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Iniciando uma CoP

A seguir uma proposta para o início e realização de uma CoP, com alguns links de técnicas úteis a cada passo. Pensando em formação de grupos, teremos a FORMAÇÃO, mais a coragem de permitir a ENTROPIA inicial da auto-organização, seguido de um período significativo de SINERGIA, eventualmente enfrentando momentos de QUESTIONAMENTO.

1. FORMAÇÃO

A formação exige empenho de um ou mais early adopters, que se empenharão em identificar as pessoas, energizá-las, propor um primeiro formato baseado em boas práticas e eventualmente conduzirão a(s) primeira(s) experiência(s).

É preciso providenciar canais de comunicação simples, assíncrona e aberta (Slack, Rocket, GDrive, grupos em redes sociais, etc), bem como um espaço físico para a(s) primeira(s) agenda(s).

É legal formalizar um convite formal à participação, apresentando o conceito e valor de CoPs, auto-organização, aprendizado vicariante, foco em gestão do conhecimento, não só compartilhar, mas também gerar novos.

Sugerir a primeira pauta e promover uma primeira pesquisa junto aos convidados, alinhando expectativas, estabelecendo os principais temas que cada um pode contribuir e que cada um gostaria de desenvolver colaborativamente.

Propôr um formato simples de quebra-gelo para integração e check-in, diferenciado na primeira reunião e variado nas seguintes. Um pitch inicial pode ser Nome de guerra, hobby/paixão, área/valor/business envolvido, domínio do papel, expectativa na CoP ou nível de confiança. Variados quebra-gelos podem incentivar a inovação, a colaboração, etc.

Reiterar a importância deste canal de forma assíncrona, colaborativa, auto-organizada, muito além das reuniões, mas diariamente como forma de tirar dúvidas, sugestões, dicas, empoderamento do papel e o valor que agrega.

2. ENTROPIA

Evite decidir pautas, conteúdos, material, necessidades, … de forma unilateral. Faça a pesquisa sugerida no tópico de formação acima e monte as pautas de forma colaborativa. A primeira terá uma sugestão e provavelmente será seguida, mas auto-organização exige confiar nas pessoas e na sua capacidade de propôr e debater o que mais agrega valor.

Desmistifique desde o início a busca por reuniões perfeitas, formais, organizadas e assertivas, pois a auto-organização pressupõe “deixar que um grupo co-crie e co-gestione seus interesses em comum, experimentando e melhorando conforme suas características únicas, singulares”. Pressupomos que isso gera maior engajamento e senso de pertença.

O conceito de Ba (Takeushi & Nonaka) é a percepção que a geração de conhecimentos se dá em espaços físicos e virtuais que ofereçam as condições para que isso aconteça. Evite focar mais na reunião presencial que nos fundamentos, técnicas e condições para que a pauta, compartilhamento, debates e co-criação aconteça.

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3. SINERGIA

Uma CoP não é um grupo criado para tirar dúvidas e aliviar as “dores” sobre um assunto ou papel, muito mais que isso, ela existe para desenvolvimento pessoal, coletivo, para o compartilhamento e geração de conhecimento.

Desta forma, podemos inicialmente debater aqueles temas de maior dor, temas que estão prejudicando sua atuação e que colegas já resolveram (aprendizado vicário – A Bandura), a seguir aperfeiçoar aquilo que fazemos a bom termo mas descobrimos haver formas melhores de fazer, mas rapidamente passamos a experimentar, criar, ousar.

Há CoP’s que ao perceberem um esvaziamento de problemas explícitos a resolver, aproveitam seu fórum para promover o estudo, a leitura de livros, novas tecnologias, trazer profissionais de referência, assistir webinars e estudos de casos com o intuito de debate em grupo sobre entendimento e aproveitamento.

Na linha da Antroposofia, uma CoP não é só para aprender “o que sei que não sei”, possui missão mais ambiciosa em debater “o que sei”, “o que sei que não sei”, “o que não sei que não sei” e até mesmo “o que não sei que sei”. Muitas vezes é preciso fazer CoP de CoP’s, trazer diferentes visões, o que a IDEO chama de desfocar o grupo.

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4. QUESTIONAMENTO

O dia-a-dia é um vortex que em determinados períodos nos consome, é previsível que haja momentos de questionamento se uma CoP continua sendo útil … há quatro abordagens que respondem a esta pergunta:

1. Realmente não é mais necessária, simples assim, já cumpriu seu papel, agregou, mas há outros mecanismos que suprem esta necessidade de aproximação e sinergia, é o que Tuckman chamou de fase de Adjourning no seu estudo conhecido como a curva de Tuckman;

2. Talvez a CoP esteja focada demais no passado, em retrospectivas, tentando apenas resolver problemas ao invés de olhar o que queremos ser, em futurespectivas. Este momento é ultrapassado pela tomada de consciência de conceitos de ambidestria, de capacidade absortiva, de conceitos de carreira em perfil Pí e Comb Shape;

3. Muitas vezes é porque o dia-a-dia esta consumindo todo o tempo, nestes casos é preciso refletir o que Cristopher Argyris diferenciou entre single loop e double loop, talvez estejamos focados em resolver os efeitos e não as causas … está na hora de gerar tempo a partir de debates sobre análises causais e melhoria da origem dos problemas;

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4. É preciso sempre que seja algo auto-organizado, com apoio, mas com protagonismo e pertencimento distribuído, se alguém assume a propriedade e protagonismo centralizado da CoP, é uma questão de tempo para as pessoas não se verem como parte, mas como recurso, negando inconscientemente os motivos de sua participação.

LINKS ÚTEIS

Para embasar, sugiro a leitura de um post de 2014 sobre este tema – https://jorgeaudy.com/2014/10/27/agile-e-cop-como-queijo-e-goiabada/

Outra leitura sugerida é uma pesquisa publicada sobre inter x intra – https://jorgeaudy.com/2015/05/29/cop-capacidade-absortiva-e-desempenho-organizacional/

Modelo SECI e Conceito de Ba (Takeushi & Nonaka) – https://jorgeaudy.com/2014/10/11/seci-papeis-do-scrum-e-grupos-de-pratica/ e https://jorgeaudy.com/2013/07/11/a-teoria-do-ba-e-nao-e-piada-de-gaucho/

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Sudoku & Kyudoku para aquecimento

Tenho algumas dezenas de jogos analógicos que utilizam tabuleiros, dados, fichas, … porque mesmo havendo versões digitais legais é possível jogar em qualquer lugar usando papel e lápis, uma vareta e um chão de terra. Também é uma forma de transmitir autonomia a crianças e adolescentes acostumadas a fazer tudo em ambientes virtuais.

Dois tabuleiros, que assim como o xadres, são instrumentos pedagógicos de raciocínio lógico, matemático e de estratégia são o Sudoku e o Kyudoku. O desafio mais simples e divertido para qualquer idade é ter tabuleiros iniciais como manda a regra, mas é possível desafiar jovens a criar os seus e propôr desafios originais uns aos outros, via de regra em equipe.

Eu fiz uma compilação em 2006 para escoteiros com dezenas de jogos de tabuleiros, dominós, peças, … como Mahjong, Do, Senha, damas chinesas, tem muitos jogos legais, muito divertidos, que com sucata e criatividade a meninada criava seus próprios tabuleiros e peças pirografadas, especialmente para acampamentos e no Natal para presente.

Sudoku (数独)

É um jogo de raciocínio lógico, são 9 linhas por 9 colunas, sub-divididas em 9 quadrantes de 3 x 3, com uma regra muito simples e instigante: “Cada linha, cada coluna e cada quadrante só pode conter uma vez cada número de 1 a 9.”

Inicia com algumas posições preenchidas, para deduzir progressivamente as posições em branco. Cada coluna, linha e quadrante só pode ter um número de 1 a 9. Requer reconhecimento de padrões e raciocínio lógico, no exemplo acima temos a 2ª e 3ª colunas contendo já o número 8, bem como a 8ª e 9ª linhas, logo, na 7ª linha e 1ª coluna com certeza possui um 8, que é o único naquele quadrante.

KYUDOKU (きゅうどく)

O desafio é ter apenas uma vez cada número de 1 a 9 no tabuleiro, entretanto, a soma em cada linha e coluna deve ser igual ou inferior a 9, eliminando todos os demais. Faça meia dúzia de Kyudoku (gere online e reproduza) de forma que cada posição tenha o tamanho de postits médios quadrados. Faça uma sequência de 1 a 9 com postits quadrados verdes e tenha mais 30 postits laranjas em branco.

Dicas: Inicie eliminando todos os números iguais aos já fixados, no exemplo, elimine todos os outros 6. Em segundo lugar, marque os números únicos no tabuleiro se houver, como o 8 no canto direito inferior. Então elimine os números nas linhas e colunas já com um número fixado e que a soma ultrapasse 9. Reinicie e repita as dicas ciclicamente, é mais fácil que parece aos novatos.

Há muitos sites e apps para jogar online, como exemplos virtuais com jogos bem variados tem o https://www.brainzilla.com/ em inglês e o https://www.geniol.com.br/ em português.

 

 

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Workshop Toolbox 360° 14/09/2019 no TecnoPUC

Dia 14/09, Sábado, das 09:00 as 19:00 vamos debater nossa Toolbox em projetos, operações, carreira e vida. Um workshop para profissionais de todas as áreas sobre auto-conhecimento, planejamento, desafios, execução, …

A inscrição garante um kit com tabuleiro e baralho com mais de cem técnicas e boas práticas, além de muita interação e aprendizados teóricos e práticos, com dinâmicas ilustrativas e divertidas …

Inscrição é R$250 em http://bit.ly/toolbox-360 … após a inscrição será enviado email com orientações adicionais.

Vai rolar debates e interações em grupos, vamos jogar Desafio Toolbox 360°, refletir sobre técnicas de planejamento de Carreira, sobre Team Building, ciclo de vida em Projetos e Operações, também Toolbox Wall.

Acontecerá no TecnoPUC, mais sobre o jogo em https://jorgeaudy.com/desafio-toolbox e tem fotos e relatos em https://jorgeaudy.com/2018/09/17/workshop-toolbox-360-a-cada-passo-um-novo-se-descortina

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Jogo Imagem & Soluções

Um jogo simples, fácil e muito divertido para aquecimento de sinapses, instigando a criatividade e perspicácia na proposição de oportunidades. Pode ser individual, duplas ou pequenos grupos … eu prefiro em pequenos grupos como um warm-up para despertar criatividade, improviso, perspicácia.

Sorteamos um recorte de revista para todos ou em grupos, sobre o qual deverão pensar o maior número de produtos e serviços. É brainstorming, abstraindo problemas ou oportunidades, para propor negócios criativos. Eu sempre acho legal propôr ser politicamente correto, sem matar, poluir ou degradar.

Cada grupo inicia com papel, postits e canetinhas, de um lado o problema ou oportunidades, de outro a proposta de um ou mais produtos ou serviços inovadores, listando tudo, buscando sugestões divertidas, inusitadas, malucas, … a cereja do bolo é que devem dizer qual o nome comercial para cada solução de valor proposta.

Exemplo, pode ser uma imagem urbana, rural, uma ilha, o interior de um avião, poluição ou um aterro sanitário, uma cidade degradada ou em ruínas, tem quem use a foto de um animal, o que leva usualmente o jogo para exploração ou morte do bicho, mas eu prefiro desafiar algo sustentável, positivo e construtivo.

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Revisitando Value Proposition Canvas para papéis

Há bastante tempo venho facilitando reuniões de planejamento pessoal, contando quando necessário com uma interpretação e sinergia entre o mapa de Persona e o Value Proposition Canvas. Com eles estabeleço uma sequência com três passos – Persona, Momento Atual (As Is) e Expectativa/Pacto (To Be).

Exemplo de uma reunião de colegas, pares em determinado papel, cargo ou função, como uma reunião de líderes, outro exemplo é um grupo de trabalho, equipe, ou mesmo quando tenho alguns momentos com um amigo, colega ou aluno para debater mindset de entendimento de seu momento e crescimento.

Lembrando que curto muito uma variedade de técnicas e dependendo de cada momento vou usar Ikigai, 5w2h, CSD, Role MOdel Canvas, Odyssey Plan e outros tantos que aqui compartilho. A seguir compartilho este que uso vez em quando e gera bons insights e bons resultados:

#1. PERSONA –  Inicia com o mapeamento de persona, nomeando e desenhando quem ela é, de forma divertida e lúdica, traçando o seu perfil, comportamento e necessidades, objetivos ou metas;

#2. MOMENTO ATUAL – O segundo passo é o momento atual, o que a nossa persona faz, o que é mais importante, quais seus pontos fortes e quais os pontos fracos, aquilo que no Value Proposition chamamos de Ganhos e Dores;

#3. EXPECTATIVA/PACTO – Aqui estabelecemos o que pode ou precisa mudar, como gerar mais valor e mitigar dificuldades, insights que alimentarão o último campo, resultado do sequenciamento e auto-conhecimento voltado a resignificar e comprometer-se a melhorar.

Um exemplo bem frequente é quando bato um papo com um colega, amigo ou aluno sobre o trabalho dele hoje, é uma forma de mostrar valor em auto-conhecimento. Este exercício normalmente gera percepções e surpreende a própria pessoa sobre coisas que pode fazer para melhorar seu dia-a-dia.

Os originais sobre Mapa de Persona e Value Proposition possuem farta documentação na web, os utilizo em negócios, produtos e projetos para mapear personas e para identificar o mapa de valor:

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Mais sobre City Building Games

Fiz um post sobre City Building Games em 3D na politécnica, algo que já havia compartilhado bastante nos anos de 2012 e 2013, mas pela curiosidade demonstrada por quem me acompanha a menos tempo, acho que vale a pena detalhar mais um pouco, pra galera de outras áreas apliquem se quiserem.

Compartilhei aqui o jogo chamado que tinha aprendido no Ágiles 2012 em Buenos Aires, desde então apliquei pelo menos 3 formatos aqui em Porto Alegre – O último post sobre este tema foi de 2016 após um TecnoTalks sobre Team Building Games – https://jorgeaudy.com/2016/04/08/agile-game-construindo-cidades/

Podemos rodar em versões 2D e 3D, além de uma versão especial muito legal da Alejandra Alonso (2D) contendo histórias com critérios de aceitação e regras que impõem mudanças no meio do projeto, mindset iterativo-incremental com mínimo desperdício e máximo aproveitamento.

Tudo começa com uma certificação em edificações de PTF (papel-tesoura-fita) em que todos tem que fazer uma casinha seguindo alguns critérios que apresento na tela. A seguir faço um kick off apresentando o projeto, suas restrições, premissas, requisitos, justificativa e informações gerais.

Tanto a versão 2D quanto a 3D é muito mágica, é possível deixar que os times decidam quais as construções do seu MVP de cidade, já usei como pano de fundo o Kubitchek e Brasília do zero, mas a versão que criei mais recente propõe um mix de edificações, propondo a definição do MVP e sua execução em sprints de 15 minutos.

Planejam algumas sprints e a cada 3 minutos paramos para a daily e atualização do quadro Kanban. Previamente organizo a sala com várias mesas para cada equipe e sobre elas um grande papel pardo que é o terreno onde deverão desenhar as ruas e quadras, onde colocarão as edificações.

Em uma versão bem divertida eles ganham 30 notas de dinheiro de R$1 do Seu Madruga e tudo o que precisam devem comprar – hidrocôr, folha A4, tesoura, um metro de fita crepe, régua, o que obriga eles a evitarem o desperdício e pensarem antes de sair fazendo … que é a vida real em projetos e empresas.

As equipes definem os papéis de Scrum Master, Product Owner e estabelecem a dinâmica interna dos times, exercitando uma inception, planejam e montam seu Release Plan em sprints, que no fim das contas estabelecem as primeiras histórias do primeiro sprint para o Kanban de execução.

Na versão da Alejandra Alonso o furo é mais embaixo, tem planejamento e cadenciamento de sprints, é o mais sofisticado de todos, não tem o impacto visual da construção 3D, mas faço a colagem no terreno fazer as vezes da review e apresentação dos resultados da sprint …

A versão abaixo é a versão que compartilhei algumas vezes em TecnoTalks, gosto muito. A versão 2D e a 3D tem seu valor também, tudo depende do que e como queremos compartilhar … a diversão, debates e aprendizados são garantidos.

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VII Toolbox na Educação foi na Faculdade SENAC

No dia 25/05/19 pela manhã rodou com professores na Faculdade SENAC um Toolbox na Educação, nas paredes as provocações retroalimentando os murais criados pelas seis edições anteriores. O primeiro passo foi em três grupos estabelecer os temas para discussão, consolidados em comum acordo como segue.

A partir dos temas definidos, uma visita aos murais e iniciou-se um world café em que todos participaram das discussões nos três grupos, cada qual com alguns dos temas propostos, selecionados por sua relevância. A cada rodada, mantendo um embaixador para revisão e retomada, todos os demais trocando de mesa.

Fiquei sem as fotos dos murais de cada grupo, assim que receber as fotos, postarei aqui para registro histórico.

Metodologias ativas, Andragogia, inversão propositiva, jogos pedagógicos, gamefication, dinâmicas de grupos, Agile, avaliação baseada em aprendizados e não padronização, entre outros tantos tópicos instigantes. O objetivo era compartilhamento, crescimento colaborativo e a gestão do conhecimento auto-organizada.

Discutiu-se diferentes abordagens para aprendizado baseado em metodologias ativas, como aprendizados baseados em projetos, em problemas, em fenomenos, em casos, em jogos, em times, em evidências, … Valorizando mais que uma metodologia, o aproveitamento e mixagem de várias abordagens para criar aulas ativas.

Conheci o instigante prof Luis Patruco, que tem uma grande bagagem sobre dinâmicas de grupo, compartilhando muito conhecimento, nos apresentou o SBDG, debateu sobre andragogia e outros temas muito interessantes … compartilhando em DG os diferentes momentos de uma turma, entre controle, inclusão e afeição.

A equipe de inovação pedagógica foi fantástica, dela foi a iniciativa e todos os cuidados para que desde alinhamentos, convites, divulgação, acolhimento, material, interação e registro fossem muito especiais. Também contamos com o conhecimento e ensinamentos da Aline de Campos e do Guilherme Bertoni.