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Primeira aula SI GP 2019/1 – EU S.A.!

Minha primeira aula de GP é uma reflexão sobre o que é a essência do gerenciamento de projetos para a vida de cada um de nós, com a provocação de que haveria uma empresa além daquela onde trabalhamos e somos remunerados por aplicar todos estes conhecimento – EU S.A.!

Em qualquer projeto em que atuamos, nos esforçamos por ter clara a nossa missão, para aplicar anos de aprendizados para construir um plano baseado em objetivos inserido em um ambiente positivo com colegas, cliente, parceiros, stakeholders, usando de iterações para permanentemente ajustar e antecipar resultados de valor.

A noite inicia com uma apresentação da disciplina, organização, ementa, objetivos e bibliografias (mais tradicionais e mais disruptivas em GP), fechando esta primeira meia hora com a programação – datas, conteúdos, objetivos por blocos, provas – e um pacto de interação para transformarmos nossa sexta a noite em valor real para todos.

EU S.A. – NOSSO MAIOR E MELHOR PROJETO!

Após a apresentação da disciplina começamos uma sequência de debates e técnicas, começando pela realidade de cada um e sonhos, metas, objetivos (AS IS x TO BE), introduzo alguns conceitos e paradigmas básicos para um breve aquece, sempre recheado com muitos cases reais envolvendo empresas e profissionais.

O restante da noite, com intervalo entre 21:00 e 21:15, será perceber uma visão de gestão de projetos para nossa vida e carreira, seguindo um estrato Estratégico, Tático e Operacional, com um dois exercícios em cada uma destas abordagens.

ESTRATÉGICO – Sonho de cada um são o ponto de partida para materializar nosso Business Model You (Alexander Osterwalder), discutindo os nove campos com muito debate, troca de ideias, percepções e aproveitamento de drivers ágeis bastante úteis – fracionar, priorizar, compartilhar, antecipar, gerar valor, divertir-se em todo o caminho.

TÁTICO – Perfis profissionais na era do conhecimento, profissionais do conhecimento, perfil T, Pí e Comb. Debatemos mapas de competências, tangencio o conceito de Toolbox e introduzo brevemente as áreas do PMBOK para então fazer um brainstorming sobre atividades (escopo) para viabilizar nossos planos pára conquistar o mundo.

OPERACIONAL – Estamos encerrando a noite, mas não sem antes algum debate sobre a importância de buscar equilíbrio na gestão de nosso tempo, em evitar a procrastinação do que é importante versus a sedução do circunstancial e emergencial, o valor de retroalimentar e manter estes planos em mente e executá-los.

Esta foi a primeira noite, ninguém arredou pé, mesmo sendo véspera de carnaval. A preparação da sala é sempre uma aventura, pchegar uma hora antes, reorganizar a sala em ilhas asimétricas, distribuir o material, sempre ter jogos a mão (anti-sono), porque aula das 19:30 as 22:45 de sextas-feiras é um desafio divertido se assim decidirmos.

A cada aula vamos mergulhando mais e mais em conceitos e técnicas, sob diferentes prismas e abordagens, focando em planejamento como algo bom, natural, mas que facilmente é delegado ou procrastinado … neste caso, a força gravitacional das Zonas de Conforto, tal qual buracos negros, atraem para si até a luz e o senso de tempo.

Como me planejo? Quais as técnicas? Aprendo muito a cada interação com colegas professores em meus eventos de Toolbox na Educação, tanto quanto com as conversas com alunos, especialmente os debates com alunos antes e depois das aulas, chego quase duas horas antes e somos sempre os últimos a sair do prédio nas sextas-feiras.

“Me empenho e perco noites de sono bolando formas para que sejam interativas, o maior valor é trazer o mundo para dentro da sala de aula, sem teoreba, mas os desafios reais dos alunos. GP é para a vida, tudo o que vale para planejamento de projetos de SW, vale duplamente para a carreira, filhos, viagens, felicidade, … Desafios que não carecem de formalidade técnica e postits, mas 100% de mindset. Entender essa oportunidade, internalizar o valor que Design Thinking, Scrum, Kanban, Lean, XP e as 10 áreas de conhecimento do PMBOK gererão atitude e comportamento vencedores.”

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Scrum Prêt à Porter para DBServantes

O Agile Game do Scrum Prêt à Porter ficou ao mesmo tempo muito didático e muito fofo, estou adorando e a cada edição melhorando, não sei se vou voltar a aplicar os meus do Banco Intergáctico ou Pokedéx, acho que já ficaram na história.

O Prêt à Porter desde o quebra gelo, o storytelling, a construção do manequim, o planejamento para o Oscar e a execução das sprints gera todos os ganchos que necessito de uma forma mais lúdica e muito mais intensa em relação ao recado a passar.

Assim como o banco intergaláctico e a Pokedéx, contei com a arte e sensibilidade da Luisa e da Marinês para os desenhos do storytelling, os ATM’s do Banco Intergaláctico são uma obra de arte e agora a Mari vai montar meus manequins em escala com um material mais durável e chique.

Os que fiz e faço até aqui são recortes de caixas de servidores da Dell, sempre que acho uma a deriva para ser jogado fora lá no quinto do 99A eu pego e separo, porque eles se estragam e lá vou eu noite adentro fazer mais alguns para eliminar os que se danificam … Acho divertido essa parada de usar caixas, desenhá-las e recortar.

Os modelitos criados foram muito divertidos, nesta teve superman, modelitos pós-modernos like Andy Warhol anos 60, roupinhas casuais e um vestido com a saia toda rendada muito chique. Um Agile Game que exige preparação, organização, uma hora para start e uma hora para desmobilizar, mas vale cada minuto dedicado.

Sempre justifico um jogo pelo valor que agrega, os Agile Games que criei são lúdicos, para fixação, mas tem um papel fundamental para descontração em um workshop denso e pegado, com muita informação e compartilhamento de aprendizados por minuto … sem eles seria muito tenso, mas não deixam espairecer demais.

Estar entre colegas é diferente, já ministrei cursos os mais variados para milhares e milhares de profissionais, mas não estou acostumado a treinar colegas, isso me faz lembrar o tempo de RBS, porque treinar colegas é bem diferente de treinar clientes ou realizar workshops abertos … tem outra batida, links e contrapontos.

Ao contrário de outros workshops meus, neste eu foco mais em trabalho, avesso a meu estilo, não entro em mediadores e moderadores, modelos e teorias … todas vão aparecendo como observações a medida que avançamos, mas não tem páginas e imagens explícitas … o foco é SCRUM em 360°, acoplando tudo o mais necessário.

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Vídeo animado do jogo Desafio Toolbox é uma obra de arte

Que tal assistir o vídeo com a animação do tutorial do jogo DESAFIO TOOLBOX 360°? Depois de assistir, comenta aqui ou nas redes, compartilha se acha que o jogo pode ser útil para mais alguém da sua rede. A criação é da Anima Pocket, estúdio do Alexandre Linck e da Adri Germani, os personagens no vídeo e tabuleiro são da Luisa Audy.

Esta última versão é primorosa, tabuleiro e baralho em gramatura 300, frente e versos coloridos, a editoração ficou muito legal, contando com 115 cartas com conceitos, técnicas e boas práticas descritas e com link (QRCode) para artigos. Semanalmente eu posto para todo o Brasil, sempre nas segundas-feiras:

Para adquirir o kit, envie para toolbox.audy.360@gmail.com seu endereço completo, o que quer e quantidade, eu retornarei com instruções e postarei registrado via correios para rastreio – 1 kit é R$100, 3 kits são R$250 e 5 kits são R$375

KIT COM TABULEIRO E BARALHO TOOLBOX 360°

Seu propósito é instigar o aprendizado, inovação e protagonismo. O baralho possui 115 cartas, mais portátil e melhor que um livro, mais versátil, podemos ordenar, separar, marcar, categorizar e muito mais. Cada kit pode ser usado por grupos de 5 a 6 pessoas por vez, com 5 baralhos fazemos dinâmicas com 25 a 30 pessoas.

O jogo Desafio Toolbox é autoral, para ser usado na disseminação, ensino e aprendizado de novas técnicas, para planejamento e modelagem de técnicas para projetos ou operações. Eu uso em workshops, equipes, eventos e com alunos em sala de aula.

Em 2015 lancei o livro TOOLBOX 360°, então com 70 técnicas, em 2016 lancei o jogo DESAFIO TOOLBOX 360° com tabuleiro e cartas, em 2017 a técnica TOOLBOX WALL, destinado a estabelecer uma gestão do conhecimento auto-organizada.

O jogo tem como missão compartilhar mais de uma centena de técnicas, boas práticas e abordagens em um viés pedagógico, fazendo seus jogadores se questionarem sobre a “sua” Toolbox, pela riqueza das boas práticas que pratica e pelo valor que agrega.

Para a galera que tem as versões anteriores do Desafio Toolbox, as mesmas regras da edição atual podem ser utilizadas, evoluiram a partir de Play Tests e observações em empresas e pessoas que utilizam o jogo. A nova regra pode ser utilizada nas 4 versões, desde a 1ª em lona resinada, dado e fichas individuais, a 2ª com regras tipo Master e ainda fichas individuais e a terceira já simplificada, com ficha coletiva.

tabuleiros

O jogo tem regras simples voltadas a instigar debate em torno do atendimento de um cenário real ou fictício, a seguir apresento as regras e sugestões para o uso do jogo: INICIAÇÃO > CENÁRIO > CARTAS > NEGOCIAÇÃO > ENCERRAMENTO > DICAS & VARIAÇÃO:

INICIAÇÃO

1. As equipes devem ser de 5 jogadores, um ponto de equilíbrio para gerar e permitir o debate e argumentação;
2. Cada equipe escolhe um mestre, ele terá a responsabilidade de resolver impasses e fazer fluir o jogo;
3. O mestre também joga, como os outros jogadores, ele se diferencia apenas quando o jogo não estiver avançando;

CENÁRIO

4. A equipe sorteia ou escolhe uma das seis cartas-exemplo de cenários, mas pode propor um cenário real;
5. O objetivo de todos, como um time, é escolher as melhores cartas para atender o melhor possível o cenário;

CARTAS

6. O mestre mistura o baralho de cartas de técnicas e depois distribui cinco cartas aleatórias a cada jogador;
7. Os jogadores analisam suas cinco cartas e o mão (primeiro a esquerda do mestre) inicia com a sua melhor carta;
8. O jogador ao propor uma carta, a justifica brevemente e indica qual acha que é a sua posição (de 1 a 6) no tabuleiro. Por exemplo, provavelmente uma carta de planejamento é mais para o início e lições aprendidas é mais para o fim.
9. Em sentido horário, a partir do primeiro, um jogador por vez propõe uma carta ou passa a vez se não tiver mais nenhuma carta útil;

NEGOCIAÇÃO

10. Após as seis posições do tabuleiro ocupadas, a cada nova jogada é possível propor trocas (retirar uma das já propostas por uma melhor), pode-se propor a retirada de uma das cartas justificando porque aquela carta não é útil e/ou propor trocas de posições entre as 6 cartas para que a sequência faça melhor sentido para execução;
11. Um a um, em sequência jogam novas cartas, propondo mudanças ou passando a vez;
12. Assim que concordarem que as cartas no tabuleiro são as melhores jogadas até o momento com o objetivo de atender o melhor possível o cenário proposto no início, encerra-se a jogada;

ENCERRAMENTO

13. Somente após encerrada a jogada é que todos mostram as cartas restantes em mãos, é uma oportunidade de aprender um pouco mais ao perceberem que haviam boas cartas que poderiam ter sido usadas;
14. Encerrado o breve debate que pode acontecer ao terem sido definidas as 6 melhores cartas para atender o cenário e terem sido apresentadas todas as cartas em mão, recolhem-se todas as 25 cartas da rodada e as colocam bem embaixo do baralho para que o jogo seguinte se utilize de novas cartas;
15. Reiniciar o jogo com a definição de um cenário em comum acordo e distribuição de novas cartas.

DICAS & VARIAÇÕES

A. O objetivo do jogo, em sua origem, é pedagógico e busca proporcionar e instigar o debate sobre técnicas e abordagens. A existência do mestre é para evitar que o foco se perca e acabem gastando mais tempo discutindo opiniões detalhes ou sutilezas, ao invés de oportunidades e abstração;

B. É importante perceber que muitas técnicas possuem grande versatilidade, podendo serem utilizadas em diferentes momentos e contextos, mas podem ser adaptadas, utilizadas, por isso é de bom tom instigar a reinterpretação do uso de suas boas práticas, desde que façam sentido e aparentemente gerem valor no uso.

C. O baralho pode ser usado para montar um primeiro mural de boas práticas, pode ser usado de forma versátil como fonte de consulta e organização, principalmente como uma técnica de gestão do conhecimento, a galera cola postits verdes naquilo que pode ajudar, amarelos naquilo que quer aprender ou precisa de ajuda.

D. É possível fazer mais de uma rodada com o mesmo cenário, buscando provocar o debate sobre o melhor atendimento com diferentes cartas, contando com 25 cartas novas a cada vez e assim abrindo diferentes percepções de uso e aprendizados sobre a existência de variadas opções para cada fim;

E. É possível distribuir até 3 notas ou moedas fictícias de R$100 para cada jogador, que na sua vez de jogar pode se utilizar delas para comprar ao custo de R$100 uma nova carta por vez. Esta variação permite ao final da rodada a reflexão se era realmente necessário ter gasto dinheiro atrás de outras técnicas ou não;

F. É possível retirar do baralho aquelas cartas de técnicas fora de contexto, bem como incluir novas cartas que podem ser impressas e recortadas em uma gráfica expressa, reorganizando o baralho e utilizando-o como uma técnica de planejamento, distribuindo todas as cartas com o objetivo de encontrar a melhor composição possível.

Vale a pena dar uma olhada no registro de um workshop com fotos, informações e depoimentos acumulados de várias edições – https://jorgeaudy.com/2018/09/17/workshop-toolbox-360-a-cada-passo-um-novo-se-descortina/

 

 

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The Course Design Canvas – Adaptado e expandido

No último Toolbox na Educação na Politécnica da PUCRS eu era facilitador, como tal é preciso me isentar, concentrando-me na facilitação. Um colega me pediu que eu compartilhasse qual e como eu uso meu canvas para me organizar visualmente quanto a minhas disciplinas e cursos, então percebi que apesar de conviver com estes mapas visuais pedagógicos na parede de meu quarto, ainda não tinha compartilhado por aqui.

Faço questão de manter a referência e o nome, como tributo a quem criou, mas meu foco é compartilhar a minha prática e aprendizados, via de regra com adaptações à minha realidade ou perfil. É o caso do “Course Design Canvas” credidato à NetMind.net, que proporciona uma mapa cartesiano de características de uma disciplina, curso ou workshop, um exercício de empatia com quem propõe ou propôs o conteúdo e com quem vai assistir ele em busca de conhecimento e valor.

Não uso o canvas inicialmente proposto pela NetMind per si, mas como pano de fundo para o que realmente me interessa, que é o planejamento de aulas. Dito isto, meu maior valor é a visualização do planejamento aula-a-aula, composto por elementos variados como teoria, trabalhos em grupo e exercícios, dinâmicas e jogos, convidados e debates, laboratório, etc. O canvas é útil por concentrar visualmente as principais informações, mas seu verso com os dias e programas é mágico.

Eu uso em papel com postits e selos, poderia ser virtual, mas não acho necessário, curto a manipulação, modelagem, acho divertido, fácil ir adaptando às mudanças durante o semestre. Os campos do Canvas são interessantes, inclui uma segunda página, aproveitando a necessidade de ter duas A4 em linha para o planejamento aula-a-aula no verso, de forma muito simples tenho uma célula para cada dia, para até 24 dias, o que ajuda muito para o (re)planejamento e ajustes.

FRENTE

Curso? O nome e contexto, caso seja a disciplina de um curso;
Duração? Período(s) e horário(s);
Alunos? Quem vai participar, perfil, persona, o que define o quórum;
Pré-requisitos? Conhecimentos prévios exigidos ou desejados;
Conteúdos? Quais os principais conteúdos e proporcionalidade entre eles;
Objetivos? Quais os objetivos de aprendizagem;
Pré-curso? Ações prévias que o professor ou instrutor deve fazer;
Materiais? Qual material didático será usado e/ou entregue no curso;
Metodologia? É presencial, EAD ou semi-presencial, expositiva, invertida ou co-criada.
Pós-curso? Ações subsequentes que o professor ou instrutor deve fazer;
Avaliação? Quais as formas e cálculo para eventuais avaliações;
Empatia? Personas ou técnicas para ampliar a atenção e retenção;
Locais? Sala(s), prédio(s), locais programados;
Obs Gerais? Informações adicionais.

VERSO

No verso, há uma matriz para identificação de cada data e logo abaixo distribuição de conteúdo e previsão de técnicas, dinâmicas, salas, etc. Utilizo postits pequenos, sobrepostos, com selos coloridos que indicam jogos, laboratório, convidados, exercícios à distância.

Para quem curtiu mais a frente que o verso, compartilho o link do original – https://www.netmind.net/knowledge-center/the-course-design-canvas/

Para quem ficou curioso com a minha adaptação, aqui está em pdf – Course Design Canvas adaptado – frente e verso

HISTÓRIA

Em 2015 quando comecei a dar aulas na PUCRS eu fiquei incomodado, estava acostumado a planejar cursos e workshops no próprio PPTX ou Prezi, mas tinham no máximo 16Hrs de duração distribuidos em alguns dias em sequência. Então comecei a usar a parede do escritório de casa para mapear dia-a-dia em postits a distribuição da matéria em aula com postits adicionais sobrepostos com detalhes sobre jogos e técnicas em especial … funcionava muito bem, mas queria muito poder ter comigo …

Também encontrei alguns canvas e artefatos para planejamento de aulas, mas o foco de todos eram conceitos e planejamento geral e não detalhando a distribuição aula-a-aula, então acabei fazendo uma fusão do Canvas que considerava o mais interessante com o meu método. Uma curiosidade é que de largada eram duas folhas A3, a parte de cima com o planejamento geral e a parte de baixo a distribuição a cada dia … depois optei por fazer frente e verso e o que mantenho a vista sempre é o verso.

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De Tempos Liquidos de Bauman ao Mundo VUCA de Bennis e Nanus

Já tinha postado minhas interpretações sobre o livro e reflexão de Tempos Liquidos de Zygmunt Bauman, mas reitero esta percepção frente a um termo que tenho visto ganhar destaque, o mundo V.U.C.A. de Warren Bennis e Burt Nanus – Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity. Me impressiona tantas empresas levadas a falência pela inépcia em se adaptar a um mercado cada vez mais fluido, tanto quanto profissionais que se deixam tornarem-se obsoletos enquanto insistem em manter-se fiéis a uma receita que no passado foi lucrativa ou satisfatória, talvez tenham sido até inovadoras.

É impensável imaginar hoje, ano de 2019, manter-se planejamentos estratégicos engessados para cinco anos como se fazia na década de 70 ou 80, impensável imaginar profissionais ou mesmo executivos seguindo um plano escrito há anos atrás, mantendo reuniões anuais, não para adaptação, mas para garantir a execução do plano, seguindo dotações orçamentárias, penalizando oportunidades e persistindo em erros. Em tempos e mercados líquidos, precisamos seguir modelos iterativo-incrementais-articulados, frente a verdades voláteis, incertas, complexas e ambíguas.

MUndo.VUCA

Em artigo de 1995, dois signatários do manifesto ágil publicaram “Scrum And The Perfect Storm”, refletindo sobre as desventuras do barco Andrea Gail, diferenciando confiar apenas na leitura dos instrumentos (plano e métricas) e a importância de sempre se olhar pela janela do deck. Antes disto, Takeushi & Nonaka, fonte de inspiração para o Scrum ao citar a analogia ao Rugbi no antológico artigo “The New New Product Development Game” de 1986 na HBR dissertando sobre times auto-organizados, permanentemente reorganizando-se a medida que o jogo segue.

Somando Bauman, Bennis e Nanus, temos bons livros que nos fazem pensar em um tempo LIQUIDO e em uma realidade MU.V.U.C.A. (mundo VUCA), em permanente mudança, que nos exige multi-ajustes de rumo e posicionamento, que nos exige reposicionar na escala de horas, dias, semanas, não mais em meses ou anos, nossos planos, ou como disseram Ken e Jeff, mantenedores do framework SCRUM, ajustar o rumo de nosso barco de acordo com as ondas, o vento, a chuva e a nós mesmos … quer seja nosso barco uma organização, empresa, negócio, produto, serviço, projeto ou nossas carreiras.

O livro “Liquid Times” de Bauman é assim descrito:

“A modernidade imediata é leve, líquida, fluida, e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política.”

O livro “Leaders: Strategies for Taking Charge” de Bennis e Nanus:

“Neste estudo esclarecedor sobre liderança, o renomado guru de liderança Warren Bennis e seu coautor, Burt Nanus, revelam os quatro princípios-chave que todo gerente deve conhecer: Atenção por meio da visão, significado através da comunicação, confiança através do posicionamento e a implantação de si mesmo. Nesta era de enxugamento e reestruturação afetando muitos processos, as empresas caíram na armadilha da falta de comunicação e desconfiança, por isso a visão e a liderança são necessárias mais do que nunca.”

Fecho com uma reflexão, um pensamento bem mais antigo, categórico ;o)

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Toolbox na Educação – uma edição olho-no-olho

Ao contrário de focar na construção de um grande mural de técnicas e boas práticas de ensino-aprendizagem, a ideia era mais interação pessoa-a-pessoa, o que transformou nosso evento em uma seção de mentoria coletiva, algo muito mais pessoal, mais íntimo, no debate N x N sobre o processo construído e melhorado por cada um.

Um por vez relatamos nossas técnicas de planejamento e execução de nossas aulas, ao mesmo tempo TODOS iam perguntando, enetendendo, dando dicas ou trocando experiências, gerando aos poucos uma série de insights pessoais e em grupo – Aline, Daniéis, Guilherme, Igor, Fabiane, Simone, Jaque, … sobre educação e vida!

Como sempre e como deve ser, a maioria eram rostos conhecidos de outros carnavais, colegas de PUCRS da graduação e da pós, amigos queridos e admirados da faculdade SENAC, não só professores, como alguns consultores e coachs. Um bom mix, todos dispostos a se expôr, compartilhar e debater suas convicções.

Se fosse fazer um relato breve através de bullets, teríamos tópicos abaixo que geraram muito debate ilustrados com técnicas e abordagens para implementá-los:

  • Só existe ensino se houver aprendizado;
  • Não é só prof > aluno, mas aluno > aluno e aluno > prof;
  • Iniciar alinhando o porque estamos todos ali – valor para a vida deles;
  • Debater o conteúdo para as carreiras e sonhos deles, contribuições;
  • Trazer especialistas e ex-colegas para dicas, debates e depoimentos;
  • Fazer retrospectivas e diários para registro de insights e oportunidades;
  • A cada tanto, relembrar aprendizados e impacto na vida deles;
  • Técnicas para instigar alunos serem estudantes;
  • Construir o planejamento de aulas com ajuda dos alunos;
  • Usar Agile na condução das aulas e não apenas como conteúdo;
  • Sw Kahhot, Coligo, BlackBoard, Moodle, …
  • Técnicas de mapeamentos de competências, T Shape, …
  • Montagem de grupos auto-organizadas ou aleatórias;
  • Avaliações sobre aprendizagem pessoal, evolutivas;
  • Uso de Quiz e ferramentas para gamefication da sala de aula;
  • Storytelling e valorização da comunicação, assertividade, argumentação;
  • Nova lei para curricularização da extensão;
  • Aulas como PDCL, adaptativas às características do grupo;
  • Pesquisas e mapeamento dos perfis dos alunos para identificar oportunidades;
  • Projetos de cunho social, busca de apoio e ao final com visita a campo;
  • Técnicas interessantes para condução de trabalhos em grupos;
  • Contribuição em conceitos para progressão de carreira.

Ficou marcado para 27/02 um novo encontro, com convite aberto a nossos networking, desta vez a ser realizado na faculdade SENAC. A proposta é que os participantes levem seu planejamento de aula e material para uma espécie de pitchs, apresentações rápidas para gerar debates e aprendizados cruzados entre todos os presentes.

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II Toolbox na Educação na Politécnica – 1ª parte

Uma noite mágica, o privilégio de interagir com mais de 50 professores da Politécnica, colegas e amigos dos cursos da engenharia, arquitetura e informática. Uma sequência de dinâmicas 100% horizontais, auto-organizadas, descontraidas … que geraram um mapa inicial de técnicas e estabeleceram metas para a segunda parte, mais duas horas semana que vem onde teremos Lightning Talks e detalhamento auto-organizado das melhores sugestões para 2019/1.

Rolou um papo inicial sobre o conceito e oportunidades, seguido de um super-warm up que adoro, o dos bonecos, que se transformaram em três personas em um exercício de empatia sobre o que esperam e pensam sobre o semestre que em mais um mês se inicia. Depois debates em grupos sobre aulas, técnicas e boas práticas, com a escolha e apresentação daquelas que cada grupo acreditava serem as mais impactantes e clusterização de todas. Daqui a uma semana tem mais …

A preparação foi desde cedo, murais, material distribuido em mesas para 10 grupos, chegando ao prédio 32 sob o coro de passarinhos, em meio a uma vegetação ímpar e que transmite uma grande satisfação em poder considerar a PUCRS-TecnoPUC minha segunda casa. Hoje seria a primeira parte de duas, a segunda será daqui a mais uma semana e terá a missão proposta pelo próprio grupo de montar nosso mural e cada um detalhar aquela técnica que mais curte, para aplicar a técnica de wall com postits verdes e amarelos sobre dompinio e desejo … gestão do conhecimento em sua materialização mais distribuida.

Todos nós somos mestres e alunos nessa vida, nos inspiramos e somos inspiração, curto Piaget, Bandura, Prensky, Ausubel, Kolb, Maturana, Ebbinghaus, … dezenas de mestres que interpretamos e nos apropriamos, resignificamos a nosso contexto, porque o mundo gira e muda um pouco a cada volta. Como base, cada mesa ficou com uma provocação falando sobre Educação 3.0, nativos/imigrantes digitais e sobre o movimento PUCRS 360° cada vez mais materializado em cada prédio e colega.