0

O mindset do Design Thinking na Educação

Inicie pensando Design Thinking na educação pela sua cláusula mais pétria, a empatia, enxergando o aluno como nosso cliente, com o qual é preciso estabelecer sinergia. Inexiste ensino sem aprendizado, logo entender seu cliente é essencial, assim como em métodos ágeis, é obrigação do facilitador, mentor ou coach, encontrar a técnica mais adequada a média e a cada cliente, sua cultura, subsunçores (âncoras ou conhecimento prévio), ensino tem duas vias para retroalimentar-se e melhorar continuamente.

Novas gerações

Não acredito em gerações pela data de nascimento, não é uma maldição, todos nós evoluímos, há pessoas jovens e velhas presas ao passado, tanto quanto jovens e velhos vivendo intensamente o presente. Entretanto, estes estudos nos ajudam a entender períodos de tempo.

Geração Y (Millenials), estão a noite em aula após o dia inteiro trabalhando em empresas que buscam novos paradigmas, Agile, DT, Fábrica 4.0, organizações exponenciais e duais, em aula buscam algo que ative sua curiosidade e exercitem na prática, não só na teoria.

Geração Z, multi-threads, multimídia, uma meninada que nasceu com um iPAD nas mãos, que escolhe o assunto, o filme, o jogo, tudo é on demand, a tentativa de exigir atenção em aulas padronizadas é quase o oposto de seu mindset, crenças e valores.

318574_518259324865092_1276841163_n

Novos tempos + novos alunos = novos professores

Ano de 2018 e tem muito professor que vê o aluno como um recipiendário, alguém que deve curvar-se a sua sapiência e receber um conhecimento de forma respeitosa, reverencial e se possível inerte, sem questionar, desconstruir e reconstruir. Na maior parte das vezes, professores cavam suas trincheiras em torno de um conhecimento estático, em meio a um mundo em movimento, impondo suas regras em aulas formatadas de forma a permitir apenas que o aluno escute, aprenda e agradeça.

Quanto a fazer diferente, tem gente que ainda acredita que aulas invertidas são disruptivas, mas aulas invertidas eram inovação na década de 80 do século XX, entretanto, no ano de 2018 do século XXI é inócuo apenas inverter, é preciso interagir e envolver, é preciso se utilizar de teorias e modelos da psicologia e sociologia para entender o aluno a sua frente e co-criar com ele o formato de aula que os mantenha atentos, interessados, alertas, reiteradamente resgatando sua vontade em experimentar.

Um resgate das escolas Gregas, cada indivíduo como único

Nenhum dos conceitos por mim defendidos é novo, ao contrário, não estou propondo uma revolução ou mudança a frente, o que proponho é um resgate, uma mudança atras, inspirando-se nas escolas gregas, com mentores e aprendizes, cada qual com muito a agregar a si mesmo (maiêutica-2016), a propôr e criar (poiesis-2015), a interagir e co-criar (pensadores do ensino e do aprendizado-2015).

Alguns posts são essenciais, um sobre Design Thinking (DT na educação-2015) e outro sobre os estudos de uma pesquisadora sobre o uso dos princípios ágeis na faculdade, não como conteúdo, mas como framework-base para disciplinas e aulas (Dra Yael-2006), com menos desperdício e mais valor agregado. É essencial termos ementas, mas instanciadas por MVP passível de ser ajustado, adaptado ao perfil e características de cada turma … na prática é a troca de professores estáticos por professores mais dinâmicos e adaptativos a seu tempo e seus alunos.

ensino-aprendizagem-rede

Espaços físicos e filosóficos para geração de conhecimento

Desde 2012 escrevo sobre o universo de Piaget (construtivismo educacional-2012), tanto quanto o Conceito de Ba (Takeushi e Nonaka-2013) como meio para a criação de salas de aula em seu sentido filosófico, um ambiente gerador de experiências e conhecimento, alinhado ao aprendizado significativo (Ausubel-2015) e ao aprendizado experiencial (Kolb-2015), chegando inclusive a lembrar o Conceito de Ba em relação ao ambiente proposto pelo DT e Agile, em salas diferentes daquelas propostas há 500 anos atrás (layout e grafitti-2017).

É preciso desapegar de educação e aprendizado ligado a seriedade e reverências a sapiência secular, é para ser divertido e interessante em todos os sentidos, em 11/06/16 fiz esta provocação, afinal, até o século XX, rir na igreja, trabalho ou escola era inadequado. Finalmente, eu tento adotar em minhas aulas princípios inspirados na Curva de EbbinghausAprendizado Experiencial (exemplos: 1ª aula, 2ª aula, 3ª aula, 4ª aula, 5ª aula, 6ª/7ª aula). Cometo erros, mas muito disso dá muito certo, de um semestre para o outro mudam não só os alunos, mas suas necessidades.

Novas escolas e modelos para educadores e alunos

Como mudar o status quo de sua escola, faculdade, cursos variados? Há uma infinidade de experimentos mundo afora, um mundo cada vez mais compartilhado na web e nas redes, antes de reinventar a roda é bom saber o que está rolando mundo afora.

Na Finlândia em 2015 houve farta divulgação por aqui sobre uma experiência na escola estatal em que deixariam de ter disciplinas, posto que cada aluno precisaria ter uma visão trans-disciplinar sobre o conhecimento que teria que ajudar a organizar e aprender. Há críticas, mas o que o governo busca é um equilíbrio entre o tradicional e o novo, oferecendo conteúdo estruturado e co-criação em um ou dois ciclos anuais.

Ao falarmos da China após as conquistas de melhores alunos em matemática em competição internacional e também dos Tigres Asiáticos, há o contraste em sistemas rígidos e conteudistas, centrados em conhecimento e não em criatividade e inovação, envolvendo jovens imersos em um sistema político e cultural que valoriza competições e domínio, mas nada afeito a questionamentos e auto-organização.

Nos Estados Unidos, diferentes iniciativas baseadas em Design Thinking vem se consolidando como um meio de auto-organização, de forma que dirigentes, professores e alunos contribuam por igual na construção de novos ambientes e modelos educativos para aprendizado ativo. O site abaixo é uma versão traduzida de uma destas propostas, focada em unir as partes envolvidas em um processo criativo para esta mudança.

DT-Educação

O vale do silício atrai alunos e profissionais pelo ecossistema aberto tanto a competição quanto a coopetição e colaboração, assim como Austrália e Canadá, Irlanda e Alemanha, são regiões que se anteciparam na leitura das crianças e jovens conectados do século XXI, que buscam algo que lhes ofereça liberdade com criatividade, apoio para que construam seu próprio caminho, aprendizado, propósito e satisfação em fazer parte.

Para encerrar, uma reflexão poderosa como mola propulsora para nosso esforço e mudança: Estamos-perdendo-uma-geracao-de-talentos (2017)

 

0

Indústria 4.0

Estive viajando para compartilhar princípios e práxis Agile em uma unidade industrial de uma multinacional gaúcha e brasileira, onde a transformação ágil e digital é fundida aos objetivos de indústria 4.0, ciente disto, dei uma estudada e inclui algumas provocações pertinentes.

Indústria tem relação a produzir coisas reais, materiais, muitas delas imprescindíveis a vida e bem-estar de todos no planeta, representando mais de 70% do comércio global. Processos de produção, direta ou indiretamente, contratam centenas de milhões de pessoas pelo mundo.

Os números acima indicam as dimensões do contexto, riscos e oportunidade ao focarmos nossa atenção na indústria, em seus processos e em seus resultados, tanto para a vida de seus colaboradores como para toda a população mundial.

A Alemanha, reconhecida pelas iniciativas verdes em suas cidades, indústrias, produtos e serviços, trabalhou durante dois anos em parceria com algumas de duas maiores universidades e empresas para em 2014 divulgar sua “Industrie 4.0: Smart manufacturing for the future”.

Sempre na vanguarda, nos anos seguintes os alemães, responsáveis e pioneiros nas primeiras legislações verdes para cidades e habitações sustentáveis, tomam a frente para falar sobre a necessidade desta evolução ser tecnológica e social para indústria e empresas.

No centro da discussão pela indústria 4.0 estão os sistemas cyber-físicos (CPS), que permite a crescente digitalização dos processos da indústria de transformação, gerando direta ou indiretamente soluções que fomentam amplamente a internet das coisas, dados e serviços.

Clique em Siemens_Grafik para ver um pdf A3 da 4.0 pela Siemens.

Segundo a wikipedia – Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial é uma expressão que engloba tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas cyber-físicos (CPS), Internet das Coisas e Computação em Nuvem. Facilita a visão e execução de Fábricas Inteligentes com estruturas modulares, sistemas CPS monitoram e criam uma cópia virtual do mundo físico, tomando decisões descentralizadas. Com a internet das coisas (IoT), os sistemas CPS comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real, e através da computação em nuvem estes serviços são oferecidos e utilizados pelos participantes da cadeia de valor.”

Vale a pena ficar ligado, além de fascinante, terá impacto direto na nossa vida e no planeta. A seguir alguns princípios:

  • Interoperabilidade: Trata-se da interação e conexão entre humanos e sistemas CPS em fábricas inteligentes;
  • Virtualização: Sensores interconectados interagem com uma estrutura virtual da própria fábrica contando com modelos digitais;
  • Descentralização: Árvores de decisão e machine learning agilizarão processos e racionalizarão recursos e resultados;
  • Capacidade em Tempo-Real: Alto poder de armazenamento e processamento distribuído para análises em tempo real;
  • Orientação a Serviço: O uso de modelos em nuvem para oferecimento e consumo de serviços.
  • Modularidade: Permitir escalar sua adaptação a demanda, diminuindo ou crescendo de forma autônoma e exponencial.

Desde seu lançamento vem se intensificando a óbvia relevância de aspectos explícitos relacionados a racionalização de recursos e energia, impacto e responsabilidade social, tanto quanto ecológico … é a indústria do século XXI, cada vez mais conectada e responsável!

Dezenas de novas carreiras surgirão a cada passo e evolução tecnológica, pois estas soluções exigirão muito mais do que temos hoje.

0

Toolbox 360° com a galera da Umbler e RedeHost

Uma lightningtalk pegada, uma rodada do game Desafio Toolbox, a construção de um Toolbox Wall. Foi um final de tarde agitado em Gravataí com trinta profissionais em um espaço muito bacana … me senti em casa 🙂

Quando cheguei estava rolando uma sprint review na sala ao lado, enquanto eu montava os kits e material em uma sala enorme que mais parecia um playground para adultos, que agora tem mais alguns livros, jogos e mural.

Foi um prazer montar mais um Toolbox Wall, compartilhar e interagir com uma galera pilhada. Como eram apenas 90 minutos, todo o material ficou para que pudessem fazer mais rodadas adiante … espero que compartilhem fotos \o/

Uma definição que encontrei na web para apresentar a Umbler diz: “É uma startup do ramo de hospedagem de sites e aplicações, possui atualmente unidades em Gravataí/RS e Orlando/EUA, tendo como filosofia a globalização do negócio.”

Sobre a RedeHost encontrei esta apresentação: “Com mais de 14 anos, está entre as maiores empresas de hospedagem do Brasil, conta com dois data centers em São Paulo, cerca de 400 mil domínios registrados e mais de 60 mil clientes.”

 

0

Jogos 360° e Toolbox 360° agora em blogs dedicados

Relancei todo o conteúdo do livro JOGOS 360º, ampliado com duas dezenas de novos Team Building Games em Novembro/2017 e hoje relanço o conteúdo do livro TOOLBOX 360º, também ampliado, material compartilhado neste blog, workshops e eventos.

https://toolbox360graus.wordpress.com

Um MVP contendo as mais de 100 técnicas para estratégia, ideação, modelagem, validação, planejamento, execução e muito aprendizado, todas no formato das cartas do jogo Desafio ToolBox 360°, um blog com muito potencial para crescimento, sugestões de sequências, frameworks, toolkits e outros modelos e dicas transversais …

A sugestão venho da galera da 4All, durante um workshop do jogo Desafio ToolBox 360° e da técnica Toolbox Wall 360°, que sugeriu um mural digital com todas as cartas, cada uma com um mergulho quando clicadas oferecendo mais informações e links dos autores ou disseminadores destas técnicas.

https://jogos360graus.wordpress.com

O blog iniciou com os 70 jogos do livro, entre icebreakers, warm-ups e agile games, mas vem crescendo com 5 novos jogos a cada semana desde então, não só da comunidade ágil, alguns vem do escotismo, outros de Team Building Games americanos, típicos de RH, tem uns poucos utilizados em eventos de Coachs e palestrantes.

A ideia é começar a linkar outros blogs e transformar-se em uma central interativa, quando alguém da galera me mandar um novo jogo eu compartilho lá e darei o devido crédito, irei compartilhar links de sites como os do Caroli, Tastycupcakes e outros tantos. Quando é o caso será para divulgar e redirecionar ao autor, como o BDDWarriors, Aviões 2.0, Scrumia, etc.

0

Noite de formatura – SI, CC e EC – prédio 40, PUCRS

Para registro histórico, compartilho as fotos e dados relativos a mais uma noite de formatura dos estudantes de Sistemas de Informação, Ciências da Computação e Engenharia da Computação. Mais uma vez, é um privilégio poder estar perto e presente quando do encerramento de um ciclo de formação acadêmica que exigiu pelo menos 4 anos de muita dedicação.

Vou fechar três anos desde a conclusão do meu mestrado e o convite para ser professor desta que é uma das melhores universidades da América Latina. Nada mais justo que registrar aqui no blog, neste ínterim tive o privilégio de ser patrono de uma turma do SENAC de Análise de Sistemas, paraninfo de uma turma de SI da PUCRS e este ano como professor homenageado.

A maioria destes bacharéis já trabalham há algum tempo como desenvolvedores, testadores, em suporte ou sustentação de startups, pequenas, médias ou grandes empresas, muitos deles ali mesmo no TecnoPUC. A formatura abre novos horizontes, os libera para novos voos, a possibilidade de aperfeiçoarem-se com outros cursos, viagens, mestrado, pesquisa, o céu é o limite.

0

Oito aceleradores da mudança em empresas Dual Operating System

Além de cases, GU’s e CoP’s, conhecer teorias e conceitos aceleram nossas sinapses, tanto Scrum DT, e Mng 3.0, quanto a Teoria da Agência, Institucional, Job Strain Model, Tuckman, Exponencial, Yerkes-Dodson, Maiêutica Socrática, … , hipertexto e a Dual de Kotter.

Kotter propôs oito aceleradores da mudança para empresas que buscam criar condições internas para enfrentar um mercado cada vez mais veloz e fluido, se utilizando de duas estruturas uma linear e hierarquizada, outra em rede e dinâmica, auto-organizada.

Organizações ágeis, sonhando em se tornar exponenciais, necessitam ter velocidade na inovação e empreendedorismo, não só na resposta ao mercado mas na otimização plena de seus modelos e processos, tornando-os cada vez mais enxutos e escaláveis.

É impossível ser sempre a protagonista em inovação e disrupção, mas sempre que não for, é preciso ser ágil e assertivo na interpretação e adaptação, evitando casos trágicos recentes como os da Kodak e Nokia, inovadores, líderes, dinossauros que não souberam se adaptar.

A lentidão, dependência, centralização, nível de hierarquização inútil, o microgerenciamento, a falta de delegação, … Cuidado, o século XXI esta cobrando caro das empresas que não estão conseguindo fazer sua transformação, muitos não estão sequer tentando.

#1. SENSO DE URGÊNCIA

O primeiro e mais importante passo, pois é a tomada de consciência de todos os envolvidos quanto a necessidade de mudar, de adaptar-se a novos tempos, novos profissionais, novas tecnologias, um novo mercado. Não é comunicar, mas envolver e todos se conscientizarem de seu papel e responsabilidade na busca e construção da mudança;

#2. DEFINIR UMA EQUIPE DE APOIO

Nada mais consenso que a necessidade de se ter um ou mais grupos de trabalho multi-disciplinares para apoiar aspectos básicos, como treinamentos, gerar condições, tomar providências, endereçar necessidades transversais. Trata-se de equipe(s) de apoio a este projeto de mudança organizacional, não hierárquico, mas para apoio;

#3. VISÃO DE MUDANÇA

É fundamental ter clara a missão, objetivos, resultados-chave, ter uma percepção explícita de tempo, custo e metas. Não se promove este tipo de mudança cultural sem transformar todos os envolvidos em agentes e protagonistas. As pessoas tem que entender claramente o 5W2H da mudança de forma a acoplar a ela seus próprios objetivos de carreira e pessoais;

#4. COMUNICAÇÃO

Um bom plano de comunicação, bi-direcional, é essencial, a visão comum construída no passo #3 precisará ser mantida e mecanismos de comunicação sobre o andamento, percepções dos participantes, riscos e oportunidades percebidas, até mesmo eventuais apreensões e inquietações, de forma a serem entendidas e assimiladas positivamente de forma orgânica;

#5. GOVERNANÇA E EMPODERAMENTO

Desde o início é vital que a unicidade de visão e objetivos, mais o estabelecimento de uma comunicação ativa e de resultados, visa rapidamente gerar substrato e remover impedimentos e resistências. A cada passo temos um substrato acumulado para gerar senso de pertencimento, mesmo assim acontecerão situações ou percepções que exigirão ação para ajustes, adaptação, reorganização;

#6. ITERATIVO-INCREMENTAL-ARTICULADO

É preciso estabelecer um ciclo virtuoso de mudança em pequenos passos, baby steps, iterativo-incrementais-articulados. Segundo a psicologia, trabalhamos melhor se tivermos objetivos de curto prazo, desafiadores e passível de serem conquistados, devendo ser comemorados, retroalimentando novos desafios e conquistas;

#7. APROPRIAR-SE DE CADA MELHORIA

O objetivo não é parecer estar dando certo, é fazer certo e manter o esforço para consolidá-lo. Mudança cultural é para ser cumulativa, um passo de cada vez, sustentável, se tirarmos de nosso radar pequenas mudanças conquistadas em detrimento a “novas” mudanças a serem feitas, há um grande risco de que as pequenas mudanças anteriores se amenizem ou mesmo se percam;

#8. UMA NOVA CULTURA

Todo este processo pode durar anos, mas é fundamental que seja consistente, as pessoas precisam perceber que o esforço está gerando mudanças, que por menor que sejam são percebidas como algo que venho para ficar. Um ponto importante é que cultura é para ser coesa, vale para todos, é importante que todos da organização demonstrem interesse e assimilação destas mudanças.

https://www.kotterinc.com/8-steps-process-for-leading-change/

0

Estrutura em Hipertexto x Dual Operating System

Todos conhecem as estruturas hierárquicas baseadas no modelo linear de gerenciamento, com rígidas linhas de decisão, comando-controle, um modelo que ainda é o mais utilizado por organizações de todos os portes – funcional, matricial, projetizadas.

Estas estruturas impõem lenta resposta a mudanças, é a “distância do poder”, dimensão organizacional proposta por Hofstede que indica o engessamento devido a vários níveis hierárquicos desde onde a necessidade acontece e onde a decisão é tomada.

organograma

Cada vez existem mais experimentos com estruturas menos lineares, em hipertexto, rede, invertida, holocrática, mais ou menos disruptivas. Se a linear ainda é maioria absoluta, a globalização, organizações exponenciais, a velocidade da tecnologia e mercado, incentivam a busca por alternativas.

O objetivo é mudar para uma estrutura que não sufoque a criatividade, inovação e o empreendedorismo, aliado a atrair, desenvolver e reter talentos em equipes auto-organizadas, em uma cultura de maximização de valor e minimização de desperdícios, de forma sustentável.

Hipertexto (Takeushi & Nonaka)

Proposta por Takeuchi e Nonaka, pais do Scrum, do Modelo SECI e do Conceito de Ba para Gestão do Conhecimento. Privilegia uma organização orientada a projetos apoiada em auto organização. Uma organização com uma estrutura funcional leve e enxuta, visando proporcionar o suporte necessário a equipes autônomas e disruptivas, com alçada para tocar seus projetos da melhor forma possível.

O modelo em hipertexto representa os princípios Lean e ágeis, seguindo fundamentos como Gemba e Kaizen propostos pela Toyota na década de 50, que mostrou ser possível agilizar certas decisões, flexibilizando o modelo linear hierárquico tradicional, constituindo equipes ágeis com certa alçada para fazerem mais e melhor, valorizando a inovação e empreendedorismo na dinâmica interna das equipes.

Dual Operating System (Kotter)

O conceito de Dual Operating System de John Kotter apresenta uma forma de estrutura organizacional ainda mais ousada que a hipertexto, também mantem uma estrutura funcional mínima, ao mesmo tempo em que propõe sub-estruturas em rede, interligada à funcional.

Em uma matéria na Harward Business Review, a mesma publicação onde Takeushi e Nonaka são colaboradores a mais de 30 anos, Kotter apontou alguns princípios da estrutura em Dual Operating System:

1. Todos ou muitos podem ser Agentes de Mudanças, não por projeto ou função, mas no cotidiano, promovendo inovação e empreendedorismo no seu dia-a-dia, melhorando seu trabalho, aproveitando oportunidades, evitando problemas, …;

2. É fundamental as pessoas se sentirem capazes e empoderadas em fazer a diferença, para serem Agentes de Mudanças. Bandura em seu conceito de Auto-Eficácia, afirma que somos capazes tão mais quanto acreditarmos que somos e podemos;

3. Ele fala em cabeça e coração, sob uma abordagem típica do século XXI e sua geração Millenial ganhando espaço, é preciso que haja nas pessoas um propósito em fazer além, na disrupção, inovação e empreendedorismo diários, mesmo nas pequenas coisas;

4. Finalmente, ele bate na questão de que precisamos mais líderes e menos gerentes, para se trabalhar em rede o modelo mental de gerenciamento presente e responsabilização não funciona, mas sim o de visão, inspiração, agilidade, ação inspirada e celebração.

Conclusão

Tanto na hipertexto, quanto na dual, temos duas estruturas convivendo de forma harmônica e sinérgica, uma linear e outra em rede, uma gerando o substrato e condições para que a outra se beneficie e foque na disrupção, inovação, empreendedorismo cotidiano, onde as coisas acontecem, mitigando ou eliminando de forma racional o que Hosfetede chamou de distância de poder.

Mas atenção, vemos muito hoje em dia empresas gerando factóides de delegação e auto-organização sem haver o devido tempo necessário de transformação, gerando conflitos e contradições arriscadas. Sair de um modelo linear para Hipertexto ou Dual exige treinamento, coaching, mentoria, é para ser uma mudança gradual e sustentável … alguns puffs amarelos, dinâmicas e muita retórica não tem este poder.

Eu insisto muito que o essencial é ter crença e transparência, porque exigirá muito trabalho duro e tempo, anos, colhemos alguns resultados desde o início, mas a consolidação de uma nova forma de ser demora e gerará variadas crises e momentos de tensão, que poderão ser trabalhados com crença e transparência ou mascarados, aumentando o tempo ou impedindo a mudança real.