Análise de entrevistas exploratórias em levantamentos, projetos e design

Havendo poucas entrevistas ou textos não estruturadas, é possível fazer uma análise de texto manual, mas quando ultrapassa a primeira dezena já começa a haver perdas significativas de integridade.

Quando no mestrado, utilizávamos o software NVIVO para uma análise qualitativa, especialmente entrevistas, e o SPSS para análise estatística, ao realizar pesquisas quantitativas como surveys.

Manual ou com um software, é importante fazer a transcrição o mais fiel possível, no mestrado é uma transcrição absolutamente fiel, porque inclusive características de linguagem são analisadas.

Análise de dados não estruturados – pesquisa aberta

A análise do texto consiste em marcações, onde o software ajuda muito, planilhando nossa marcação, categorias, palavras, frases, linkando com outras, gerando uma rede de informações e interpretações.

No caso do software NVIVO ou MaxQDA, ele faz todo tipo de cruzamento, inclusive comparação de textos, muito bom para pesquisas abertas, artigos, mídia social e conteúdos textuais, incluso web.

Estes softwares geram nuvem e árvores de palavras, diagramas de exploração e comparação, tudo isso permite uma navegação horizontal e vertical, facilitando a formulação de nossos pressupostos.

Sistematizando a análise de texto não estruturado

Compartilho cinco etapas típicas envolvendo a interpretação de textos não estruturados, para uma análise mais profunda. Estas cinco foram em linhas gerais as que segui no meu mestrado: caracterização + blocagem + marcação + encadeamento + interpretação.

1. Caracterização – é importante estabelecer alguns dados contextuais, como data, entrevistador, entrevistado, local, horário, duração. Aqui também explicitamos as demográficas do respondente, como nome, idade, empresa, cargo;

2. Blocagem – é um processo em que vamos dividindo o texto em partes menores conforme o que diz. Usualmente segue parágrafos e o objetivo é, em uma primeira leitura, identificar as principais ideias e abordagem. Este passo é muito importante;

3. Marcação – é o passo que mais exige atenção no todo, pois vamos ler cada texto e marcar palavras, frases, trechos, atribuir a eles um significado, uma tag ou palavra-chave, é assim que montaremos uma rede de informações com contagem de frequência;

4. Encadeamento- a blocagem e a marcação são uma análise primária mais direta, o encadeamento vai procurar links entre diferentes frases ou trechos, que mesmo separados, dão outro ou maior sentido a informações não sequenciais. Elas podem invalidar uma entrevista ou ampliar seu entendimento;

5. Interpretação- é o que fazemos após executar os quatro primeiros passo, em um conjunto de entrevistas ou no todo, é uma análise cruzando as interpretações e pinçando blocagens e marcações entre diferentes entrevistas para termos números e recorrência a procura de pressupostos.

Lembro bem no mestrado, durante a transcrição e análise das entrevistas, a adrenalina no NVIVO na procura de pontos de contato entre diferentes respondentes, a partir do cruzamento de muitas horas e dias de blocagem, marcação, encadeamento e interpretação.

Matrizes, mapas e estrutura para análise de entrevistas

O mapa mais efetivo para a análise de entrevistas é o que se aproxima do roteiro de entrevista, posto que nele temos as perguntas e a abordagem para a coleta de dados e informações.

No exemplo abaixo, dispomos de cinco colunas, contendo os principais quesitos do nosso roteiro de entrevistas. A partir da matriz proposta, a cada entrevista analisada, marcamos pontos de destaque em postits azuis (frase, expressão, trecho) e ao lado no laranja nossa observação (interpretação/insight).

Bem a esquerda temos o quebra-gelo com percepções gerais e aprendizados durante as entrevistas, depois uma linha por entrevistado, o nome e origem do entrevistado, mais a direita tem a própria transcrição. Bem a direita, criamos um quadro onde estão categorizados os principais insights.

A medida que evoluímos, categorias ou tags vão emergindo do processo, porque diferentes respondentes inevitavelmente vão pontuando questões em comum e se, relevante forem, vamos tagueando para posterior especialização ou mesmo novas colunas podem ser criadas.

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