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A “nova escola” alemã em jogos de tabuleiro

Sempre curti jogos, sem nunca dedicar tempo excessivo a eles é verdade, mas a cada oportunidade eu me dedicava a planejar e preparar para que tudo desse certo – local, jogos adequados à idade da galerinha, atraentes, variados, divertidos, tinha que providenciar material, preparação e facilitação.

Em 2005 fiz uma compilação de JOGOS CLÁSSICOS, de rua, papel, cartas e muitos tabuleiros. Na época achei relevante compila-los em um livreto para usar offline, em qualquer lugar, e distribuir para lobinhos e escoteiros … dos 500 livrinhos, restaram uns 10 que guardei de recordação.

Em 2015 lancei o livro JOGOS 360° com foco em Team Building Games – Icebreakers, warm ups e Agile Games – quase uma centena de jogos para mobilizar equipes, grupos, alunos e pessoas a debaterem assuntos relevantes – conhecimento, pessoas, equipes, processo e ambiente – https://jorgeaudy.com/jogos-360o/.

Não sou um especialista em jogos, mas tenho alguma prática, desde a década de 90 usava em mini-gincanas nos aniversários infantis da família e hoje os compartilho em workshops de Team Building Games. Sempre criei variações e já criei mais de um autoral, recentemente o Desafio Toolbox 360°.

A “nova escola” alemã de tabuleiros (anos ’90)

Eurogames ou “Nova Escola” alemã de jogos de tabuleiro é um estilo surgido nos anos 90 na alemanha, que se disseminou rapidamente pela Europa e ganhou o mundo com jogos de regras simples, fáceis de entender e jogar, privilegiando a interação e interesse de todos até o fim.

* Mantenha regras simples, privilegiando a interação – evite regras complexas, para que qualquer um possa rapidamente entender e jogar, depois a cada jogada ir evoluindo e melhorando;
* Há competição, mas preferencialmente indireta – evite regras em que um jogador elimina o outro, gere objetivos construtivos em que mesmo competitivo a meta seja ganhar e não “competir”;
* Todos interessados e participantes até o fim – evite regras em que os jogadores sejam eliminados precocemente ou torne seus objetivos inatingíveis e assim percam o interesse no jogo;
* Tempo limitado e regras instigantes – evite regras que inviabilizem um jogo divertido e instigante em menos de uma hora, há sugestões que um jogo criativo de 30 minutos é melhor que 4 horas;
* Mitigar o fator sorte (dados|sorteio) – pode incluir fatores de sorte como jogar dados ou retirar cartas, mas o imponderável não pode subjugar completamente uma boa estratégia no jogo;
* Privilegiar a tomada de decisão – dentro do possível cada jogador deve sentir-se instigado a criar estratégias e mudá-las a medida que o jogo avança, tentando mudar os rumos e resultados.

São considerados ícone deste pradigma o jogo Catan, Carcassonne, Ticket to Ride, Puerto Rico, Zombicide, 7 wonders, Dixit, entre muitos outros. Nem melhores nem piores que outros jogos, mas incentivando todos a objetivos passíveis de serem atingidos em um curto espaço de tempo, de forma instigante.

Desenvolvimento de Jogos

Escolher jogos, adaptá-los ou mesmo mudá-los para adequarem-se ainda mais as características do grupo e objetivos é apaixonante, uma atividade divertida por natureza, ainda mais se houver uma boa parceria. A partir dela, seguimos um processo mais estruturado e técnico ou empírico e aleatório, não importa muito.

Mas, pode crer que as mesmas técnicas dos processos criativos de sucesso são aplicadas a qualquer tipo de oportunidade, projeto, operação … são centenas de opções conforme estratégia, negócio, pessoas, contexto e objetivos. Mas, antes de começar, sugiro alguns pontos de atenção:

  • É mais difícil se você não gosta e não joga  😦
  • Quando jogar, discuta os mecanismos com a galera;
  • Exercite pensando algumas mudanças em jogos existentes;
  • Todo jogo tem um objetivo, de pedagógicos a simples diversão;
  • Feito é melhor que perfeito, use sucata e crie uma versão inicial;
  • Realize play tests, convide amigos e colegas, peça feedbacks.

Pense em técnicas oriundas do Lean Startup, nos quatro passos para a Epifania, Design Thinking, com os canvas para modelagem de games e para gamification, business, value proposition e empatia, dinâmicas para brainstorming, criatividade, inovação e empreendedorismo.

Você pode criar um jogo sozinho, like lobo solitário, mas é muito mais divertido e produtivo se tiver parceiros para trocar ideias, prototipação e validação … as vezes não é fácil engajar alguém porque dá muuuuuito trabalho, paciência e perceverança são tão importantes quanto a paixão.

Desafio Toolbox 360°

O jogo que criei e batizei de Desafio Toolbox é um exemplo de mudanças a cada play test, buscando equilíbrio na usabilidade, inicialmente havia um dado, fichas, competição, regras bem sofisticadas que foram simplificando enquanto eu focava mais nas técnicas do baralho e no desafio que na dinâmica.

Desde o início queria algo atraente, divertido, instigante, mas valorizando o pedagógico, seguindo as premissas da nova escola alemã dos jogos de tabuleiros – regras simples, muita interação, competição indireta, todos juntos, rápido, menos sorte ao azar e mais estratégia, com tomada de decisão e estratégia.

Exemplo, um jogo do zero contendo desafio, estratégia, tabuleiro e baralho com foco em debate e aprendizado: https://jorgeaudy.com/desafio-toolbox/

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Pipeline como gestão visual

Esse termo é utilizado em variados contextos, na minha adolescência o usávamos ao discutir sobre Surf, olhando as fotos da revista Fluir, comparando condições do mar com os míticos tubos rápidos, longos e secos, estilosos de Pipeline.

Entretanto, pipeline pode ser uma ferramenta que mostre o fluxo de um processo relevante do cotidiano de áreas e profissionais. Essa abordagem permite a fácil identificação, análise e ações em relação ao andamento, etapas, fluindo em relação ao nosso objetivo.

No RH, por exemplo, temos o pipeline de contratação, é possível explicitarmos em etapas cada passo desde a abertura, divulgação, recepção, avaliação, entrevistas, decisão, documentação, efetivação e integração.

Em vendas, temos análise de mercado, contato, visita, proposta, decisão, minuta, contrato, assinatura, encaminhamento, e assim como no RH, reproduzimos na parede uma visão tática de nosso trabalho.

Outras áreas, como Planejamento, Contratos, Consultoria, Marketing, Eventos, … se beneficiam ao assumir uma abordagem ágil ao materializarem em um quadro sua estratégia, tática e execução. Se falar Kanban eles dizem que não é para eles, mas se falar Pipeline, rola! \o/

Como construir um Pipeline Visual?

Lembre-se que feito é melhor que perfeito, seja ágil, iterativo-incremental-articulado, inicie rapidamente e evolua a cada aprendizado ou retrospectiva.

1. Aquecendo sinapses e conexões – Comece por uma boa técnica sobre “quem nós somos”, “missão”, “o que fazemos”, “como trabalhamos”, se utilizando de alguma das técnicas já compartilhadas e disponíveis no nosso Toolbox, como SWOT, É|Não É, Role Model Canvas, etc;

2. Mapeie seu fluxo de trabalho, foque naquele que queremos modelar no pipeline, como vagas até contratações no RH, como prospects até contratos em vendas, podendo usar Personas, Jornadas, Storytelling, Fluxos de valor, etc;

3. Faça uma checagem do fluxo a luz de passos adicionais de valor significativos a serem explicitados na alçada de “clientes”, parceiros ou “fornecedores”. Isso é importante para não olharmos só para dentro, mas ao fluxo de forma holística;

4. Desenvolva em cada uma de suas etapa mapeadas buscando as tarefas executadas em sua operação, isto permitirá eventualmente não só confirmar o fluxo e a divisão em etapas como alinhar um certo padrão formal ou informal de tarefas x etapas;

5. É muito significativo tentarmos materializar conceitos de WIP (work in progress), tempos médios esperados, baseados em histórico, e Throughput (número de entregas por período) … o que nos oferece cada vez maior auto-conhecimento de nossa capacidade e tática;

6. Registre lições aprendidas em uma linha própria, normalmente a última em destaque, registrando riscos e oportunidades, pontos de atenção. Está alinhado a proposta de regras explícitas do Kanban e ajudarão muito no dia-a-dia;

7. Desde o início explicite suas metas e indicadores, assim o quadro terá um forte apelo a ação, convergência, proporcionando boas reuniões diárias e semanais de alinhamento e geração de micro-planos de ações para maximização de resultados.

Parece muita informação ou em um espaço tão limitado, mas é apenas o caso de usar bom senso e evoluir (Kaizen) permanentemente a cada aprendizado, na prática é como dirigir, no começo parece difícil, mas depois abstraímos e nem percebemos o freio, pisca, acelerador, etc.

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Tempos líquidos e intempérie exigem de nós um barco e um time ágil

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, propôs o conceito de “modernidade líquida” porque o futuro muda permanentemente, no entendimento de um futuro líquido, continuamente mutável, impõe vivermos o agora, termos um plano, fazer o nosso melhor a cada passo, mas ajustando a trajetória.

O livro “Modernidade Líquida” de Bauman é assim descrito: “A modernidade imediata é leve, líquida, fluida, e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política. Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política.”

Por outro lado, em artigo de 1995, dois signatários do manifesto ágil publicaram “Scrum And The Perfect Storm”, refletindo sobre as desventuras do barco Andrea Gail, diferenciando confiar apenas na leitura dos instrumentos (plano e métricas) e a importância de sempre se olhar pela janela do deck.

Antes disto, Takeushi & Nonaka, fonte de inspiração para o Scrum ao citar a analogia ao Rugbi no antológico artigo “The New New Product Development Game” de 1986 na HBR dissertando sobre times auto-organizados em ciclos iterativos-incrementais-articulados.

Somando Bauman e Scrum, vivemos uma realidade fluida, em permanente mudança, que nos exige multi-ajustes de rumo e posicionamento, que nos exige reposicionar nosso barco de acordo com as ondas, o vento, a chuva e a nós mesmos.

O artigo é um marco arqueológico, nos mostra como eles viam o método lá no início, uma pedra de Roseta que precedeu o “Scrum Guide”, sobretudo, percebemos a beleza da verdadeira natureza ágil que o método tem em seu DNA, por ser ele próprio iterativo e evolutivo.

É pedagógico ver o entendimento, visão inicial e o quanto o método amadureceu desde então. Entretanto, passava o recado, veja alguns pontos que pincei do artigo e invista uma horinha para ler o original, vale a pena:

  • Scrum é apenas um compilado de boas prática e bom senso;
  • O mundo corporativo é caótico, com muitas distrações que podem prejudicar o time e o projeto;
  • Na nossa área é comum complicar, sofisticar, intelectualizar, mas simplicidade é bom e melhor;
  • Scrum ajuda os times a focar no que importa, deixando o menos importante aguardando prioridade;
  • Precisamos escolher entre a ficção dos grandes planos, métricas e reports ou realmente nos envolvermos no projeto;
  • O principal ícone do Scrum é a Daily Meeting;
  • No Scrum todos sabem qual o objetivo principal da iteração e quais os objetivos pontuais de cada participante;
  • Scrum incentiva a interação, contra a tendência ao individualismo;
  • O maior benefício é a humanização do desenvolvimento através de comunicação diária, pactos e foco coletivo na meta;
  • Fazer reviews das viagens anteriores para aprendizado e melhorias das próximas é fundamental.

O Product Owner era Product Manager, não declaravam o papel do Scrum Master e as iterações recomendadas tinham 30 dias:

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Mais uma semana e vem aí mais um ano, tô De Boas!

Essa semana (10/09/2018) vou estar na ilha mais querida do Sul do país, local onde passei quase todos os finais de semana de verão da minha juventude – Joaquina, Lagoa da Conceição, Praia Mole, Canasvieiras, Jurerê, Armação, Pantano do Sul, Praia da Barra, Ponta das Canas, … ainda “ontem” era com a galera pra pegar onda, wind e caiaque, o tempo passa, mas a diversão e paixão pela ilha ainda são as mesmas, só mudou o meio …

http://www.noticenter.com.br/n.php?CATEGORIA=&ID=20009&TITULO=eventos-discutem-a-transforma-o-digital-em-florian-polis

Ao aproximar-se o niver dos meus 57 anos, sinto-me abençoado, a cada semana participo como facilitador, aprendiz, professor, amigo, marido e pai frente a oportunidades fantásticas de interações que muito aprendo e fazem sempre me questionar e me reinventar – um Focus Group com mais de 20 lideranças estaduais em seus órgãos, duas facilitações de transformação de times de alta performance (arquitetura e Techops), alguns debates e workshops Toolbox, um open space com mais de 50 pessoas, poder assistir um treinamento com uma das melhores profissionais da área, facilitar um planejamento de projeto com um time de referência e um outro para start de parâmetros de um catálogo de serviços que vai fazer história, um banco intergaláctico com alunos e deliciar-se com nossa pequena se reinventando no Canadá o/ Que venham os sessenta.

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Variação interessante do Product/Market Fit Canvas

Que tal um Canvas como base para uma dinâmica de mapeamento de produto e seu mercado? De um lado temos características, desafios, canais e experiência do usuário, enquanto do outro analisamos as outras alternativas, funcionalidades-chave, valor para seu canal e métricas-chave.

O objetivo inicial tem muito a ver com empatia com determinada(s) persona(s) que estejam em seu foco ou hipótese de negócio para então discutir a modelagem de parâmetros que o ajudem a construir seu entendimento e argumentos de venda ou contribuir para a definição de hipóteses para validação.

Imagine um evento onde grupos multi-disciplinares de profissionais debatam em um world-café diferentes produtos, seus mercados e valor, para isso eu ajustei os campos do canvas a nossa necessidade, a esquerda empatia com o cliente, a direita percepções sobre o produto.

O objetivo final é relacionar o melhor texto e argumentos de valor do produto, por isso uma proposta de mercado (cliente) e objetivamente a caracterização essencial do produto e informações que possam estabelecer qualidades e benefícios.

Vale a pena seu uso em diferentes situações, o canvas adaptado, o original ou outras variações podem ajudar como um warm-up, na forma de um jogo de aquecimento antes de uma dinâmica de modelagem de produtos, de retrospectiva de um projeto, de vendas ou mesmo de estratégia.

O original foi proposto como uma técnica específica para modelar o entendimento do acoplamento entre mercado e produto, mas eu o tenho usado mais para aquece, para ampliar o domínio sobre algo, quer seja um produto ou serviço em diferentes situações.

A seguir uma foto simbólica com a apresentação do product/market fit canvas e do objetivo final a ser atingido …

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Iniciando um Toolbox sobre Educação entre colegas de Politécnica PUCRS

A convite da professora Ana Paula, em parceria com as professoras Milene Silveira e Cristina Nunes, que reuniram professores da Escola Politécnica da PUCRS para debater educação, facilitei a construção de um Toolbox Wall do zero, contendo apenas o que cada um usa em sala de aula.

Foram em torno de três horas de debates, world café, clusterização, com revisão e edição das categorias propostas e ítens distribuídos entre Ações Externas, Dinâmicas, Método, Avaliação, Recursos, Engajamento … com muita descontração, brincadeiras e camaradagem.

Para melhor entendimento, levei meus walls de boas práticas e de jogos, fiz uma introdução ao conceito de Toolbox Wall, cheguei mais cedo, organizei a sala em ilhas de seis, cada uma contendo uma folha grande de papel pardo, muitos postits grandes, quadrados e pequenos, além de canetões.

Este foi o primeiro passo, agora o mural vai para uma parede junto a sala dos professores, onde queremos que aos poucos vão surgindo outras dinâmicas ainda não materializadas, refinamento delas com mais informações, para que no segundo semestre seja possível formatar além dos postits.

Tenho para mim que um mural desta natureza é um ativo, que expandido torna-se um ativo de interesse não só da politécnica, um mapa inspiracional com diferentes abordagens e técnicas praticadas por colegas, com quem podemos tirar dúvidas, experimentar, inovar, somar, fazer igual diferente.

Esta parada só está começando!  \o/

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Círculo de Conselho

Todos formam um circulo e sentam-se com as pernas cruzadas a frente. Em ambiente corporativo pode ser em uma sala acarpetada, mas eu sempre curti ir para a rua e fazer sob as árvores do parque tecnológico, nos gramados das alamedas do Tecnopuc.

Pode ser usado para um debate descontraído, para resolver um tema polêmico, através da deliberação de todos, de forma lúdica e descontraída, por exemplo:

  • Dê as boas-vindas e realize um exercício de energização:
    • Uma meditação, alongamento, respiração;
  • Apresente o objetivo inicial e puxe um pacto:
    • Cada um diga sua expectativa e objetivo;
    • Combine horários, break e responsabilidades;
  • No centro é importante colocar algo significativo:
    • Pode ser algo do grupo, símbolo ou mascote;
    • Pode até ser um lanche ou café quentinho;
  • Faz-se um pacto de intenção, onde tudo será construtivo:
    • Opiniões são bem-vindas, mesmo contrárias;
    • Não devem levar nada para o lado pessoal;
    • Combinem um token para garantir a palavra;
  • Apesar das combinações, facilite um clima positivo:
    • Evite ficar interrompendo, eles se resolvem;
    • Se esquentar, interfira deixando a energia fluir;
  • O encerramento é colaborativo:
    • Deixe que cada um diga o que aconteceu;
    • Feche com uma provocação construtiva.

PRINCÍPIOS: Comunicação é o melhor caminho, mas tomar decisões de forma democrática exige discernimento e bom senso. O que vale são os argumentos, mas frente a um impasse, é preciso que alguém puxe para si a responsabilidade, para isso que o SCRUM possui papéis, dentre eles o Product Owner.

DICA: Eu levo folhas de Flipchartpost-its e canetões, que deixo no centro do círculo ao alcance de todos para registro do que for importante.