Quem são os agentes de mudanças

Durante todo o século XX, desde as primeiras fases da revolução industrial, as organizações se utilizaram de estruturas formais, papéis delimitados e processos burocráticos para estruturar seus fluxos de trabalho e de informação, desde a estratégia, tática e operacional.

A inovação sempre ficou restrita a áreas e papéis singulares, criadas propositalmente para criação e inovação, temos como expoentes áreas essenciais como áreas de criação dedicadas a criar novas coleções, campanhas, produtos e serviços, também as áreas de P&D, equipes dedicadas a design de diferentes espectros.

São áreas nevrálgicas até hoje, mas além destas, qualquer mudança ou inovação era atribuição de áreas com O&M (organização e métodos), processos, PMO (escritório de projetos), não cabia aos colaboradores (ou operários) se apropriarem, questionarem, sugerirem, discutirem, inovarem … um Gemba as avessas.

O Lean como divisor de águas

Antoine Lavoisier tinha razão ao dizer que nada se cria, logo, o Lean contou com a colaboração de profissionais que há 20 anos já vinham experimentando e se inspirando em outros que não entraram para os livros de história, Deming aperfeiçoou o ciclo de Schewart, Taichii já tinha experimentos em teares Poka Yoke, …

Auto-organização não surgiu ali, mas tornou-se icônico e fez história, inspirando tudo o mais dali adiante, os operários passaram a ter o compromisso em tentar melhorar continuamente seus skills, ambiente, processo e ferramentas. Frente a um problema, montavam grupos multidisciplinares em torno de um A3Report.

Um pouco menos hierarquia, um pouco mais descentralização e delegação de responsabilidades, quebrando o anti-mito de que os funcionários do Gemba não se empenhariam em fazer o seu melhor, colaborando e contribuindo, se eles teriam ou não potencial e capacidade de solucionar seus desafios e co-criar soluções.

Inovação por ofício ou por princípio?

Desde o início deste século XXI, vemos o crescimento do Lean, mas também das metodologias Ágeis, Design Thinking, Lean Startup, Growth Hacking, de abordagens como organizações responsivas, exponenciais, management 3.0, Dual de Kotter, sobre as organizações que aprendem, com Senge, Argyris, Nonaca, …

Assim que esta estrada começou a virar mainstream, mais vimos organizações de diferentes portes experimentando modelos de Agile em escala, destaque inicial para o SAFe e a proposta do Kniberg na Spotify com tribos e squads. Deixamos de ter inovação por ofício (papel) e passamos a ter inovação por princípio.

Em TODAS estas abordagens, o principal ativo de uma organização é a soma do capital intelectual e vivências de todos os seus colaboradores. Ao invés de incentivar a divisão entre quem pensa, cria, planeja, e quem executa, temos profissionais que se agrupam e juntos em sinergia encontram as melhores ideias e soluções.

O ovo ou a galinha? Agentes de mudanças

Agentes de mudança em uma organização, são aqueles que atuam de forma a gradualmente transformar a sua cultura, são exemplo, influenciam o seu entorno em prol de auto-organização para melhorias contínuas. Em tempos de transformação digital, organizações exponenciais, ambidestras e responsivas, é a chave.

Mas se a chave é a descentralização, fazendo chegar esta alçada a todos, de forma a instigar cada colaborador e cada time a se engajar nesta transformação continuada, em ciclos iterativos e evolutivos, porque então a importância de se ter ou não “agentes de mudanças”, de investir neles, qualificá-los, valorizá-los?

É uma questão de fazer chegar, espraiar aquele mínimo conhecimento de métodos, técnicas e boas práticas, identificar agentes de mudança ou agentes de transformação possuem o apelo do papel que muitos chamam de evangelizadores. Em um processo inicial de transformação, eles podem e aceleram a mudança.

Conclusão

O que queremos é empoderar cada time, energizando cada um de seus integrantes, através de métodos e boas práticas em que a força e sinergia do grupo represente muito mais que a soma das partes. Para acelerar, convidar profissionais mais engajados e criativos a serem as manivelas (*) … é um bom caminho.

(*) A alegoria que uso é a manivela do Ford Modelo T, era preciso colocar e girar manualmente uma manivela para fazer seu motor pegar, dava trabalho, exigia força, mas depois que pegava … ela deixava de ser uma necessidade e tornava-se inútil, posto que o motor em movimento enquanto conjunto era a solução ideal.

GENTLEMEN, START YOUR ENGINES!” – UMA BREVE HISTÓRIA DA PARTIDA DO MOTOR –  Autoentusiastas

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