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Agile Bi-Modal e o planejamento de projetos

O agilista que mais admiro e sigo é o Paulo Caroli, guru da Thoughtworks, referência ágil mundial desde o planejamento até a retrospectiva.

Em 2011 participei de um evento em que ele facilitou uma técnica de Inception para um site de CoP – elevator, objetivos, personas, jornadas, histórias, US mapping com valor x cronologia – sprints e releases.

Anos depois ele lançou a Inception Enxuta, sua técnica Direto ao Ponto surpreende pela habilidade em planejar em nível zero – elevator, objetivos, personas, features, MVPs em ondas (sequenciamento) e canvas.

Genial as duas, extremamente simples, racionais e objetivas ao que se propõem, pessoalmente acabei optando por deixar as duas na minha toolbox, as vezes uso uma, outras vezes a outra.

Fazer certo a coisa certa

Mais importante que a inception, é o trabalho prévio para enquadramento, direcionando ou não business cases, concepção estratégica, bases para que uma inception se beneficie de tudo o que já sabemos – mapas, jornadas, processos, benchmark, mapa de funcionalidades, etc.

Quando iniciamos um projeto do modo 1 como se fosse modo 2, este é o primeiro e maior desperdício, ele se propagará por meses, desconsiderando tudo o que já se sabe apenas para tentar enquadrá-lo como modo 2.

Modo #1 – Projetos com escopo de negócio claros

Participo de dezenas de projetos a cada ano, para os grandes clientes da DBserver, novos produtos tanto quanto evolutivas e pacotes de corretivas. A maioria deles temos um escopo de negócio claro, há variadas alterações durante seu curso, mas um Release Plan claro em sprints e histórias permitem amplitude de conhecimento, registro permanente de mudanças e aprendizado intenso, como por exemplo:

Um sistema de acompanhamento jurídico, com cadastro de escritórios, advogados, causas pró e contra, agenda de datas legais e de trabalho, integração com o TJ e etc. Um projeto executado em alguns meses com uma equipe enxuta, com alterações muito a nível de DoR, pois o briefing e brainstorming durante a Inception, somado ao budget e schedule, proporcionaram um projeto focado e estável em alto nível.

Um sistema de qualidade relacionado a exportação, focado na comunicação de ocorrências por clientes de outros países, gerando registro em uma base de dados, negociação, desde a abertura até o encerramento de cada caso, contando com fotos, relatos e laudos. O briefing, maturidade da equipe, budget e schedule deste também proporcionou um projeto focado e estável em alto nível.

Também soluções corporativas como de serviços adicionais, seguros ou franquias, é claro que há mudanças, mas termos uma ou duas dezenas de sprints desenhadas só trazem senso de pertença, apropriação de conceitos de negócio, principalmente nos dá visão clara de mudanças, impactos, compromisso com entrega, em contextos que valoriza-se o negócio tanto quanto há conhecimento abrangente sobre ele.

Modo #2 – Projetos com escopo de negócio variável

São em bem menor número, na maioria dos casos envolvem eventos prévios de concepção ou mesmo sprint designs, não há uma clara visão da melhor solução ou da melhor forma para executá-las, na maior parte das vezes há um objetivo de entender o primeiro passo, o mínimo produto viável, contando com algumas prints para durante esta trajetória escolher o próximo passo, fruto de construção e validações.

O case mais vivo na minha memória foi em uma solução de atendimento ao cliente com acompanhamento jurídico, de início planejamos alguns sprints, houveram muitas mudanças e aos poucos estabeleceu-se um planejamento de altíssimo nível sem sequer usar de estimativas, apenas conversávamos e a equipe estabelecia com o PO e stakeholders por onde ir e a medida que seguíamos em frente ajustava-se o backlog.

Outro case foi uma solução de apoio a gerentes de contas ou de negócios, onde de início estabeleceu-se a percepção de que não sabíamos para onde seguir e durante algumas semanas foram trabalhadas reuniões de concepção junto a diferentes personas, validando-as em mocks até que a melhor solução ficou estabelecida, completamente diferente da proposta inicial.

Fui Agile Coach por vários meses em uma aceleradora, a cada sexta-feira planejávamos os próximos passos para algumas semanas, sendo que na sexta seguinte tudo poderia mudar. Lean Startup na veia, permanentemente checando ideias, pressupostos, validando, programando algo, validando, tudo de novo, validando, … Várias startups, com nenhuma tínhamos planos maiores que algumas semanas em Kanban.

A seguir minha reinterpretação sobre a TI Bi-Modal do Gartner, ambos os modos ágeis:

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Mais Agile Bi-Modal

Mais um pouco, para que fique claro, eu acredito que projetos em que a probabilidade é não ser tipo #2, vale a pena e faço um planejamento em que todos participam e colaboram em um entendimento amplo de suas fases, épicos e/ou histórias, estimativas e sprints. Fazer o que, talvez eu seja um romântico saudosista e não consiga desapegar das Inceptions com User Story Mappings e Releases Plans.

Voltando a questão do modo 1 e modo 2, quando vamos planejar o primeiro MVP de um projeto de inovação, vamos de Design Sprint e mãos a obra, sabemos que precisamos de quatro rodinhas e uma prancha, parafusos e porcas. O futuro só saberemos a cada validação, usualmente o que queremos saber é quanto vai demorar e custar para fazer o primeiro passo para validar e seguir adiante, com ou sem pivots.

Mas se o projeto é de um carro, eu proponho alguns dias no processo de debate e mapeamento amplo de releases com suas sprints e histórias. O primeiro é o banco e a direção, o segundo tem o painel analógico contendo velocímetro, tanque, temperatura e contagiro, no terceiro incluiremos o chassi, rodas e tanque, no quarto o motor, no quinto a carenagem, no décimo-sexto o ar condicionado e rádio. Abstrair o conhecido da margem para múltiplas interpretações, na dúvida estabelecemos acordos e premissas … e seguimos adiante.

No modo 1, discutirmos histórias com foco em coletivo e senso de pertença, é garantir que todos sabem onde estão metidos, já facilitei dezenas, talvez uma centena para organizações – jurídico, RH, exportação, cartões, caixa, gestão, cobrança, atendimento, … – creio que o percentual de mudança de histórias fica entre 10% e alguns 20%. Há movimentação ou o DoR acaba demonstrando ser mais ou menos. No modo 2 é Lean Startup, o planejamento nunca é maior que algumas semanas, quase a cada dia ou semanalmente há debates e tomadas de decisão.

Com o passar do tempo nosso Release Plan muda, algumas coisas se antecipam, outras se postergam, algumas entram e outras saem. O Planejamento é um guia, fica registrado em selos nos postits o que mudou, cores, novidades, eu até valorizo isso, mas o mais importante é uma visão holística por todos, nada é só o hoje, porque o desafio do tempo, custo e escopo de negócio é de todos. Sem uma visão ampla o suficiente, o time não poderá criar uma visão ampla e colaborar a cada passo.

Na maior parte das vezes, pouco muda, mesmo mudando é interessante termos esta visão … na maior parte das vezes seremos cobrados pela produtividade, por exemplo eu acredito que a solução mockada é um artifício estratégico, cada mock e cada contorno tem um custo adicional, da mesma forma cada desenvolvimento que terá fase II e III, é preciso ter conhecimento e visão do todo para realmente poder ter argumentos, contra-argumentos e efetividade, redução de custo e tempo também é nossa meta … um ponto de equilíbrio.

A média dos projetos tem poucos meses de duração, de 4 a 8 meses, as vezes é o todo, muitas vezes é parte de um programa de 3 a 5 fases, etapas ou módulos, mas há um bom tanto, creio que algo em torno de 20% que são projetos que o sponsor quer planejamento com orçamento, entregas e escopo de negócio. O Definition Of Ready entrará no detalhe, mas temos um Norte muito claro, definindo se o banco é de couro ou veludo, se o tanque será de 40 ou 60 litros, se não estava previsto mas o negócio precisa de uma central multimídia, etc.

MODO 1

Em projetos do modo 1 eu recomendo levar para o planejamento tudo o que tivermos, tomar um dia demonstrando como o mercado resolve é na maioria das vezes mais que influenciar (há quem ache isso), não sendo disruptivo e o primeiro de sua espécie, é responsabilidade saber o que os players existentes fazem, o que é bom e o que é ruim, partir de um desenho de processo, são aceleradores, começar com uma parede em branco e muito debate e criatividade é abrir mão de tudo o que o mercado já sabe, é reinventar a roda.

15 sprints – 8 meses – quatro MVP e releases – 2 sprint de buffer a confirmar no 05 e 10

21 sprints – 11 meses – dois MVP e mais 7 releases incrementais

10 sprints – 5 meses – três MVP e release – 5 equipes – Uruguay, BH e POA – core, BPM, web, serviços

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Agile Bi-Modal

Não é um post sobre a TI Bi-Modal do Gartner, é uma reflexão sobre agilistas que tentam planejar e executar projetos conhecidos como se fossem inovação, disrupção, negando o que já sabem para poder encaixar no Lean Startup, MVP e Pivots, mas nem todo planejamento é inovação. Nestes muitos casos, fazem um planejamento sem benchmark ou mapa de funcionalidades, porque é mais “ágil” não fazer, é mais chique e divertido fazer o patinete, mas tratar como disrupção algo conhecido é desperdício, gera custo, mesmo sendo muito Up!

A maioria dos projetos que participo possuem mínima variação na sua essência, o que muda é no timing de cada DoR, desde o início do projeto temos as histórias do usuário, que eventualmente são antecipadas ou postergadas. Na maior parte dos projetos, não fazemos patins ou bikes, trabalhamos para fazer um sedan desde o primeiro sprint. Não sabemos se o banco vai ser de couro ou tecido, mas vai ter os bancos, sabemos que teremos quatro rodas, pode ser que surja uma central multimídia imprevista, mas daí sai o rádio e diminuem o número de falantes …

Existe a TI Bi-Modal do Gartner, propondo projetos mais tradicionais (modo 1) e ágeis (modo 2), onde teríamos no 1 gestão convencional e cascata, enquanto no 2 deveríamos ir mais para a auto-organização e ciclos iterativo-incrementais. Mas, a TI Bi-Modal do Gartner deve evoluir para Agile Bi-Modal. Modo 1 e 2 são ágeis, o 1 em contexto mais conhecido, no 2 algo desconhecido, disruptivo, imprevisível.

AGILE BI-MODAL

Se por um lado tem amantes do Modo 1 da antiga TI Bi-Modal, por outro há muitos agilistas que tudo é Lean Startup, repetindo mantras do Ash Maurya como se eles tivessem sido feitos para sistemas conhecidos, passíveis de serem planejados e executados. Muitas vezes, fazer um planejamento de 18 sprints de algo previsível é oportunidade de gerar um conhecimento coletivo que balizará muitas decisões da qui em diante.

Agile Bi-Modal

No Modo 1 da Agile Bi-Modal tem amplitude e entendimento, tem histórias do usuário e técnicas, planejáveis, cada sprint considerando entregas de valor com senso de urgência e prioridade. No Modo 2 do Agile Bi-Modal temos inovação, dinamismo, é o patinete, depois a bicicleta, para chegar no que parecia ser um carro, quadriciclo ou um ????? após n MVP e pivots.

Na prática, repensando a TI Bi-Modal do Gartner, inexiste o Modo 1 lá proposto, ele é uma barreira a décadas de evolução em gestão de projetos, dizer que é possível ter uma opção em waterfall, hierarquica com ciclos de vários meses é um contra-senso.

Modo 1 – Desafio conhecido na sua essência

É preciso evoluir o Modo 1, minha visão é que o “antigo” Modo 2 do Gartner é o Modo 1 do Agile Bi-Modal, são projetos com ciclos iterativo-incrementais-articulados, centrados no negócio, próximos do cliente, evolutivo, usando métodos ágeis.

A tônica é conhecimento, saber o que usamos hoje, concorrentes, opções, benchmarking, mapas comparativos entre soluções atuais, customer journey map buscando entender pontos quentes, com melhorias necessárias ou desejáveis.

Se o que vou fazer, mesmo em um projeto com um ano de duração com múltiplos releases, tem um escopo geral conhecido, com uma taxa de variação mínima a nível de planejamento de releases, porque não antevê-lo, planejá-lo?

Pode se tratar de lei, compliance, mudanças de tecnologia, troca de fornecedores e serviços, funcionalidades mínimas previstas e deadline, projetos com escopo exigido. Dedicar um dia a cada seis meses para todos olharem para o todo e suas partes é benéfico e produtivo.

Modo 2 – Desafio desconhecido, inovador, disruptivo

Se o Modo 2 da TI Bi-Modal do Gartner virou Modo 1 no Agile Bi-Modal, é porque o Modo 2 é um passo adiante, imprevisto pela consultoria em sua proposta conservadora. É preciso ser mais Lean Startup, voltado a projetos mais inovadores, desconhecidos, incertos.

Inovação, ideação, pesquisa desk e de campo, se eu não sei bem o que é, não vamos tentar planejar muita coisa, apenas o primeiro passo a partir de onde estamos, cada passo poderá vir a ser mais um primeiro passo.

É para ser mais Lean, mais Kanban, menos planos, releases, sprints ou histórias, pois quase não existem certezas, temos muitas hipóteses a serem validadas, base instável exigida para o uso intensivo de MVPs e Pivots.

Neste caso faz sentido evitar prever mais que um primeiro passo, porque o segundo pode ser completamente diferente do que inicialmente imaginamos. Façamos então o patinete para validar se é por aí, experimentar movimento, velocidade, para então seguir adiante conforme forem os feedbacks e confirmações de que o problema percebido realmente é um problema, se a solução imaginada realmente é relevante.

 

 

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MVP Blog Toolbox 360° com mais de 100 dicas e boas práticas

O MVP de um novo blog, na forma de um mural de boas práticas, desde estratégia, inovação, modelagem, validação, planejamento, execução e aprendizado. Inicia já com mais de 100 técnicas e boas práticas, as 70 do livro Toolbox 360°, mais tudo que postei desde seu lançamento em 2016.

Tem muito trabalho pela frente, incluir o maior número de links complementares a partir de cada post, propôr roteiros, fazer esse guia rápido contar com dicas de sequenciamento, o primeiro passo está dado – https://toolbox360graus.wordpress.com/ … e todos estão convidados a comentar, sugerir, criticar, etc.

Já tem um índice, mas tudo ainda é MVP, sem muitas pretensões além de validar o interesse e adesão pela galera que se interessa por técnicas e boas práticas. Boa navegada a quem se interessar, comenta depois como foi a experiência e o que mais gostaria de ter ali em conteúdo ou estrutura.

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Noite de formatura – SI, CC e EC – prédio 40, PUCRS

Para registro histórico, compartilho as fotos e dados relativos a mais uma noite de formatura dos estudantes de Sistemas de Informação, Ciências da Computação e Engenharia da Computação. Mais uma vez, é um privilégio poder estar perto e presente quando do encerramento de um ciclo de formação acadêmica que exigiu pelo menos 4 anos de muita dedicação.

Vou fechar três anos desde a conclusão do meu mestrado e o convite para ser professor desta que é uma das melhores universidades da América Latina. Nada mais justo que registrar aqui no blog, neste ínterim tive o privilégio de ser patrono de uma turma do SENAC de Análise de Sistemas, paraninfo de uma turma de SI da PUCRS e este ano como professor homenageado.

A maioria destes bacharéis já trabalham há algum tempo como desenvolvedores, testadores, em suporte ou sustentação de startups, pequenas, médias ou grandes empresas, muitos deles ali mesmo no TecnoPUC. A formatura abre novos horizontes, os libera para novos voos, a possibilidade de aperfeiçoarem-se com outros cursos, viagens, mestrado, pesquisa, o céu é o limite.

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Organizações Exponenciais (ExOs)

O livro Organizações Exponenciais, escrito por Salim Ismail, Michael Malone e Yuri van Geest, apresenta o conceito de estruturas organizacionais percebidas por empresas não lineares, não matriciais, mais leves e em condições de crescer exponencialmente.

Não existem verdades absolutas nos negócios, se inovação é fazer diferente, fazer diferente pode ser sempre diferente, mas é premissa a cada um de nós conhecermos teorias e práticas, nossa Toolbox não é física, também é intelectual, em conhecimento e informação.

As empresas criadas a partir da revolução industrial, durante todo o século XX, foram construídas sob o paradigma da propriedade, do segredo industrial, do controle máximo sobre processos, recursos, ferramental e pessoas.

A quase totalidade ainda hoje dependem de modelos de negócio lineares, para vender mais é preciso crescer fisicamente, com mais unidades, mais pessoas, proporcional ao esforço de aumento de receita, o aumento de custos, muitas vezes inviabilizando o seu crescimento.

Os casos que estão na ponta da língua são os mais diversos, mas o airBnB cresce exponencialmente com ativos que não são dele, assim como o Uber não possui carros nem motoristas, ambos se utilizam de uma rede aberta, usando intensivamente tecnologia como elo de ligação.

Mas podemos falar de empresas que conseguiram crescer com prestação de serviço abertos, em offshore, home office, open source, software livre, temos plataformas de hardware e software que crescem exponencialmente, muitas vezes via voluntariado, onde todos ganham.

ExOs são modelos Dual Operating System (Kotter), com estrutura mínima de apoio, próprias ou terceirizadas, para substrato a uma crescente estrutura em rede, abertas, baseada em tipos de “parcerias” e não “propriedade”.

Não quer dizer que as empresas lineares deixarão de existir, sempre haverá espaço, mas é preciso que todas elas estejam cientes destes novos paradigmas, evitando como a Kodak e Nokia usar tacapes e pedras em um mercado digital, global e integrado.

A tecnologia e a competição aberta e globalizada quebraram velhos paradigmas da revolução industrial, já temos empresas e mercados exponenciais, paradoxalmente a escassez local e concentrada de muitos insumos vem acompanhado de abundância global, ampliada.

A 99 foi a primeira unicórnio brasileira, uma empresa que utiliza tecnologia e crescimento exponencial, enxuta e suficiente em seus custos enquanto cresce consistentemente em receita … oferecendo serviços de interesse das pessoas que o consomem.

Uma ExO começa definindo seu propósito, que a priori deve ser massivo e transformacional, se queremos crescer exponencialmente é preciso que nossa missão atinja e conquiste exponencialmente um número cada vez maior de aficcionados, clientes apaixonados que usarão seu produto ou serviço e recomendarão em suas redes positivamente:

TED: “Ideias que merecem ser espalhadas”;
Google: “Organizar a informação do mundo”;
Singularity University: “Impactar positivamente um bilhão de pessoas”;
Facebook: “Dar às pessoas o poder de construir uma comunidade e aproximar o mundo”;
GoPro: “Ajudar as pessoas a capturar e compartilhar suas experiências mais significativas”;
Uber: “Utilizar a tecnologia para dar acesso a transporte confiável para todas as pessoas, em todos os lugares”;
AirBnB: “criar um mundo onde as pessoas podem se sentir em casa quando viajam ao entrar em contato com culturas locais e participar de experiência de viagem únicas”.

O mundo tornou-se exponencial, não só a tecnologia, a globalização, conectividade, densidade populacional e mercado, o volume e a velocidade da informação, tudo isso e muito mais não só em seus aspectos positivos, mas também negativos. O século XXI exige soluções exponenciais para problemas e oportunidades de igual taxa de crescimento.

Como disse Zygmunt Bauman, vivemos tempos cada vez mais líquidos, a cada dia um mundo exponencialmente mais dinâmico, fluído e veloz.

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Estrutura em Hipertexto x Dual Operating System

Todos conhecem as estruturas hierárquicas baseadas no modelo linear de gerenciamento, com rígidas linhas de decisão, comando-controle, um modelo que ainda é o mais utilizado por organizações de todos os portes – funcional, matricial, projetizadas.

Estas estruturas impõem lenta resposta a mudanças, é a “distância do poder”, dimensão organizacional proposta por Hofstede que indica o engessamento devido a vários níveis hierárquicos desde onde a necessidade acontece e onde a decisão é tomada.

organograma

Cada vez existem mais experimentos com estruturas menos lineares, em hipertexto, rede, invertida, holocrática, mais ou menos disruptivas. Se a linear ainda é maioria absoluta, a globalização, organizações exponenciais, a velocidade da tecnologia e mercado, incentivam a busca por alternativas.

O objetivo é mudar para uma estrutura que não sufoque a criatividade, inovação e o empreendedorismo, aliado a atrair, desenvolver e reter talentos em equipes auto-organizadas, em uma cultura de maximização de valor e minimização de desperdícios, de forma sustentável.

Hipertexto (Takeushi & Nonaka)

Proposta por Takeuchi e Nonaka, pais do Scrum, do Modelo SECI e do Conceito de Ba para Gestão do Conhecimento. Privilegia uma organização orientada a projetos apoiada em auto organização. Uma organização com uma estrutura funcional leve e enxuta, visando proporcionar o suporte necessário a equipes autônomas e disruptivas, com alçada para tocar seus projetos da melhor forma possível.

O modelo em hipertexto representa os princípios Lean e ágeis, seguindo fundamentos como Gemba e Kaizen propostos pela Toyota na década de 50, que mostrou ser possível agilizar certas decisões, flexibilizando o modelo linear hierárquico tradicional, constituindo equipes ágeis com certa alçada para fazerem mais e melhor, valorizando a inovação e empreendedorismo na dinâmica interna das equipes.

Dual Operating System (Kotter)

O conceito de Dual Operating System de John Kotter apresenta uma forma de estrutura organizacional ainda mais ousada que a hipertexto, também mantem uma estrutura funcional mínima, ao mesmo tempo em que propõe sub-estruturas em rede, interligada à funcional.

Em uma matéria na Harward Business Review, a mesma publicação onde Takeushi e Nonaka são colaboradores a mais de 30 anos, Kotter apontou alguns princípios da estrutura em Dual Operating System:

1. Todos ou muitos podem ser Agentes de Mudanças, não por projeto ou função, mas no cotidiano, promovendo inovação e empreendedorismo no seu dia-a-dia, melhorando seu trabalho, aproveitando oportunidades, evitando problemas, …;

2. É fundamental as pessoas se sentirem capazes e empoderadas em fazer a diferença, para serem Agentes de Mudanças. Bandura em seu conceito de Auto-Eficácia, afirma que somos capazes tão mais quanto acreditarmos que somos e podemos;

3. Ele fala em cabeça e coração, sob uma abordagem típica do século XXI e sua geração Millenial ganhando espaço, é preciso que haja nas pessoas um propósito em fazer além, na disrupção, inovação e empreendedorismo diários, mesmo nas pequenas coisas;

4. Finalmente, ele bate na questão de que precisamos mais líderes e menos gerentes, para se trabalhar em rede o modelo mental de gerenciamento presente e responsabilização não funciona, mas sim o de visão, inspiração, agilidade, ação inspirada e celebração.

Conclusão

Tanto na hipertexto, quanto na dual, temos duas estruturas convivendo de forma harmônica e sinérgica, uma linear e outra em rede, uma gerando o substrato e condições para que a outra se beneficie e foque na disrupção, inovação, empreendedorismo cotidiano, onde as coisas acontecem, mitigando ou eliminando de forma racional o que Hosfetede chamou de distância de poder.

Mas atenção, vemos muito hoje em dia empresas gerando factóides de delegação e auto-organização sem haver o devido tempo necessário de transformação, gerando conflitos e contradições arriscadas. Sair de um modelo linear para Hipertexto ou Dual exige treinamento, coaching, mentoria, é para ser uma mudança gradual e sustentável … alguns puffs amarelos, dinâmicas e muita retórica não tem este poder.

Eu insisto muito que o essencial é ter crença e transparência, porque exigirá muito trabalho duro e tempo, anos, colhemos alguns resultados desde o início, mas a consolidação de uma nova forma de ser demora e gerará variadas crises e momentos de tensão, que poderão ser trabalhados com crença e transparência ou mascarados, aumentando o tempo ou impedindo a mudança real.