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RD Matrix – O MVP de uma empresa virtual e interativa em Open source

Uma das empresas brasileiras de tecnologia por quem tenho simpatia é a RD, a Resultados Digitais de Floripa em SC, admiração desde que realizamos um TecnoTalks em 2015 com o Bruno Ghisi e o Guilherme Lopes na então incubadora RAIAR do TecnoPUC – https://jorgeaudy.com/2015/04/01/relato-sobre-o-poa-startup-talks-na-raiar/

Um episódio muito legal, recebi uma ligação deles dizendo que eles estariam aqui em POA para um RD Summit e que gostariam de aproveitar e compartilhar algo com a galera do TecnoTalks, uma iniciativa deles para compartilhamento de aprendizados vicário, um mindset que por si só já os apresentava.  As palestras e o debate em sequência foram sensacionais, uma visão madura sobre o desenvolvimento de uma startup e o uso de metodologias, técnicas e boas práticas como substrato para uma organização que aprende e se reinventa.

Ao postar sobre a comunidade de software livre Jit.si, o Luis Henrique Rauber Rodrigues me deu a dica do projeto Open Source #Matrix da RD, que por sua vez tem suporte a vídeo via Jit.si. A alegoria ou paradigma utilizado é o de uma planta baixa, assim como a Sococo. A proposta é ser possível enxergar não apenas uma sala de reuniões, mas uma visão geral de todas as salas, cada uma com uma designação. É possível transitar e interagir quando queremos, como se circulássemos na sede da empresa e víssemos onde está todo mundo e o que está rolando …

Solução open source versionada no github, back-end em Node.js e socket.io, front-end em bootstrap e Jquery, contando com mais de 30 contribuidores, 14 branches e mais de 200 releases até aqui – “O objetivo do projeto é fornecer um ambiente de escritório virtual como em um escritório físico. Quando estamos trabalhando em um escritório físico, é muito comum ir de uma sala para outra para conhecer pessoas e ter conversas, por exemplo: cozinha, sala de estar, sala de jogos etc. Ao trabalhar remotamente, há menos interação com outros membros da sua equipe, como em um escritório físico. O projeto nasceu como uma proposta para melhorar essa experiência. A idéia é permitir que você crie várias salas virtuais imitando o mundo real, onde as pessoas podem entrar em uma sala. Leia mais em uma postagem da RD no Medium.

Na solução comercial da https://sococo.com/ temos a mesma alegoria, onde é possível ver uma bolinha colorida com o nome de cada pessoa, em salas onde estão acontecendo reuniões ou agrupamentos por área. A Sococo usa tipo um smile colorido para indicar quem está onde (no Matrix é uma fotinho). A Sococo tem um produto comercial já consolidado, com um nível de sofisticação nos cenários e features, oferecendo inclusive diferentes fundos de cena. A observação pertinente é que a Sococo começa em 11 dolares por pessoa por mês …

Na linha do menos é mais, em uma abordagem bem MVP + MMP, gostei muito da proposta, é simples, rapidamente implementável e com muito potencial. Mais que isso, é open source e é brasileira, puxada por uma empresa inspiradora de muito sucesso.

A pandemia, com o distanciamento social e milhões de pessoas em home-office, esta abrindo para o mercado diferentes oportunidades e cenários de trabalho remoto, soluções de produto e serviços até então restritas a pioneiros, nichos e aficionados.

Tem mais alguns que descobri após a postagem:

https://knockhq.co/

KNOCKHQ

https://www.mydigitaloffice.io/

digitaloffice

https://pragli.com/

pragly

https://remo.co/

remo

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Kudo Cards, Kudo Box, Kudo Wall e envelopes

É uma proposta muito simples, são fichas coloridas com labels grandes de elogios com linhas pautadas para preenchermos com o fato, comportamento, atitude, ação, ajuda ou resultado realizado ou conquistado. Por exemplo, um colega pró-ativamente senta com alguém menos experiente para dar dicas e orientar … e poderíamos elogiar “parabéns pela sua disposição em compartilhar e contribuir com os colegas”.

Kudo ~ credit, claim, credence, trust, renown, reputation, fame.

Uma proposta com foco no fortalecimento de uma cultura de reconhecimento, onde profissionais passam a valorizar por escrito atitudes positivas e colaborativas. Oriundo do conjunto de dinâmicas propostas pelo Management 3.0 do Jurgen Apelo, tornou-se bastante comum em dinâmicas de times e grupos que trabalham de forma colaborativa ou sinérgica.

Kudo Card – Imprima e crie um fichário onde ficarão ao alcance de todos no dia-a-dia, compartilho um link com kudo cards para impressão, quatro por folhas A4, que deveriam ser impressos a cores – https://ynnovate.it/wp-content/uploads/2013/02/Kudo-Cards-Print-A4-1.pdf

Também compartilho um guia completo do management 3.0 sobre o tema – https://www.managementboek.nl/code/inkijkexemplaar/9789492032027/workout-engels-jurgen-appelo.pdf

Kudo Box – O uso do box (caixa colorida criada pelo próprio time) é quando deixamos uma caixa em uma mesa ou bancada, de forma que cada integrante possa preencher um Kudô Card com um elogio ou valorizando atitudes legais ou contribuições de um colega no dia a dia e colocá-lo na caixa. Em momentos e frequência combinados pelo time, provavelmente em uma reunião de retro ou futurespective, abre-se a caixa e cada um pega os seus cards, compartilhando e confraternizando com os colegas. Uma possibilidade é criarmos um mural para os Kudo Cards.

Kudo Wall – Quando fixados em murais, dado o conteúdo positivo e cores, geram um atrativo ao conceito e muito especialmente garantem o compartilhamento e acesso à ações e atitudes que merecem ser conhecidas e valorizadas.

Envelopes personalizados

Como sempre, também podemos entender a ideia, o conceito, para então repensar como podemos usar. Em treinamentos faço algo parecido, que já repliquei várias vezes, com o uso de envelopes.

Entregue a cada integrante ou participante um envelope e ofereça canetinhas coloridas para que o decorem e caracterizem com seu nome e desenhos que remetam a coisas que curta, no trabalho, hobby, família, viagens, …

Os envelopes ficam todos juntos em um local, pode ser uma bancada, colados um ao lado do outro em um móvel, parede, eu já usei um barbante e os envelopes pendurados com um prendedor como roupas no varal.

Disponha fichas Kudo e canetões, incluindo cards com “sugestão pra você” onde além de elogios é possível sugerir, dar dicas, riscos, em workshops mais prolongados gera ao final de cada turno vários feedbacks.

O primeiro que fiz, creio que em um workshop com colegas em 2005 eu guardei e o tenho até hoje, não o encontrei agora, mas é um envelope A4 amarelo todo desenhado e rabiscado. Ao final de cada dia, cada um vê se algum colega deixou cards no seu envelope.

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O valor na facilitação de storytelling, encenação, jornadas e storyboards

Para exercer empatia, entender e atender outras pessoas, no trabalho e no dia-a-dia, precisamos nos apropriar de sua história, fluxo de ações e eventos. O valor não está na técnica de modelagem, mas na interação, sinergia e colaboração, narrada pelos próprios protagonistas ou seus representantes, para, colaborativamente, mapearmos passado e presente, projetarmos o futuro.

Nada melhor que histórias, encenações e imagens, quando queremos gerar uma boa egrégora para nos conectarmos a pessoas e objetivos, quer olhando para o passado, presente ou futuro. A chave é o aspeto humano e coletivo de storytellings, jornadas, encenação e storyboards, com facilitações visuais, sketchs, drafts e muitos postits.

Tenho vários posts com detalhamento, relatos e depoimento sobre estes temas e técnicas, o uso em projetos, planejamento, concepções, roadmaps, inceptions, retrospectivas e futurespectivas. O uso em pesquisa, entrevistas, shadowing, focus group, treinamentos, representação em improviso com seus próprios protagonistas e outras oportunidades.

Em 2017 organizei Tecntalks para debater storytelling, Jornada do Herói, psico-drama, oficinas de flipbook, storytelling e storyboard. Além disso, debatemos nossas técnicas de jornada, ideação e enriquecimento com how might we, 5w2h, crazy eight, csd, … Dica importante? Só se aprende fazendo, sempre coletivo, colaborativo, com tentativas, erros e aprendizados.

Storytelling é mais que uma mera narrativa, é a arte de contar histórias envolventes para transmitir uma mensagem de forma inesquecível.

Storytelling é a transmissão de narrativas usando palavras e imagens, pré-elaboradas ou de improviso, para gerar empatia ou fomentar a atenção, debate e enriquecimento de informações que o grupo julgue pertinente. Instigando engajamento, sinergia, originando o mapeamento de jornadas, a facilitação visual, a confecção de cenários passados, presentes ou prospectivos sobre o futuro.

Por enriquecimento, entendemos o debate e a agregação de informações úteis, esclarecimentos, modelagem, sugestões, inovação, disrupção, relacionadas a cada passo da história. Oportunidade para questionar, debater, idear, de forma que co-criemos um bom entendimento e contextualização, mas identifiquemos oportunidades de mudanças, melhorias e soluções.

storytelling

Encenar vai além dos palcos, há diversas formas de comunicação e arte envolvidas, expressão corporal, vocal, artes visuais, música e textos, proporcionando inúmeros benefícios interpessoais.

Encenar, enquanto prática teatral desperta a criatividade e a iniciativa, aprimora a percepção sensorial e desenvolve capacidades como coordenação motora, raciocínio lógico e concentração. Apresenta ferramentas que potencializam a comunicação verbal e não verbal, criatividade, desinibição, improviso, o poder de persuasão, o contato com as pessoas.

A linguagem teatral é uma metodologia que nos conecta ao lúdico para nos comunicarmos sem barreiras, através do lúdico transparecemos o individual e o social em nós, pela encenação é possível materializar um maior e melhor entendimento de um negócio, processo, situação. Eu uso a encenação previamente elaborada e ainda mais inspirada no programa “É tudo improviso” do Ballas na Band.

Jornada é uma visualização do processo que uma pessoa atravessa para atingir um objetivo, usada para entender e atender suas necessidades.

Jornadas são como filmes com extras do diretor, podemos consultar dados sobre atores, evidencias, backstage, dispositivos, ideação, satisfação, etc. Um passo-a-passo onde na primeira linha tem a jornada, contando abaixo com diferentes linhas de informações adicionais, acrescendo dados, para que na soma deles possamos compreender sua complexidade ou real potencial.

Conceitos e técnicas fundamentais para qualquer profissional da era do conhecimento, ambidestro, T shaped. Experiências mapeando jornadas são uma garantia de imersão na co-criação, empatia, compreensão coletiva sobre a experiência de quem queremos melhor conhecer e atender, desde clientes, colaboradores, cidadãos a perfis mais específicos e singulares.

Storyboard são organizadores visuais, com uma série de ilustrações ou imagens em sequência com o propósito de visualização de uma narrativa.

Comece com uma história, identifique os personagens, suas motivações, cenário e contexto, em seguida, escolha cenas (passo-a-passo) que mostrem o enredo em desenvolvimento, do início ao fim. Ilustre sua história, como uma história em quadrinhos, sem stress, esboços rápidos com balões de fala e pensamento, ação e narração feitos em papel ou meio digital, usar postits sempre é uma boa ideia.

Não se apegue ao storyboard enquanto arte, mas como um meio, garanto que qualquer pessoa pode desenhar e se fazer entender. Evite a síndrome do impostor, que na psicologia é uma linha de pensamento onde a pessoa não consegue aceitar que é capaz, sendo levada a procrastinar ou não fazer, postergando desenvolver-se como profissional, achando que somente os outros é que conseguem.

Vídeos

Compartilho um de muitos vídeos explicativos sobre Jornadas em suas diferentes composições, disponíveis no youtube:

A seguir um tutorial para criação de um journey map usando recursos básicos do Miro que acho bem interessante:

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Kahoot, Mentimeter e novas formas de interação, jogos para questionários e enquetes

Novos tempos e novos paradigmas exigem novos termos (*) para o uso aplicado de tecnologia, jogos, áudios e vídeos em aula, uma roupagem nova para conceitos antigos. Há 60 anos atrás o manual do escoteiro mirim já era usado como recurso de educação, seriados da Disney e outras produtoras, lembrei até das aulas de inglês do Fisk na década de 70, usando músicas, esquetes e jogos para ensino e aprendizado.

(*) educommunication (education + communication), edtech (education + technology), edutainment (education + entertainment), também podemos citar conceitos correlatos como ludificação ou gamification para o uso de mecanismos de jogos em outras áreas.

A muito tempo o universo de ferramentas utilizados em aula para questionários, enquetes e interação sobre conteúdos vem se transformando em algo mais dinâmico, atraente e divertido. Cores, movimento, elementos gráficos, imagens, melhor que longos textos. Ao mesmo tempo, professores, pesquisadores e instrutores tem que se reinventar, impondo novas técnicas e empatia. Isso é só o começo!

KAHOOT!

É uma plataforma de aprendizado baseada em jogos, usada como tecnologia educacional em escolas e outras instituições de ensino. Seus jogos de aprendizado, “Kahoots”, são testes de múltipla escolha que permitem a geração de usuários e podem ser acessados por meio de um navegador da Web ou do aplicativo Kahoot. – https://create.kahoot.it/

Não são questionários, são jogos, porque possuem uma dinâmica de pontuação, nicknames, tempo de resposta, todos em paralelo, com ranking, onde o professor coordena os tempos para resposta, debate, feedback e evolução. A versão paga gera além de quiz e true/false, oferece:

MENTIMETER

A Mentimeter é uma empresa sueca com sede em Estocolmo com um aplicativo onde obtemos informações em tempo real de equipes remotas e alunos on-line com pesquisas ao vivo, questionários, nuvens de palavras, perguntas e respostas e muito mais. O Mentimeter, assim como o Kahoot tem muitas opções e parametrizações bloqueadas na versão free, mas ambos pode importar e exportar dados – https://www.mentimeter.com/

É possível agregar pesquisas de opiniões, votações, avaliações em tempo real, durante e após as apresentações, em conferências, programas de treinamentos e educação e eventos em geral. Ela agrega, ainda, um gama de dispositivos para se trabalhar estratégicas de sensibilização, mobilização e participação proativa do público-alvo, onde o anonimato e o feedback imediato ajudam a ampliar o envolvimento.

QUIZIZZ

É um aplicativo de jogo que propõe seguir o ritmo dos alunos nas respostas, podendo desacelerar e pensar nas perguntas, podendo inclusive desligar o cronômetro. Pode ser atribuído a alunos fora da sala de aula como uma avaliação formativa – http://quizizz.com/

quizizz

QUIZALIZE

Pode ser reproduzido de forma síncrona durante a aula ou assincrona fora da aula, com a capacidade de escrever respostas mais longas. O aplicativo divide aleatoriamente os alunos em duas equipes, para que eles compitam entre si em grupo. Recentemente, Quizalize também adicionou uma versão “basquete”.

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SOCRATIVE

Ao contrário dos outros três aplicativos, o Socrative permite respostas curtas (embora você precise verificá-las). Ele oferece uma opção de corrida espacial, onde as equipes de estudantes competem entre si. O feedback imediato é parte do processo de aprendizagem. O Socrative fornece isso para a sala de aula ou escritório – uma maneira eficiente de monitorar e avaliar o aprendizado que economiza tempo para os educadores, proporcionando interações divertidas e envolventes para os alunos – https://socrative.com/

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Abaixo, o que usávamos antes é um choque, formulários textuais em que usar cores e imagens simples e estáticas era um diferencial, mas que comparado com a ludificação (*) proporcionada pela dinâmica de jogos e interação em ferramentas mais disruptivas, é um grande contraste.

(*) Ludificação, também chamado de gamificação, é o uso de técnicas de design de jogos que utilizam mecânicas e pensamentos orientados a jogos para enriquecer contextos diversos, normalmente não relacionados a jogos.

FORMS do GDRIVE

O Google Forms é um aplicativo de espectro generalista, que permite a gestão de pesquisas textuais, lineraes, solução incluída no pacote de escritório do Google Drive, junto com o Google Docs, o Google Sheets e o Google Slides. O Forms apresenta os recursos de colaboração e compartilhamento encontrados também em Documentos, Planilhas e Apresentações da famosa suite do Google.

Entre 2011 e 2018, tenho centenas deles, criados para consultas, pesquisas, inscrições, orientações com feedback, é bem simples e quadradinho, mas cumpre seu papel no básico. É intuitivo e é possível criar e enviar um questionário ou pesquisa simples em poucos minutos. O resultado com respostas e devolutivas geram estatísticas e ficam salvas em um GSheets (planilha igual ao Excel) para edição e download fácil.

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Aprender a mapear experiências (jornadas) é um diferencial essencial

Tudo na vida pode ser visto como histórias, quer seja um produto, serviço, trabalho, família, amigos, etc. Tudo fica mais claro quando visualizamos o passo-a-passo e os enriquecemos com informações, expectativas e percepções, melhor ainda se reunirmos um grupo para isso. Técnica poderosa, em uma retrospectiva para lições apendidas, para a compreensão de negócios ou co-criação de algo disruptivo.

A gênese desta abordagem acompanha a humanidade desde a idade das pedras, quando os grupos humanos passaram a se reunir para contar sua história, crenças, leis, façanhas e temores, inicialmente ao redor do fogo. Storytelling é uma técnica ancestral, pela qual todos nós somos capazes de contar uma história passada, presente ou futura, real ou ficção, onde todos que participam viajam e tornam-se parte dela.

STORYTELLING é mais que uma mera narrativa, mas a arte de contar histórias envolventes, fazendo as pessoas se sentirem realmente parte dela, gerando empatia com seus personagens, para assim transmitir uma mensagem de forma inesquecível.

Uma história bem contada tem o poder de nos transportar a momentos, lugares e dimensões, quando mais facilmente nos colocamos em outro papel e contexto, vendo o mundo pelos olhos de um protagonista. No mundo dos negócios surgiram técnicas para mapear a experiência do cliente, do colaborador, do cidadão, buscando no passo-a-passo de alguém uma relação a uma ideia de negócio, produto ou serviço.

A palavra-chave é Empatia, colocar-se no lugar de outra pessoa, hora para entender como aconteceu, acontece, aconteceria ou acontecerá. O objetivo não é apenas entender a narrativa, mas induzir as pessoas a incorporarem um papel, vivenciar a experiência junto ao protagonista, olhando pelos seus olhos, sentindo o que ele sente. Para isso, podemos contar com diferentes sentidos – visão, audição, tato (motor), etc.

EMPATIA é uma palavra de origem grega, significando a habilidade de entender a necessidade do outro, sentindo o que outra pessoa sente, conseguindo se colocar no lugar dela para ver o mundo pela sua perspectiva e singularidade.

No mundo dos negócios, sempre tivemos técnicas de diagramação, contando com notações formais para desenho de processos, desde fluxogramas a casos de uso e BPMN. A diferença entre BPMN e storytelling é que jogamos fora o formalismo, para que qualquer pessoa ou grupo, juntos possam debater de forma livre e aberta, provavelmente usando quadros brancos ou postits, para desenhar jornadas.

O BPMN é útil para registro formal de processos, treino e regulação, auditorias, automação, mas exige profissionais treinados em sua notação e técnicas, possui ciclos longos de levantamento e desenho devido ao seu rigor técnico. O uso de desenhos informais como jornadas permite que qualquer grupo de profissionais use de criatividade e busque consenso para o melhor desenho frente a seu entendimento e objetivo.

BPMN ou “Business Process Model and Notation” é uma notação para gerenciamento de processos de negócio, prevendo uma centena de ícones padrão, regras e pré-definições no desenho de processos organizacionais, visando treinamento, padronização e auditoria.

Desapegue, use técnicas abertas que geram bons resultados em qualquer contexto, pela assertividade encontrada a partir de poucas regras e muito diálogo, materializando mapas de fluxo, com notação e forma sempre singulares, com informações auto-organizadas, hipóteses, afirmações úteis. As técnicas mais ricas e empáticas possibilitam enriquecimento adaptativo de informações, como em Customer Journey Map e Blueprints.

Jornadas são como filmes com extras, com pontos fortes e fracos, dados sobre atores, valor, evidencias, background, dispositivos, ideação, satisfação, etc. Originalmente são propostos mapas cartesianos, frente a um passo-a-passo da primeira linha, contando com diferentes trilhas de informações adicionais logo abaixo, cada passo acrescendo dados, para que na soma deles possamos compreender o seu real potencial.

Na minha opinião, são conceitos e técnicas fundamentais a qualquer profissional, tanto para quem é de negócios, backoffice, quanto de tecnologia. Ter experiências mapeando blueprint e journeys é uma garantia de vivência na co-criação de empatia e compreensão coletiva sobre a experiência de quem queremos melhor conhecer e atender, desde clientes, colaboradores, cidadãos a perfis mais específicos e singulares.

Dica importante? Só se aprende fazendo, desapegando de eventual Síndrome do Impostor (*), acreditando que este é um trabalho colaborativo e que juntos debateremos o assunto e selecionaremos construtivamente as informações pertinentes ao contexto em direção ao nosso objetivo. Todos os aprendizados, tentativas e erros, desenvolverá em cada um de nós melhor capacidade de empatia e modelagem de experiências.

(*) SÍNDROME DO IMPOSTOR na psicologia é uma linha de pensamento onde a pessoa não consegue aceitar que é capaz, sendo levada a procrastinar ou não fazer, postergando desenvolver-se como profissional, achando que somente os outros é que conseguem.

Eu parto da missão para a escolha das técnicas, sequenciamento e profundidade, antes, durante e depois, conforme o objetivo acordado, segundo o mix de atores envolvidos, o tempo disponível, perfil dos principais protagonistas e das equipes envolvidas. O uso de pesquisa, briefing, técnicas de visão relacionadas a estratégia, negócio, entendendo se partimos de uma ideia, evoluímos um produto ou buscamos oportunidades.

Raramente uso templates como os abaixo, encontrados em qualquer pesquisa no Google, mas acho que engessa o fluxo inquisitivo e criativo, prefiro definir cores para os tipos de informações a medida que afloram. Inicio apresentando as técnicas e depois co-criamos juntos mapas de informações que raramente são quadradinhas e cartesianas, mas sempre representam o tanto de real alinhamento e valor que definimos.

No desenho de jornada é possível visualizarmos o passo-a-passo e as informações e percepções consequentes que auxiliarão na empatia, debate e tomada de decisão colaborativa daquilo que queremos entender e melhorar, enquanto no blueprint temos uma visualização exata de camadas, alçadas e meios envolvidas a cada passo. Em ambos temos a identificação de áreas quentes, propícias a ideação e melhorias.

A cada passo em uma jornada, podemos incrementar uma infinita gama de informações pertinentes, escolhidas (com certa parcimônia) pelo grupo reunido, sempre o mais multidisciplinar possível, usando recursos presenciais ou remotos de modelagem, quer postits físicos ou virtuais, talvez com quadros brancos e paredes, mas também podendo ser com o software Miro ou Mural, sempre da forma mais colaborativa possível.

No exemplo abaixo, debatemos a ideia de negócio no #1, empatizamos com as personas no #2, desenhamos a jornada deles no #3 enriquecida com o máximo de informações a cada passo, contexto e proposta de valor, para no #4 desenharmos a jornada futura e no #5 propôr uma sequência baseada em valor, percebendo-se etapas como MVP’s ou Releases para validações e negócios. O #6 é próximos passos.

A tempo, quando ajudo a montar jornadas e blueprints eles se parecem com a imagem real abaixo (não posso deixar nítida por termo de confidencialidade) no ítem #3 e #4:

O mapeamento de uma jornada e o eriquecimento de informações junto a cada passo é, em hipótese, algo simples e descentralizado, se temos 10 pessoas discutindo uma jornada, o foco é qualquer um dos participantes, em especial se houver um facilitador, ir registrando a discussão através de passos e informações em postits, ao natural as coisas vão se estruturando, sequenciando e fazendo mais sentido.

Um amigo certa vez descreveu uma inception por um prisma muito interessante, nos primeiros passos há um misto de sentimentos, como “o tempo está passando”, “tenho pressa, assim não vai dar”, “já discutimos isso”, “gostaria de pular tudo isso e ir direto ao ponto”, mas é preciso  acreditar na lógica do processo e se engajar para que dê certo, aos poucos as coisas começam a encaixar e as decisões sempre fluem a bom termo.

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Cada empresa ainda em operação pode mitigar os efeitos econômicos da covid-19

Criar pirâmides do bem hoje é a garantia de um pós-covid menos profundo e mais curto, melhora acada empresa que favorecer os seus e quem está no seu entorno, estes repassarão adiante, garantindo empregos que gerarão a subsistência de milhões. Um exemplo é o manifesto NãoDemita, que garante milhões de empregos até o final de Maio, estes salários são o primeiro elo de uma corrente do bem, uma pirâmide, que beneficia milhões de famílias e seus compromissos, que não serão sustados, que assim garantem milhões de outros compromissos e além.

Todos perderão se no futuro tivermos milhares de empresas falidas, milhões de profissionais desempregados, tecido social tenso e desestruturado. Se as empresas que podem, dedicarem alguma energia ao seu ecossistema, estarão garantindo um mercado mais forte e sustentável pós-covid. Cada uma delas pode desenvolver uma pirâmide do bem, mantendo, equacionando, contingencializando, usando de criatividade e responsabilidade para manter minimamente ativo o mercado no seu entorno, um mínimo possível e necessário.

Exemplo, a DBServer aderiu ao manifesto, são 600 famílias que poderão manter o valor pago sem execução da diarista, da creche do filho que está fechada, cabeleireiro, academia e faculdade. Porque seria pouco ético neste momento ser privilegiado na manutenção de seu emprego e salário e ao mesmo tempo não manter seus compromissos, que manterão os seus e assim por diante. Uma só empresa como a DB está criando uma pirâmide de resistência verdadeira para o pós-covid-19, são 600 famílias diretas, mais milhares indiretas … uma corrente do bem!

Não é fácil, mas em meio a uma crise destas proporções é preciso deixar um pouco de lado a lei da selva, ou a lei de mercado se preferir chamar assim, porque inexiste sucesso para alguém se todo o seu ecossistema estiver metido em uma crise épica . Inexiste mercado somente com oferta, o mercado depende de oferta e demanda, lembrando que demanda sem recursos não resolve mercado algum, é preciso que este mesmo mercado tenha recursos para comprar produtos e serviços, senão é como um jogo de dominó, um empurrando o outro para baixo.

Com ideação e co-criação de alternativas viáveis e contingências, pode mudar a visão que muitas empresas tem do mercado e de si mesmas, que poderão lembrar Dee Hock, fundador e presidente emérito da VISA Internacional em “Birth of the chaordic age” ao desafiar o status quo do dinheiro-papel e bancos para a criação do cartão de crédito. Poderá lembrar também a Economia Donut de Kate Raworth, em busca de um equilíbrio sustentável entre TODOS os cidadãos e seu ecossistema, político, social, econômico e ecológico.

Para isso, algumas empresas estão em posição de gerar novas pirâmides do bem:

exemplo 1: Super-mercados com certeza estão com atribulações, mas milhares de famílias que comiam fora estão fazendo grandes ranchos para cozinhar em casa e manter o distanciamento social. São candidatos ao topo de grandes pirâmides do bem neste momento, funcionários, parceiros, fornecedores e, mais que importante, em apoio a lojas menores do seu entorno que poderiam usar os supermercados para reduzir seu estoque. Qualquer lojinha poderia dispor ítens em consignação, negociando diretamente com o gerente da unidade, que teria uma boa quota ou verba para fazê-lo com autonomia. Atenção a ítens perecíveis, uma solução para os pequenos não acabarem jogando muita coisa fora;

exemplo 2: Redes de farmácias, com certeza as pessoas continuam comprando remédios, talvez tenham reduzido cosméticos, mas com certeza não são o segmento mais afetado pela crise, estão abertos e com criatividade podem ser grandes pontos de resistência e disseminação de boas ideias e soluções, empreendendo em rede, focado no seu entorno, como revendendo máscaras de tecido por exemplo, jalecos, tocas de pano, talvez consignados, ajudando também pessoas que possuem algum estoque e vendiam porta-em-porta ítens de beleza e cosméticos conhecidos. A ideia é contribuir para que mais pessoas possam contribuir em sequência, em pirâmide;

exemplo 3: Postos de combustível tem um grande potencial de distribuição tipo drive-thru, que geraria um mínimo contato para distribuição de itens, poderia até mesmo criar um modelo em que as pessoas pedem pela internet ou telefone e agendam um dia e hora para recolher no posto mais próximo de sua casa. Iniciativas poderiam ter raios de 500 metros aos postos, de forma que pequenos mercadinhos e comércio montasse as sacolas os kits e deixasse estocado em um posto, que entregaria em formato drive-thrue;

exemplo 4: E se condomínios com mais de N apartamentos tivessem grandes armários de auto-atendimento, com pequeno estoque variado e diversificado de ítens dos mercadinhos e lojinhas ao redor, onde os moradores poderiam ir ao térreo, pegar os ítens e pagar através de um aplicativo, há dezenas deles disponíveis, basta um QRCode na porta do armário que remeta ao PagSeguro, PayPal, etc … O risco seria menor em condomínios com portaria e segurança 24H, ainda mais se o armário tivesse uma câmera, etc. Isso já existe em coworkings e empresas.

exemplo 5, 6, 7, 8, 9, … Basta reunir virtualmente algumas pessoas, que com certeza surgirão dezenas de boas ideias …

Nestas horas é impossível não lembrar das famosas hélices – governo, academia, empresas e população – e de que forma unem-se para criar ou neste caso gerenciar uma crise que é de todos, pois todos se beneficiam de um ecossistema o mais forte possível.

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Webinar “Virei PO! E agora?”

Em empresas que vivenciam métodos ágeis e mesmo algumas que ainda não vivenciam, um papel diferenciado se destaca, o de PO ou Product Owner, mas o que é e como crescer e evoluir nesta atuação de grande responsabilidade e visibilidade?

O papel de Product Owner se estabeleceu como um padrão de mercado, um profissional dedicado a ser o representante do cliente em um ou mais produtos. Mesmo empresas que não utilizam métodos ágeis, vem estabelecendo este papel do método SCRUM.

Um profissional empenhado a entender o negócio, produto e stakeholders para a tomada de decisão e máximo retorno de valor para o negócio sobre o investimento – driver: mercado, negócio, ROI, Lean Startup, Design Thinking, Small Projects e Agile Thinking.

Jeff e Ken mantém o Scrum Guide e o compartilham em dezenas de linguas com a ajuda de agilistas de todo o mundo – https://www.scrumguides.org/download.html – agregando aprendizados em média a cada dois anos. O que diz o Scrum Guide sobre PO?

O Product Owner é o responsável por maximizar o valor do produto resultado do trabalho do Time de Desenvolvimento. Como isso é feito pode variar amplamente através das organizações, Times Scrum e indivíduos. O Product Owner é a única pessoa responsável por gerenciar o Backlog do Produto. O gerenciamento do Backlog do Produto inclui:

• Expressar claramente os itens do Backlog do Produto;
• Ordenar os itens do Backlog do Produto para alcançar melhor as metas e missões;
• Otimizar o valor do trabalho que o Time de Desenvolvimento realiza;
• Garantir que o Backlog do Produto seja visível, transparente, claro para todos, e mostrar o que o Time Scrum vai trabalhar a seguir; e,
• Garantir que o Time de Desenvolvimento entenda os itens do Backlog do Produto no nível necessário.

O Product Owner pode fazer o trabalho acima, ou delegar para o Time de Desenvolvimento fazê-lo. No entanto, o Product Owner continua sendo o responsável pelos trabalhos. O Product Owner é uma pessoa e não um comitê. O Product Owner pode representar o desejo de um comitê no Backlog do Produto, mas aqueles que quiserem uma alteração nas prioridades dos itens de Backlog devem endereçar ao Product Owner.

Para que o Product Owner tenha sucesso, toda a organização deve respeitar as decisões dele(a). As decisões do Product Owner são visíveis no conteúdo e na priorização do Backlog do Produto. Ninguém pode forçar o Time de Desenvolvimento a trabalhar em um diferente conjunto de requerimentos.

Em 2013 eu lembro que assisti alguns vídeos do Henrik Kniberg, entre eles um overview sobre o framework Scrum, sempre didático, entre eles tinha o vídeo abaixo sobre o papel de product owner. É um vídeo antigo, de quando ele era coach na Spotify, época que a empresa explodiu:

Tem um vídeo da KnowledgeHut que eu acho muito didático e assertivo no conceito, acho que é um bom início para quem ainda está começando:

Em 2018, um dos últimos TecnoTalks foi exatamente um sobre PO com profissionais diferenciados, o post com tudo o que rolou, perfis dos participantes, relato – https://jorgeaudy.com/2018/11/01/31-10-po-debate-entre-especialistas/

Antes, em 2017 organizei um open space para debater o papel de PO que rolou no primeiro Canal Café, aquele ali do estacionamento na entrada do TecnoPUC, que contou com muita gente e como todo Open Space foi anárquico e memorável. No post que fiz na época tem vários vídeos com os pitchs e debates de cada grupo de discussão, clica no link, lá tem pelo menos 3 vídeos legais – https://jorgeaudy.com/2017/02/10/ttalks-keep-calm-and-trust-your-product-owner/

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Finalmente, tenho um talk na Quarta do Conhecimento da PROCERGS em 2014 com o mote “DNA de um PO”. É quase um achado arqueológico, o tempo passa voando: