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Andragogia – Platão, Knapp, Knowles, Glasser e Deming

O termo andragogia e seu conceito vem dos escritos de Platão sobre a educação, do grego “andros” (adulto) e gogos (educar), resgatado pelo alemão Alexander Knapp no século XIX para diferenciar as abordagens no aprendizado infantil e adulto, orientado pela noção de utilidade.

Após Knapp em 1833 ter trazido à pauta a andragogia enquanto ciência no ensino e aprendizagem de adultos, esta ganhou o mundo em meados do século XX com o americano Malcolm Knowles, através de seus livros, estabelecendo uma pauta e debate sobre o tema.

Ao privilegiar a percepção de utilidade pelo aluno, deixamos para trás métodos “passivos”, privilegiando métodos “ativos” e mais participativos, onde dinâmicas multi-laterais proporcionam um aprendizado autônomo, contando com o próprio aluno como protagonista (*).

Protagonista, personagem mais importante do teatro grego clássico, em torno do qual se constrói a trama.

Educação, ensino e aprendizagem

No início do século passado, acreditava-se que a educação de crianças deveria ser hierarquizada, posto que precisavam aprender o que adultos lhes ensinavam em uma relação unilateral. Nos anos 50, Knowles propunha a necessidade de adultos dirigirem seus aprendizados, por suas necessidades, motivação e resultados esperados.

O aprendizado deve ter utilidade e ser co-criado entre o adulto que aprende e o que ensina, baseado em aprendizados anteriores, vivências e necessidades. Isto estabelece o que deve ser uma parceria, onde o papel do professor é o de facilitador, contribuindo no processo relacionado a gestão do conhecimento por parte do aluno.

A Teoria da Escolha e a Pirâmide da Aprendizagem

Um modelo a ser conhecido é a pirâmide de aprendizagem de William Glasser, psiquiatra americano que curiosamente desenvolveu idéias de W. Edwards Deming, conhecidas como terapia de realidade e teoria de escolha, aplicadas à educação, onde vemos o professor como um facilitador.

No livro Teoria da escolha de Glasser, a escolha pelo aprendizado, pelo estudo sobre determinado conteúdo, pode ser percebida no ensino-apredizagem como uma motivação intrinseca, de cunho interior a cada aluno, motivado pelo interesse ou necessidade.

Metodologias Ativas

Andragogia oferece toda uma base de conhecimento útil a Agile Coachs, mentores e facilitadores, resignificando a forma como o desenvolvimento humano, individual ou em grupos, acontecem nas empresas. A gamificação da gestão do conhecimento tem também muito a agregar a partir de princípios do ensino à adultos.

A tempo, ainda no século XX, a educação infantil também ganhou quebras de paradigmas convergentes. Metodologias ativas garantem interação não só entre professor e aluno, mas especialmente entre alunos, experiências e percepções, gerando interesse e valor, construindo conhecimentos ancorando-os em aprendizados anteriores.

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Retomando meus workshops, vem aí um de Toolbox 360° – 01/06/2019

No dia 01/06/2019 vai rolar mais uma edição do workshop TOOLBOX 360° aqui em Porto Alegre. Um Sábado para compatilhar, debater e interagir, na pauta mais de uma centena de técnicas e boas práticas. Separados em grupos dinâmicos, além da conhecimento e aprendizados vicariantes, rodaremos o jogo Toolbox 360° e a técnica de gestão do conhecimento batizada de Toolbox Wall.

O workshop é das 09:00 as 12:00, intervalo para o almoço e continua das 13:30 as 18:30. Cada participante receberá um kit do jogo com tabuleiro e baralho, coloridos, frente e verso, gr 300 com 115 cartas de técnicas. Uma abordagem aberta, para profissionais de qualquer formação, carreira, empresas ou área de atuação.

Inscrições – http://bit.ly/toolbox360-010619
Informações – https://jorgeaudy.com/2018/09/17/workshop-toolbox-360-a-cada-passo-um-novo-se-descortina/
Dúvidas – toolbox.audy.360@gmail.com

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20/10 – quem ainda não fez o workshop de Toolbox?

Dia 20/10, 13h às 18h, debateremos nossa Toolbox através de 115 boas práticas para profissionais de todas as áreas – carreira, estratégia, modelagem, planejamento, execução, aprendizado, …

Na participação, cada um receberá um kit contendo o tabuleiro e baralho colorido com mais de cem técnicas e boas práticas, certificado de participação, muita interação e aprendizados.

Haverá um email de confirmação do workshop, o quórum mínimo é de 20 pessoas. Uma experiência singular desde a chegada até o final, veja algumas fotos, relatos e conteúdo em http://bit.ly/relato-toolbox

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A Aprendizagem Significativa de Ausubel

Nunca escondi minha admiração pelas teorias e pesquisas construtivistas de Piaget, da auto-eficácia por Bandura, aprendizado significativo por Ausubel, entre outros mestres da psicologia, pedagogia, sociologia, tanto quanto tenho respeito incondicional pelos professores Nonaka e Takeushi pela contribuição que tiveram na minha visão sobre o valor do coletivo, empatia e sinergia.

A aprendizagem significativa de Ausubel segue o princípio construtivista de que cada um de nós é uno, temos vivências e conhecimentos prévios que devem ser utilizados para que o processo de aprendizado aconteça a bom termo. Cabe a cada mestre pensar em um ensino que respeite e potencialize o conhecimento prévio de cada aluno e o sentido prático e lúdico dele.

Ele fala de mapas conceituais e estruturas mentais construídos por cada um de nós, únicos, singulares, baseados em nossos princípios, vivências e saberes, somente a partir deles seremos capazes de lastrear a construção de novos conhecimentos de forma eficaz e efetiva. Também citei Nonaka e Takeushi, porque são bases equivalentes às dos métodos ágeis, cada pessoa como parte essencial de um coletivo forte baseado em aprendizado contínuo.

Uma releitura da Maiêutica Socrática, onde o saber não é imposto, não é algo estático, mas uma construção pessoal, ancorada em nossos valores, habilidades, conhecimentos e atitudes, tornando este processo potencialmente mais intensa, interessante e prazeroso. Sócrates propunha que o conhecimento não era algo extrínseco, mas intrínseco, maiêutica significava parteira, simbolizando que o saber era parido, vinha de dentro e não imposto de fora para dentro.

A seguir reproduzo um texto meu de Junho de 2014:

Na teoria da Aprendizagem Significativa, para alguém aprender algo é preciso que este aprendizado faça sentido, de forma que o aprendiz ancore cada nova informação a seus conhecimentos prévios, criando assim novos conhecimentos. A teoria propõe que a aprendizagem significativa ocorre unindo o novo ao pré-existente (subsunçores), que atuam como âncoras entre o antigo e o novo.

O primeiro passo é o estabelecimentos de conceitos básicos que permitirão ao aluno a construção de ciclos contínuos de diferenciação progressiva (aprendizagem subordinada) e de reconciliação integrativa (aprendizagem superordenada), respectivamente indicando um processo cognitivo do geral para o específico ou ao contrário, do específico para o geral.

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Ausubel indicou o uso daquilo que chamou de organizadores prévios ou subsunçores para a ancoragem do novo, facilitando a nova aprendizagem. Esta abordagem pressupõe que é responsabilidade do professor oferecer recursos introdutórios que servirão de âncoras para novos conhecimentos, possibilitando o aprendizado significativo.

Sendo assim, é imperioso para o desejo de aprender do aluno que o professor ofereça e certifique-se que os seus alunos tenham os subsunçores necessários antes de iniciar o ensino do novo, esta seria a condição para o real aprendizado. A avaliação do aprendizado é também avaliação do ensino, Ausubel sugere a utilização de testes de compreensão usando recursos diferentes dos usados para o ensino, constatando de fato se ocorreu a aprendizagem significativa.

Assim como no post que fiz sobre a Escola Construtivista, Ausubel acredita que cada um de nós possui uma história, nossas vivências e conhecimentos prévios são mediadores de nossa capacidade em aprender algo novo. Um bom professor deve ser capaz de perceber e oferecer aos seus alunos os subsunçores necessários para que cada aluno construa seu aprendizado. Isto é diferente de decoreba, independe de memória, não é dizer como pensar e como saber, é ensinar a pensar e construir seu próprio saber … Temos muito pela frente 😦

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