas e aprendizados – Estratégia, Projetos e Operações.

Não há uma receita de bolo, mas um grande substrato que nos proporcionam rápida interpretação, alinhamento, experimentação, validação, alimentando ciclos contínuos e virtuosos. A cada oportunidade, um maior domínio sobre este substrato garantirá que nossas escolhas não sejam casuais, mas uma opção comparativa e evolutiva.

Uma boa abordagem é discutir brevemente prismas e paradigmas de mercado, de estrutura e desenvolvimento humano, para então dedicar-se de forma prática no entendimento e exercício real, primeiro falando de pessoas, como se agrupam e trabalham juntas, como exercem liderança, para então entender as possibilidades de conexões.

Em um dia de exercícios partindo das questões mais essenciais, humanas, passamos a algumas das melhores práticas relacionadas a estratégia, táticas e execução de projetos e operações … desde o início com foco em modelagem de quem somos e como fazemos para nos ressignificarmos e propormos melhorias incrementais relevantes .

Cada uma das disciplinas conta com dezenas de oportunidades, variáveis conforme as características do próprio time, cultura organizacional, processos, produtos e serviços, mas há uma linha mestra:

  1. Pessoas com maior domínio sobre seu planejamento de carreira, auto-conhecimento e planos;
  2. Equipes com clareza de missão, contexto, intra e inter, em ciclos contínuos de melhoria contínua;
  3. Liderança baseada em transparência, confiança, proporcionando o substrato e meios possíveis;
  4. Conexões, tanto intra-equipe, inter-equipes e inter-organizacional, mercado e comunidade;
  5. Estratégia enquanto envolvimento, comunicação, alinhamento claro em prol de sinergia e resultados;
  6. Projetos, inspirado em paradigmas ágeis, colaborativos, empírico e convertendo o máximo de valor;
  7. Operações, baseadas intensamente em comunicação, gestão efetiva de fluxo com foco em solução.