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Fibonacci, User Story Points e Frutas

Um time de profissionais com alguma experiência em desenvolvimento de software tem plenas condições de planejar sprints em algumas horas ou dias, a única premissa é desapegar dos detalhes e discutir apenas a complexidade, o suficiente para comparar e inferir o seu tamanho.

É claro que precisamos ter antes um tanto de auto-conhecimento e clareza no fluxo de trabalho necessário, responsabilidades, DoR e DoD, o restante é básico, como profissionalismo, empatia, senso de pertença e evitar erros conhecidos.

Na chincha, o tipo de estimativa é irrelevante, quer seja T-Shirt Size, User Story Points, Dias Ideais ou Jujubas, … a técnica usada para estimar não muda em nada a quantidade de software que uma equipe é capaz de construir em uma sprint de 10 dias.

Independente de ter sido estimado com tamanho M ou ter 5 pontos, ser 4 dias ideais ou precisar de 7 jujubas, não mudará o fato mais importante que é saber se ele junto de algumas outras histórias cabem ou não em um sprint de 10 dias úteis.

User Story Points

User Story Points usa a série de Fibonacci, uma sequência de números inteiros, começando por 1 e 1, com os subsequentes correspondendo à soma dos dois anteriores [1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, …], que em estimativas de software é usual fixar um teto, com frequencia 13 ou 21.

O uso desta série para estimativas de histórias tem o objetivo de desapegar dos detalhes e nos preocuparmos apenas com aspectos que determinem a mudança de patamar. Desta forma, quanto maior a incerteza, maior a história e maior a distância entre os números da escala.

Salada de frutas

Vejamos uma boa analogia sobre a arte de estimar usando Fibonacci e o estabelecimento de referências e comparações. Para visualizar o que estou afirmando proponho um exercício com a imagem abaixo, uma mesa com vários tipos de frutas.

Se o nosso projeto é desenhar e colorir frutas, posso estimar a partir do tamanho em área, perímetro, volume, mas existe também a existência de detalhes, número de cores, a abstração disso tudo podemos chamar de complexidade.

Complexidade diz respeito ao todo, shape, diâmetro, cores, mas se antigamente estimávamos listando cada um e todos estes detalhes, em metologias ágeis uma breve discussão sobre suas peculiaridades é suficiente para perceber se é mais ou menos complexo que outros.

Após discutir sobre as frutas, é possível estabelecer o que seria a menor fruta em sua complexidade geral, para desenhar, pintar e entregar. Feito isso, vamos estimando comparativamente cada uma das outras.

Na prática, não há uma regra óbvia, cada time poderá estabelecer uma base e comparação para a sua estimativa, semelhante mas não necessariamente igual. Mesmo assim, se realizada de forma adequada e consciente, responsável, é provável que tudo dê certo.

Usando pontos sob o paradigma de complexidade relativa, a estimativa não é pelo tamanho da fruta, nem número de côres, mas pela complexidade comparativa, na percepção de esforço que teremos quando tivermos que desenha-las e colori-las.

Talvez o limão fosse o tamanho 1, será nossa referência de unidade, porque é liso, todo amarelo, o morango é menor, mas mais difícil de desenhar e colorir, por isso o 3, o abacaxi se equivale a abóbora grandona, bem maior, mas com shape menos complexo.

Isso não é muito diferente de software, as principais informações são as integrações, excepcionalidades inerentes a regras de negócio, sofisticação diferenciada, não queremos saber detalhes daquilo que é comuns, apenas do incomum.

Parafraseando Pareto e Juran, entre tantos detalhes triviais em cada tela de um sistema, haverá poucos detalhes vitais que as diferenciem em complexidade … uma percepção que se apura a cada experiência, porque afinal, estimativa se aprende estimando.

Já participei de projetos em que o time tinha alçada e decidiu não mais estimar, apenas discutir, entender e decidir quais caberiam em cada sprint. conforme prioridade e valor. Não é muito diferente dos outros tipos de estimativas, porque no final queremos apreender o que cabe ou não.

Mas por hora não entrarei muito nesta discussão, porque números, métricas, PxR e outras matemáticas ainda são necessárias para a maioria aprender, crescer e aperfeiçoar-se como profissionais … com números tudo fica um tanto mais explícito.

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Guia rápido para usuário de GIT – By Eduardo Namba

Eduardo Namba, arquiteto de Soluções Sênior na Via Varejo Online, públicou um guia rápido com os principais comandos do Git lá no Linkedin. Eu perguntei pra ele se eu podia gerar um guia visual em tamanho A3, aqui está minha pequena contribuição para iniciantes só possível pela grande contribuição dele … Quem está iniciando com o Git agradece!

Principais comandos no git – Folha imprimível em A3

O artigo original está em https://www.linkedin.com/pulse/guia-r%C3%A1pido-para-usu%C3%A1rio-de-git-eduardo-namba

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O medo pode ser um aliado ou seu maior inimigo

O medo pode ser um aliado, como aquele medo que transmutamos em atenção e coragem para nos mover adiante, mas também pode ser um procrastinador, gerador de uma zona de conforto disfuncional, situações em que nos resignamos ou paralisamos frente a ele. Na regra o ser humano é movido mais pelo medo que pela convicção, mais pela pressão que pela paixão.

Uma das maiores bases para este entendimento é a Teoria da Dissonância Cognitiva, sobre ela já escrevi vários posts e já fiz várias palestras, trata-se de defesas psíquicas, quando nosso consciente angustiado com algo é ajudado pelo nosso inconsciente para transferir, projetar, negar, racionalizar ou reprimir, ao invés de encarar o problema, justificamos e nos escondemos atras dele.

Na sua vida pessoal é possível procrastinar mudanças, alternativas, oportunidades, riscos, a vida é sua e faça o que achar melhor, mas no trabalho cada vez há menos espaço para profissionais que são reativos, que só se justificam, que se resignam, … como me disse o guru Luiz Cláudio Parzianello em 2011, “vivemos uma época de mudanças, quem não muda, dança!”.

planos

As empresas não querem mais meros “apontadores de erros” ou “justificadores”, elas querem pessoas que ao perceberem problemas ou desafios, gerem planos de ação, propostas para tentativas de solução ou mitigação. Ficar no seu quadrado fazendo a sua parte e explicando os motivos nos outros quadrados que justificam porque não deu certo é muito vintage … resiliência no século XXI não é suportar a pressão, mas agir para coletivamente atenuá-la até zero.

Mas, atenção ao usar Agile, a mudança ou a falta dela como desculpa para sua zona de conforto não vai isentá-lo das consequências, o foco de todos nós precisa ser REALISMO e KAIZEN, em BABY STEPS, mudando o que é possível mudar em nós mesmos e no time, ao mesmo tempo que atendemos e surpreendemos, porque o restante é consequência, não pré-requisito.

Empresas não existem, o que existem são pessoas e o agente de mudanças é cada um de nós, mas é preciso ter estratégia, tática e realismo!

É preciso que individual e coletivamente se estabeleçam motivações de lócus internos, é preciso estabelecer uma estratégia de olhos no futuro, mas com realismo e pés no chão, mudança em ambientes organizacionais ocorrem em pequenos passos. Vivemos sistemas sócio-técnicos, a solução não está no método ou na estratégia, a solução está em cada um, nas pessoas, em você!

15/07/16 – A responsabilidade é nossa, não culpe o cliente
10/07/16 – Refleti e tenho tarefas … para os outros fazerem 😦

02/12/16 – Quem você é, um Atrasador ou Acelerador?
11/04/17 – Seu objetivo é o método ou o valor gerado por ele?
01/12/17 – NÃO entregar valor NÃO é opção em uma sprint

Desculpa aí, se você acha que está em uma cruzada contra o status quo e falta de compromisso com os princípios ágeis, sempre apontando múltiplos motivos e justificativas, sendo um formador de opinião de que assim não dá e tal, reclamando no cafezinho … VOCÊ É O QUE MENOS ENTENDEU E O MAIOR PROBLEMA PARA QUE AS COISAS REALMENTE COMECEM A ACONTECER!

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25/11 – DB ToolBox Wall

Tive a oportunidade de criar um mural de técnicas do Toolbox Wall na DBserver no Sábado de 25/11/2017 com mais de 80 boas práticas para ciclos iterativos-incrementais de ideação, modelagem, validação, planejamento, construção e aprendizados. Com técnicas oriundas de métodos e frameworks, tradicionais e ágeis, do Design Thinking, Lean Startup, Scrum, Kanban, Art Of Hosting, de variadas formas e dinâmicas. O objetivo é ser um apoio a gestão do conhecimento, provocar o interesse em novos aprendizados, compartilhamento de boas práticas.

Venho compartilhando no blog e no livro a anos, em 2017 chegou a vez do jogo Desafio Toolbox, chegar ao Toolbox Wall foi tão somente uma consequência natural, uma forma de trabalhar em grande escala aquilo que muitos resultados vem trazendo pelos outros meios. Em grande escala temos um mural de oportunidades, selos, avatares, dicas, informações organizacionais e muito mais.

Agradeço a participação do Claudio Dias Junior que apareceu mesmo por meia hora para interagir, Henrique Geremia Nievinski da Data Science Brigade, galera que conheci quando o Cabral lançou o Serenata e fui eu ler mais sobre essa galera de Data Science, Augusto Rückert do ZAP, tecnotalker de longa data, colega da Mayra no ZAP, Kênia Martins Couto da Atmosfera Social, o parceiraço Taner Pereira do Sicredi, na mesma vibe do colega e tecnotalker Rodrigo Murari Severo, ao parceiraço Thiago Mulek e a surpreendente arquiteta Samara Fonseca, que tem alma de TI, porque pegou junto do começo ao fim. Todos ganharam um baralho, minha forma de agradecer a parceria.

Eles escolheram três técnicas, que praticamos como exercício – Lean Startup, UX Value Proposition e Impact Mapping. Em pouco mais de uma hora, exercitamos técnicas de modelagem, ideação/empatia e de user storing, rendendo uma boa percepção do potencial de uso destas e das outras técnicas, onde o conceito principal é aprender fazendo, porque a prática é o melhor professor.

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Keep Talking and Nobody Explodes

Nesta sexta, dia 24 as 19:00 tem Oficina de Retrospectiva com Keep Talking and Nobody Explodes. Ana Carolina Hermann e a Isa Giongo esperam vocês com uma dinâmica de retrospectiva muito disruptiva, utilizando Keep Talking and Nobody Explodes. Um jogo cooperativo em que a equipe precisa desarmar uma bomba. É um jogo pedagógico para todos, em qualquer contexto e o objetivo é aprendizado conjunto.

24/11 – 19h as 20h – Pr 99A (Tecnopuc), 5° andar, DBServer, vagas limitadas

Inscrições: https://goo.gl/bAiKZs

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Toolbox Wall – Pode ser um guia, mapa, jogo, técnica, método ou até decoração

Aquilo que começou como um livro, desenvolveu-se como um jogo de tabuleiro, está transformando-se em uma poderosa técnica de brainstorming, aprendizado, planejamento e decoração que estou chamando de ToolBox Wall.

Das páginas do livro, mais de 70 técnicas e boas práticas começaram a serem convertidas em um mural de folhas A5, que crescem assiduamente com novas dinâmicas e artefatos que vou aprendendo ou desenvolvendo em meu trabalho.

Na minha opinião, toda empresa deveria ter o seu Toolbox Wall, um mural com suas técnicas preferidas, sugeridas e desejadas, em frente ao qual a galera poderia debater alternativas, escolher, caso-a-caso, quer para ampliar horizontes, quer para encontrar soluções.

Trata-se de um mural A5 e cartas que estão sendo usados para planejar quais as técnicas desejadas, de diferentes frentes, inspiradas em Design Thinking, Lean Startup, Lean UX, métodos Ágeis, Art Of Hosting e outras fontes de inspiração.

Após o lançamento do jogo no Trends 2017, empresas me reportaram seu uso em dinâmicas onde o próprio time propõe um desafio real, para então seguindo as regras do jogo Desafio Toolbox 360° encontrarem a sequência que melhor lhes atende.

Vou começar a fazer workshops em noites da semana e Sábados de dia, onde a inscrição será para levar consigo um destes kits, prometo uma experiência única de Toolbox através do próprio jogo, apresentação e vivências.

Minhas fonte de inspiração são muitas, décadas de estudos, não só as que hoje são modinha, mas também resgato outras paixões, como em meus outros livros, o de Jogos 360° seguindo princípios de gamefication, o Scrum 360° e no ebook Sobre os Ombros de Gigantes.

O Toolbox Wall é a materialização sui generis de 10 anos de aprendizados em métodos ágeis, outros 20 anos de experiência em TI antes de descer para a coordenação de desenvolvimento da área de produtos digitais em 2008, quando já editava a newsletter “Marolas de Agilidade”.

A anos divulgo a técnica de Agile Subway Map, a anos dissemino minha abordagem sobre a necessidade de cada um de nós possuir uma grande ToolBox, pois quem se limita a um martelo, qualquer desafio será tratado como um prego, limitado a falta de alternativas.

Em 2015 propus um conceito que chamei de Multi-Convergência Metodológica (04/05/15), sempre defendi a existência do duplo diamante, MVP e Pivot desde o pré-game, inception e no fluxo iterativo-incremental-articulado existente a cada sprint.

O que define o quanto aprofundaremos e aproveitaremos isso depende da cultura e pressão em prazo/orçamento. Mas essa é a base do livro ToolBox 360°, do jogo Desafio Toolbox e do Toolbox Wall, um mural inquieto de boas práticas, oportunidades e inspiração.

Um ciclo PDCL implícito na dualidade temporal entre DoR e DoD, a cada sprint modelando e prototipando o próximo (DoR), enquanto construímos assertivamente o atual e validamos com o cliente (DoD): Onde está o duplo diamante no Agile? (21/08/2016)

A partir desta abordagem, debatemos o problema, opções e a best choice no pré-game, para então em um projeto trabalhar a ideia-modela-prototipa-valida-aprende (DoR), ao mesmo tempo que analisa-constrói-testa-valida-aprende (DoD).

multiplos diamantes

Do duplo diamante do Design Thinking, somado ao Lean Startup com princípios análogos de empatia e validação incrementais, criei uma representação SCRUM com inception e duplos diamantes representados como séries concorrentes de DoR e DoD.

Após blitzkriegs de planejamento utilizando-se algumas de dezenas de técnicas de design thinking e lean startup, prosseguimos com estas e outras tantas em menor escala, mas mesmo propósito, dia-a-dia, em baby-steps, aferindo, ajustando, prosseguindo, entregando valor:

scrum

Por exemplo, um time com um desafio, um projeto onde a galera pode ter um mural para inspirar-se e pinçar dentre múltiplas técnicas algo para pesquisa, brainstorming, modelagem, validação, planejamento, execução iterativo-incremental-articulada, auto-organização, aprendizado, gestão do conhecimento … pode inclusive incorporar nossos mapas de tecnologia ou pelo menos ter exemplos para diferentes plataformas.

Outro exemplo é a busca por uma dinâmica impactante, que os instigue a aprender de forma divertida, mas com foco em conversão, em práticas de interesse. Um brainstorming com regras onde podemos discutir dezenas de possíveis técnicas para resolução de problemas, escolhendo aquelas que querem experimentar, experienciar, aprender fazendo, divertindo-se no percurso, com responsabilidade.

tabuleiro

Esta estrada não teria acontecido sem a inspiração e o apoio de alguns amigos, que em meio a correria do dia-a-dia cederam uma hora para me ajudar a percorrer esta estrada editorial e vivencial. Representativamente, em algumas fotos, agradeço reiteradamente a minha maneira:

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Sem esquecer de agradecer aos parceiros Darth (George Lucas), Pikachú (Satoshi Tajiri) e ao Super Mário (Nintendo).

 

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Tem o 5W2H, Managing Dojo, Learning 3.0, mas não esqueçam do A3 Report

É fundamental ter diferentes técnicas que orientem e organizem discussões para resolução de problemas, aproveitamento de oportunidades, desafios de inovação e superação. Eu chamo de Toolbox 360º, lancei um livro e um jogo de tabuleiro com este objetivo, provocar profissionais a refletirem sobre o mix de técnicas que domina e lança mão conforme necessidade.

Tenha e amplie sua toolbox permanentemente, lembre-se da alegoria da caverna de Platão e do ditado popular, porque para alguém que só conhece o martelo, todo problema parecerá um prego:

O uso de técnicas de gestão visual, mapas mentais, 5w2h, managing dojo, learning 3.0, entre outras, conta também com a dinâmica Lean conhecida como A3 Report. Trata-se do instanciamento dos princípios básicos do Lean – fracionar, descentralizar, antecipar mais valor, alta performance, eliminar desperdícios, aprender e melhorar continuamente, ver o todo, …

PDCA – Estabelecido um desafio, o tema da discussão, direcionamos a discussão a resultados, iniciando pelo entendimento, efeitos e causas, alternativas e plano de ação, como monitorar sua evolução e resultados, de forma iterativo-incremental, aprendendo e melhorando a cada ciclo.

Plan – Qual o desafio e sua relevância, valor; histórico, se algo já foi feito e se há contingenciamento; se possível incluindo algo explícito e visual como dados diagramáticos, números; com exercício de análise causal, 5W2H, CSD, Ishikawa ou Pareto;

Do – Frente as causas e efeitos analisados, qual o plano de ação, contando com aquelas informações necessárias para entendimento mínimo ne planejamento, como tempo, recursos e responsável, qual o resultado esperado a cada passo e final;

Chek – Quais as métricas e indicadores a serem utilizados para monitoramento e controle, com que frequência serão medidos, preferencialmente de forma auto-organizada pelo próprio time; favorecendo percepção de riscos e correções de rumo;

Act ou Learn – Aproximando participantes e stakeholders, com comunicação explícita e assertiva frente a objetivos de valor, com gestão do conhecimento (tácito-explícito) e conversão em aprendizado e correções para um novo ciclo de sucesso;

Ao procurar na internet por A3 report, explicitamente recebemos centenas de páginas sobre o uso desta técnica e assemelhadas, não só no contexto Lean fabril, mas até mesmo em referências ágeis como na Scrum Inc em um exercício sobre a não entrega de valor por sprint:

Uma página me chamou a atenção, com múltiplos exemplos e boa didática, impossível ler este post do Edson Miranda da Silva e não entender a técnica em sua plenitude – https://qualityway.wordpress.com/2017/05/04/a3-passo-a-passo-com-exemplos-reais-por-edson-miranda-da-silva/