0

Conhecer o modelo de Kübler-Ross pode ajudar na reação à covid-19

Resposta emocional à mudança, esta teoria de meados do século XX nunca foi tão razoável, o Brasil precisa usar mais argumentos científicos, balizados, racionais, modelos e teorias robustas que há décadas envolvem milhares de pesquisadores mundo afora.

Este modelo, amplamente estudado pela academia pode ser percebido na morte de um ente querido, quando exposto a um incidente imprevisto,  mudanças intensas e repentinas, o que nos exige um tempo para assimilar, reagir e superar.

O site da fundação Elisabeth Kübler-Roos no Brasil é https://ekrbrasil.com/, uma instituição focada na tanatologia, no compartilhamento de teorias e estudos científicos sobre a morte, suas causas e fenômenos a ela relacionados.

A ciência não nos ajuda só a fazer modelos gráficos ou definir estratégias, mas também nos apoia na argumentação, entendimento de contextos, especificidades. Quanto melhor entendido, menor a profundidade e amplitude da curva. O objetivo não é eliminar a negação, mas acelerar as etapas iniciais e o quanto antes partir para a reação!

Um estudo coerente quando nos vemos em frente a uma pandemia global que desde seu marco zero tem poucos meses. Já passamos pelo choque, pela descrença, frustração, pela angústia do desconforto, quatro passos prévios a reação e reposicionamento.

Temos negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, aspectos emocionais de resposta a uma mudança repentina. Pensando em termos de reação positiva a mudança, é complementar à modelos de estratégia e tomada de decisão para gestão de crises.

RESPOSTA À COVID-19

Todos os modelos médicos e científicos mostram que ainda temos o pior pela frente, continuar negando ou resistindo a estes estudos e projeções é desperdício de tempo, profissionais, famílias, empresas e sociedade precisam montar planos de resposta de curto, médio e longos prazos.

Passada a negação e estado de choque, não é só cortar gastos, é mapear nosso 5w2h até aqui e desafiar-se a mudar o necessário para uma nova realidade, debater ideias, parcerias, inovação, empreendedorismo em seus diferentes extratos e possibilidades … procurar gerenciar a mudança a seu favor.

  • Está em casa e não pode sair;
  • Seus planos se inviabilizaram;
  • Você ou conjuge foi demitido;
  • Suas reservas são finitas;
  • A empresa fechou;
  • Um familiar contaminado;
  • Está sem clientes;
  • etc.

A curva de Kübler Ross pode materializar este Gerenciamento de Mudanças, acelerar sua evolução, antecipar a reação, gerar melhores respostas e resultados práticos no curto prazo. Conscientes, é possível antecipar-se a curva e gerar iniciativas para mitigá-la ou acelerá-la.

Shock, denial, frustration & depression – Acelere ao máximo estas etapas, busque informações e parta para a reação;

Experiment – Engajar-se na mudança, dedicar-se a entender, mapear, idear, contribuir com a visão da situação;

Decision – A partir de cenários, debater e escolher alternativas a serem definidas e planejadas de forma ágil;

Integration – É a vivência, experimentação, validação, inconformar-se e ir a luta. Tentativa e erro, aprendizado e adaptação.

Há variadas interpretações e variações deste modelo, como por exemplo:

0

Ferramentas aliadas contra os efeitos do covid-19

Uma coisa é certa, lição antiga, o negócio não é vender, é relacionamento. Compartilho algumas dicas, links e possibilidades reais que podem ajudar, de olhos no pós-covid-19, para então seguirmos em frente em uma nova realidade que ainda desconhecemos. Se alguém quiser compartilhar algum link acessível de interesse, comenta aqui que irei também incorporá-las ao post para registro.

O maior aprendizado é o valor do nosso networking, redes sociais e comunidades, reais ou virtuais, seus clientes não podem ser anônimos, é preciso gerar experiência e latência, não é só vender. Por exemplo, uma barbearia não pode apenas existir, precisa uma fanpage, um grupo de interesse entre seus clientes, com vínculo, empatia, com informações relevante sobre produtos, serviços, etc.

Cabe, em relação a si mesmo (carreira e emprego), família, empreendimento (empresa ou atuação) e comunidade (grupo social, ONG), reunir-se virtualmente e realizar análises e braisntormings sobre passado (realidade até Março), presente (status atual, contexto e atividades) e futuro (cenários, o que podemos fazer, pró-atividade). Não é possível só aguardar a pandemia passar, cortar custos, precisamos reagir, em cada casa há ideias ocultas para renda, para ajudar familiares e amigos, para colaborar no seu entorno.

Provocação: Cada pessoa que mantém seu salário e emprego pode manter também alguns de seus “fornecedores”, ajudar a sua diarista, o seu barbeiro, através de compras antecipadas ou ajudando com a força de sua rede social, é hora de quem pode mais ajudar quem não teve a mesma sorte nesta crise maluca. Juntos somos mais fortes, porque de nada adianta sair incólume pós-covid em uma sociedade e mercado falidos.

1. Freelancer, direto ou intermediado, qualquer profissional pode avaliar se o que faz pode ser oferecido em aplicativos de frilas ou serviços gerais, conheço alguns sites, é só oferecer ou se cadastrar, mas devem haver outros com certeza:

2. Uma solução muito interessante que surgiu logo no início é vender vouchers antecipados para quando tudo passar, com cupons ou cartões tipo vale-presente, é uma ligar clientes e comunidade a apoiarem para receberem no futuro:

3. Divulgação a baixo custo levando em consideração o que as pessoas estão procurando, quais os termos e região. É possível investir alguns reais e ir refinando a parametrização das campanhas no Google ou Facebook:

4. Crie grupos de interesse, apoio e comunidades entorno de suas ofertas e ideias. Podem ser doações, mas assim como a ideia dos vouchers antecipados, é possível organizar eventos, festas, buscar patrocínio para uma ideia:

5. Se ainda não faz, comece já a gerar networking, inbound marketing, redes, comunidade. Isso, de fato, já era imperativo, mas antes cada um tinha seu tempo … o covid-19 de repente jogou todos no século XXI, a internet, as redes sociais são uma imposição.

  • Redes e conteúdo – Linkedin, instagram, facebook, twitter, tik tok, youtube, medium, wordpress, blogger, Whatsapp, Telegram, …
  • Eventos, Grupos e quadros – Zoom, Skype, whereby, streamyard, Discord, miro, mural, gdrive, canvanizer, sketchboard, xmind, …

6. Gere eventos, eles podem ser o negócio ou através deles divulgue e faça negócios:

7. Venda online, shopping virtual, delivery:

8. Shoppings para artesãos e artesanato, um serviço de ecommerce, o Elo7 por exemplo não tem custo fixo, somente comissionamento pós-vendas, já conheci artesãos que oferecem alguns poucos ítens ou variedade deles:

9. Eu uso o paypal para vários frilas, especialmente quando através de outro país, mas tem outras opções, qualquer um paga no seu usuário e você gerencia o uso ou baixa do valor para sua conta:

10. Criar sites, blogs, lojas virtuais, … é tudo bem simples hoje em dia, com vários players e opções, a seguir alguns bem conhecidos. Há outras, mas quis mostrar alguns que rapidamente sua loja está no ar, mas pesquise antes de assinar:

11. Ferramentas para pesquisa, que podem ser distribuidas por email mkt, utilizando ferramentas para localizar emails de empresas de interesse:

12. Dá uma olhada nestas páginas com listas confiáveis de ONG’s que se empenham em fazer o bem, na página da RISÜ tem um mecanismo sem precedentes para contribuição espontânea e tem até cupons de desconto, na época tem os links de 100 :

Posts recentes com foco em reuniões remotas e quadros/mapas/diagramas virtuais em ferramentas colaborativas que com o covid-19 saíram da periferia para o centro dos debates como meio para aproximar e criar novas soluções:

0

Aprender a mapear experiências (jornadas) é um diferencial essencial

Tudo na vida pode ser visto como histórias, quer seja um produto, serviço, trabalho, família, amigos, etc. Tudo fica mais claro quando visualizamos o passo-a-passo e os enriquecemos com informações, expectativas e percepções, melhor ainda se reunirmos um grupo para isso. Técnica poderosa, em uma retrospectiva para lições apendidas, para a compreensão de negócios ou co-criação de algo disruptivo.

A gênese desta abordagem acompanha a humanidade desde a idade das pedras, quando os grupos humanos passaram a se reunir para contar sua história, crenças, leis, façanhas e temores, inicialmente ao redor do fogo. Storytelling é uma técnica ancestral, pela qual todos nós somos capazes de contar uma história passada, presente ou futura, real ou ficção, onde todos que participam viajam e tornam-se parte dela.

STORYTELLING é mais que uma mera narrativa, mas a arte de contar histórias envolventes, fazendo as pessoas se sentirem realmente parte dela, gerando empatia com seus personagens, para assim transmitir uma mensagem de forma inesquecível.

Uma história bem contada tem o poder de nos transportar a momentos, lugares e dimensões, quando mais facilmente nos colocamos em outro papel e contexto, vendo o mundo pelos olhos de um protagonista. No mundo dos negócios surgiram técnicas para mapear a experiência do cliente, do colaborador, do cidadão, buscando no passo-a-passo de alguém uma relação a uma ideia de negócio, produto ou serviço.

A palavra-chave é Empatia, colocar-se no lugar de outra pessoa, hora para entender como aconteceu, acontece, aconteceria ou acontecerá. O objetivo não é apenas entender a narrativa, mas induzir as pessoas a incorporarem um papel, vivenciar a experiência junto ao protagonista, olhando pelos seus olhos, sentindo o que ele sente. Para isso, podemos contar com diferentes sentidos – visão, audição, tato (motor), etc.

EMPATIA é uma palavra de origem grega, significando a habilidade de entender a necessidade do outro, sentindo o que outra pessoa sente, conseguindo se colocar no lugar dela para ver o mundo pela sua perspectiva e singularidade.

No mundo dos negócios, sempre tivemos técnicas de diagramação, contando com notações formais para desenho de processos, desde fluxogramas a casos de uso e BPMN. A diferença entre BPMN e storytelling é que jogamos fora o formalismo, para que qualquer pessoa ou grupo, juntos possam debater de forma livre e aberta, provavelmente usando quadros brancos ou postits, para desenhar jornadas.

O BPMN é útil para registro formal de processos, treino e regulação, auditorias, automação, mas exige profissionais treinados em sua notação e técnicas, possui ciclos longos de levantamento e desenho devido ao seu rigor técnico. O uso de desenhos informais como jornadas permite que qualquer grupo de profissionais use de criatividade e busque consenso para o melhor desenho frente a seu entendimento e objetivo.

BPMN ou “Business Process Model and Notation” é uma notação para gerenciamento de processos de negócio, prevendo uma centena de ícones padrão, regras e pré-definições no desenho de processos organizacionais, visando treinamento, padronização e auditoria.

Desapegue, use técnicas abertas que geram bons resultados em qualquer contexto, pela assertividade encontrada a partir de poucas regras e muito diálogo, materializando mapas de fluxo, com notação e forma sempre singulares, com informações auto-organizadas, hipóteses, afirmações úteis. As técnicas mais ricas e empáticas possibilitam enriquecimento adaptativo de informações, como em Customer Journey Map e Blueprints.

Jornadas são como filmes com extras, com pontos fortes e fracos, dados sobre atores, valor, evidencias, background, dispositivos, ideação, satisfação, etc. Originalmente são propostos mapas cartesianos, frente a um passo-a-passo da primeira linha, contando com diferentes trilhas de informações adicionais logo abaixo, cada passo acrescendo dados, para que na soma deles possamos compreender o seu real potencial.

Na minha opinião, são conceitos e técnicas fundamentais a qualquer profissional, tanto para quem é de negócios, backoffice, quanto de tecnologia. Ter experiências mapeando blueprint e journeys é uma garantia de vivência na co-criação de empatia e compreensão coletiva sobre a experiência de quem queremos melhor conhecer e atender, desde clientes, colaboradores, cidadãos a perfis mais específicos e singulares.

Dica importante? Só se aprende fazendo, desapegando de eventual Síndrome do Impostor (*), acreditando que este é um trabalho colaborativo e que juntos debateremos o assunto e selecionaremos construtivamente as informações pertinentes ao contexto em direção ao nosso objetivo. Todos os aprendizados, tentativas e erros, desenvolverá em cada um de nós melhor capacidade de empatia e modelagem de experiências.

(*) SÍNDROME DO IMPOSTOR na psicologia é uma linha de pensamento onde a pessoa não consegue aceitar que é capaz, sendo levada a procrastinar ou não fazer, postergando desenvolver-se como profissional, achando que somente os outros é que conseguem.

Eu parto da missão para a escolha das técnicas, sequenciamento e profundidade, antes, durante e depois, conforme o objetivo acordado, segundo o mix de atores envolvidos, o tempo disponível, perfil dos principais protagonistas e das equipes envolvidas. O uso de pesquisa, briefing, técnicas de visão relacionadas a estratégia, negócio, entendendo se partimos de uma ideia, evoluímos um produto ou buscamos oportunidades.

Raramente uso templates como os abaixo, encontrados em qualquer pesquisa no Google, mas acho que engessa o fluxo inquisitivo e criativo, prefiro definir cores para os tipos de informações a medida que afloram. Inicio apresentando as técnicas e depois co-criamos juntos mapas de informações que raramente são quadradinhas e cartesianas, mas sempre representam o tanto de real alinhamento e valor que definimos.

No desenho de jornada é possível visualizarmos o passo-a-passo e as informações e percepções consequentes que auxiliarão na empatia, debate e tomada de decisão colaborativa daquilo que queremos entender e melhorar, enquanto no blueprint temos uma visualização exata de camadas, alçadas e meios envolvidas a cada passo. Em ambos temos a identificação de áreas quentes, propícias a ideação e melhorias.

A cada passo em uma jornada, podemos incrementar uma infinita gama de informações pertinentes, escolhidas (com certa parcimônia) pelo grupo reunido, sempre o mais multidisciplinar possível, usando recursos presenciais ou remotos de modelagem, quer postits físicos ou virtuais, talvez com quadros brancos e paredes, mas também podendo ser com o software Miro ou Mural, sempre da forma mais colaborativa possível.

No exemplo abaixo, debatemos a ideia de negócio no #1, empatizamos com as personas no #2, desenhamos a jornada deles no #3 enriquecida com o máximo de informações a cada passo, contexto e proposta de valor, para no #4 desenharmos a jornada futura e no #5 propôr uma sequência baseada em valor, percebendo-se etapas como MVP’s ou Releases para validações e negócios. O #6 é próximos passos.

A tempo, quando ajudo a montar jornadas e blueprints eles se parecem com a imagem real abaixo (não posso deixar nítida por termo de confidencialidade) no ítem #3 e #4:

O mapeamento de uma jornada e o eriquecimento de informações junto a cada passo é, em hipótese, algo simples e descentralizado, se temos 10 pessoas discutindo uma jornada, o foco é qualquer um dos participantes, em especial se houver um facilitador, ir registrando a discussão através de passos e informações em postits, ao natural as coisas vão se estruturando, sequenciando e fazendo mais sentido.

Um amigo certa vez descreveu uma inception por um prisma muito interessante, nos primeiros passos há um misto de sentimentos, como “o tempo está passando”, “tenho pressa, assim não vai dar”, “já discutimos isso”, “gostaria de pular tudo isso e ir direto ao ponto”, mas é preciso  acreditar na lógica do processo e se engajar para que dê certo, aos poucos as coisas começam a encaixar e as decisões sempre fluem a bom termo.

0

Cada empresa ainda em operação pode mitigar os efeitos econômicos da covid-19

Criar pirâmides do bem hoje é a garantia de um pós-covid menos profundo e mais curto, melhora acada empresa que favorecer os seus e quem está no seu entorno, estes repassarão adiante, garantindo empregos que gerarão a subsistência de milhões. Um exemplo é o manifesto NãoDemita, que garante milhões de empregos até o final de Maio, estes salários são o primeiro elo de uma corrente do bem, uma pirâmide, que beneficia milhões de famílias e seus compromissos, que não serão sustados, que assim garantem milhões de outros compromissos e além.

Todos perderão se no futuro tivermos milhares de empresas falidas, milhões de profissionais desempregados, tecido social tenso e desestruturado. Se as empresas que podem, dedicarem alguma energia ao seu ecossistema, estarão garantindo um mercado mais forte e sustentável pós-covid. Cada uma delas pode desenvolver uma pirâmide do bem, mantendo, equacionando, contingencializando, usando de criatividade e responsabilidade para manter minimamente ativo o mercado no seu entorno, um mínimo possível e necessário.

Exemplo, a DBServer aderiu ao manifesto, são 600 famílias que poderão manter o valor pago sem execução da diarista, da creche do filho que está fechada, cabeleireiro, academia e faculdade. Porque seria pouco ético neste momento ser privilegiado na manutenção de seu emprego e salário e ao mesmo tempo não manter seus compromissos, que manterão os seus e assim por diante. Uma só empresa como a DB está criando uma pirâmide de resistência verdadeira para o pós-covid-19, são 600 famílias diretas, mais milhares indiretas … uma corrente do bem!

Não é fácil, mas em meio a uma crise destas proporções é preciso deixar um pouco de lado a lei da selva, ou a lei de mercado se preferir chamar assim, porque inexiste sucesso para alguém se todo o seu ecossistema estiver metido em uma crise épica . Inexiste mercado somente com oferta, o mercado depende de oferta e demanda, lembrando que demanda sem recursos não resolve mercado algum, é preciso que este mesmo mercado tenha recursos para comprar produtos e serviços, senão é como um jogo de dominó, um empurrando o outro para baixo.

Com ideação e co-criação de alternativas viáveis e contingências, pode mudar a visão que muitas empresas tem do mercado e de si mesmas, que poderão lembrar Dee Hock, fundador e presidente emérito da VISA Internacional em “Birth of the chaordic age” ao desafiar o status quo do dinheiro-papel e bancos para a criação do cartão de crédito. Poderá lembrar também a Economia Donut de Kate Raworth, em busca de um equilíbrio sustentável entre TODOS os cidadãos e seu ecossistema, político, social, econômico e ecológico.

Para isso, algumas empresas estão em posição de gerar novas pirâmides do bem:

exemplo 1: Super-mercados com certeza estão com atribulações, mas milhares de famílias que comiam fora estão fazendo grandes ranchos para cozinhar em casa e manter o distanciamento social. São candidatos ao topo de grandes pirâmides do bem neste momento, funcionários, parceiros, fornecedores e, mais que importante, em apoio a lojas menores do seu entorno que poderiam usar os supermercados para reduzir seu estoque. Qualquer lojinha poderia dispor ítens em consignação, negociando diretamente com o gerente da unidade, que teria uma boa quota ou verba para fazê-lo com autonomia. Atenção a ítens perecíveis, uma solução para os pequenos não acabarem jogando muita coisa fora;

exemplo 2: Redes de farmácias, com certeza as pessoas continuam comprando remédios, talvez tenham reduzido cosméticos, mas com certeza não são o segmento mais afetado pela crise, estão abertos e com criatividade podem ser grandes pontos de resistência e disseminação de boas ideias e soluções, empreendendo em rede, focado no seu entorno, como revendendo máscaras de tecido por exemplo, jalecos, tocas de pano, talvez consignados, ajudando também pessoas que possuem algum estoque e vendiam porta-em-porta ítens de beleza e cosméticos conhecidos. A ideia é contribuir para que mais pessoas possam contribuir em sequência, em pirâmide;

exemplo 3: Postos de combustível tem um grande potencial de distribuição tipo drive-thru, que geraria um mínimo contato para distribuição de itens, poderia até mesmo criar um modelo em que as pessoas pedem pela internet ou telefone e agendam um dia e hora para recolher no posto mais próximo de sua casa. Iniciativas poderiam ter raios de 500 metros aos postos, de forma que pequenos mercadinhos e comércio montasse as sacolas os kits e deixasse estocado em um posto, que entregaria em formato drive-thrue;

exemplo 4: E se condomínios com mais de N apartamentos tivessem grandes armários de auto-atendimento, com pequeno estoque variado e diversificado de ítens dos mercadinhos e lojinhas ao redor, onde os moradores poderiam ir ao térreo, pegar os ítens e pagar através de um aplicativo, há dezenas deles disponíveis, basta um QRCode na porta do armário que remeta ao PagSeguro, PayPal, etc … O risco seria menor em condomínios com portaria e segurança 24H, ainda mais se o armário tivesse uma câmera, etc. Isso já existe em coworkings e empresas.

exemplo 5, 6, 7, 8, 9, … Basta reunir virtualmente algumas pessoas, que com certeza surgirão dezenas de boas ideias …

Nestas horas é impossível não lembrar das famosas hélices – governo, academia, empresas e população – e de que forma unem-se para criar ou neste caso gerenciar uma crise que é de todos, pois todos se beneficiam de um ecossistema o mais forte possível.

0

Apenas reduzir despesas não nos safa dos desdobramentos da covid-19

Primeiro de alguns posts com reflexões práticas para encarar de frente a crise ao invés de enfiar a cabeça em um buraco feito avestruzes, começando por uma sistematização do processo de auto-conhecimento, cenários prospectivos, co-criação e experimentação:

Muitos só fazem contas, já na primeira semana iniciaram demissões e reduções de estrutura, como se fosse cada um por si, como se estivessem em um filme de náufragos, em um bote salva-vidas no meio do Atlântico, se limitando a racionar a água e comida.

Assim, negam o óbvio, PJ e PF fazem parte de um ecossistema e se cada um apenas pensar em sobreviver, o conjunto ficará cada vez mais frágil, fraco e quebradiço, gerando uma espiral descendente, um ciclo vicioso. Sem ser piegas, juntos somos mais fortes, PJ + PF.

Aprendendo com Matsushita

Reza a lenda que Matsushita, guru da gestão nos anos 20, ao enfrentar guerras e pós-guerras, reunia seus colaboradores e os instigava a fazerem todos o necessário para superarem a crise, certo de que ela passaria e ao final estariam juntos e fortes. Neste caso, se permitia a reinvenção, pelo tempo necessário, de papéis, produtos, serviços e processos.

Na prática, ele sabia que o sucesso que o trouxera até a próxima crise pouco valeria e, para não demitir ou falir, se permitia mudar, fomentando a auto-organização, mantendo todos focados na superação, deixando que os seus profissionais fossem as ruas, repensando a si mesmos, ideias, produtos, serviços, venda, marketing, produção, o que fosse necessário.

Gestão de crise – É hora de aplicar tudo o que sabemos

Até Fevereiro de 2020, usávamos desig thinking, lean startup, art of hosting, metodologias ágeis, para novos e melhores negócios, inovação, empreendedorismo, na busca por transformar-se no próximo unicórnio brasileiro. Em meio a esta crise é preciso compreender o ecossistema, ressignificar, pelo menos temporariamente, nosso propósito, negócios e portfólio.

Esta crise não vai passar em semanas, mas em meses e seus efeitos perdurarão por muito tempo, é preciso tomar consciência coletiva e gerar novos pactos, mitigar o dano no curto, médio e longo prazos. É a hora de usar toda nossa ambidestria no famoso modelo de três horizontes da McKinsey ou perderemos muito demais.

Chame seu pessoal em grupos ou todos juntos, use vídeo-chamada se possível, mas também tem whats, grupos no msg, salas virtuais, telefone e considere convidar também alguma(s) pessoa(s) acostumadas com facilitação de reuniões com foco em inovação e empreendedorismo, que dominem técnicas e ferramentas colaborativas.

1° passo – Estabeleça um só propósito coletivo

Reúna virtualmente seu pessoal, seja um líder, unifiquem um só propósito estabelecido, se reinventar para superar esta crise, desafie todos a se auto-organizarem. De forma criativa e empreendedora, incentive grupos de design sobre iniciativas de contorno e mitigação da crise, todos unidos em um único objetivo comum.

“A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante.” – Sun Tzu foi um general, estrategista e filósofo chinês, escreveu A Arte da Guerra, composto por 13 capítulos de estratégias militares.

A priori, agora a missão é passarmos por esta crise e mantermos uma estrutura coesa de forma a que no pós-crise estejamos fortes o suficiente para imediatamente retomarmos a vida … talvez voltar ao que era, talvez melhores, talvez no mesmo segmento e negócio, talvez em outro, mas hoje o objetivo é nos mantermos firmes durante a tempestade.

2° passo – Qual é o 5w2h de nós mesmos?

Inicie alinhando e discutindo quem e o que somos, em um sentido amplo, recursos, do estoque a material, do maquinário e ferramental a expertise, conhecimentos, redes e soft-skills. Precisamos compreender tudo o que temos a nossa disposição, interna e externamente, tão importante quanto nossos recurso e conhecimentos, são parceiros e networking.

Importante – Estamos mapeando tudo o que temos e somos, por isso, é preciso estarmos abertos a TUDO e todos, não tem porque nos limitar à pessoa jurídica, mas a tudo o que sabemos ou supomos como opções, aqui cabe buscar explicitar tudo o que todos podem contribuir ou dispor, aquilo que talvez individualmente não tenha valor, mas em sinergia ganhe força e potencial.

3° passo – Cenários prospectivos e brainstorming

Proponha um debate e ideação a partir do passo 1 e 2, desafie a todos pesquisarem e idearem alternativas baseadas em cadeia de valor, usando todo e qualquer recurso disponível, o desafio é mantermos a estrutura e equipes, se possível agregando valor a todo o ecossistema. NÃo se limitando a produtos e serviços que já praticávamos, mas usando de criatividade a partir do que temos para o que podemos ser neste momento.

Mais que gemba (onde as coisas acontecem), é energizar e potencializar iniciativas que surgirão da soma de competências e vivências de cada grupo, assim surgirão ideias e oportunidades que hierarquicamente demorariam ou jamais surgiriam. Como as habilidades de cada um pode usar o maquinário de outra forma, aproveitar o material para outro fim, gerar conexões e oportunidades inusitadas.

Pipocam inovação por todo lado, vendas de vouchers antecipados de serviços para depois que a covid-19 passar, vendas online, entregas em casa, novos produtos, máscaras de pano, quiosques com auto-atendimento com itens de conveniência dentro de condomínios, … com criatividade e união a solução está nas nossas mãos!

Você já ouviu falar em coopetição, provavelmente todos ou a maioria de seu segmento estão sofrendo com o covid-19 e nestas condições é possível que se houver uma pacto entre concorrentes para redução de custos e melhores resultados. É possível que algumas das soluções seja propôr acordos e parcerias, mesmo com seus concorrentes de quadra ou bairro, reduzindo os custos e aumentando a força de atuação.

4° passo – I4A (Ideas for action) – PDCL

A partir do banco de ideias formado de forma quase anárquica, decisões precisam ser tomadas, mas urge ação, o controle de outrora precisa agora celeridade, experimentação, porque algo feito é melhor que perfeito, para tanto é preciso delegar baseado na confiança do senso comum de suas pessoas, por área, equipe, liderança, e estabelecer ciclos iterativos e fluxos de informação e reação mais que comando-controle.

Se a ideação e proposição são quase anárquicas, o plano de ação, validação, persistência ou abandono deve ser racional, porque eles usarão recursos, depositarão esperanças de mitigação, contorno, engajamento em nosso propósito comum de superar a crise e o vírus. Em ciclos diários ou semanais é preciso validar, discutir e reavaliar para tomar decisões de go-no go, mudanças, adaptação … seguir em frente.

Com certeza vai passar, e depois?

Nesta gestão de crise, os passos de 1 a 4 geram um ciclo virtuoso, erros e acertos, iterativo-incrementais, cada empresa ou grupo contribuindo para que enquanto comunidade (noções abstratas comuns a diversos indivíduos) e sociedade (agrupamento que convive em estado gregário e em colaboração mútua) estejamos o mais fortes, preparados para o pós-crise.

Matsushita no livro “Not for bread alone! A business Ethos, a Management Ethic”, alude à responsabilidade do empresário não ser só ganhar dinheiro, mas à sua responsabilidade social. Ethos na sociologia é a síntese dos costumes de um povo, caráter em coletividade, Ethic na filosofia investiga os princípios que motivam o comportamento e valores presentes em certa realidade social.

De alguma forma, fora da gestão de crise imediata, retomaremos a vida, levando todos os aprendizados e oportunidades alavancadas durante ela, algumas empresas simplesmente recomeçarão, reativarão seu portfólio, enquanto outras os terão mantido ou reinventado, reinvenção esta que poderá ser revertida em novas forças e oportunidades.

0

Carreira – The six “coffees” of separation

No final da minha aula semana passada, fiquei em sala até bem mais tarde conversando com um aluno que está na busca do que ele de fato quer fazer, qual carreira seguir – data science, desenvolvimento de software web, mobile, … Falamos é claro sobre papéis, cargos, funções, emprego, mas principalmente que a resposta a essa pergunta não está nos livros, mas na vida real lá fora.

Falamos sobre networking e como ativá-lo, citei alguns exemplos de bruxos nas áreas de conhecimento que ele citava, quase todos atuando em empresas a curta distância de onde estávamos conversando naquele momento, no 32 da PUCRS. Acredito na tese de Milgram, que encontramos qualquer pessoa a no máximo seis “cafés” ou hangouts de distância (*).

(*) The six degrees of separation, estudo científico dos anos 60 do psicólogo Stanley Milgram, ele confirmou que com até seis cartas é possível conectar duas pessoas quaisquer no mundo. O experimento enviava a pessoas uma carta com um destinatário, se o conhecessem deveriam reenviar a ele, se não o conhecesse deveria mandar a alguém de suas relações que talvez o conhecesse, gerando uma sequência de no máximo seis pessoas. Em estudo mais recentes, usando redes sociais, Facebook e Yahoo provaram que a taxa de separação entre duas pessoas quaisquer caiu para 3 a 5 pessoas.

Existem muitas ferramentas para ajudar a modelar e planejar nossas carreiras, mas a maioria delas pressupõem que já temos um mínimo de convicção do que queremos fazer, com o que queremos trabalhar. Sem isso, é preciso iniciar pelo começo, pesquisar, entrevistar, conversar, mapear e conhecer melhor diferentes empresas, áreas e profissionais que atuem nos diferentes papéis que atraem nossa atenção.

Como no duplo diamante do Design Thinking, iniciando por pesquisa, entrevistas, consultas, gerando um mix de opções de carreira, então selecione um por vez, iniciando pelo mais promissor, entender suas características, hard e soft skills, mercado, empresas, valores, até escolher um deles. Então, vivenciar, crescer, consolidar ou pivotar, mudar se preciso ou desejado.

“Café” é a melhor estratégia  🙂

REDE – Se sair da inércia é o primeiro passo, então o segundo é marcar um Hangout, é usar a teoria de Milgram a nosso favor, se Data Science é uma possibilidades, é agendar alguns contatos com profissionais envolvidos em ciência de dados, BI, data warehouse, people analytics, data lake. Se não os conhece, acione quem conhece e peça ajuda, triangule, conheça melhor sua rotina, skills, etc.

PERSONAS – A medida que vamos tomando cafés (também pode ser um suco, biscoitinhos, smoothies, almoços, visitas ao trabalho, etc), vamos conhecendo o melhor possível empresas e suas diferentes oportunidades, função, cargos, profissão, vagas relacionadas. É possível manter tudo isso na memória, mas sugiro ir montando um mapa conceitual do networking e mapas de personas sobre cada uma destas opções.

EMPRESAS – Além de um mapa de possíveis colocações e atuações, importante já ir montando uma matriz ou mapa mental com as informações sobre as empresas. Times, profissionais, tecnologia, contratações, valores, pontos fortes e fracos, opiniões, tudo o que lhe auxiliar a ir estruturando suas escolhas e plano de ação.

Pouco tempo ao tempo Com toda certeza, deve ser um plano adaptativo, iterativo-incremental, cada passo deste processo deve demorar dias, o objetivo neste caso é ir validando e avançando. Nada é definitivo, então faça acontecer, não sente encima porque não é um ovo, tenha objetivos de curto prazo, o mais importante é dar um passo após o outro em alguma direção.

É importante ter em mente que para chegar a ser um profissional cobiçado, provavelmente obterá antes um estágio, um nível júnior inicial, aprendendo e crescendo, como na alegoria dos três horizontes da McKinsey. Pensar os primeiros passos é mais importante que a dúvida natural sobre o tamanho da fatia de tempo prevista, que é relativa conforme a pessoa, área, papel e desafio.

ODYSSEY – Tenho uma releitura do Odyssey Plan do Evans e Burnett, o sequenciamento só diz respeito a ordenação, não a fatias de tempo, podem ser semanas, meses até anos. O importante é que a partir do primeiro café, já é possível começar o mapa de rede, personas e empresas, logo, também começar a pensar no seu Odyssey.

Feito o Odyssey, por favor, faça um quadro físico com postits ou um virtual no Trello, garanta que seu cérebro irá se indignar se os cards não andarem e o tempo sim. Um quadro kanban é a garantia de auto-gestão, um antídoto à procrastinação … por isso, prefiro quadros físicos, na geladeira, na porta do roupeiro, porque ele nos alerta a cada dia se as coisas estão andando ou estamos rolando com a barriga.

0

Entrevista para o programa Mundo VUCA

Falamos sobre paradigmas e pragmatismos, disrupção e status quo, sobre teorias e modelos, porque se o Mundo é VUCA, como fazer para surfar nessa onda? É óbvio que não tem receita de bolo, mas tem muitas dicas legais de ingredientes, gestão do conhecimento, parceiros de viagem e sobretudo autoconhecimento, autodiagnóstico e mãos a obra, experimentando, tentando e aprendendo a cada tentativa.

Conheci o Alexandre Ascal e o Ramon Peres Luis da I2DH em um dos meus workshops Toolbox 360° há um ano atras, como o universo conspira e é 100% VUCA, quis o destino que descobríssemos amigos em comum e que acabaríamos no Living 360° juntos gravando um programa sobre empresas e profissionais do século XXI para o programa Mundo VUCA da Esteio News OnLine, onde são âncora, produção, direção e câmera.

Grato pela oportunidade!

Alexandre Ascal – https://www.linkedin.com/in/alexandre-ascal-de-melo-05230921/

Ramon Luis – https://www.linkedin.com/in/ramon-luiz-486473195/