Startup Quest 360°

Com a adoção da cultura Startup por grandes empresas, o Gartner propôs em 2012 uma combinação de modelos a seus clientes e ao mercado – design thinking, lean startup, UX, Agile. Acredito nisso, participo de projetos, experimentos e debates sobre esta simbiose de ferramentas, geradora de uma poderosa Toolbox para pequenos, médios e grandes.

Por quê? Quando? Qual? Design Thinking, Lean Manufacturing, Lean Startup,  Design Sprint ou Agile? | by Raquel Deneige | Medium

Mas, na minha opinião, estes modelos induzem a ver uma jornada linear, da esquerda para a direita, ao invés de uma espiral interativa. A cada ciclo reiniciamos com um novo desafio incremental, onde usaremos reiteradamente os princípios, abordagens e técnicas do Lean Startup, Design, UX, Agile, … a cada passo, novos desafios e hipóteses a validar.

A ALEGORIA DA ESCALADA

Fossemos escalar o Everest e em nosso PERCURSO teríamos o acampamento base, 1, 2, 3 até o cume, representando os passos da nossa solução – problema, ideia, modelagem, prototipação, MVP, MMP, negócio. Para dar certo, temos nossa MOCHILA com o equipamento necessário para sobreviver e avançar, mitigando os riscos inerentes a uma escalada desta natureza. Na nossa mochila temos os métodos, ferramentas, técnicas e boas práticas, nela temos o lean startup, o design thinking, métodos ágeis, simbolizando nossa toolbox e de nossos parceiros. Sempre há um trabalho de equipe, nunca se escala sozinho, nem sem mochila …

Uma alegoria não é pensada para entrarmos nos detalhes ou tentar explicar o modelo, é aquilo que Ausubel chamou de subsunçores, algo conhecido que ajuda a entender os princípios de algo novo sendo apresentado, aquilo que Ash Maurya no Lean Canvas chamou de High Level Concept … funciona se relaxar e aproveitar a brincadeira!

UM RALLY DE RESISTÊNCIA

Em um Rally, o percurso são as etapas que devemos percorrer, com ou sem paradas – Desafio, modelo, protótipo, MVP, MMP, produto, empresa – enquanto o carro, mapa, GPS, técnicas, equipe, são os métodos e boas práticas que vamos reutilizar a cada trecho. É preciso estar se comunicando o tempo todo, aferindo e fazendo cálculos, analisando o mapa, aferindo o GPS, atento ao tempo e a comunicação com a equipe, tem a gasolina, pressão do óleo, radiador, … há vários tipos de rally, assim como estratégias de uma startup, estrada, cross country, resistência, regularidade, usando um carro, jeep ou um Toyota Pajero com apoio do fabricante.

MODELO STARTUP QUEST

Proponho aqui o modelo “Startup Quest“, uma espiral para soluções inovadoras. É para ser um modelo didático, por isso está organizado da seguinte forma: A esquerda temos 6 (seis) forças motrizes, ao centro um ciclo de 4 (quatro) disciplinas, a direita uma espiral com 7 (sete) etapas evolutivas, passível de Pivots (recomeçar, permitir-se mudar).

A essência do modelo está em uma espiral, onde a cada giro definimos a estratégia mais adequada para aquele momento, a partir do problema que queremos resolver, ideia, modelo, protótipo, produto, … Para desenvolvê-lo, usaremos princípios e técnicas do Design e do Agile, visando gerar valor de forma enxuta, em prazos e custos adequado.

Eu pensei muito sobre a explicitação do Lean Startup, mas Steve Blank e Eric Ries não são um ciclo ou passo, são o mindset, o customer development é a base para todo o modelo, está implícito na espiral, a cada giro, em eventuais pivots que mudem o entendimento do problema ou da ideia de solução … ele não precisa estar explícito, é o ar que nos oxigena.

PROPÓSITO E HUMANIDADE

Tudo inicia pelo nosso PROPÓSITO, o que nos move, porque empreender. Uma referência comum são os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, gerar valor de forma equânime, equilibrando a forma como é gerado, distribuído e mantido. É responsabilidade de todos e per si são fonte inesgotável de novas soluções e inovação de interesse social.

Nele, é preciso termos interesse em RELACIONAMENTO HUMANO, porque escuta ativa, ética e empatia NÃO é só com o cliente, mas sócios, parceiros, colaboradores, estabelecendo sempre comunicação e ambiente positivos. Ser ágil na agilidade, usar princípios, foco, equidade e ciclos iterativo-incrementais-articulados para antecipar e melhorar.

Na alegoria à escalada do monte Everest, tão importante quanto preparo e equipamento, são parceiros de viajem. Aqueles que deveremos contar uns com os outros para superar os obstáculos – contrapeso, apoio, influenciando nosso ânimo e engajamento e vice-versa. Cada um deles é importante, com benefícios em equidade até o objetivo … o cume!

1. FORÇAS MOTRIZES

Apoiadas e alimentadas por nosso propósito, temos seis forças motrizes, apresentadas à esquerda no modelo, simbolizando a energia necessária para fazer girar a espiral de desenvolvimento. Cada uma delas exige empenho e juntas geram o substrato necessário para desenvolvimento de uma solução inovadora, desenvolvimento de clientes, escalar a solução e a empresa, enquanto organização:

  1. ECOSSISTEMAS – Pertencer a uma comunidade, acelerar seu desenvolvimento pela interação com outras startups, empresas e profissionais – associações, aceleradoras, incubadoras, parques tecnológicos, hubs, …;
  2. MERCADO – Participar direta e indiretamente do mercado-alvo, adquirindo conhecimentos necessários, mas também gerando conhecimentos e interagindo pró-ativamente, o que acelera sua visibilidade e espectro;
  3. INVESTIDORES – Governo, universidade, empresa e investidores vem construindo alguns dos ecossistemas mais ativos e inovadores no Brasil e no mundo. Cito bootstrap, investidores-anjos, capital semente, venture, building, etc;
  4. PARCERIAS – Nada mais categórico que enxergar parcerias não como uma necessidade, mas a maior oportunidade ao alcance de uma startup. HWang em sua teoria Rain Forest, destaca estas simbioses como a força do Vale do Silício;
  5. EQUIPE(S) – Um produto ou serviço necessita de uma equipe, pois mesmo com recursos limitados, é preciso montar a equipe possível e necessária a cada passo, sem desperdícios. Envolver, engajar, desenvolver, desafiar e retribuir;
  6. TECNOLOGIA – Tudo é tecnologia, métodos, técnicas, boas práticas, hardware e software, é preciso selecionar, experimentar, aprender e melhorar, novamente sem desperdícios, o exclusivamente necessário a cada passo.

2. CICLO DE DESENVOLVIMENTO

O ciclo representa a evolução – uma estratégia compatível a cada passo, uso de técnicas de empatia e modelagem do design thinking, seguido de planejamento e execução ágil, todas elas permeadas por uma abordagem orientada a dados e evidencias. A pesquisa exploratória tem seu ciclo, o protótipo também, o MVP tem seu ciclo, o MMP e ganhar escala.

Há equívocos na interpretação do design thinking como passo inicial de empatia e co-criação, minha visão e uso é bem mais amplo, temos ciclos onde o mindset e técnicas do DT são recorrentemente aproveitadas, assim como princípios e métodos ágeis, óbviamente fruto de um plano, sob uma estratégia, sempre orientado a dados.

  1. ESTRATÉGIA – Estabelece o ciclo em curso, nos ajudando a compreender qual é o nosso desafio na jornada que estamos empreendendo, propondo um setup mental e preparação dos recursos e pessoas necessárias. Simboliza a estratégia sobre o nível de abstração em curso ou desenvolvimento que nos desafiamos a co-criar e validar;
  2. DESIGN THINKING – A cada ciclo, podemos ter as mesmas ferramentas e técnicas a serviço de um novo passo, em diferente profundidade e materialização, desde a concepção, primeiras validações, estágios primordiais da solução. Com uma proposta de empatia, entendimento, brainstorming, prototipação e testes, ajudará a nos manter com o mínimo desperdício;
  3. AGILE THINKING – A construção de um time ágil e gestão ágil de projetos, desde o momento de concepção, passando pela modelagem e protótipos de baixa, alta, MVP ou MMP’s, até a escala, manterá os princípios ágeis, gestão visual, ciclos curtos de feedback e melhoria contínua para máxima aceleração e empirismo;
  4. EVIDENCE BASED – Representa a constante coleta de dados em cada ciclo e em cada passo, gerando métricas, indicadores e dados de pesquisa, construção e funil, que pode ter um aspecto mais conceitual ou material conforme avançamos. Data Driven e Growth Hacking como fonte de inspiração ao não desperdício de informações.

3. A ESPIRAL DE DESENVOLVIMENTO

Tudo parte de um problema ou DESAFIO que mereça ser atendido, é o primeiro passo do Lean Startup, é a base da espiral aqui proposta. Esta é a essência que irá nos acompanhar em toda a espiral, a cada passo estaremos revendo, relembrando e evoluindo nosso entendimento do problema que embasa e motiva a solução que estamos desenvolvendo.

Steve Blank afirma que não podemos dar maior valor à solução que ao problema, não podemos nos apaixonar pela solução, mas pelo problema, isso nos permitirá uma escuta ativa e mudar se preciso, porque o que buscamos é uma solução que resolva um problema da vida real. Esta premissa nos autoriza a pivotar até encontrar nosso desafio, uma solução.

A cada ciclo, a espiral providencia a estratégia para levar a bom termo o seu ciclo de desenvolvimento, representativos no desenvolvimento de uma solução inovadora, clientes e mercado. Não é obrigatório passar por todos os ciclos previstos, porque é possível imaginar a aceleração ou retroação do fluxo.

  • PROBLEMA – Um problema que merece e vale ser solucionado, apaixone-se pelo problema! Aqui temos um ciclo exploratório, de prospecção, de empatia para identificar ou confirmar a hipóteses de um problema, se existe, se resolvê-lo geraria valor, se vale o investimento, o tamanho deste problema enquanto oportunidade. Utilizamos sim de estratégia a ser definida, como se utilizar de boas práticas de empatia e validação, o Agile ajuda a planejar e executar rapidamente, gerando dados qualitativos e/ou quantitativos;
  • IDEIA – O trabalho de desenvolvimento de ideias em sintonia, empatia e sinergia com o mercado. Um ciclo com estratégia para ideação, pesquisas semi-estruturadas, ciclo dedicado a desenvolver o possível das ideias. É preciso estabelecer um plano de boas práticas, ser ágil e enxuto, de forma a sair com um percepção clara do quanto uma ideia atende o problema, permitindo a percepção de próximos passos;
  • PROTÓTIPO – Construção e validação de pretótipos, protótipos, wizard of oz, … exige planejamento. Validado até aqui os primeiros passos, protótipos podem ser um simples storyboard, rabiscoframes, pretótipos rudes, protótipos chapados ou navegáveis, 2D ou 3D, … cada um tem seus pontos fortes, é saber usá-los da melhor forma possível evoluir na validação daquilo que compreendemos até aqui;
  • MODELO – O desenvolvimento de modelos conceituais do produto, serviço, negócio. Quando iniciamos a modelagem, estamos alguns passos a frente, a modelagem nos permite entrar no mérito de negócio, além do problema e ideias, mas modelando as possíveis soluções, desenhando e validando seu product-market-fit, modelos de rentabilização, desde já projetando alternativas de escala e crescimento;
  • MVP – A possibilidade de construção de mínimos produtos viáveis para validar hipóteses-chave. Este é um conceito que tornou-se um mantra do Lean Startup, o suo de MVP’s tem o poder de validar algo que em projetos tradicionais demandariam semanas ou meses de funcionalidades ou pedaços de solução construídos ao invés de frações suficientes para validar as principais hipóteses e serem apoio à tomada de decisões;
  • MMP – O lançamentos de versões comerciais, Betas, candidatos e seus releases incrementais. Adiante dos MVPs, temos funcionalidades e versões já utilizáveis pelos clientes. Mesmo antes de termos uma versão mais robusta. Após um MVP validado com baixo investimento e bons feedbacks, termos versões comercializáveis, iniciais, é fundamental e já nos permite ações de Go To Market e Growth mais agressivas;
  • ESCALANDO A SOLUÇÃO – Aqui começam ciclos iterativos-incrementais ad eternum, com lançamentos de novas releases, melhorias, também corretivas. Chegou a hora de crescer, de escalar a solução, Go To Market, Growth Hacking, marcar presença, consolidar e ser mais agressivo na conquistas da maior fatia do mercado possível. Cabe muito design thinking e Agile para cada ideia, cada possível estratégia, gerando ciclos de validação e execução enxutas;
  • ESCALANDO A EMPRESA – Produto escalado, é preciso escalar o negócio, a empresa como um todo. Um evento antológico que assisti no TecnoPUC há alguns anos foi de um diretor de uma grande empresa de marketing digital com a palestra batizada de “De desenvolvedor a CIO!”, um storytelling contando como aos poucos teve que criar equipes e delegar, desapegar do que mais gostava, a medida que cresciam, para focar na estratégia da empresa.

Gosto do modelo de combinação, que o Gartner propôs com sucesso, com três estágios, o de Lean Startup, Design Thinking e Metodologias Ágeis, mas um modelo cíclico em espiral representa mais para mim o desafio de uma startup no desafio evolutivo e cumulativo de um product-market-fit.

PRÓXIMOS PASSOS Startup Quest

A segunda fase vai envolver um guia de causa-efeito-ação para cada etapa da espiral (ou escalada do Everest se preferir), de forma a oferecer abordagens e dicas sobre pontos chave e técnicas aplicadas, as vezes igual e outras de forma diferente, a cada ciclo executado. Será um ponto de contato entre o Startup Quest e principais ítens do Desafio Toolbos 360°. O assessment pode ter quesitos relevantes e permitir gerar planos de ação (barras vermelhas), como abaixo:

Mas um passo de cada vez, enquanto isso, abaixo propus uma visão estruturada de quesitos caros a uma startup …

DESAFIO TOOLBOX PARA STARTUPS

O modelo acima tem como extra o conjunto de ‘cards‘ abaixo, contendo agrupamentos intrínsecos ao desenvolvimento de uma solução inovadora por uma startup, oferecendo drivers e abordagens reconhecidas como estratégicas em nove categorias. O objetivo é instigar a reflexão, o debate, gap analysis e plano de ação.

A alegoria é a de um baralho, onde cada carta representa uma reflexão sobre quesitos relevantes no desenvolvimento de soluções e startups. O objetivo é didático, proporcionando auto-conhecimento e auto-diagnóstico sobre temas relevantes para o sucesso.

INSPIRAÇÃO – Diferentes perspectivas sobre fontes de conhecimento e informações:

Propósito ; Banco de Ideias ; Eventos Startups ; Eventos variados ; A grande rede ; Design Sprint ;

CONEXÕESPrismas relacionados a conexões, relacionamento, ecossistemas e assimilação;

Comunidades startups ; Ecossistemas ; Mentoria e Coaching ; Networking ativo ; Parcerias estratégicas ; Presença digital

ABORDAGEM – Diferentes modelos conceituais que atuam como substrato ou modelo mental;

Effectuation ; Game Storming ; Lean Startup ; Métodos ágeis ; Toolbox 360° ; Design Thinking

PESSOASAspectos geradores de valor através do desenvolvimento humano e coletivo;

Team Building ; Employee experience ; Capacidade absortiva ; Mídia e visibilidade ; Jogos 360° ; Liderança

EMPATIA E MODELAGEM – Abordagens essenciais para a definição daquilo que se quer e necessita;

Desafio de Design ; Personas ; Consultas ; Proposta de Valor ; Jornada ; Brainstorming

PROTOTIPAÇÃO E TESTES – Alavancagem para apresentação e validação de nossos pressupostos;

Pre/Prototipação ; Hipóteses ; Plano de Validação ; Testes ; Pivot e escopo aberto ; Showcase – Pitch

PLANO TÁTICO – Reflexões e planos essenciais para construir uma espiral de desenvolvimento:

Business Model ; MVP-MMP-Releases ; Product Roadmap ; Investimento ; Growth Mindset ; Go to Market

PROJETOS – Peças singulares para projetos geradores de valor, aprendizados e melhoria contínua:

Planejamento ; UX – User Experience ; Product Backlog ; Tecnologia ; PDCL (empirismo)Execução 

EXPERIÊNCIA – Agregar valor, monitorar e analisar a experiência em prol de human centered design:

Gestão visual ; EBM (gestão por evidências) ; Feedbacks ; Storytelling ; Piloto e Rollout ; Gamification

EXTRAS

A seguir abordagens adicionais e complementares, pois o Startup Quest oferece uma abordagem metodológica de alto nível, substrato onde serão aplicadas técnicas e boas práticas em uma granularidade menor e mais específica. Por exemplo, no TOOLBOX 360°, temos facilitação, canvas, modelos, boas práticas, … úteis na implementação de cada card acima.