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Reflexões sobre o conceito IDEO Deep-Dive

O Design Thinking proporcionou resultados que projetaram a IDEO como a maior e mais conhecida empresa de design de produtos do mundo, tudo isso graças a um processo de trabalho reconhecido como orientado a empatia, sinergia, disrupção e resultados muito rápidos.

De produtos Apple a seringas para insulina, de carrinhos de supermercado a cabines de votação, de desfribiladores a canetas esferográficas, design de produtos para AT&T, Palm e Western Digital, também design de serviços para a Lufthansa e diferentes cadeias de produção.

O Deep-Dive é um conceito proposto pela IDEO para o desenvolvimento rápido de novos produtos, serviços, processos. Por ser a IDEO, trata-se de envolver rápida e profundamente um grupo multi-disciplinar e clientes para geração de novas soluções em alguns dias.

Na minha opinião, há três virtudes na cultura IDEO em patamares tão arraigados e intensos que os tornam únicos a décadas:

1. Soma, uma tática entendida mas não reproduzida por limitações de diferentes gêneros, a constituição de equipes de projeto verdadeiramente multi-disciplinares, a inovação inicia pelo choque de prismas e domínios em variados campos do conhecimento e vivências.

2. Liberdade, outro princípio anulado com frequência por limitações variadas, lideranças imperativas, gerando profissionais que tentam dizer e fazer aquilo que eles acham que o seu líder faria ou esperam dele, suprimindo a criatividade e disrupção.

3. Empatia, não é só se colocar no lugar do outro, é a soma de colocar-se e sentir o que o outro sente, é buscar a compreensão melhor possível do porque, como, quando, sua história, consciente e inconsciente … é o sustentáculo do Design Thinking.

O conceito prático proposto pela IDEO é mais que conhecido e vem evoluindo, não só pelas mãos da IDEO, mas da Google e outros players que dedicam-se a inovação e liderança em seus segmentos, na vanguarda de produtos e serviços.

Não se iluda, a proposta de concentrar uma supercarga de energia em cinco dias de intensa interação, colaboração e propósito exige estudo, habilidade, conhecimento, informação, preparação, fosse fácil e qualquer um faria com sucesso.

Quer aprender a fazer, experimente, atraia e reúna talentos, invista direta e indiretamente em políticas e técnicas inclusivas e participativas, é preciso amplitude de conhecimento, senso de auto-eficácia, talento e atitude, tem muito a ver com a Teoria da Capacidade de Absorção.

A Teoria da Capacidade de Absorção (Cohen e Levinthal, 1990) é a capacidade de uma empresa reconhecer o valor de novas informações externas, assimilá-las em um estoque ativo e renovável, aplicando-as para fins de inovação e empreendedorismo.

Creio que todos os cursos introdutórios ao Design Thinking se veem obrigados a falar da IDEO e do trabalho de desenvolvimento de um novo carrinho de supermercado em 5 dias … sustentado por muita colaboração e experimentação prática, o resto é história!

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Pontos de atenção

Perceba no vídeo que não partem do zero, há pesquisa, benchmark, sombra, levantamentos, dados primários e secundários. Muitas empresas reinterpretam o Deep-Dive e pulam estudos e pesquisa porque tem pressa em chegar onde sempre chegam.

Um trunfo da IDEO são seus times realmente multi-disciplinares e talentosos, muitas empresas investem mais na sala colorida, cheias de tecnologia e puffs amarelos que em pessoas, mas enfiar muitas pessoas em uma “sala criativa” exigirá tempo e experiência para fazer efeito.

O primeiro passo é dedicado ao entendimento do que temos em mãos, já no segundo iniciam as técnicas e sessões de brainstorming, individuais, em grupos e coletivas, com amplo espectro, sem pré-conceitos, críticas, nem líderes. Só muitas ideias, debates e exposição visual.

Estamos seguindo o duplo diamante, primeiro divergimos para depois convergir, há várias técnicas de convergência em grupos de trabalho, de forma que as ideias vão sendo postas e todos podem votar naquelas que mais chamam a atenção por serem inovadoras, boas e factíveis.

O passo seguinte a escolha das melhores ideias é o de prototipação e validação, rapidamente materializando de diferentes formas, se utilizando de quaisquer técnicas e materiais para tanto em rápidos ciclos de feedback, ajustes e nova validação.

Há um permanente sentido de facilitação e organização, é preciso gestão e staff para prover as condições e gerenciar pessoas, material, garantir regras de convivência, alimentação, não só prover mas ter uma visão estratégica sobre o andamento.

Técnicas como a IDEO Deep-Dive não encerram-se em si mesmas, são aceleradores para transformar ideias em algo validável junto ao mercado a que se destina, é concentrar uma dúzia de pessoas em alguns dias, gerando um somatório de centenas de horas concentradas e dirigidas por uma técnica orientada a inovação, buscando extrair o máximo de sinergia e resultados no menor tempo possível.

Encerro citando o duplo diamante do Design Thinking, tanto quanto os novos conceitos de Design Sprint experimentados pelo Google, também técnicas de Inception Enxuta como a Direto ao Ponto do Paulo Caroli. É preciso ter explosão e direção, desde a percepção da necessidade, ideação e prototipação, intercalado com validação e ajustes a cada passo … arriscar-se a errar cedo, aprender com os erros e melhorar.

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Entender a essência de MVP você precisa

Vamos filosofar, porque faltam filósofos na TI e filosofia é essencial!

Entender a essência de MVP (mínimo produto viável) você precisa, porque é para todos, a essência é para qualquer projeto, produto ou serviço. Mas cuidado, muitas imagens e alegorias comuns podem gerar uma má interpretação relativa a experimentação e descartes sucessivos, ilação a projetos inovadores com grande dinamicidade na proposição, com pivots já desde antes de começar a construir, desde a ideia e entendimento do desafio até o produto final.

MVP é essencial e o conceito é aplicado em ciclos iterativo-incrementais-articulados desde a ideia até a entrega final … mas MVP não esta amarrado necessariamente a pivots, podendo ou não estar associados. O MVP é uma versão o mais simples possível, focada na explicitação do valor que um produto pode e/ou poderá agregar de forma a validar os próximos passos, enquanto Pivot é optar por uma alteração estratégica significativa em função da não validação de sua estratégia atual ou oportunidade melhor.

Assim como “Errar é bom” não é um dogma, pois muitas vezes errar é ruim, fruto do descaso, da displicência ou banalização do erro, pivotar é para ser uma consequência e não uma garantia pela falta de boas práticas de empatia em ciclos anteriores, com validações e ajustes, brainstorming, modelagem, planejamento, progressivamente … desde o campo das ideias, mocks até construção e entregas.

MVP é para ser um conceito difundido não só em projetos inovadores e startups, mas projetos de todos os portes, empresas e construção. MVP é experimentação mínima focada em validação de valor, algumas vezes pouco tem a ver com a alegoria do skate, patinete, kart, para um dia chegar ao carro. Mas, MVP também é construir o carro uma parte de maior valor por vez, ajustando, seguindo adiante até a finalização do carro desejado.

O contexto deve ser entendido, o ciclo sempre inicia com o entendimento do problema, brainstorming, modelagem da solução, cada passo é posto a prova e é importante para o próximo passo. Como um sistema de seguros, franquias ou matrículas, que podem ser o exemplo do carro que inicia pelo banco, que pode mudar, mas será um banco afinal, o painel que pode ser ajustado, mas será um painel afinal, assim por diante até ter o carro pronto … fazendo a parte mais relevante a fazer por vez, evolutivo, iterativo-incremental-articulado  \o/

Pivot x MVP

Praticamente todos os projetos de que participo, de startups a multinacionais, iniciando no foco de idear, modelar, validar antes de construir, em ciclos de discovery e delivery, validação e ajustes entre proposição e construção. Os MVP’s e pivots não são de alhos para bugalhos, mas detalhes, na arte de fazer apenas o que precisa ser feito, aproveitando oportunidades de focar naquilo de mais valor.

A probabilidade de eu ter que fazer um patinete, bicicleta e moto para chegar em um carro via de regra é uma percepção do zero ao produto pronto. Reduzindo a probabilidade de grandes pivots na medida em que vamos fazendo o dever de casa, do campo das ideias até a entrega final, sempre com muita empatia, envolvimento, validação e ajustes com as melhores práticas e paradigmas.

Escrevi este post porque a maior parte dos projetos que me envolvo se utilizam do conceito de MVP, toda inception tem MVP1, MVP2, MVP3, uma forma de enfatizar este mindset, antigamente tínhamos fases, releases ou entregáveis. O objetivo é explicitar o foco no mais importante para validação de hipóteses. Eventualmente a mudança de rumo é significativa, mas via de regra os ajustes melhoram, evoluem a ideia ou plano, raro é skate, bike, moto e no fim carro.

No início sim, usando de muitas validações, pesquisa, focus group, pretotyping, prototyping, mas na medida que começamos a construir, via de regra, mesmo seguindo o conceito de ter vergonha da primeira versão, convergindo e fixando na modelagem e construção de um carro … parte a parte, um espiral até o fim.

Espero ter sido útil na provocação, sempre use MVP’s, entenda valor, evolua, mas tente validar desde antes da ideia se materializar. Você não é obrigado a pivotar N vezes para ser um sucesso, se fracassou não necessariamente é porque deveria ter errado e pivotado, assim como pode errar e pivotar e mesmo assim não dar certo … se puder optar, valide antes, se puder não errar, vença! Sou contra o culto ao erro e ao pivot, errar e pivotar não são dogmas, são opções!

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SCRUM CheckList – by Henrik Kniberg

Descobri a alguns minutos e aqui já está compartilhado, achei bem relevante e muita gente pode ainda não conhecer. Por incrível que pareça, no meio de um artigo, fui de link em link e topei com esta pérola em um site Turco – https://www.crisp.se/gratis-material-och-guider/scrum-checklist.

De bate-pronto achei bem interessante ampliá-lo e usá-lo como WarmUp. A lista de verificação Scrum é fácil de entender, descontraída, com percepções básicas, sujeitas a relativisação a partir de situações e práticas específicas de maior ou menor valor, sugerindo pelo autor não como uma ferramenta de avaliação, mas para reflexão … acho que rola um algo bem divertido com ele:

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Scrum SetUp Canvas – Balizas para o planejamento!

Convido quem me acompanha a avaliar um artefato que criei para setar e organizar planejamentos SCRUM, porque para ajudar nisso criei um canvas com informações básicas que antecedem o início de um projeto Scrum, algo complementar ao Project Model Canvas do Prof Finocchio.

Times Scrum possuem balizas essenciais que não aparecem em nenhum dos canvas ou artefato de modelagem que eu conheço, deixando estas informações dispersas, a solução que encontrei foi uma folha A3 especialmente útil se resultante de parâmetros acordados antes do início de um Release Plan.

É bastante comum não haver transparência ou realismo em informações como DoR (critérios de especificação), DoD (critérios de pronto), regulação de arquitetura, boas práticas, métricas e indicadores. Mesmo em grandes empresas, quase sempre é difícil explicitar a documentação e critérios exigidos.

Scrum Setup Canvas – 1ª versão

Um bom Release Plan exige o estabelecimento prévio de parâmetros e critérios para o planejamento, informações estas que ficam dispersas, por isso criei um canvas A3, que estou gradualmente experimentando e evoluindo \o/

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Solução Atual – Qual a solução que queremos substituir, indicando aqui sistema, planilha, gambiarras, papel ou o que mais seja utilizado hoje;

Nova Solução – Que tipo ou caracterização possui a nova solução desejada, módulos perceptíveis, tecnologia ou algo que a caracterize;

Valor – Qual é a essência do valor almejado, seu diferencial competitivo, como a solução agrega valor ao negócio ou estratégia da empresa;

Formato de Sprint – Tamanho do sprint e alguma característica especial relativo ao uso de planning, kanban, daily, review e retrô;

Arquitetura e Integrações – Quais são os sistemas ou legado que teremos que integrar, consumir, atualizar ou manter atualizado?

Indicadores e Métricas – Métricas de acompanhamento, relativas a qualidade, escopo, cronograma, riscos, tendências, e tipo de estimativa que será usada;

Boas Práticas e Ferramentas – Qual é a arquitetura onde este projeto será desenvolvido, quais tecnologias, ferramentas e boas práticas esperamos usar;

Feriados – Quais feriados, feriadões, férias e eventos organizacionais temos nos próximos meses, melhor ir para o Release Plan já tendo isso em mente;

DoR – Quais são os seus critérios, obrigatórios ou facultativos, para Definition Of Ready, relativos a especificação, documentação, informações;

DoD – Quais os critério obrigatórios ou facultativos para a Definition Of Done para ser considerado como pronto e disponível para ser publicado;

Reserva Técnica – Quais os comprometimentos que a equipe ficará envolvida durante o projeto, manutenção/sustentação, outros projetos, alocações;

Sprint Zero – Pendências e perspectivas de tarefas, atividades, histórias técnicas, treinamentos, passagem de conhecimento, aquilo que precisamos preparar.

Já passei por variados formatos, este é o mais recente … NÃO é um canvas de modelagem ou planejamento, o uso é alinhamento antes de iniciar uma inception, colocar e manter a todos na mesma batida, expectativa e energização. É uma forma de materializar visualmente opções e decisões básicas, como um lembrete que influenciará nas estimativas e planejamentos que iremos desenvolver.

O meu próximo passo é criar um Kit de início de trabalhos, um conjunto de quadros e artefatos, um pack que acelere o processo inicial de piloto. No tocante às balizas Scrum: Vamos planejar sprints de que tamanho e característica? Qual o DoR? Qual o DoD? Como vamos estimar as user stories? Quais os acordos nas boas práticas que serão praticadas? Quais métricas pretendemos monitorar? etc

Este canvas já evoluiu em sua segunda versão, lançada em Abril/2017 no Agile Trends SP … se você curtiu, dá uma olhada:

Clique aqui para baixar o manual e modelo A3 em pdf.

  • Elevator Statement
  • Equipe e envolvidos
  • Aproveitamento e formato dos sprints
  • Arquitetura e Integrações
  • Indicadores e Métricas
  • Boas Práticas e Ferramentas
  • DoR (Definition of Ready)
  • DoD (Definition of Done)
  • Feriados e Férias
  • Sprint Zero
  • Reserva Técnica (%)

Clique aqui para assistir a apresentação em vídeo no Agile Trends 2017.

Clique aqui para acessar a apresentação em PDF a partir do DropBox.

Espero que seja útil aos que já o utilizam ou querem experimentar, igual fico a disposição no caso de dúvidas, aberto a sugestões ou críticas construtivas 🙂

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Versão Agile da dinâmica Spaghetti Bridge

Existe uma competição inspiradora entre engenheiros civis, com o desafio de construir uma ponte apenas usando spaghetti, cola quente e tesoura para cobrir um vão de 30 centímetros. Assim como adaptei com sucesso a super-dinâmica Marshmellow Challenge para ser um Agile Game, a Bridge também pode ser planejada e executada de forma a conhecer e vivenciar o método SCRUM.

É um projeto a ser planejado em 3 jornadas de 8 minutos. Cada equipe recebe um pacote de espaguete, tesoura e pistola de cola quente (ou um rolo de fita adesiva), além de folhas A4. Não é possível usar qualquer outro material e não é permitido planejar uma ponte colada em algum lugar (como a mesa), ela deve ser auto-portante, deve estar solta.

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É importante contextualizar a galera apresentando esquemas de vários modelos de pontes, facilmente encontrados na web ao procurar por “spaghetti bridge”. A competição original é para engenheiros civis, então não é muito previsível que desenvolvedores e outros profissionais tenham este conhecimento básico em mente ao iniciar este jogo sem prévia preparação.

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Como sempre, apresente-se como sendo o cliente, caracterize-se se quiser, quanto ao tamanho do vão, diga desde o início de quanto é (30 centímetros), informando que está construindo uma cidade em escala feita de espaghetti, que terá animatronics de pessoas, veículos e movimentos para simulações. Há uma restrição de tempo, de número de sprints, que exigirá a construção de um MVP.

Assim como no Bamboo Challenge, Banco Intergaláctico e Scrum Pokedex 360º, faça um treinamento no uso e manipulação do material. Neste caso, o objetivo é aprender a cortar espaghetti e usar a pistola de cola quente. Feito isso, cada equipe deve cumprir as etapas de pré-game (10 min), encerrando com um Release Planning para três sprints de 8 minutos cada.

É um exercício SCRUM, por isso, sigamos a risca o conceito de aprendizado vivencial, exercitando cada timeboxe, papéis, regras e artefatos. Evite se antecipar e resolver qualquer problema sem que eles perguntem ou se interessem em perguntar, ao final aproxime duas mesas a 30 centímetros e peça que tragam e posicionem suas pontes para o teste de carga.

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O teste de carga é um carrinho que passará rodando puxado por um barbante, mas desde o início há uma lista de aprendizados, como empatia, entender o problema e não apenas fazer o que o cliente quer. Técnicas de planejamento e execução iterativo-incremental-articulada, se comunicando e validando a cada passo, a importância de uma daily, seus planos de ação e tomadas de decisão.

PRINCÍPIOS: Um jogo que se utiliza de todos os momentos do ciclo de vida e características do método SCRUM. O original não é assim, mas fica muito mais interessante com release plan, planning, execução, review e retrospectivas com muita comunicação e execução incremental.

DICA: Dependendo do perfil da equipe e do tempo que terá para o jogo, compre espaguete um pouco mais grosso para evitar o risco de que sendo muito fininho quebre e estrague a brincadeira. Divirta-se, mas não perca cada oportunidade de aprendizado, serão muitas, todas alinhadas aos princípios ágeis.

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Validando hipóteses – talvez você esteja fazendo errado

O post é sobre pesquisas realizadas por startups, empresas em geral, tradicionais ou de matriz tecnológica, para validar suas hipóteses, pressupostos relacionados a produtos e serviços, inovadores ou não, visando desenvolvimento, lançamento, crescimento ou mesmo descontinuação. Inicio compartilhando uma lições mais importante através de uma parábola, sobre os riscos de uma pesquisa mal formulada, o risco de validar a coisa errada, ou invalidar a coisa certa.

A melhor lição que recebi sobre pesquisa eu não lembro quem me relatou, foi na época do mestrado. Uma história de alto valor vicariante sobre dois instrumentos de pesquisa e seus resultados, um feito por pesquisadores da administração e outro por pesquisadores da psicologia, sobre o porque pastel de feira era bem aceito e muito vendido nas feirinhas municipais de horti-fruti-granjeiros.

Administração – Um pesquisa bem estruturada, com alto rigor metodológico, bem fundamentada, com um bom modelo e instrumento preciso contendo poucas perguntas, na essência havia uma pergunta sobre o porque o respondente que acabou de comprar um pastel havia feito isso … a resposta foi em diferentes percentuais porque era fresquinho, era saboroso, barato, conveniente, era grande.

Psicologia – Assim como no caso da pesquisa em administração, bem construída e fundamentada, mas diferentemente dos administradores que focaram no próprio produto, os psicólogos focaram ao que o produto remetia o comprador. Ao perguntarem o que aquele pastel recém adquirido lhe relembrava ou que emoção era alimentada, as pessoas citavam seus avós ou pais, que o levavam a feira e lhe compravam um pastel recém frito, sorridente, batendo papo com o vendedor.

Fazer a pergunta certa urge e é fundamental, para que possamos tentar fazer certo a coisa certa, nem errado a coisa certa, nem certo a coisa errada, menos ainda não fazer nada 😦

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Tem também o problema de seleção ao escolher uma mostragem distorcida, como as aleatórias, parental, amizades, colegas, induzidas, montar pesquisas é uma arte e sinto muito em dizer que 5% são artistas, os demais fazem pesquisas piores que inúteis, pois acabam validando ou invalidando incorretamente, mascarando os dados, gerando informações equivocadas, desperdiçando tempo, dindin e foco.

Minha ironia fica por conta daquele empreendedor que está satisfeito em ter a sua própria opinião, da mãe, da avó, dos melhores amigos, cônjuge, filhos … que após meses acaba tendo que encarar o mercado e para então ficar se perguntando onde errou. É aquele empreendedor que tem um Business Model Canvas decorando a parede, posta no facebook e performa em eventos e matérias na mídia … que se mal aproveitadas, atrapalham e dispersam mais que ajudam.

Imagina gente fazendo cursos, com canvas ao lado de puffs coloridos e ítens de decoração icônicos de mobiliário típico do Vale do Silício … tempo passando lá fora, porque a parte mais importante do Design Thinking, Lean Startup, Agile, ele não entendeu. Deixo uma frase de uma palestra da Engage em 2012 – “Uma startup é uma empresa correndo contra o tempo para vencer antes que o dinheiro acabe”.

Pior ainda é quem não faz, não valida, delegando à sorte ou azar, na ingenuidade de não aproveitar seu networking, é preciso fazer o melhor a partir de colaboração e parceria, aproveitando diferentes conhecimentos e experiências. Tem quem possa contratar o DataFolha, tem quem contrate profissionais de pesquisa e estatística, mas há todos nós, precisando fazer mais com menos na metade do tempo. Tentar fazer sozinho ou procrastinar é mais que apenas desperdício!

A maior arma de uma startup não é a sua ideia, sua paixão, seu conhecimento, tudo isso é obrigação, mas sua arma e diferencial é aproveitar cada dia, antecipar cada risco ou oportunidade, validando corretamente cada hipótese, a cada passo.

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O magnetismo da tecnologia, quadros A3, postits e puffs amarelos

Um dos maiores riscos para a construção e reconstrução contínua da estratégia de uma startup de matriz tecnológica é o forte magnetismo que a tecnologia exerce sobre seus integrantes, um fascínio que atrai grandes profissionais de TI para a modelagem de produtos e para a frente dos computadores.

Muitas vezes a galera fica olhando para o lado errado! Esse é o perigo do NÃO entendimento dos espaços criativos e inovadores, com artefatos coloridos, instigantes, mesas e puffs que estão lá para nos provocar. Cuidado para não ficar lá dentro, porque na maioria das vezes o sucesso (ou não) vai ser decidido lá fora!

olhando para o lado errado

Os perigos da abstração tamanho A3

A abstração da folha A3 do Business Model Canvas pode ser uma distração se com sua simplicidade esquecermos dos planos de marketing, financeiro, operacional, investimentos, mesmo assim é só o primeiro degrau, tem que fazer acontecer, botar o pé na estrada, feiras, eventos, associações, conselhos, há o mundo lá fora.

Com frequência a modelagem de negócio, incluindo estudo de cenários, projeções e planejamento exigem mais que um Business Model Canvas, Value Proposition Canvas ou Empathy Canvas. Mas cuidado, resumir o planejamento de negócios a um Canvas é um reducionismo que cobra um alto custo dos empreendedores.

Muitas vezes a pretotipação, prototipação ou construção de um MVP é quase que irrelevante se comparado a necessidade de uma estratégia para geração de base instalada, da exigência em discutir, planejar, executar e monitorar o famoso funil, ser intenso e agressivo na conquista de massa crítica, com ou sem produto ainda.

funil

A abstração pode ser a Zona de Conforto

Já interagi com muitas startups que insistiam em se dedicar ao famoso MVP, mas falharam porque o principal fator crítico de sucesso estava bem longe do escritório, falharam em montar estratégias e dedicar a imensa energia necessária para atrair e reter não só os tais Early Adopters, mas muito mais além deles.

Quando falo de planos, são TODOS os planos, daqueles que dizem respeito a ideia, modelagens, diferentes aspectos de negócio, validações. Iterativo-incremental, o mantra do Agile vale para tudo em uma startup, é preciso entender cada passo dado, atual e o seguinte, monitorar e refletir, ajustar os planos e seguir em frente.

Fiz um post a algumas semanas atras sobre as diferentes formas de fazer um plano de negócios, que pode com frequência ser uma necessidade, para o qual podemos usar as mesmas técnicas colaborativas e visuais utilizadas para tudo o mais, mas sem se isentar de pensar além do próprio produto.

Plano-de-negócio

A abstração da mídia

Desde 2011 quando vim, como coordenador de desenvolvimento da área de produtos digitais do Grupo RBS, aqui para o TecnoPUC eu tento alertar os jovens empreendedores para aproveitarem mas não se deslumbrarem com as luzes e purpurina do universo startup, o risco é acabar na Catho alguns anos depois.

Conheci muitas startups que se deixavam deslumbrar por eventos, artigos em jornais e TV, passando a achar que o jogo já estava ganho, mas aprendendo que eventos, jornais, revistas e TV são apenas meios de comunicação, são bons, mas pouco se não houver uma estratégia para que sejam muito bem aproveitados.

Conclusão

A medida do potencial de sucesso de uma startup está no final do funil, está na conversão, no cumprimento e superação dos planos de negócio, projeto e produto, nesta ordem, iterativo-incrementais, iniciando pela estratégia, para desenvolver a tática e o operacional, jamais o contrário.

Meus primeiros posts aqui no blog foram resenhas para cada uma das quatro disciplinas propostas pelos autores Bossidy e Charan no livro “Execução” – Estratégia, Pessoas, Operação e Execução! Eles não são agilistas, mas alertam o quanto reduzimos os riscos e aceleramos resultados se formos diariamente ágeis.

Curto muito a frase que escutei alguns anos atras em uma palestra da Engage: “Startup é uma empresa correndo contra o tempo antes que o dinheiro acabe!”

Convide com frequencia pessoas criativas, clientes e especialistas para fazer brainstormings, antecipe riscos e oportunidades, planeje e valide, use técnicas diversas como Focus Groups, MVP, Wizard of Oz, pretotyping, prototipação, mas jamais esqueça que o tempo não para, faça acontecer e reflita semanalmente.