0

Reflexões sobre MVP de uma aula remota em um curso presencial

[Moodle] += [câmera do notebook] + [convite em vídeo] + [instruções para o meeting] + [conteúdo em arquivo PDF] + [Zoom vídeo meeting] + [narração no power point] + [vídeos Mp4 com conteúdo narrado] + [Youtube] \o/

Não é uma disciplina EAD, são aulas remotas para alunos de graduação matriculados em um curso presencial, contingência pela adesão ao plano nacional de isolamento inicialmente previsto para Março e Abril, em função do covid-19 (corona vírus originário de Wuhan/China).

Foram apenas 2 aulas na normalidade deste semestre atípico, a terceira já foi com cada aluno entrando via Zoom e, contando com vídeos fatiados compartilhados com conteúdos narrados tela-a-tela a partir da apresentação em aula, compartilhados com todos.

As orientações gerais são para considerar que não é um curso EAD, que alguns alunos talvez não estejam preparados para isso, psicologica ou tecnologicamente, por isso, ir construindo este novo formato em conjunto, sem muitas regras e imposições unilaterais.

Sendo assim, a primeira aula serviu de termômetro, a média de engajamento geral foi baixo na minha opinião, mas estou acostumado a aulas permanentemente em grupos, debates e exercícios colaborativos, portar isto para uma aula virtual exigirá a conquista do engajamento deles.

A atenção e empenho deles mesmo usando ferramentas virtuais poderá ser um desafio libertador, pois o futuro do trabalho em nossa área tem muito a ver com isso. Mesmo com equipes presenciais, cada vez mais usamos SW para ajudar na facilitação, registro e depois métricas.

Aula por SW de vídeo meeting

Um desafio a todos, professores e alunos, possível contornar com ferramentas free – Zoom, Hangout, Skype, Whereby, … mas, se você é professor a noite e de dia trabalha em TI, pergunte se não poderia usar o Teams, Skype for Business, Google suite por algumas semanas, não é preciso cadastrar os alunos nem nada, seriam convidados através do link gerado e compartilhado previamente … pode ser uma opção.

Na versão free o Zoom tem limite de 40 minutos, sem limitação de funcionalidades ou audiência, esse tempo faz sentido somado a peculiaridade de gravação de toda a interação em um arquivo completo em MP4 (desejável abaixo de 100MB) e outro só de áudio para podcasts (M4A).

Outra vantagem do Zoom é o mecanismo de chave única, eu a gero e compartilho pelo moodle antecipadamente, daí em diante para entrar em uma aula minha é só o aluno entrar no Zoom, pedir para entrar em uma sala e informar a chave, uma só para todas as minhas aulas.

Há também no Zoom recursos básicos e comuns a todos os demais, entretanto é possível manter todos com o áudio desligado e cada um pode usar um botão de “levantar a mão”, que mostra um ícone de uma mãozinha junto a foto ou vídeo do aluno (nenhum usou a câmera).

Na imagem abaixo eu editei e tirei os nomes e fotos dos alunos, o Zoom tem uma opção mosaico em que é possível pra o professor ter um grande número de alunos aparecendo ao mesmo tempo, melhor se estiverem usando as câmeras ou a mãozinha.

Compartilhamento do conteúdo

Não sou nenhum fã do power point, mas a cada ano a Microsoft se esforça em oferecer mecanismos para tirar a impressão de aula quadradinha, com efeitos na página e de transição, mas para este fim especifico de gerar conteúdo com narração o resultado é impecável.

Optei por dar a aula aproveitando os recursos do Zoom, inclusive setei para gravar, mas ofereço uma segunda experiência ao compartilhar o ppt em Mp4 com narração. Assim valorizo e diferencio os dois momentos, incentivando que a galera participe da aula e assista o fatiado.

Para compartilhar o material da forma mais didática possível, eu ministro a aula e depois gravo a narração no power point tela-a-tela da aula, para depois exportá-las para Mp4. Eu tive que seccionar o ppt em três conjuntos de 12 a 15 telas para ficar abaixo de 100MB.

O resultado fica muito bom, mesmo optando pelo Mp4 com tamanho mínimo (mínima qualidade), o resultado em vídeo e áudio é excelente. Durante toda a narração, tela-a-tela fica o vídeo do professor na extrema direita inferior, o que confere uma certa humanidade ao vídeo.

Concluindo – Youtube e Moodle

Uma vez gerado os vídeos, organizados para que cada um não ultrapasse 100MB, vá para o Youtube (se você não tem um canal, crie um), entre no Youtube Studio, página dos seus vídeos e suba-os na opção privado (somente com o link poderá acessá-los), gere o link e compartilhe-os.

Aqui cabe uma observação, todo este processo e os meios escolhidos são nosso MVP e vem se saindo muito bem utilizando apenas soluções gratuitas, com certeza este post não sobrepõe plataformas especialistas como o Google for Education ou Grupo A.

A tempo, por política do Youtube cada vídeo precisa ter menos de 100MB senão a gente perde um tempão e no final dá erro no upload.

No moodle, tenho um vídeo de convite à aula que envio via fórum e destaco no bloco do dia, antecipadamente compartilho a apresentação em pdf com todo o conteúdo como sempre fiz e um fórum para eventuais perguntas e respostas, debates e comentários, antes ou depois da aula.

A tempo, o vídeo de convite à aula eu subo direto no Moodle porque ele tem menos de 2MB apenas, talvez nas próximas suba no Youtube.

Após a aula realizada, gravo a narração, exporto para MP4, subo para o Youtube e incluo os links dos vídeos no Moodle, fim.

 

0

Home Office exige disciplina e indisciplina na medida certa

Listei alguns tópicos relevantes para quem nesses dias de covid-19 está atipicamente em casa fazendo um home office forçado, marquei de forma despretensiosa com (+) aqueles que exigem um tanto de maior disciplina e com (-) aqueles que inevitavelmente, por bem ou por mal, exigirá abrir um pouco a mão da disciplina e controle:

Antes de mais nada, carinho com quem tem menos compreensão: Tenha empatia, alerte e combine com os colegas e chefe para todos terem um pouco de paciência com eventuais deslizes dos filhos. Mas, pense bem, ter o papai ou a mamãe em casa, mostrando para eles como é legal o seu trabalho, pedindo uma “ajudinha”, brincando vez em quando no vídeo com os colegas, … Assim ficará mais fácil eles colaborarem. Lembre-se que seus filhos (gatos e cachorros também) estão acostumados a ter toda sua atenção quando você está em casa, precisarão de tempo para se acostumar que você está em casa, mas não a disposição, tenha paciência com eles e se necessário alerte e peça que o chefe, o cliente e os colegas também tenham.

AMBIENTE (+): Estabeleça uma mesa para ser o seu “home office”, preferencialmente uma mesa para que tenhas uma postura ergonômica, isso vai ajudar a seu cérebro começar a se adaptar caso essa parada de covid-19 demore um pouco mais que o esperado, sem stress, mas essa definição ajuda também a conjuge, filhos, outras pessoas a lembrarem que estás trabalhando.

CHURRASCARIA (+): Divirta-se, faça uma placa tipo churrascaria, vermelha de um lado e verde do outro. Assim como o garçom, se estiver no vermelho não é para atrapalhar (vídeo, áudio ou tentando achar uma solução), só não deixe sempre no vermelho nem brigue se alguém esquecer … é uma forma de tornar esse puxa e solta com a família mais inusitado, diferente;

START (+): Eu recomendo o mindset da técnica dos 7 minutos no início de cada dia ou jornada, garanta alguns minutinhos com uma folha em branco, <1> liste as pendências do dia anterior, <2> liste os compromissos do dia, <3> seja criativo, pense o que vai rolar, ordene, priorize, veja e avise a quem está aguardando se algo não vai rolar. Um brainstorming individual e singular no início de cada dia ajuda a ter maior clareza nas prioridades, entregas, comunicações de status e é um excelente motor de arranque;

AGENDA (+): É importante manter uma agenda clara de reuniões, mesmo aquelas que antes não precisava agendar. No escritório é só cutucar o ombro do colega e bater um papo, mas lá percebemos o contexto, se o momento é apropriado, agora estamos todos distantes uns dos outros, então é preciso um pouco mais de disciplina e se possível combinar os melhores horários e agendá-los;

HORÁRIO (+/-): Por um lado, é muito positivo manter a rotina, acordar, tomar um bom banho, colocar uma roupa (**) confortável, mas por outro é preciso relaxar com os pequenos imprevistos previsíveis por estar em casa, o interfone, o vizinho, o conjuge, a filha (*), o contexto doméstico exige que não tornemos o dia “duro” demais para não tornar a experiência tensa … aproveite;

(*) FILHOS (-): Cara, relaxa, tenha uma visão de produtividade e entrega para o seu dia, mas não tente fazer de conta que está no escritório, seus filhos ou crianças não conseguirão entender isso. É preciso ser estratégico, ter papel e lápis, ir administrando e fazendo combinações de boas, sem stress, a parada tem que ser equilibrada e diplomática, senão vai ser o inferno. Em alguns casos, sua produtividade provavelmente será menor e a galera, inclusive o chefe tem que entender isso;

(**) DRESS CODE (-): Pessoalmente acho ruim trabalhar em casa de pijama e pantufa, melhor manter um mínimo de indicadores ao cérebro que você está perto do sofá, da TV, da geladeira, mas que não é final de semana e temos trabalho a fazer. Manter o habito de “ir para o trabalho” é significativo para o seu cérebro. Outra coisa, evite iniciar um vídeo sem camiseta, de cueca, etc, achando que ninguém vai perceber, daqui a pouco o celular cai, você passa na frente do espelho, o note fecha e aí vira folclore;

SW VÍDEO (+): Mantenha o(s) SW de video sempre aberto(s) e disponível(is) para chamadas (***), combine entre a galera o meio e mantenha-o aberto, porque cada um deles tem seu tempo para abrir e conectar, o Zoom usa uma chave, Teams, Whatsapp web, Skype, Hangout, Whereby, etc, cada um demora um tanto para abrir e fechar a conexão, senão terão que chamar mandar email ou Whats pedindo para abrir o vídeo ou áudio.

(***) OLHO-NO-OLHO (-): Uma coisa que aprendi com algumas equipes remotas é que podemos manter a chamada de vídeo o tempo que quisermos, mesmo sem falar, focados no trabalho, com todos em MUTE, para alguns ver os rostinhos dos colegas ali na tela ao lado ou em background torna tudo mais confortável e focado. Dá para fazer uma brincadeira, mostrar um recado, aproximar descontraindo;

GELADEIRA (+): Você vai ter que ter mais disciplina com a geladeira, no final de semana assaltar a geladeira faz parte, mas assaltar sete dias por semana não vai dar … policie-se, senão quando o covid-19 passar, você vai ter que passar uma temporada numa clínica de emagrecimento ou spa. Mantenha os mesmos hábitos do trabalho, um chimarrão, talvez um lanchinho no horário de sempre. Uma opção legal é ter frutas a mão e comprar menos bugigangas, isso tira a ansiedade gerada pela proximidade da geladeira;

Relaxe e aproveite, quem sabe é uma experiência forçada que nos autorizará a praticá-la com mais frequência por opção no futuro próximo.

A tempo, covid-19 não é o apocalipse Zumbi, então não consuma mais que o necessário, não compre mais que o necessário, seja racional em tudo, é só seguir as orientações … sem corridas aos supermercados, ok! Com calma, cuidados, consumo inteligente e usando a tecnologia a nosso favor, logo passa e dentro do possível aos poucos voltamos ao normal.

como-sobreviver-a-um-apocalipse-zumbi-13941191-100820181917

0

2020 já está valendo, melhor revisar sua estratégia, portfólio e estrutura

Nos últimos anos tenho com frequência me envolvido com eventos para organização de portfólios e programas, algo que proporciona a todos os envolvidos uma oportunidade de exercitar um debate bem mais amplo do que um produto ou projeto. Partimos sempre de um alinhamento de missão e visão, debatemos propósito e direcionadores estratégico, para então esclarecer o mapa de programas, projetos e iniciativas.

Não importa se é uma startup que iniciou com uma única ideia, uma empresa P, M ou G, todas merecem ter um mapa estratégico que materialize ideias, planos e execuções em portfólio, sub-portfólios, programas, banco de ideias. Se inexistem projetos grandes como existiam no século XX, mas sim programas que representam todos os MVP’s, MMP’s, releases, é preciso ter uma única visão daquelas mais importantes.

Nunca um planejamento é igual ao outro, sempre depende das características da empresa, pessoas envolvidas, por isso exige um levantamento prévio de informações sobre estrutura e planos, para assim organizar o material e abordagem. O ano de 2020 está aí, melhor iniciar com um alinhamento estratégico, com um brainstorming entre os principais interessados para convergência entre objetivos e execuções.

1. Preliminares

Tudo inicia com uma reunião prévia e um pacto, seguido de um breve trabalho de resgate, pesquisa e organização, mapeando o 5w2h do portfólio que queremos, definir quem são os envolvidos, onde estão as informações disponíveis, como organizar e o que precisamos para nos reunirmos com sucesso, o que temos sobre portfólio, sub-portfólios, programas e projetos em 5 status – recentemente entregues, em curso, próximos aguardando para iniciar, backlog e novidades. Também faz parte a proposta de uma agenda e programação para o planejamento.

Há dois grandes aspectos a serem levantados nas preliminares, a estrutura e portfólio, pois saber qual o organograma, times, squads ou esteiras é tão importante quanto saber no que estão trabalhando e irão trabalhar. Uso muito aqui a representação fantástica do PMRank do Ricardo Vargas, é preciso saber a estratégia, os filtros, estabelecer o funil, conhecer as esteiras atualmente disponíveis em suas características e dimensionamento para garantir a melhor distribuições e resultados práticos.

2. Planejamento

Reunir as pessoas necessárias e compatíveis ao desafio, em uma programação que gere um grande alinhamento estratégico, apresentação dos levantamentos realizados, sempre dou preferência para montar este mapa em uma parede, oportunizando momentos para debate e brainstorming, validação, ranqueamento e sequenciamento dos principais itens nos 5 status propostos. Algumas vezes (não é exceção), a estratégia não esta clara e a construção de direcionadores ou objetivos estratégicos para o ano, semestre ou mesmo trimestre é necessário.

o sequenciamento básico é uma boa abertura com as boas-vindas, provavelmente contando com um quebra-gelo seguido por um alinhamentos e uma fala significativa do sponsor ou stakeholder, com frequência o presidente, VP ou um diretor, temos então a apresentação da situação atual, usualmente por pasta, diretoria ou área em seus 5 status, as vezes com foco mais no que está em curso e próximos, talvez com algumas propostas de mudança ou não, depois um debate, ranqueamento, sequenciamento e esclarecimento de próximos passos.

3. Iterativo-incremental-articulado

Desde o início vamos pactuando como criar ou resignificar ciclos de acompanhamento e tomadas de decisão, de forma a manter o portfólio vivo, sendo debatido em sua execução e oportunizando adaptações e ajustes se necessário para aproveitar ao máximo abordagens ágeis, ao mesmo tempo top-down e bottom-up, decisões de negócio e estratégia, por outro efeitos positivos e eventualmente negativos da execução.

Os três passos são essenciais, uma preparação adequada para não confiar na memória e improviso criativo, o alinhamento e organização do portfólio geral ou parcial, a garantia de uma agenda recorrente de acompanhamento, garantindo o melhor aproveitamento deste modelo. A partir daí é PDCL, Kaizen, Scrum, Kanban, seguir ciclos de execução que antecipe a entrega de maior valor e aprendizados.

O modelo mental a consolidar vem do Lean Startup, Design Thinking, Service Thinking, Human Centered Design, … manter ciclos vivos de aprendizado e melhoria, busca por entrega do principal e maior valor a cada passo, aproximando-se ao máximo das partes envolvidas, como clientes, stakeholders, equipes, parceiros, antecipando validação de hipóteses e uma visão holística do todo e partes.

Modelos ancestrais de melhoria contínua valem para todos

Venho me dedicando a apoiar profissionais, times e empresas a repensarem a forma de trabalhar, esse desafio me induz a ampliar mais e mais minha caixa de ferramentas em todos os sentidos. Por outro lado, quanto mais se ampliam as opções, mais os alicerces são os mesmos, como a filosofia Kaizen e o ciclo de Deming, ou Schewhart.

PDCA e Kaizen é tipo uma volta a origem, pequenas iterações evolutivas – planejando (Plan), executando (Do), acompanhando (Check) e aprendendo (Act ou mais recentemente Learn, PDCL). Se pensarmos em métodos ágeis, tudo e todos estão baseados neste conceito básico e essencial, se pegarmos tudo o mais que hoje se destaca, idem.

PDCA é uma metodologia pétrea

O Ciclo de Deming, ícone de uma filosofia aplicada a empresas, grupos e pessoas, que quase escoteiramente tem o bordão “Aprender fazendo!”. A seguir uma imagem, ela é melhor que mil palavras, eu estava brifando cada passo, mas me dei conta que ficaria muito longo, para cada estágio do ciclo tenho uma dezena de posts sobre técnicas destinadas a retrospectivas, gap analisys, modelagem, validação, planejamento, execução, … retroalimentação.

Kaizen é uma filosofia essencial

Assim como no ciclo de Deming, a filosofia e sequenciamento de técnicas inerentes a filosofia Kaizen para melhoria contínua é o draft de tudo o que venho depois, quer seja Agile, variações do Design Thinking, do Lean Startup. Baby steps, em ciclos como o PDCA, destacando o protagonismo dos envolvidos, o bom ser inimigo do ótimo. A imagem diz tudo, além do princípio de que cada um pode e deve contribuir, não é preciso aguardar alguém ou verba, com um pouco de sinergia, auto-organização, criatividade e bom senso é possível evoluir, mitigar, contornar, enxugar e evoluir de forma gradual.

Senão vejamos, se lembrarmos que o ciclo de Deming, iniciado por Schewhart, e os princípios Lean representados pela filosofia Kaizen nos remetem à década de 50 e que muito do que referenciamos como métodos, frameworks e modelos ágeis como o Scrum, Kanban, XP, muitos do que citamos para inovação e disrupção como o Lean Startup e Design Thinking, todos tem em seu cerne a geração de pequenos ciclos, de entrega antecipada de valor, validação e melhoria.

Quando nos afastamos um pouco, é possível ver lá embaixo de tudo, pilares do PDCA e Kaizen em ação, não importa se você é de TI, negócio, marketing, pessoas, financeiro, logística, secretaria, limpeza, … todos podem partir do óbvio, valorizar o coletivo, contar com os envolvidos, incentivar a auto-organização, gap analisys, pareto, fracionamento, priorização, ideação, proposição e experimentação, para aprender, evoluir, recomeçar tudo outra vez  :o)

Minhas primeiras aulas de GP na graduação é “Eu S.A.”, nelas compartilho uma visão onde tudo e todas as técnicas e boas práticas que tão bem usamos no trabalho para empresas e produtos, também são úteis para planejar nossa carreira. Ao pensarmos grande demais, tudo fica mais difícil, muitas vezes entra em postergação indefinida, mas ao fracionar o todo em pequenos pedaços e priorizando-os, tudo fica mais fácil, inclusive nosso cérebro responde melhor e se engaja com pequenas conquistas intermediárias.

Tenho muitos posts sobre carreira, mais ainda sobre comportamento, teorias e modelos … todo e qualquer plano, estratégico, tático ou operacional se beneficia ao fracionar, priorizar e executar, gerar resultados parciais, com aprendizados e correções do plano.

 

1

Relato do primeiro 3×360° pela DB – Agile, Toolbox e Jogos

Não tinha relatado o que rolou na primeira edição 3×360° pela DBServer, foram três dias intensos com os meus workshops homônimos aos livros e baralhos. A alusão à 360° diz respeito a fugir do óbvio, do manual oficial e debater todas as possibilidades e oportunidades no seu entorno – Agile 360º, Toolbox 360° e Jogos 360°.

Como sempre, nestes workshops recebo profissionais de qualquer área de conhecimento e atuação, para discutir boas práticas oriundas de múltiplas origens, Lean, Design Thinking, Agile, Lean Startup, algumas remontam ao início do século XX, ainda úteis, outras propostas há poucos meses – Ideação, estratégia, planejamento, validação, execução, melhoria.

Se houver interesse pelos workshops, entra em contato comigo  😉

Agile 360° – O primeiro dia debateu o mindset ágil, compartilhou e debateu os métodos Scrum, Kanban e XP em suas semelhanças e diferenças, mas mais que isso alinhou o que é valor em equidade, auto-organização, interação, entregas e melhoria frequentes a partir de técnicas e modelos relativos a profissionais, equipe e escala.

Esta foi uma edição em que usamos o Agile Game das roupinhas (Prêt-à-Porter), que oferece um contexto lúdico bastante flexível e adaptativo para sprints ou fluxo contínuo, em ambos os casos discutindo Dor/DoD, alinhamento de expectativas até a qualidade na entrega baseada em muita interação entre todos os envolvidos e entregas frequentes de valor.

  • Fundamentos ágeis;
  • Histórico e atualidade;
  • Perspectivas futuras;
  • Framework Scrum;
  • Método Kanban;
  • XP (Extreme Programming).

Toolbox 360° – É um prazer debater paradigmas da era do conhecimento, abordagens de mercado, organizacionais e profissionais. Navegamos em modelos e boas práticas de facilitação e aceleração, para então discutir dezenas entre as 130 cartas pertinentes a pessoas, equipes, liderança e conexões, exercitando uma grande variedade delas.

Este workshop sempre permite que os grupos formados escolham desafios e objetivos a serem trabalhados, carreira, projetos, operações, família, startups, por um lado sempre surgem novidades e através do jogo, do baralho, dos debates e vivências de variadas técnicas as alternativas e soluções surgem e geram muitos insights e compartilhamentos.

  • https://jorgeaudy.com/toolbox-360/
  • Paradigmas, mercado, oportunidades;
  • Auto-organização, facilitação, aceleração;
  • Pessoas, carreiras, auto-conhecimento;
  • Equipes, team building, estrutura e fluxos;
  • Liderança, novos paradigmas no século XXI;
  • Conexões, redes, hubs, comunidades;
  • Overview sobre estratégia, projetos e operações.

Jogos 360° – Um dia dedicado ao conhecimento, debate e vivência de quebragelos (icebreakers), aquecimentos (warm ups), pedagógicos (agile games) e gamification através da proposta de desafios para co-criação de jogos que os atendam em seus objetivos. A cada jogo, exercitamos conceitos de seleção, valor, organização, execução e resultados.

Assim como o Toolbox, um workshop em que estou acostumado a receber profissionais e pessoas de todas sa áreas de conhecimento, o interesse vai do uso de jogos junto a família/filhos, no trabalho, em sala de aula, escotismo e vamos navegando e mapeando estas áreas de interesse e oportunidades de agregação de valor do início ao fim.

  • https://jorgeaudy.com/jogos-360o/
  • O workshop quase não tem “ppt” ou apresentação, ele foca em compartilhar, experimentar e debater o uso de jogos além da pura diversão;
  • Durante todo o workshop usamos um mural feito com o baralho de cartas que todos levaram para casa, contendo 130 jogos, distribuídos nas categorias abaixo, cada carta com um QRCode com mais detalhes;
  • Icebreakers (quebragelos);
  • Warm Ups (aquecimentos);
  • Agile Games (pedagógicos);
  • Co-criação de jogos, novos ou customizados).

IMG_20191206_004237_578

No somatório já enviei e entreguei em mãos mais de dois mil livros e kits com baralho, acabei de mandar fazer mais mil, a cada nova edição me energizo com a interação, feedback, curto cada um dos feedacks compartilhados nas redes:

“Muito bom, um Sábado de grande aprendizado. Agradeço a oportunidade de ter conhecido pessoas fantásticas e ideia incríveis. Parabéns Jorge pelo trabalho magnífico.” – Bruno Canal

“Foram três dias ricos de muito conhecimento, técnicas, métodos e muitas trocas e experiências. Gratidão ao Jorge Audy e ao caros colegas por todos os insight e vivências durante essa jornada.” – Diego Gualtieri

“Dia intenso de muito aprendizado com esse fera Jorge Audy!” – Patrícia Boeno

Em breve sai do forno mais animações de divulgação, o próximo será o de Jogos 360° …

0

Contornando crenças limitantes, síndrome do impostor e dissonância cognitiva

Um período agitado para organizações e profissionais imersos em um mundo globalizado, tecnológico, “líquido”, tão rico em riscos quanto oportunidades. Mudar e inovar deixou de ser um privilégio ou opção, mas para fazê-lo é preciso acreditar que somos capazes, com acesso a informações, técnicas e tecnologia.

Albert Bandura chamava esse sentimento de auto-eficácia, afirmando que somos tão mais capazes enquanto acreditamos que podemos, conceito fundamental na autoconfiança, é a crença que uma pessoa tem na sua própria capacidade em completar uma tarefa ou resolver um problema a bom termo.

gato ou leão

Acima de tudo, ano de 2020, é preciso ter crença no aprendizado pela experimentação, pois se estamos tentando algo com propósito, auto-organizado, iterativo-incremental, evolutivo, estamos no caminho certo … é certo que haverá dificuldades, mas vamos nos adaptando aos poucos, método e cultura, aprendendo e melhorando.

Síndrome do Impostor

Síndrome do Impostor – A síndrome do impostor é uma teoria da psicologia desde meados dos anos 70 (Clance e Imes), no qual pessoas capacitadas sofrem de uma inferioridade ilusória, subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles.

É essencial que nos sintamos empoderados através da busca contínua de novos conhecimento e vivências … evitando nos compararmos ao que os outros aparentam, evitando achar que os outros fazem melhor porque são melhores e o que estamos fazendo está errado. Vivemos uma realidade em que o showbiz apresenta suas façanhas de sucesso irretocável, contrastando com as dificuldades dos que iniciaram e praticam ciclos iterativos, melhoria contínua e evolutiva, auto-organização a se questionarem sobre sua capacidade, abrindo mão de seus aprendizados … um ciclo vicioso que os coloca à procura do santo graal, do método infalível que nunca é o atual, mas o do guru da vez com receitas infalíveis.

Crenças Limitantes

Determinados pensamentos nos impedem de fazer algo que desejaríamos ou precisaríamos que acontecessem, estes pensamentos acabam por força do hábito negando a nós mesmos oportunidades ao implicitamente justificar o porque não daria certo ou não poderia acontecer.

Desde sempre vamos materializando muros e limites imaginários, que para alguns passam a ser reconhecidos como intransponíveis. Alguns vem na forma de proteção, quando alguém em quem confiamos nos alertam para perigos que ao serem introjetados teremos no futuro dificuldades para nos libertar. Da mesma forma que estas crenças podem ser positivas ou protetivas, elas também podem ser negativas e acabar nos limitando e impedindo que cresçamos e alcancemos o sucesso, seja no âmbito pessoal ou no profissional. Estes pensamentos são conhecidos como crenças limitantes e nem sempre são reconhecidos como tal.

Dissonância Cognitiva

Proposta por Festinger, procura explicar a própria necessidade de coerência entre nossas ações e cognições (crenças e conhecimento). Sempre que nosso consciente não encontra explicação para uma inconformidade, mecanismos psíquicos de defesa criados pelo nosso inconsciente se encarregam de explicá-la.

Estas defesas psíquicas não são dolosas, existem para nos proteger de nossas angustias e mesmo não conscientes podem ser percebidas e melhoradas, alguns destes mecanismos de defesa, negam, projetam, transferem, racionalizam, substituem, identificam-se, reprimem ou geram uma formação reativa. O uso eventual de defesas pelo inconscientes é normal, passa a ser problema quando passamos a usá-las com muita frequência, mascarando a realidade, mentindo para nós mesmos, impedindo nossas reações e aprendizados. Frente ao excesso, este embate diário entre crenças e atitudes semi-conscientes podem gerar conflitos, internos e interpessoais.

Antídoto e alquimia

O autoconhecimento é o grande antídoto, aquilo que transmuta teorias, modelos e aprendizados em mudanças evolutivas tem a ver com querer saber, com a inquietação de quem acredita que há mais além do muro daquilo que já sabemos, envolvendo questionamento e aprendizado. Ao saber o que não sabemos, podemos tomar decisões melhores, escolher priorizar, aprender, internalizar, aplicar, sistematicamente melhores que ontem, piores que amanhã.

Do limão, uma limonada

O ideal é escolhermos nossas batalhas por estarmos de olho no mundo, no mercado e em nós mesmos, estudando e compreendendo os porquês, avaliando de que forma pode ou não ser bom cada técnica e boa prática, mantendo-se em movimento o suficiente para não sermos surpreendidos pelo óbvio (desconhecido).

Toolbox – Há uma infinidade de técnicas para autoconhecimento, muitas confrontam Crenças Limitantes, Síndrome do Impostor e Dissonâncias Cognitivas ao gerarem o debate e questionarem colaborativamente causas e efeito. O mínimo é escrever nossos objetivos, planos ou desafios para debate, registrando e debatendo restrições e motivações, questionando como ir além, desconstruindo cada limitação, ideando sem filtros para validar e seguir adiante – CSD, alçada, 5w2h, cynefin, HMW, C8′, Johari, MVP,  validation, N canvas, causa x efeito, desconstrução, há técnicas para todos os gostos 🙂

Gestão do Conhecimento e Lições Aprendidas

Há uma semana atras estava debatendo sobre como promover e potencializar ao máximo Lições Aprendidas, que muitas vezes ficam restritas a repositórios fragmentados por projeto, iniciativas, ou perdem-se em meio a um enorme volume de informações fracionadas sem concentração por tipo de lição aprendida, conteúdo ou … conhecimento.

Retrospectives ou Futurespectives são dinâmicas de grupos voltadas a aprendizados e melhoria contínua, podendo ser com frequência pré-determinada como no Scrum ou conforme demanda. Seu conceito mais tradicional advém do registro das lições aprendidas no transcorrer ou final de um projeto, para que fiquem ao alcance de outras equipes ou colegas.

A dúvida não é fazer ou não fazer, mas estabelecer racionalmente sua estrutura e natureza, muito especialmente definir uma abordagem clara para a gestão cumulativa de conhecimentos como núcleo essencial, um meio disponível e acessível a todos para ser seu repositório, podendo este ter diferentes naturezas, como wiki, blog, site, …

O PMBOK orienta que um Projeto deve ter registrada suas Lições Aprendidas antes de encerrar, sendo mais eficaz fazer estes registros a medida que o projeto transcorre e aprendizados acontecem. Este processo foca na redução de riscos e aproveitamento de oportunidades ao iniciar cada novo projeto.

Fato, muitos gerentes de projetos realizavam este registro ao final do projeto preenchendo e anexando ao site de projeto um formulário de lições aprendidas, de forma que o aprendizado é de um projeto e não de um tema ou assunto. Qualquer estratégia centrada no projeto, transforma a lição aprendida em refém do projeto ou GP, ao invés de tratá-la como um aprendizado da organização, registrada através de artigos estruturados como em um jardim do conhecimento.

Organizações que aprendem

Senge (1990) afirma que colaboradores geram e aplicam seus conhecimentos, novos e consolidados, desenvolvendo sua capacidade de gerar resultados e valor, onde surgem novos e elevados padrões em que a aspiração coletiva é liberada, onde as pessoas aprendem a aprender em grupo.

Nonaka e Takeushi (1997) são considerados os pais da gestão do conhecimento como a conhecemos hoje, dois dos grandes contribuidores das Teorias das Organizações que Aprendem, circulando entre o conhecimento tácito e implícito, transformando aprendizado individual em organizacional.

Jardim do Conhecimento

Jardim do conhecimento, por exemplo, pode ser uma plataforma wiki em que cada ítem é categorizado e tagueado de forma a facilitar seu agrupamento, localização, permitindo fácil rastreabilidade, criando páginas autônomas com hipertexto para outras páginas, centrado cada uma em um item de conhecimento.

Podemos ter categorias ou trilhas sobre Scrum, com tags para papéis, timeboxes, artefatos e regras, outra sobre Kanban, com métricas, gestão de fluxo, maturidade, uma sobre Dot NET, JAVA, DevOps, etc, talvez uma sobre reuniões, facilitação, gestão de conflitos, … contendo links, hipertexto, áudio, vídeos, … com versionamento.

Cada item está relacionado a uma categoria e sub-categorias, de forma a gerar estruturas (árvores ~ tronco e galhos onde temos as folhas ~ conhecimento), com tags livres para fácil localização. Se o conteúdo é 100% co-criado livremente, a estrutura precisa curadoria para não perder-se em conflitos de estrutura, redundâncias e ‘anacronismo’.

Co-criação

Bem conduzido e orquestrado desde o início é garantia de um volume imprevisível e exponencial de conteúdo co-criado e refinado por seus pares, versionado e permanentemente enriquecido por links e mídias internas e externas. Previsivelmente poderá ser usado como base de conhecimento para workshops, livros, inbound marketing, etc …

Um excelente exemplo para árvores de conhecimento é a Wikipedia, que se utiliza de um open source chamado MediaWiki criada por eles para atender a sua própria necessidade. Cada página é editável pelos próprios envolvido de forma colaborativa, segundo um manual básico de estilo, que é uma página de recomendações de estrutura textual e hipertexto.

Em um contexto organizacional, NÃO é preciso uma mediação prévia de conteúdo, beirando a censura, ao contrário, a liberdade integrada a uma estrutura e recomendações gerará muitos aprendizados de forma descentralizada em volumes e pertencimento desejados para que transforme-se uma ferramenta de todos, mantida colaborativamente.

Mediação NÃO é necessária, mas uma equipe ou comitê organizador é imprescindível, de forma a fazer crescer a estrutura e categorias conforme os aprendizados vão-se ampliando e gerando novas oportunidades. Em empresas com uma boa gestão de comunidades, há sempre grupo(s) que se reúne(m) periodicamente com atribuições de boa administração.