Dilema da Inovação – quando erramos ao fazer a coisa certa!

Clayton M. Christensen, publicou este livro antológico enquanto professor na Harvard Business School e sobre o qual tem artigos publicados na HBR (*). O Dilema da Inovação é o resultado de uma longa pesquisa e estudos dele em grandes empresas e oferece um prisma singular sore a teoria da Inovação Disruptiva.

(*) https://hbr.org/2020/01/the-essential-clayton-christensen-articles – Sempre recomendo os artigos da Harvard Business Review, é o melhor site de conteúdos e tem franquia de acesso suficiente ao mês, além da possibilidade de assinatura. As principais teorias e propostas sobre gestão, negócios, organizações e mercado no século XXI nascem lá!

Fundou a Innosight, empresa de consultoria em inovação. O Dilema da Inovação foi o melhor livro de negócios de 1997 (Global Business Book Award), em 2011 a Forbes elegeu como um dos teóricos de negócios mais influentes, tece várias distinções no McKinsey Award por suas contribuições através de artigos, livros e como consultor.

Paradoxo do fracasso a partir do sucesso

É uma teoria e pesquisa de campo traduzido em livro onde Christensen apresenta como um fator crítico de fracasso aquelas empresas que fazem tudo certo como sempre fizeram, posto que são o que são (empresas de sucesso) por terem pessoas criativas, empreendedoras, bons gestores, times e processos … mas ainda assim podem fracassar.

Segundo Christensen, o paradoxo do fracasso é que as empresas podem falhar enquanto fazem aquilo que sabem fazer de melhor, aquilo que as trouxe até aqui. Sempre escutaram o mercado, são criativos, criam bons produtos e serviços, sempre ouvindo bons gurus – Druker, Charan, Welch, Blank, Ries, Osterwalder, Maurya, Brown, …

O paradoxo proposto por ele como sendo o Dilema do Inovador, é que o mundo constantemente muda e chega um momento em que as coisas mais certas estão completamente erradas. Segundo ele, às vezes uma empresa deve ignorar os seus clientes, investir em oportunidades de baixo retorno, acreditar na intuição, romper paradigmas por ela criados.

Casos não faltam

Vejamos os casos icônicos de grandes que desapareceram, como Kodak, Blockbuster, Nokia, Blackberry, PanAm, bem como erros estratégicos que custaram caro a empresas líderes que continuam grandes mas desperdiçaram algo grandioso, como a IBM ou Motorola. Em todos estes casos, poderíamos rebatisar o Dilema do Inovador como Dilema da Inércia.

É o caso dos grandes bancos, que continuam grandes, com resultados na casa dos bilhões, mas que tem dificuldade em meio a sua estrutura e inércia para se reinventar. Basicamente, como disse Alvin Tofler, dada a velocidade imposta pelo mercado, o maior desafio do século XXI é desaprender o velho para poder aprender o novo.

Sempre conto a história real de uma amiga em uma disciplina de Inovação e Empreendedorismo durante uma especialização. Ela recebeu uma nota baixa com a justificativa de que não seguiu o método proposto pelo professor para inovar. Creio que pode ter sido o Business Model Generation, o Customer Development ou um Design Sprint, … A questão é: Em uma disciplina de inovação não é permitido inovar … há justificativas padrão, a nota, mas sempre achei pitoresco.

As vezes a mão é a contra-mão

Conheci uma startup que na palestra em um TecnoTalks saiu-se com esta apresentação: Seguimos todas as boas práticas, mas nenhum pitch, demo ou rodada de invetidores deu certo. Ninguém acreditou na nossa ideia, estavamos fora da curva, apesar do MVP, MMP, mas mesmo assim, nós acreditamos, fomos atras de empréstimos, e deu certo.

Ford é exemplo e contra-exemplo através de duas de suas famosas frases: “Se eu perguntasse ao mercado, eles pediriam cavalos mais velozes!” e “Podem escolher qualquer cor, desde que seja preto!”.

Conclusão

Acredito realmente no modelo de combinação disseminado pelo Gartner e que reflete uma crença pessoal, é preciso conhecer as melhores e diferentes abordagens disponíveis, mais recentes, mas é preciso ter discernimento para sua aplicação, as vezes seguindo, mas também não seguindo, porque afinal, cada caso é um caso.

No geral, pensamento enxuto, pesquisa, modelagem, co-criação e prototipação em ciclos curtos e frequentes com feedback são importantes, isso representa abordagens do lean startup, design thinking, agile e growth hacking. Mas o mais importante é a pró-atividade, criatividade, inspiração, interpretação, debate e cooperação construtiva.

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