0

Vídeo-chamada com vídeo, áudio e muita sinestesia – Zoom, Miro, Trello e GDrive

Na noite do dia 27/03/2020, rolou a segunda aula remota pós quarentena da PUCRS pelo covid-19, nesta o Zoom e vídeo reunião já não era novidade e pude introduzir conceitos essenciais de facilitação remota e sinestesia, o impacto do uso das câmeras, comunicação não verbal e o uso de murais cooperativos.

Uma oportunidade de exercitar video-chamadas agregadas de conceitos sensoriais e ativos, colaborativas com MIRO, TRELLO e sheets do GDrive. Acoplando o conteúdo em ppt com as ferramentas, exercitando técnicas de mural para modelagem visual colaborativa, onde todos compartilham e editam ao mesmo tempo.

27032020-1

Aproveitei o conteúdo da aula (história do gerenciamento de projetos e uma introdução ao PMI e PMBOK) para exercitar reuniões por vídeo o mais instigantes, empáticas e produtivas. Primeiro é preciso desapegar das restrições do século XX quando reuniões por vídeoconf eram limitadas, enquanto agora é possível engajar e ousado mais.

No Miro era possível ver 10 cursores com os nomes de cada um enquanto os elementos do diagrama iam surgindo, acordos sendo feitos e co-criação a bom termo. No Trello foi possível debater e incluir cards colaborativamente. No GDrive, usei uma planilha para simular o preenchimento de um PMC e todos trabalhando juntos.

Nas próximas aulas quero aproveitar para falar de outras ferramentas, como as de mapas mentais, outros boards, canvas e ferramentas de comunicação. Aproveitaremos as aulas remotas para ir além do conteúdo e exercitar a maior demanda dos dias de hoje – reuniões remotas para tudo, mantendo a empatia, sinergia … e elegância.

Vídeo-chamada sem vídeo e sem sinestesia? Pode isso Arnaldo?

O mundo está vivenciando home-office na marra, reuniões virtuais com quem está longe ou perto. Lembro em 2013 em projetos ágeis as empresas ainda insistiam em voo e hotel para garantir o presencial. Hoje, usarem largamente vídeo-chamadas já é uma conquista, agora vem novos paradigmas de interação com mais sinestesia.

Sinestesia refere-se a uma sensação secundária que acompanha uma percepção, ou seja, uma sensação em um lugar originária de um estímulo proveniente de um estímulo de outro (Dorsch, 1976), designa a união ou junção de planos sensoriais diferentes.

Muitos ainda mantém o hábito vintage de desligar o vídeo e ficar só com o áudio, mas devemos instigar e aproveitar diferentes sentidos sempre que possível, no caso de uma vídeo chamada, é possível ativar a audição, a visão e a ação, ativa ou mesmo estática … aquela que gera uma expectativa de ação.

Cenário #1 – inércia, sem quebrar paradigmas

Temos 5 pessoas em uma vídeo-chamada imposta pelo covid-19, todas de câmera desligada, uma falando por vez, repleto de lacunas, todos cheios de parcimônia, posso falar, desculpa te atrapalhar, ops não percebi que ainda estavas falando, todas olhando para uma tela estática em que a fotinho de quem está falando fica em destaque. Característica comum também é intercalar falas com gaps, fatias generosas de tempo sem ninguém falando porque ninguém sabe quem vai falar e pela ausência dos vídeos, não temos a menor ideia de quem quer ou vai falar;

Cenário #2 – sacudindo a poeira

Temos 5 pessoas em uma vídeo-chamada imposta pelo covid-19, câmaras ligadas, afinal, não importa se esta de casaco, blusão ou pijama (mínimo decoro é esperado), o que aparece é o busto, todos vendo o colega ou cliente, olho-no-olho, percebendo o movimento e intenção, um movimento de mão, mesmo se der uma atrapalhada, deixa seguir, aguarda mais um pouco, sem salamaleque. Aqui temos uma percepção sensorial melhor e divertida, as coisas encaixam a partir de um movimento de sobrancelhas, um aceno de mão, um piscar de olhos;

Cenário #3 – quebrando tudo \o/

Temos 5 pessoas em uma vídeo-chamada imposta pelo covid-19, câmaras ligadas, todos naturalmente estabelecendo protocolos informais de fala, olho-no-olho e cumplicidade, já sem salamaleques e data vênias. Além disso, com um quadro do Miro em branco ou pré-elaborado, talvez uma planilha (ou doc ou drawing) do Goggle Drive aberta, entre outros tantas opções (*), permitindo que algo dinâmico possa ser manipulado. Por exemplo, uma planilha com uma coluna para cada participante, um doc com tópicos, pauta ou diagrama, um Canvanizer, um Trello;

Conclusão

Em oficinas, treinamento, aulas e reuniões, tenho o hábito de colocar uma folha branca A2, postits e canetões no meio de cada mesa, isso vale para a DBserver, para workshops com a Sputnik e para minhas aulas na POlitécnica da PUCRS.

Em dias de home office nesta quarentena não poderia ser diferente … o povo ainda esta se adaptando a video meetings, o primeiro passo foi do covid-19, o segundo foi abrir um Zoom, Skype, Hangout ou Whereby, o próximo vai ser perder o medo deles, ir além do que se usava no passado, agora é as ganhas.

Canal oficial com vídeo-tutoriais do MIRO – https://www.youtube.com/channel/UCfhGfgBKDcFI74bBJ9yjLDQ

Canal de vídeo-tutoriais do Trello no youtube – https://www.youtube.com/channel/UClwrPjExZWnpU0fIMUj__ZA

Canal de vídeo oficial do Google Spreadshhets com tutoriais – https://www.youtube.com/channel/UC8p19gUXJYTsUPEpusHgteQ

Canal oficial do Zoom no Youtube – https://www.youtube.com/user/ZoomMeetings

Posts relacionados postados na sequência:

 

0

A hora é agora, daqui a uma semana estaremos atrasados uma semana

Vejo a cada dia o cancelamento de reuniões, projetos, contratos, treinamentos, muitos deles diretamente relacionados a gestão do conhecimento, facilitação, inovação, mas agora é hora de experimentação, renegociação, novos meios. Todos estão sendo impactados, logo, proponha um novo acordo, repense os tempos e as interações, essa crise vai demorar, a solução é repensar, se reinventar e seguir em frente.

O quanto antes treinarmos a todos nós com o uso de tecnologia remota, por mais difícil que pareça, melhor. Até mesmo porque tecnologia deveria funcionar e provavelmente no início vai dar trabalho, vai gerar frustração, mas só assim aprendemos, ajustamos e seguimos em frente. Balanceie seu tempo, evite se entregar a TV e ao inócuo debate de ideologismo sem resultado prático nas redes, arregace as angas e vá a luta.

A tecnologia está aí, streaming, cloud meeting, redes sociais, youtube, miro, canvanizer, trello, etc. Com certeza o timing muda e haverá mesmo assim um tempo de adaptação, de aprendizado. Mas, aprendemos melhor fazendo e não é hora de postergar o impostergável. Mantenha o engajamento em atividades remotas, use muito vídeo, mantenha janelas permanentes uns com os outros, qualquer área que possa manter algum ritmo ao se reinventar tem essa obrigação, enfiar a cabeça no chão como um avestrus não é exatamente uma estratégia.

RENEGOCIE – Gosto do exemplo do rádio, jornal e TV, uma matéria tem um único conteúdo, mas possui forma e ritmos diferentes em cada meio, logo, é preciso repensar nossos tempos, o formato, inovar, empreender, além disso, estar aberto para reajustar novamente quantas vezes necessário. Frente a certeza de que o contrato, plano, agenda originais não poderão ser cumpridas como o previsto, a solução não é cancelar, mas revisar o contrato, replanejar, reagendar, … Onde estava o presencial e a reunião, agora será remoto em interações resigificadas.

VÍDEOS – O primeiro passo é definir a(s) plataformas mais aderentes as suas necessidades ou disponibilidade para reunião por vídeo em tempos de Covid-19 … postei recentemente as principais plataformas para reuniões em vídeo, com suas características e links. Mas, temos que ir além da reunião de hora marcada, é possível manter o contato estável e contínuo, manter uma janela com acesso permanente a todos.

QUADROS – Compartilhei um post sobre quadros virtuais em tempos de Covid-19, onde compartilho vários softwares e aplicativos para criar quadros e mapas mentais colaborativos, recurso essencial para trabalho remoto colaborativo e mapeamento colegiado. Aprender a modelar mapas conceituais para convergência, tomada de decisão, planejamento, etc, não é trivial, o quanto antes desenvolvermos isso melhor.

Inovação e empreendedorismo

Agora é hora de tentar fazer diferente, de novas parcerias, com expectativas abertas, menos formatadas e previsíveis. Mais que nunca há muitas pessoas com tempo extra para aprender e descobrir … temos de uma a duas horas a manos de deslocamento, almoçando em casa. Aproveite para ler, ativar seu networking, busque ou ajude novas formas de gerar receita, conte com os seus parceiros de viagem e retroalimente sua rede.

Há um grande número de cursos gratuitos e aumentam a cada dia, grandes instituições se sensibilizam com o momento e oferecem opções antes pagas e agora abertas para que as pessoas aproveitem o tempo para aprender e se motivar, talvez instigar se reinventar. A galera pode juntos votar e escolher alguns cursos para todos fazerem e gerar reuniões de debate e interpretação, com sessões de inovação para uso prático:

(*) Da uma olhada no Youtube em tutoriais e cursos sobre Scratch … se aprende lógica e programação brincando, como em https://www.youtube.com/watch?v=poLuoL4nVCE
(*) Tenho um post de 2016 explicativo sobre a oportunidade de ensinar com Scratch
0

Reflexões sobre MVP de uma aula remota em um curso presencial

[Moodle] += [câmera do notebook] + [convite em vídeo] + [instruções para o meeting] + [conteúdo em arquivo PDF] + [Zoom vídeo meeting] + [narração no power point] + [vídeos Mp4 com conteúdo narrado] + [Youtube] \o/

Não é uma disciplina EAD, são aulas remotas para alunos de graduação matriculados em um curso presencial, contingência pela adesão ao plano nacional de isolamento inicialmente previsto para Março e Abril, em função do covid-19 (corona vírus originário de Wuhan/China).

Foram apenas 2 aulas na normalidade deste semestre atípico, a terceira já foi com cada aluno entrando via Zoom e, contando com vídeos fatiados compartilhados com conteúdos narrados tela-a-tela a partir da apresentação em aula, compartilhados com todos.

As orientações gerais são para considerar que não é um curso EAD, que alguns alunos talvez não estejam preparados para isso, psicologica ou tecnologicamente, por isso, ir construindo este novo formato em conjunto, sem muitas regras e imposições unilaterais.

Sendo assim, a primeira aula serviu de termômetro, a média de engajamento geral foi baixo na minha opinião, mas estou acostumado a aulas permanentemente em grupos, debates e exercícios colaborativos, portar isto para uma aula virtual exigirá a conquista do engajamento deles.

A atenção e empenho deles mesmo usando ferramentas virtuais poderá ser um desafio libertador, pois o futuro do trabalho em nossa área tem muito a ver com isso. Mesmo com equipes presenciais, cada vez mais usamos SW para ajudar na facilitação, registro e depois métricas.

Aula por SW de vídeo meeting

Um desafio a todos, professores e alunos, possível contornar com ferramentas free – Zoom, Hangout, Skype, Whereby, … mas, se você é professor a noite e de dia trabalha em TI, pergunte se não poderia usar o Teams, Skype for Business, Google suite por algumas semanas, não é preciso cadastrar os alunos nem nada, seriam convidados através do link gerado e compartilhado previamente … pode ser uma opção.

Na versão free o Zoom tem limite de 40 minutos, sem limitação de funcionalidades ou audiência, esse tempo faz sentido somado a peculiaridade de gravação de toda a interação em um arquivo completo em MP4 (desejável abaixo de 100MB) e outro só de áudio para podcasts (M4A).

Outra vantagem do Zoom é o mecanismo de chave única, eu a gero e compartilho pelo moodle antecipadamente, daí em diante para entrar em uma aula minha é só o aluno entrar no Zoom, pedir para entrar em uma sala e informar a chave, uma só para todas as minhas aulas.

Há também no Zoom recursos básicos e comuns a todos os demais, entretanto é possível manter todos com o áudio desligado e cada um pode usar um botão de “levantar a mão”, que mostra um ícone de uma mãozinha junto a foto ou vídeo do aluno (nenhum usou a câmera).

Na imagem abaixo eu editei e tirei os nomes e fotos dos alunos, o Zoom tem uma opção mosaico em que é possível pra o professor ter um grande número de alunos aparecendo ao mesmo tempo, melhor se estiverem usando as câmeras ou a mãozinha.

Compartilhamento do conteúdo

Não sou nenhum fã do power point, mas a cada ano a Microsoft se esforça em oferecer mecanismos para tirar a impressão de aula quadradinha, com efeitos na página e de transição, mas para este fim especifico de gerar conteúdo com narração o resultado é impecável.

Optei por dar a aula aproveitando os recursos do Zoom, inclusive setei para gravar, mas ofereço uma segunda experiência ao compartilhar o ppt em Mp4 com narração. Assim valorizo e diferencio os dois momentos, incentivando que a galera participe da aula e assista o fatiado.

Para compartilhar o material da forma mais didática possível, eu ministro a aula e depois gravo a narração no power point tela-a-tela da aula, para depois exportá-las para Mp4. Eu tive que seccionar o ppt em três conjuntos de 12 a 15 telas para ficar abaixo de 100MB.

O resultado fica muito bom, mesmo optando pelo Mp4 com tamanho mínimo (mínima qualidade), o resultado em vídeo e áudio é excelente. Durante toda a narração, tela-a-tela fica o vídeo do professor na extrema direita inferior, o que confere uma certa humanidade ao vídeo.

Concluindo – Youtube e Moodle

Uma vez gerado os vídeos, organizados para que cada um não ultrapasse 100MB, vá para o Youtube (se você não tem um canal, crie um), entre no Youtube Studio, página dos seus vídeos e suba-os na opção privado (somente com o link poderá acessá-los), gere o link e compartilhe-os.

Aqui cabe uma observação, todo este processo e os meios escolhidos são nosso MVP e vem se saindo muito bem utilizando apenas soluções gratuitas, com certeza este post não sobrepõe plataformas especialistas como o Google for Education ou Grupo A.

A tempo, por política do Youtube cada vídeo precisa ter menos de 100MB senão a gente perde um tempão e no final dá erro no upload.

No moodle, tenho um vídeo de convite à aula que envio via fórum e destaco no bloco do dia, antecipadamente compartilho a apresentação em pdf com todo o conteúdo como sempre fiz e um fórum para eventuais perguntas e respostas, debates e comentários, antes ou depois da aula.

A tempo, o vídeo de convite à aula eu subo direto no Moodle porque ele tem menos de 2MB apenas, talvez nas próximas suba no Youtube.

Após a aula realizada, gravo a narração, exporto para MP4, subo para o Youtube e incluo os links dos vídeos no Moodle, fim.

 

0

Carreira – The six “coffees” of separation

No final da minha aula semana passada, fiquei em sala até bem mais tarde conversando com um aluno que está na busca do que ele de fato quer fazer, qual carreira seguir – data science, desenvolvimento de software web, mobile, … Falamos é claro sobre papéis, cargos, funções, emprego, mas principalmente que a resposta a essa pergunta não está nos livros, mas na vida real lá fora.

Falamos sobre networking e como ativá-lo, citei alguns exemplos de bruxos nas áreas de conhecimento que ele citava, quase todos atuando em empresas a curta distância de onde estávamos conversando naquele momento, no 32 da PUCRS. Acredito na tese de Milgram, que encontramos qualquer pessoa a no máximo seis “cafés” ou hangouts de distância (*).

(*) The six degrees of separation, estudo científico dos anos 60 do psicólogo Stanley Milgram, ele confirmou que com até seis cartas é possível conectar duas pessoas quaisquer no mundo. O experimento enviava a pessoas uma carta com um destinatário, se o conhecessem deveriam reenviar a ele, se não o conhecesse deveria mandar a alguém de suas relações que talvez o conhecesse, gerando uma sequência de no máximo seis pessoas. Em estudo mais recentes, usando redes sociais, Facebook e Yahoo provaram que a taxa de separação entre duas pessoas quaisquer caiu para 3 a 5 pessoas.

Existem muitas ferramentas para ajudar a modelar e planejar nossas carreiras, mas a maioria delas pressupõem que já temos um mínimo de convicção do que queremos fazer, com o que queremos trabalhar. Sem isso, é preciso iniciar pelo começo, pesquisar, entrevistar, conversar, mapear e conhecer melhor diferentes empresas, áreas e profissionais que atuem nos diferentes papéis que atraem nossa atenção.

Como no duplo diamante do Design Thinking, iniciando por pesquisa, entrevistas, consultas, gerando um mix de opções de carreira, então selecione um por vez, iniciando pelo mais promissor, entender suas características, hard e soft skills, mercado, empresas, valores, até escolher um deles. Então, vivenciar, crescer, consolidar ou pivotar, mudar se preciso ou desejado.

“Café” é a melhor estratégia  🙂

REDE – Se sair da inércia é o primeiro passo, então o segundo é marcar um Hangout, é usar a teoria de Milgram a nosso favor, se Data Science é uma possibilidades, é agendar alguns contatos com profissionais envolvidos em ciência de dados, BI, data warehouse, people analytics, data lake. Se não os conhece, acione quem conhece e peça ajuda, triangule, conheça melhor sua rotina, skills, etc.

PERSONAS – A medida que vamos tomando cafés (também pode ser um suco, biscoitinhos, smoothies, almoços, visitas ao trabalho, etc), vamos conhecendo o melhor possível empresas e suas diferentes oportunidades, função, cargos, profissão, vagas relacionadas. É possível manter tudo isso na memória, mas sugiro ir montando um mapa conceitual do networking e mapas de personas sobre cada uma destas opções.

EMPRESAS – Além de um mapa de possíveis colocações e atuações, importante já ir montando uma matriz ou mapa mental com as informações sobre as empresas. Times, profissionais, tecnologia, contratações, valores, pontos fortes e fracos, opiniões, tudo o que lhe auxiliar a ir estruturando suas escolhas e plano de ação.

Pouco tempo ao tempo Com toda certeza, deve ser um plano adaptativo, iterativo-incremental, cada passo deste processo deve demorar dias, o objetivo neste caso é ir validando e avançando. Nada é definitivo, então faça acontecer, não sente encima porque não é um ovo, tenha objetivos de curto prazo, o mais importante é dar um passo após o outro em alguma direção.

É importante ter em mente que para chegar a ser um profissional cobiçado, provavelmente obterá antes um estágio, um nível júnior inicial, aprendendo e crescendo, como na alegoria dos três horizontes da McKinsey. Pensar os primeiros passos é mais importante que a dúvida natural sobre o tamanho da fatia de tempo prevista, que é relativa conforme a pessoa, área, papel e desafio.

ODYSSEY – Tenho uma releitura do Odyssey Plan do Evans e Burnett, o sequenciamento só diz respeito a ordenação, não a fatias de tempo, podem ser semanas, meses até anos. O importante é que a partir do primeiro café, já é possível começar o mapa de rede, personas e empresas, logo, também começar a pensar no seu Odyssey.

Feito o Odyssey, por favor, faça um quadro físico com postits ou um virtual no Trello, garanta que seu cérebro irá se indignar se os cards não andarem e o tempo sim. Um quadro kanban é a garantia de auto-gestão, um antídoto à procrastinação … por isso, prefiro quadros físicos, na geladeira, na porta do roupeiro, porque ele nos alerta a cada dia se as coisas estão andando ou estamos rolando com a barriga.

0

Entrevista para o programa Mundo VUCA

Falamos sobre paradigmas e pragmatismos, disrupção e status quo, sobre teorias e modelos, porque se o Mundo é VUCA, como fazer para surfar nessa onda? É óbvio que não tem receita de bolo, mas tem muitas dicas legais de ingredientes, gestão do conhecimento, parceiros de viagem e sobretudo autoconhecimento, autodiagnóstico e mãos a obra, experimentando, tentando e aprendendo a cada tentativa.

Conheci o Alexandre Ascal e o Ramon Peres Luis da I2DH em um dos meus workshops Toolbox 360° há um ano atras, como o universo conspira e é 100% VUCA, quis o destino que descobríssemos amigos em comum e que acabaríamos no Living 360° juntos gravando um programa sobre empresas e profissionais do século XXI para o programa Mundo VUCA da Esteio News OnLine, onde são âncora, produção, direção e câmera.

Grato pela oportunidade!

Alexandre Ascal – https://www.linkedin.com/in/alexandre-ascal-de-melo-05230921/

Ramon Luis – https://www.linkedin.com/in/ramon-luiz-486473195/

0

Mapa tático para (re)colocação profissional

Tenho paixão por ajudar jovens e veteranos a organizar as ideias em relação ao seu planejamento de carreira, com certeza um tema frequentemente desconsiderado por muitas pessoas. Como professor e mentor, uso muitos artefatos, caso a caso, mas faltava algo que me ajudasse a direcionar sob aspectos que credito serem de muita utilidade e em uma sequência de alto valor agregado em muitos casos.

Para ser didático, concentrei quesitos que não constam em nenhum dos outros canvas e que são essenciais a minha abordagem, auto-conhecimento complementar a um SWOT, mapa dos sonhos na linha dos três horizontes da McKinsey, persona e rede sobre o papel desejado e quem pode ser acionado, finalmente, qual a tática a ser adotada, iniciando pela empresa ou segmento, oportunidade e plano de ação.

Um canvas simples, que preenche uma lacuna expressiva em um bom mindset para a busca de (re)colocação, já usei com alunos e amigos em cafés e almoços no 32 e no living, ex-colega e filhos de amigos de longa data, em um viés de gerenciamento de projeto de carreira, apresento também em sala de aula para alunos de SI … vejo nele aspectos de estratégia, visão, escopo, tempo, riscos e qualidade, recursos e aquisição.

Em anos anteriores eu explicava cada um destes quesitos e ia materializando em diferentes folhas ou só orientando a relevância de certas informações, este canvas materializa e vem atingindo o valor que me propus ao criar um A3 conveniente. Tem me ajudado a encurtar caminhos nos debates com quem me procura para discutir planejamento de carreira, com frequência pivot, reposicionamento ou recolocação.

Para cada quadrante há toda uma abordagem que o expande ou limita, quanto a relevância estratégica de ter cenários de curto, médio e longo prazos, uma adaptação dos três horizontes da McKinsey, o enorme potencial de auto-conhecimento e o quanto podemos mergulhar em pontos e resgatar informações ocultas, escolher a(s) persona(s), explicitar o networking com empresas, pessoas, contatos e traçar um plano de ação.

Como a maioria dos Canvas, há uma recomendação sobre a ordem de preenchimento, que pode ser alterada, mas a ordem induz a uma linha de raciocínio, como iniciar pensando nos seus sonhos de curto, médio e longo prazos. Seguindo pelo auto-conhecimento sobre sua história recente, forças e fraquezas, então discutir personas, networking (rede) e plano de ação. Ele não substitui nenhum dos outros, mas é complementar.

Antes é possível que façamos um SWOT, diversas personas de papéis de interesse, jornadas ou propostas de valor (melhoria), talvez johari, um mapa de competências, um BMY com sonhos, gurus e seus talentos, mas em algum momento concentro e direciono neste canvas que criei e na maior parte das vezes (quando da tempo) criamos ou oriento a montagem de um Odyssey (Evans & Burnett) para um maior compromisso.

Estratégia = Sonhos

Tudo começa pelo topo, divertido fazer um desenho, pode ser o que quiser, uma alegoria, um ícone, caricatura, para então registrar os três horizontes, que via de regra são diferentes, passos para chegar ao sonho, mas não necessariamente há três diferentes. Só esses três campos gera um bom debate e bons insights, legal reconectar-se com sonhos esquecidos, tanto quanto perceber que eles mudaram com o tempo.

Resgate à história recente

O passo seguinte é preencher como ele vê a essência de seu histórico, o que já fez, onde, porque, ganhos e dores, aprendizados, forças e fraquezas, não chega a ser um Johari, mas é significativo refletir pelo que se foi e se é valorizado, feedbacks de chefias e ex-colegas, empresa e mercado. Este quadrante a esquerda é uma reflexão sobre auto-conhecimento a partir de sua experiência recente.

Persona = Papel/cargo/função

É importante desenhar a persona almejada, qual é esse papel/cargo/função e o porque tem seu interesse, qual a principal justificativa, quais as dúvidas. Selecione uma apenas após dar a oportunidade de desenhar tantas quantas a pessoa tenha percepção de interesse real, para então identificar o que faz a esquerda e a direita o que o destaca ou diferencia como um bom profissional em hard e soft skills. No quesito persona, as vezes uso um mapeamento de diferentes persona ou mesmo empathy canvas. Simulo benchmarks, discutindo o que faz este profissional em diferentes empresas, variações, estilos, qual a mais atraente, remuneração, tendência e cenários futuros.

Rede/conexões/parceiros

Para este recolocação, quais os contatos de seu networking de 1st, 2nd ou 3rd, com quem poderá contar, acionar, pedir ajuda. Brinco que uma forma melhor de procurar é cercar as empresas almejadas, na pratica estamos falando de pessoas, encontrar e convidar para um café, um almoço, uma visita a empresa, conhecer melhor, identificar lacunas e gaps, até mesmo confirmar se é ali mesmo que quer chegar. Acredito que este quesito é um dos mais relevantes e importantes.

Plano de ação

Minha abordagem é pró-ativa, escolher as empresas que mais queremos, oportunidades conhecidas ou desejadas e o que fará para fazer acontecer, lições aprendidas. Ir atrás dos contatos e conexões que possam agilizar o processo de (re)colocação e principalmente aprendendo ao máximo a cada interação, o que falta, porque não, se não foi selecionado, o que foi o diferencial, gap analisys, para por em prática ajustes, estudos, certificações, se o que falta de fato é possível adquirir, complementar, estar melhor preparado para a próxima tentativa.

Conclusão

Vários colegas, alunos e conhecidos me procuram para debater autoconhecimento, estratégia e plano de ação para entrar, voltar ou movimentar-se no mercado. Como em tudo o mais, não tem um roteiro, é quase caso a caso, escolho uma entre muitas técnicas, todas já compartilhadas aqui – roda da vida e da profissão, personas (papéis), proposta de valor (as is – to be), swot/fofa, jornada, networking map, mapa de competências, business model you, odyssey plan, grow, …

Mas faltava algo, haviam gaps de informações e sequenciamento, por isso quero fazer refletir sobre estes tópicos, como no modelo de Broadwell, o primeiro passo é saber o que não sabemos, isto nos permite escolher usar ou não, mas se não sabemos o que não sabemos, o risco da ignorância mascara erros simples e desperdícios de aprendizados e melhorias em algo tão importante como carreira.

Tenho dezenas de posts relacionados a este assunto (carreira), fiz uma pesquisa e listei abaixo alguns, em especial um webinar antigo (*) antes de criar este canvas e facilitar uma mentoria de carreira. No webinar cito várias possibilidades de técnicas, mas havia algo faltando. Estes posts mostram que há anos venho tentando facilitar uma orientação baseada em técnicas análogas ao que usamos em projetos para empresas.

0

Teoria U – Uma abordagem que pode transformar países

Mudamos porque o mundo gira, novas propostas surgem, novas gerações se impõem, por regra o status quo na área pública resiste, da mesma forma que em empresas privadas. No Brasil, por exemplo, tivemos o período de Vargas com o estado novo, tivemos o período de Kubitchek dos 5 em 50, passamos por juntas e presidentes militares, também é claro a redemocratização …

Com certeza as leis que criaram e suportaram o status quo vem aos poucos mudando, se adaptando a um novo mundo globalizado e com alto nível de competição, acesso universal a tecnologia e condições de inovar e empreender. A velocidade com que mudou o mundo corporativo contrasta com certos segmentos que tentam sobreviver com fórmulas criadas para outras fases políticas e sociais.

O mais certo é que a geração Z e Alfa não acatará muitos destes modelos anacrônicos gerados no passado, em contraponto a novas realidades, eles querem parcerias, colaboração, contribuição, saber os porquês e contribuir com objetivos que se assemelhem aos seus, porque cada vez mais estão conectados e tem o mundo a disposição … a opção à inércia, mais que nunca, é por o pé no estribo e ganhar o mundo.

Teoria U

É um método de gerenciamento de mudanças proposto por Otto Scharmer a partir dos estudos de Friedrich Glasl, tornando-se uma respeitada teoria da administração. O ponto de partida foi o desafio de mudar o status quo e inércia de funcionários públicos e líderes,  pela dificuldades destes em acompanhar o desenvolvimento de um novo mindset alinhados às organizações contemporâneas e sociedade.

Enquanto empresas privadas evoluem para modelos inovadores, colaborativos e iterativo-incrementais para entrega antecipada de valor em empatia com todas as partes envolvidas, líderes políticos e servidores públicos apegam-se a inércia improdutiva atrelada a padrões ineficazes de tomada de decisão. Sintomático, este modelo transcendeu o espectro público para ser lido e refletido também em organizações privadas.

Dado os grandes desafios postos aos líderes do século XXI, a metodologia, aprimorada por Otto Scharmer e colegas, inclusive Peter Senge, vem sendo utilizada em empresas, suas cadeias produtivas e em países. O objetivo é reconhecer as causas dos problemas atuais e como mudar as condições que os geraram, para resolvê-los de forma inovadora. O método propõe o desenvolvimento de sete passos e capacidades essenciais:

  1. Downloading – Ouvir! Escute o que a vida exige que você faça. Como processos,instrumentos e recursos funcionam;
  2. Seeing – Não julgue! Tenha a mente aberta, sem preconceitos. Compreenda o subsistema social, funções e gerenciamento;
  3. Sensing – Una e colabore! Valores, regras e políticas que moldam a organização, porque e pelo que coisas acontecem;
  4. PRESENCING – É isso que queremos? Conecte-se à fonte mais pura e profunda de si mesmo e de sua missão;
  5. Cristallizing – Agrupe quem tem a visão e intenção. Estabeleça quais valores e diretrizes queremos para o futuro;
  6. Prototyping – Engajem-se! Mente, coração e mãos, como organização, funções e papéis devem ser desenhados;
  7. Performing – Opere a partir do todo! Quais processos, fenômenos e fatos representam a organização do futuro.

Vale muito a leitura do artigo https://innodriven.com/design-thinking-and-the-u-theory/ escrito por Delfina Zagarzazú traçando pontos de contato entre as duas abordagens, ou melhor, reinterpretando a Teoria U à luz dos paradigmas do Design THinking, uma abordagem focada em redesenhar a nós mesmo enquanto organização, instituição ou instância de governo, com maior empatia e valor a todos os envolvidos.

No site do autor tem os links para os livros e resenhas  (https://www.ottoscharmer.com) informações sobre a abordagem, usada para Desenvolvimento de Lideranças (1) na sua capacidade em detectar e aproveitar oportunidades futuras emergentes, em Inovação Profunda (2), com foco na criação de sistemas com múltiplas partes interessadas e Treinamentos (3) oferecidos a governos, organizações da sociedade civil e lideranças empresariais. A imagem abaixo esta na home page do site:

A origem da Teoria U é buscar força para que teorias, modelos e métodos que tanto geram riqueza e visibilidade em grandes empresas globais com viés colaborativo, sejam exemplo para criatividade e inventividade em ambientes sociais, internos e externos. É preciso que os benefícios do estabelecimento de propósito lastreado em coletividade atinja seu ápice em todos os segmentos.

Do PDCA mais básico ao Dragon Dreaming, do Kayzen ao Design Thinking, do Agile à Teoria U, do Art of Hosting ao Lean Startup, o mundo mudou e muitas pessoas se apegam a modelos mentais que já deveriam ter sido superados, recheados de dissonância cognitiva em explícitas defesas psíquicas … para NÃO mudar há centenas de justificativas plausíveis, mas a mudança é inevitável, porque o mundo já mudou.