0

Diferentes alegorias para Débito Técnico

Em meio a um debate sobre Débito Técnico no curso de PSPO no TecnoPUC neste mês de Dez/2018, o Alejandro Olchik da Ionatec compartilhou uma alegoria categórica que merece estar aqui registrada no blog junto a outras que já compartilhei para ilustrar Débito Técnico.

1. Alejandro Olchik e a alegoria do Restaurante

Débito técnico equivale a um restaurante optar por ser mais “ágil” abrindo mão de perder tempo em lavar a louça que suja na cozinha e durante o atendimento, vai chegar uma hora em que não terá mais loça para fazer os pratois ou atender os clientes.

Se não tomar o cuidado de manter a cozinha, louça e instalações limpas, esta decisão oportunista começará a gerar problemas de forma cumulativa e chegará uma hora em que sua operação será paralisada porque de tanto acumular chega-se à inflexão.

2. Ward Cunningan e a alegoria do empréstimo bancário

Ward Cunningham apresentou em 1992 uma metáfora onde o débito técnico de um projeto é como se endividar, decisão que pode acelerar o desenvolvimento e entregas em determinados momentos, mas que deve ser seguido de resgates e quitação.

Sem executar os devidos refatoramentos para reduzir o endividamento, podemos perder o controle e esta dívida não mitigada pode acumular, dívida sobre dívida, colocando em risco todo o projeto.

3. Martin Fowler e seu canvas do Débito Técnico

Eu tenho utilizado uma canvas de mapeamento e planejamento de riscos, quando sob controle é o mesmo canvas – Probabilidade x Impacto. Mas Martin Fowler propõe uma nova perspectiva visual – Domínio (conhecimento prévio) x Risco (prudência).

Fowler propôs um canvas para diagnosticar débito técnico que busca explicitar os fundamentos ou explicações racionais acordadas que o originam, explicitando ser aconteceu(rá) por pressa ou conveniência, um risco calculado ou desconhecido.

4. Neal Ford e a alegoria da Dietzler’s Law

Vale a pena citar Neal Ford da TW, keynote no primeiro dia do Agile Brazil de 2012, ele diz que nós temos 2 usuários, um visível que se beneficia do software que vamos construir e um usuário oculto, que são os próximos profissionais que irão dar continuidade e manutenção futura no software que construímos.

Ele provocou uma reflexão sobre as distrações das abstrações, como a Dietzler’s law sobre o paradoxo de soluções que abstraem e facilitam a construção de uma solução, agilizando resultados iniciais, mas que podem tornar o projeto inviável na reta final, quando exigir especialização ou flexibilidade do framework inicialmente abençoado. Exemplificou alguns que ajudam nos primeiros 80%, dificulta nos 10% seguintes e inviabiliza nos últimos 10%.

5. Uncle Bob e a primazia do Refactoring

Uncle Bob afirma que código de má qualidade NÃO é dívida técnica, a premissa para dívida técnica é uma decisão calculada, uma estratégia não desejável e não sustentável, mas que gera valor antecipado, garantindo uma entrega importante para o cliente, mas sujeito a refactoring.

Este conceito está ligado a boas práticas de engenharia relacionadas à XP (Extreme Programming), a refatoração, ação recomendada como parte importante do processo de desenvolvimento, de forma a ter-se uma visão evolutiva contínua do software.

6. As 8 leis de Lehman (’70)

O conceito de evolução contínua e “refatoração” não é novo, nos anos 70 haviam as 8 leis da evolução de software de Meir Lehman. Com uma abordagem técnica, por 30 anos a Lei de Lehman esteve para o Software do século XX assim como a Lei de Moore esteve para o hardware.

A lei #2 tratava da complexidade crescente e afirmava que se não forem tomadas medidas para reduzir a complexidade do software conforme ele é alterado sua complexidade irá aumentar progressivamente. Deve haver um esforço para reduzir a complexidade final de um sistema enquanto este recebe alterações.

E-Type é um conceito ou categorização proposta por Lehman que caracteriza sistemas que resolvem ou contribuem com um desafio do mundo real, desta forma, sua evolução precisa ser orgânica, conseqüência direta de existir em um mundo real e dinâmico, mutável, evolutivo.

Acordos e estratégias para o Débito Técnico

Débitos técnicos devem ser mapeados e uma estratégia deve ser estabelecida pelo Time Scrum para mitigá-lo permanentemente, eventualmente incorporando-o ao product backlog, sendo reduzido dentro do fator de ajuste ou reserva técnica.

Algumas equipes, após alguns sprints e primeiras entregas, combinam que a cada novo sprint será incluído algo de refactoring, como história ou ocupando um % dedicado a sustentação (reserva técnica).

Alguns desenvolvedores reclamam muito do débito técnico, mas é para ser uma estratégia envolvendo entrega + refactoring, cabe ao time manter explícito em um canvas, mapa ou categorizado no product backlog restante.

Já vi times com uma enorme lista de débito técnico, mas aí a primeira pergunta não é como reduzí-lo, mas porque ele existe, para que serviu plannings, reviews e retrospectivas se esta dívida foi-se acumulando tanto.

Um dos soft skills mais relevantes para um time ágil é a arte da negociação, do poder de argumentação, base para a auto-organização. Afinal, se temos problemas e não sabemos explicá-los, dimensioná-los ou priorizá-los … a culpa não é dos outros.

0

10/11 – Workshop de Jogos e Toolbox no mesmo dia

Serão dois workshops no dia 10/11/18, Sábado, pela manhã Jogos 360° (Team Building Games) e à tarde Toolbox 360°. O objetivo de fazer os dois no mesmo dia é facilitar para quem é de fora de Porto Alegre poder participar dos dois. Outro motivo fundamental é fotografar e fazer takes para vídeos explicativos, posto que na semana seguinte espero começar a formar facilitadores Brasilsão afora.

Manhã: Jogos 360° – R$150,00
http://bit.ly/jogos360-101118
Cada participante irá debater fundamentos e exercitar dezenas de jogos de quebra-gelos, aquecimento e Agile Games. Ao final ganha o livro Jogos 360° e um A3 com um canvas para planejamento de jogos.

Tarde: Toolbox360° – R$250,00
http://bit.ly/Toolbox360-101118
Cada participante debaterá dezenas de técnicas, vamos jogar o Desafio Toolbox, experimentar a técnica de Toolbox Wall, muita interação em grupo. Ao final todos levam o kit do jogo com o tabuleiro e o baralho com 115 técnicas.

Alguns depoimentos:

“Trabalho na área de Marketing Digital, e é incrível aprender coisas novas e poder adaptar para o meu contexto. O Workshop proporcionou conhecimentos e reflexões não só sobre processos de trabalhos, mas também sobre carreira. É incrível ver como todos os problemas e desafios se tornam mais leves e simples de se resolverem quando pensamos de forma sistemática, organizada e com propósito, entregando valor.” – Carolina Ullian – Analista de Marketing Digital na RedeHost (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“O workshop Toolbox 360° possibilitou ter contato com dezenas de ferramentas que muito úteis em minha atividade profissional. Recomendo, em especial para quem trabalha com grupos e deseja conhecer formas disruptivas de conduzir e engajar equipes.” – Barbara Silva Costa – Sistemica desenvolmento educacional (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Percebi que projetos que estava desenvolvendo poderiam ser muito mais colaborativos e com mais sentido para as minhas equipes de trabalho. Alterei uma metodologia de um projeto já na segunda-feira e obtivemos um resultado com um propósito muito mais alinhado com a missão deste projeto. A forma apenas começou a ser mudada e já vemos um horizonte muito mais eficiente. Acho que está é a forma de criarmos algo realmente novo no mundo corporativo.” – Alexandre Ascal – Consultor e Coaching Executivo. (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Vivenciar esse momento no sábado foi muito gratificante, além de todo o conhecimento absorvido com foco em desenvolvimento de projetos, o professor Jorge nos auxilia no planejamento da nossa carreira, eu que de certa forma me sentia “perdida” nessa jornada profissional saí de lá cheia de respostas. Só tenho a agradecer pela tarde de valor imensurável.” – Pamela Moraes da Rosa – analista de Suprimentos Gerdau (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Eu pessoalmente já tenho em mente utilizar a Janela de Johari no meu ambiente pessoal para me tornar uma pessoa melhor com meus familiares, amigos, enfim, pessoas próximas.” – Vinicius Bittencourt Ramos – Analista de testes (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Participar do workshop para mim foi muito mais que aprender e discutir ferramentas, conheci novas pessoas e pude ver a aplicação das técnicas através de outros olhos. Excelente experiência!” – Camila da Silva Capellão – Analista de Negócios CWI (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Tirou minhas ideias do lugar e me pôs a pensar…” – Mara Lúcia Barbosa da Silva – Educadora Escola Convexo (Ed 02/06 – TecnoPUC)

“Foi útil, divertido e traduziu o sentido da aprendizagem 3.0, que valoriza o conhecimento dos indivíduos e constrói novos conhecimentos a partir da troca de experiências. A condução foi consistente e fluída, combinou jogos, teoria e exemplos práticos de aplicação. Além disso, a conexão das pessoas potencializou a criatividade, a visão crítica e a flexibilidade cognitiva, características relevantes na sociedade do século XXI.” – Fabiane Castro – Inteligência Competitiva e de Mercado | Escola de Negócios da PUCRS (Ed 14/07 – TecnoPUC)

“A experiência foi sensacional. Tive inúmeros insights de erros que costumamos cometer sem nos darmos conta e consegui pensar em inúmeras aplicações de jogos em ambientes de sala de aula visando a maximização do processo de aprendizagem. ” – Barbara Silva Costa – Professora Unisinos (Ed 14/07 – TecnoPUC)

“Foi uma tarde maravilhosa, muito aprendizado, troca e carinho! Por mais dias como este! Gratidão imensa por estar con vc e os outros amigos!” – Déborah Zavistanavicius Zapata – Agile Think Consultoria (Edição SP)

“Aprendemos de forma bem prática sobre o uso das técnicas, como encaixá-las nos diversos cenários e como adaptar. Adaptar sempre!” – Gabriela Corrêa – BRQ IT Services (Edição SP)

“Sábado de mais aprendizado! Tollbox 360° Wall … Foi show!” – Edilaine Miguel – Vagas.com (Edição SP)

“Foi um grande prazer participar desse workshop, simplesmente sensacional!” – Camila Fonseca – Santander (Edição SP)

1

31/10 – PO – Debate Entre Especialistas

Na noite do dia 31/10/2018, das 19:30 as 22:00 na sala multiuso Talento Empreendedor do TecnoPUC, rolou um debate sobre o papel de PO (Product Owner) com um time eclético, diferenciado na atuação em equipes, produtos e projetos de diferentes ranges.

1. Caroline Moura Ferreira – Product Owner no SICREDI em projetos de referência em Agile, MBA em finanças na USCS.
2. Karina Kohl – Head de Operações Globo.com, PO de Live Coverage e Doutoranda em Ciência da Computação.
3. Rodrigo Souza – Scrum Master e MBA em Gestão de projetos na Here Technologies, Local Change Detection.
4. Willian Ribeiro – MBA em Gestão de Negócios e TI, analista de negócios na DBServer em projetos ágeis.
5. Alessandro Ott Reinhardt – PO América Latina no time de integração automática de dados na Here Technologies.

A Karina é uma referência na coordenação das trilhas de produto dos últimos Agile Brazil, TDC e Trends, a Carol e o William são talentos da nova geração, ela uma das melhores PO’s com quem já trabalhei e ele analista de negócios na DBServer com experiência em projetos internacionais em equipes distribuídas. O Rodrigo e o Alessandro apresentaram suas vivências em projetos e tornou conhecida para a maioria de nós a empresa Here Technologies, um multinacional líder na área de GPS e mapas, embarcados nas maiores marcas da indústria automobilística.

A estratégia do debate seguiu uma linha temporal desde a estratégia às entregas, perpassando pelos passos de gestão do product backlog, planejamento, daily, refinamento, review, retrospectiva, com muitas dicas sobre dinâmica de negócio e time, ferramentas, ambiente, papéis e cultura.

Se você nunca participou de um evento TecnoTalks, aqui está o link do grupo no Facebook. É um espaço para criar ou compartilhar eventos e conhecimento. Desde 2012 já foram mais de 60 eventos organizados, sempre com propósito singular, muitos sobre Agile, carreira e cultura organizacional é verdade, mas também arte, jogos, tecnologia – https://www.facebook.com/groups/tecnotalks/

0

20/10 – quem ainda não fez o workshop de Toolbox?

Dia 20/10, 13h às 18h, debateremos nossa Toolbox através de 115 boas práticas para profissionais de todas as áreas – carreira, estratégia, modelagem, planejamento, execução, aprendizado, …

Inscrições em http://bit.ly/workshop-TB2010

A participação vale R$250, cada um receberá um kit contendo o tabuleiro e baralho colorido com mais de cem técnicas e boas práticas, certificado de participação, muita interação e aprendizados.

Haverá um email de confirmação do workshop, o quórum mínimo é de 20 pessoas. Uma experiência singular desde a chegada até o final, veja algumas fotos, relatos e conteúdo em http://bit.ly/relato-toolbox

0

Vem pro 2° workshop Toolbox 360° em São Paulo

Workshop Toolbox 360° em São Paulo – Estarei na segunda-feira de 08/10 a tarde em São Paulo e quero aproveitar para rodar mais uma turma do Workshop Toolbox 360° – http://bit.ly/toolbox-out-sp. Se você é de SP, compartilha e fecharemos o quórum \o/

Todos os inscritos ganham o kit do jogo contendo o tabuleiro A3 e o baralho fartamente ilustrados e coloridos, contendo 115 técnicas e boas práticas desde estratégia, ideação, planejamento, validação, brainstormings, gestão do conhecimento e mais.

Uma tarde inteira de interação, com o jogo, mural e debates sobre variadas técnicas disponíveis no baralho que cada um levará. Estou abrindo inscrições, dependerá de quórum mínimo para sair, confirmarei se será no WeWork Berrini.

https://jorgeaudy.com/2018/09/17/workshop-toolbox-360-a-cada-passo-um-novo-se-descortina/

1

Estou enviando os baralhos e tabuleiros para todo o Brasil o/

Fiz um lote muito especial e limitado com a ajuda da DBServer, um Toolbox Essencial com 115 técnicas ao preço de impressão individual em uma gráfica expressa, com gramatura 300 e colorido. Quem for aplicá-lo, pode contar comigo para ajudar no que estiver ao meu alcance, quem quiser receber o tabuleiro e baralho do Toolbox 360° para montar seu primeiro mural, para instigar, jogar ou planejar, estou enviando kits para qualquer cidade do Brasil:

Para adquirir o kit, envie para toolbox.audy.360@gmail.com seu endereço completo, o que quer e quantidade, eu retornarei com instruções e postarei registrado via correios para rastreio. Posto uma vez por semana e a média para chegar em capitais é de 3 ou 4 dias úteis!

1 kit = R$ 100,00 (baralhos extras por R$75 cada)
3 kits = R$ 250,00 (baralhos extras por R$65 cada)
5 kits = R$ 375,00 (baralhos extras por R$55 cada)

Obs: Quem me acompanha vai compartilhar, mas para incentivar também os outros, quem compartilhar nas redes meus posts para ajudar a fazer chegar a mais pessoas ganha 10% de desconto … basta ter compartilhado como público no Linkedin ou Facebook.

KIT COM TABULEIRO E BARALHO TOOLBOX 360°

O baralho possui 115 cartas, menor, portátil, muito melhor que um livro com folhas presas, é possível manipular da forma a agregar mais valor pela versatilidade, podendo-se ordenar, separar, marcar, categorizar e muito mais.

Cada kit com o tabuleiro pode ser usado por uma equipe ou com grupos de 5 pessoas por vez. Muitas empresas possuem 5 kits, permitindo realizar dinâmicas com até 5 grupos de 5 pessoas. Sua natureza e propósito é voltado a instigar o aprendizado, inovação e protagonismo.

O jogo Desafio Toolbox é uma criação minha, uma dinâmica com vocação para ser usada para disseminação, ensino e aprendizado de novas técnicas, para planejamento e modelagem de uso em projetos ou operações. O uso recorrentemente em workshops, equipes, eventos e com alunos em sala de aula.

Em 2015 eu lancei o livro TOOLBOX 360°, um guia então com mais de 70 técnicas, em 2016 lancei o jogo DESAFIO TOOLBOX 360° com tabuleiro e cartas, para finalmente lançar a técnica TOOLBOX WALL 360°, destinado a estabelecer uma gestão do conhecimento auto-organizada.

As regras do jogo são simples e muito descontraídas, fico a disposição, mas estou preparando vídeos explicativos ao uso do mural e do jogo/tabuleiro para que todos possam tirar o máximo de valor agregado em todas as suas variações de uso e aproveitamento.

Um jogo para ser usado a partir de um desafio ou cenário, quer para aquecimento da galera ou planejamento, para afiar sinapses sobre fazer diferente, experimentar novas técnicas, no dia-a-dia, em retrospectivas, em futurespectivas.

As regras de uso do mural são ainda mais simples e igualmente interativas, influenciando auto-organização e gestão do conhecimento ativa, pois a partir do mural utilizamos postits para marcar como especialistas ou conhecedores, interessados ou pedindo ajuda, desaconselhando:

Vale a pena dar uma olhada no registro do último workshop com fotos, informações e depoimentos acumulados de várias edições – https://jorgeaudy.com/2018/09/17/workshop-toolbox-360-a-cada-passo-um-novo-se-descortina/

0

Tempos líquidos e intempérie exigem de nós um barco e um time ágil

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, propôs o conceito de “modernidade líquida” porque o futuro muda permanentemente, no entendimento de um futuro líquido, continuamente mutável, impõe vivermos o agora, termos um plano, fazer o nosso melhor a cada passo, mas ajustando a trajetória.

O livro “Modernidade Líquida” de Bauman é assim descrito: “A modernidade imediata é leve, líquida, fluida, e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política. Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política.”

Por outro lado, em artigo de 1995, dois signatários do manifesto ágil publicaram “Scrum And The Perfect Storm”, refletindo sobre as desventuras do barco Andrea Gail, diferenciando confiar apenas na leitura dos instrumentos (plano e métricas) e a importância de sempre se olhar pela janela do deck.

Antes disto, Takeushi & Nonaka, fonte de inspiração para o Scrum ao citar a analogia ao Rugbi no antológico artigo “The New New Product Development Game” de 1986 na HBR dissertando sobre times auto-organizados em ciclos iterativos-incrementais-articulados.

Somando Bauman e Scrum, vivemos uma realidade fluida, em permanente mudança, que nos exige multi-ajustes de rumo e posicionamento, que nos exige reposicionar nosso barco de acordo com as ondas, o vento, a chuva e a nós mesmos.

O artigo é um marco arqueológico, nos mostra como eles viam o método lá no início, uma pedra de Roseta que precedeu o “Scrum Guide”, sobretudo, percebemos a beleza da verdadeira natureza ágil que o método tem em seu DNA, por ser ele próprio iterativo e evolutivo.

É pedagógico ver o entendimento, visão inicial e o quanto o método amadureceu desde então. Entretanto, passava o recado, veja alguns pontos que pincei do artigo e invista uma horinha para ler o original, vale a pena:

  • Scrum é apenas um compilado de boas prática e bom senso;
  • O mundo corporativo é caótico, com muitas distrações que podem prejudicar o time e o projeto;
  • Na nossa área é comum complicar, sofisticar, intelectualizar, mas simplicidade é bom e melhor;
  • Scrum ajuda os times a focar no que importa, deixando o menos importante aguardando prioridade;
  • Precisamos escolher entre a ficção dos grandes planos, métricas e reports ou realmente nos envolvermos no projeto;
  • O principal ícone do Scrum é a Daily Meeting;
  • No Scrum todos sabem qual o objetivo principal da iteração e quais os objetivos pontuais de cada participante;
  • Scrum incentiva a interação, contra a tendência ao individualismo;
  • O maior benefício é a humanização do desenvolvimento através de comunicação diária, pactos e foco coletivo na meta;
  • Fazer reviews das viagens anteriores para aprendizado e melhorias das próximas é fundamental.

O Product Owner era Product Manager, não declaravam o papel do Scrum Master e as iterações recomendadas tinham 30 dias: