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RD Matrix – O MVP de uma empresa virtual e interativa em Open source

Uma das empresas brasileiras de tecnologia por quem tenho simpatia é a RD, a Resultados Digitais de Floripa em SC, admiração desde que realizamos um TecnoTalks em 2015 com o Bruno Ghisi e o Guilherme Lopes na então incubadora RAIAR do TecnoPUC – https://jorgeaudy.com/2015/04/01/relato-sobre-o-poa-startup-talks-na-raiar/

Um episódio muito legal, recebi uma ligação deles dizendo que eles estariam aqui em POA para um RD Summit e que gostariam de aproveitar e compartilhar algo com a galera do TecnoTalks, uma iniciativa deles para compartilhamento de aprendizados vicário, um mindset que por si só já os apresentava.  As palestras e o debate em sequência foram sensacionais, uma visão madura sobre o desenvolvimento de uma startup e o uso de metodologias, técnicas e boas práticas como substrato para uma organização que aprende e se reinventa.

Ao postar sobre a comunidade de software livre Jit.si, o Luis Henrique Rauber Rodrigues me deu a dica do projeto Open Source #Matrix da RD, que por sua vez tem suporte a vídeo via Jit.si. A alegoria ou paradigma utilizado é o de uma planta baixa, assim como a Sococo. A proposta é ser possível enxergar não apenas uma sala de reuniões, mas uma visão geral de todas as salas, cada uma com uma designação. É possível transitar e interagir quando queremos, como se circulássemos na sede da empresa e víssemos onde está todo mundo e o que está rolando …

Solução open source versionada no github, back-end em Node.js e socket.io, front-end em bootstrap e Jquery, contando com mais de 30 contribuidores, 14 branches e mais de 200 releases até aqui – “O objetivo do projeto é fornecer um ambiente de escritório virtual como em um escritório físico. Quando estamos trabalhando em um escritório físico, é muito comum ir de uma sala para outra para conhecer pessoas e ter conversas, por exemplo: cozinha, sala de estar, sala de jogos etc. Ao trabalhar remotamente, há menos interação com outros membros da sua equipe, como em um escritório físico. O projeto nasceu como uma proposta para melhorar essa experiência. A idéia é permitir que você crie várias salas virtuais imitando o mundo real, onde as pessoas podem entrar em uma sala. Leia mais em uma postagem da RD no Medium.

Na solução comercial da https://sococo.com/ temos a mesma alegoria, onde é possível ver uma bolinha colorida com o nome de cada pessoa, em salas onde estão acontecendo reuniões ou agrupamentos por área. A Sococo usa tipo um smile colorido para indicar quem está onde (no Matrix é uma fotinho). A Sococo tem um produto comercial já consolidado, com um nível de sofisticação nos cenários e features, oferecendo inclusive diferentes fundos de cena. A observação pertinente é que a Sococo começa em 11 dolares por pessoa por mês …

Na linha do menos é mais, em uma abordagem bem MVP + MMP, gostei muito da proposta, é simples, rapidamente implementável e com muito potencial. Mais que isso, é open source e é brasileira, puxada por uma empresa inspiradora de muito sucesso.

A pandemia, com o distanciamento social e milhões de pessoas em home-office, esta abrindo para o mercado diferentes oportunidades e cenários de trabalho remoto, soluções de produto e serviços até então restritas a pioneiros, nichos e aficionados.

Tem mais alguns que descobri após a postagem:

https://knockhq.co/

KNOCKHQ

https://www.mydigitaloffice.io/

digitaloffice

https://pragli.com/

pragly

https://remo.co/

remo

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Personas é meio para empatia, entendimento e atendimento

Podemos e devemos entender que PERSONA é a chave, pela relevância de criarmos empatia e reamente compreendermos os clientes, stakeholders, público-alvo, em seus diferentes segmentos e perfis, tanto quanto nossos key-users, usuários, parceiros e operadores.

Para que um produto tenha sucesso, o substrato são as pessoas, quanto mais estabelecermos uma conexão com as pessoas envolvidas, em todos os sentidos, é fundamental. Aquelas que compram, mas também aquelas que vendem, operam, viabilizam, influenciam, …

Para cada produto, serviço ou processo, é preciso debater, pesquisar e mapear suas personas, cada qual com seu peso e equilíbrio em relação às demais, entender a relação entre elas, o peso de suas ações e decisões, como envolvê-las, torná-las parceiras.

Nem sempre as técnicas são explicitas, é uma questão de escolha, algumas serão construídas colaborativamente, algumas as vezes são materializações mais simples, as vezes reaproveitamos mapas já materializados e confirmados, cada caso é um caso.

Ao imaginarmos uma startup ou um novo time de produto, é possível imaginar alguns passos iniciais de grande valor agregado e que sustentarão nossa estratégias a execução – mapas de empatia, mapas de rede, mapas de mercado e a identificação de amostragens:

A) Canvas de empatia possuem variadas abordagens e campos, todos mapeiam personas, com o objetivo de entender, monitorar e cada vez mais buscar o maior nível de conexão e satisfação, através de produto, serviço ou processo.

B) Mapas de rede oferecem amplitude de visão, representando o relacionamento entre diferentes perfis e o que estes relacionamentos nos dizem, um zoom out, informações que enriquecem o processo de empatia em uma visão mais ampla. Os nodos

C) Estatísticas diversas, dados de 1° e 2° nível, pesquisas, especialistas, tendem a gerar visões significativas, com frequência subsidiando projeções e volumetria, curvas normais com medias e extremos, por adesão, por quantidade, por necessidade, etc.

D) Amostragem, porque um dos maiores ganhos do método de mapeamento de personas é a identificação de amostragens assertivas que serão usadas para direcionar pesquisas, eventos de validação, promoções, relacionamento e experiências.

Técnicas de levantamento, validação, elicitação, debates, estudos, … que podem ser usadas a qualquer momento em meio a ciclos iterativo-incrementais, permanentemente buscando entender e validar nossos pressupostos, sua evolução e (re)posicionamento.

Em se tratando de Toolbox, as quatro técnicas acima e as doze abaixo, nos ajudam a dar start em um processo iterativo virtuoso, pois ajudará na visão de personas, proposta de valor, MVP’s, validações, desenvolvimento do cliente e pivots de diferentes níveis.

1. Entrevistas sempre serão úteis, a preferência é por técnicas mais coletivas, posto que registrar opções pessoais é anos luz atrás de reunir pessoas e gerar informações percebidas como convergentes ou divergentes;

2. Pesquisa Desk é a técnica de se utilizar de seu computador conectado a grande rede e rastrear o que ela tem a nos oferecer sobre mercado, clientes, concorrentes, fornecedores, … tudo isso ao alcance de um click;

3. Surveys são pesquisas online, dedicando-se o tempo necessário para formulá-la, antecipando possibilidades e cenários. É importante fazer um piloto, que pode inclusive ser analisado em um grupo de especialistas;

4. Análise de conteúdo é uma técnica tão antiga quanto as entrevistas, pois os documentos e material citados em algum momento podem ser requisitados, agrupados, para serem analisados, entendidos;

5. Experimentos são consultas a partir da realização de uma sequência de passos previamente preparados de forma a reproduzir condições para diferentes grupos e assim analisá-los de forma comparativo em suas semelhanças e diferenças;

6. Shadowing é uma técnica de observação, muito utilizado por times de variados produtos e serviços, providenciando horas, turnos ou dias acompanhando clientes, key-users, parceiros, para melhor entendê-los;

7. Diário é uma técnica em que pedimos para alguém registrar tudo o que acontece em certo período de tempo, usado por exemplo, quando o shadowing não é possível, quando pedimos para o próprio cliente fazer os registros;

8. Pesquisa aqui tem uma abordagem abrangente, podendo utilizar-se de questionários, quantitativa ou qualitativa, seguindo métodos mais científicos e a partir dele levantando hipóteses ou conclusões;

9. A técnica Delphi é uma consulta a especialistas, de forma que cada um se posicione sob seu ponto de vista, expertise e know how, informações que são cruzadas para buscar suas variações e coincidências;

10. O uso de debates possui dezenas de formatos, desde painéis, fishbowls, open spaces, world café, técnicas mais abertas ou fechadas, formais ou informais, com coordenação centralizada ou auto-organizados;

11. Focus Group é quando reunimos um grupo de pessoas representativo de uma de nossa personas para validação de informações, que são submetidos garantindo evitar-se influenciar suas percepções;

12. Unfocus Group é uma proposta que segue uma boa prática de debates da IDEO, onde em um grupo de discussão inclui-se propositalmente perfis desconexos, como um psicólogo, sociólogo, alguém completamente fora do tema que será debatido.

Um case de personas, quem elas são, o que comem, onde moram?

Imagine Travis Kalanick imaginando em 2009 o Uber como um serviço de taxis executivos, as personas a serem mapeadas eram os clientes preferenciais (executivos) e a rede no seu entorno, não executivos, motoristas, taxis, ônibus, parceiros, oficinas, postos, …

Aproximar-se destas personas, entendê-las, gerar e induzir empatia em ambos os sentidos, cada uma delas poderia e teve um papel fundamental na história da Uber … Para o founder, business owner, product owner e envolvidos, mapear as suas personas de forma ampla é crucial.

Se não quiser chamar de persona quando não é o cliente final, batize de outro nome, chame-os de bruxos, mas conhecer seu perfil, comportamento e necessidades é tão importante quanto conhecer seu cliente. Porque são engrenagens de uma mesma máquina.

 

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O valor na facilitação de storytelling, encenação, jornadas e storyboards

Para exercer empatia, entender e atender outras pessoas, no trabalho e no dia-a-dia, precisamos nos apropriar de sua história, fluxo de ações e eventos. O valor não está na técnica de modelagem, mas na interação, sinergia e colaboração, narrada pelos próprios protagonistas ou seus representantes, para, colaborativamente, mapearmos passado e presente, projetarmos o futuro.

Nada melhor que histórias, encenações e imagens, quando queremos gerar uma boa egrégora para nos conectarmos a pessoas e objetivos, quer olhando para o passado, presente ou futuro. A chave é o aspeto humano e coletivo de storytellings, jornadas, encenação e storyboards, com facilitações visuais, sketchs, drafts e muitos postits.

Tenho vários posts com detalhamento, relatos e depoimento sobre estes temas e técnicas, o uso em projetos, planejamento, concepções, roadmaps, inceptions, retrospectivas e futurespectivas. O uso em pesquisa, entrevistas, shadowing, focus group, treinamentos, representação em improviso com seus próprios protagonistas e outras oportunidades.

Em 2017 organizei Tecntalks para debater storytelling, Jornada do Herói, psico-drama, oficinas de flipbook, storytelling e storyboard. Além disso, debatemos nossas técnicas de jornada, ideação e enriquecimento com how might we, 5w2h, crazy eight, csd, … Dica importante? Só se aprende fazendo, sempre coletivo, colaborativo, com tentativas, erros e aprendizados.

Storytelling é mais que uma mera narrativa, é a arte de contar histórias envolventes para transmitir uma mensagem de forma inesquecível.

Storytelling é a transmissão de narrativas usando palavras e imagens, pré-elaboradas ou de improviso, para gerar empatia ou fomentar a atenção, debate e enriquecimento de informações que o grupo julgue pertinente. Instigando engajamento, sinergia, originando o mapeamento de jornadas, a facilitação visual, a confecção de cenários passados, presentes ou prospectivos sobre o futuro.

Por enriquecimento, entendemos o debate e a agregação de informações úteis, esclarecimentos, modelagem, sugestões, inovação, disrupção, relacionadas a cada passo da história. Oportunidade para questionar, debater, idear, de forma que co-criemos um bom entendimento e contextualização, mas identifiquemos oportunidades de mudanças, melhorias e soluções.

storytelling

Encenar vai além dos palcos, há diversas formas de comunicação e arte envolvidas, expressão corporal, vocal, artes visuais, música e textos, proporcionando inúmeros benefícios interpessoais.

Encenar, enquanto prática teatral desperta a criatividade e a iniciativa, aprimora a percepção sensorial e desenvolve capacidades como coordenação motora, raciocínio lógico e concentração. Apresenta ferramentas que potencializam a comunicação verbal e não verbal, criatividade, desinibição, improviso, o poder de persuasão, o contato com as pessoas.

A linguagem teatral é uma metodologia que nos conecta ao lúdico para nos comunicarmos sem barreiras, através do lúdico transparecemos o individual e o social em nós, pela encenação é possível materializar um maior e melhor entendimento de um negócio, processo, situação. Eu uso a encenação previamente elaborada e ainda mais inspirada no programa “É tudo improviso” do Ballas na Band.

Jornada é uma visualização do processo que uma pessoa atravessa para atingir um objetivo, usada para entender e atender suas necessidades.

Jornadas são como filmes com extras do diretor, podemos consultar dados sobre atores, evidencias, backstage, dispositivos, ideação, satisfação, etc. Um passo-a-passo onde na primeira linha tem a jornada, contando abaixo com diferentes linhas de informações adicionais, acrescendo dados, para que na soma deles possamos compreender sua complexidade ou real potencial.

Conceitos e técnicas fundamentais para qualquer profissional da era do conhecimento, ambidestro, T shaped. Experiências mapeando jornadas são uma garantia de imersão na co-criação, empatia, compreensão coletiva sobre a experiência de quem queremos melhor conhecer e atender, desde clientes, colaboradores, cidadãos a perfis mais específicos e singulares.

Storyboard são organizadores visuais, com uma série de ilustrações ou imagens em sequência com o propósito de visualização de uma narrativa.

Comece com uma história, identifique os personagens, suas motivações, cenário e contexto, em seguida, escolha cenas (passo-a-passo) que mostrem o enredo em desenvolvimento, do início ao fim. Ilustre sua história, como uma história em quadrinhos, sem stress, esboços rápidos com balões de fala e pensamento, ação e narração feitos em papel ou meio digital, usar postits sempre é uma boa ideia.

Não se apegue ao storyboard enquanto arte, mas como um meio, garanto que qualquer pessoa pode desenhar e se fazer entender. Evite a síndrome do impostor, que na psicologia é uma linha de pensamento onde a pessoa não consegue aceitar que é capaz, sendo levada a procrastinar ou não fazer, postergando desenvolver-se como profissional, achando que somente os outros é que conseguem.

Vídeos

Compartilho um de muitos vídeos explicativos sobre Jornadas em suas diferentes composições, disponíveis no youtube:

A seguir um tutorial para criação de um journey map usando recursos básicos do Miro que acho bem interessante:

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Conhecer o modelo de Kübler-Ross pode ajudar na reação à covid-19

Resposta emocional à mudança, esta teoria de meados do século XX nunca foi tão razoável, o Brasil precisa usar mais argumentos científicos, balizados, racionais, modelos e teorias robustas que há décadas envolvem milhares de pesquisadores mundo afora.

Este modelo, amplamente estudado pela academia pode ser percebido na morte de um ente querido, quando exposto a um incidente imprevisto,  mudanças intensas e repentinas, o que nos exige um tempo para assimilar, reagir e superar.

O site da fundação Elisabeth Kübler-Roos no Brasil é https://ekrbrasil.com/, uma instituição focada na tanatologia, no compartilhamento de teorias e estudos científicos sobre a morte, suas causas e fenômenos a ela relacionados.

A ciência não nos ajuda só a fazer modelos gráficos ou definir estratégias, mas também nos apoia na argumentação, entendimento de contextos, especificidades. Quanto melhor entendido, menor a profundidade e amplitude da curva. O objetivo não é eliminar a negação, mas acelerar as etapas iniciais e o quanto antes partir para a reação!

Um estudo coerente quando nos vemos em frente a uma pandemia global que desde seu marco zero tem poucos meses. Já passamos pelo choque, pela descrença, frustração, pela angústia do desconforto, quatro passos prévios a reação e reposicionamento.

Temos negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, aspectos emocionais de resposta a uma mudança repentina. Pensando em termos de reação positiva a mudança, é complementar à modelos de estratégia e tomada de decisão para gestão de crises.

RESPOSTA À COVID-19

Todos os modelos médicos e científicos mostram que ainda temos o pior pela frente, continuar negando ou resistindo a estes estudos e projeções é desperdício de tempo, profissionais, famílias, empresas e sociedade precisam montar planos de resposta de curto, médio e longos prazos.

Passada a negação e estado de choque, não é só cortar gastos, é mapear nosso 5w2h até aqui e desafiar-se a mudar o necessário para uma nova realidade, debater ideias, parcerias, inovação, empreendedorismo em seus diferentes extratos e possibilidades … procurar gerenciar a mudança a seu favor.

  • Está em casa e não pode sair;
  • Seus planos se inviabilizaram;
  • Você ou conjuge foi demitido;
  • Suas reservas são finitas;
  • A empresa fechou;
  • Um familiar contaminado;
  • Está sem clientes;
  • etc.

A curva de Kübler Ross pode materializar este Gerenciamento de Mudanças, acelerar sua evolução, antecipar a reação, gerar melhores respostas e resultados práticos no curto prazo. Conscientes, é possível antecipar-se a curva e gerar iniciativas para mitigá-la ou acelerá-la.

Shock, denial, frustration & depression – Acelere ao máximo estas etapas, busque informações e parta para a reação;

Experiment – Engajar-se na mudança, dedicar-se a entender, mapear, idear, contribuir com a visão da situação;

Decision – A partir de cenários, debater e escolher alternativas a serem definidas e planejadas de forma ágil;

Integration – É a vivência, experimentação, validação, inconformar-se e ir a luta. Tentativa e erro, aprendizado e adaptação.

Há variadas interpretações e variações deste modelo, como por exemplo:

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Aprender a mapear experiências (jornadas) é um diferencial essencial

Tudo na vida pode ser visto como histórias, quer seja um produto, serviço, trabalho, família, amigos, etc. Tudo fica mais claro quando visualizamos o passo-a-passo e os enriquecemos com informações, expectativas e percepções, melhor ainda se reunirmos um grupo para isso. Técnica poderosa, em uma retrospectiva para lições apendidas, para a compreensão de negócios ou co-criação de algo disruptivo.

A gênese desta abordagem acompanha a humanidade desde a idade das pedras, quando os grupos humanos passaram a se reunir para contar sua história, crenças, leis, façanhas e temores, inicialmente ao redor do fogo. Storytelling é uma técnica ancestral, pela qual todos nós somos capazes de contar uma história passada, presente ou futura, real ou ficção, onde todos que participam viajam e tornam-se parte dela.

STORYTELLING é mais que uma mera narrativa, mas a arte de contar histórias envolventes, fazendo as pessoas se sentirem realmente parte dela, gerando empatia com seus personagens, para assim transmitir uma mensagem de forma inesquecível.

Uma história bem contada tem o poder de nos transportar a momentos, lugares e dimensões, quando mais facilmente nos colocamos em outro papel e contexto, vendo o mundo pelos olhos de um protagonista. No mundo dos negócios surgiram técnicas para mapear a experiência do cliente, do colaborador, do cidadão, buscando no passo-a-passo de alguém uma relação a uma ideia de negócio, produto ou serviço.

A palavra-chave é Empatia, colocar-se no lugar de outra pessoa, hora para entender como aconteceu, acontece, aconteceria ou acontecerá. O objetivo não é apenas entender a narrativa, mas induzir as pessoas a incorporarem um papel, vivenciar a experiência junto ao protagonista, olhando pelos seus olhos, sentindo o que ele sente. Para isso, podemos contar com diferentes sentidos – visão, audição, tato (motor), etc.

EMPATIA é uma palavra de origem grega, significando a habilidade de entender a necessidade do outro, sentindo o que outra pessoa sente, conseguindo se colocar no lugar dela para ver o mundo pela sua perspectiva e singularidade.

No mundo dos negócios, sempre tivemos técnicas de diagramação, contando com notações formais para desenho de processos, desde fluxogramas a casos de uso e BPMN. A diferença entre BPMN e storytelling é que jogamos fora o formalismo, para que qualquer pessoa ou grupo, juntos possam debater de forma livre e aberta, provavelmente usando quadros brancos ou postits, para desenhar jornadas.

O BPMN é útil para registro formal de processos, treino e regulação, auditorias, automação, mas exige profissionais treinados em sua notação e técnicas, possui ciclos longos de levantamento e desenho devido ao seu rigor técnico. O uso de desenhos informais como jornadas permite que qualquer grupo de profissionais use de criatividade e busque consenso para o melhor desenho frente a seu entendimento e objetivo.

BPMN ou “Business Process Model and Notation” é uma notação para gerenciamento de processos de negócio, prevendo uma centena de ícones padrão, regras e pré-definições no desenho de processos organizacionais, visando treinamento, padronização e auditoria.

Desapegue, use técnicas abertas que geram bons resultados em qualquer contexto, pela assertividade encontrada a partir de poucas regras e muito diálogo, materializando mapas de fluxo, com notação e forma sempre singulares, com informações auto-organizadas, hipóteses, afirmações úteis. As técnicas mais ricas e empáticas possibilitam enriquecimento adaptativo de informações, como em Customer Journey Map e Blueprints.

Jornadas são como filmes com extras, com pontos fortes e fracos, dados sobre atores, valor, evidencias, background, dispositivos, ideação, satisfação, etc. Originalmente são propostos mapas cartesianos, frente a um passo-a-passo da primeira linha, contando com diferentes trilhas de informações adicionais logo abaixo, cada passo acrescendo dados, para que na soma deles possamos compreender o seu real potencial.

Na minha opinião, são conceitos e técnicas fundamentais a qualquer profissional, tanto para quem é de negócios, backoffice, quanto de tecnologia. Ter experiências mapeando blueprint e journeys é uma garantia de vivência na co-criação de empatia e compreensão coletiva sobre a experiência de quem queremos melhor conhecer e atender, desde clientes, colaboradores, cidadãos a perfis mais específicos e singulares.

Dica importante? Só se aprende fazendo, desapegando de eventual Síndrome do Impostor (*), acreditando que este é um trabalho colaborativo e que juntos debateremos o assunto e selecionaremos construtivamente as informações pertinentes ao contexto em direção ao nosso objetivo. Todos os aprendizados, tentativas e erros, desenvolverá em cada um de nós melhor capacidade de empatia e modelagem de experiências.

(*) SÍNDROME DO IMPOSTOR na psicologia é uma linha de pensamento onde a pessoa não consegue aceitar que é capaz, sendo levada a procrastinar ou não fazer, postergando desenvolver-se como profissional, achando que somente os outros é que conseguem.

Eu parto da missão para a escolha das técnicas, sequenciamento e profundidade, antes, durante e depois, conforme o objetivo acordado, segundo o mix de atores envolvidos, o tempo disponível, perfil dos principais protagonistas e das equipes envolvidas. O uso de pesquisa, briefing, técnicas de visão relacionadas a estratégia, negócio, entendendo se partimos de uma ideia, evoluímos um produto ou buscamos oportunidades.

Raramente uso templates como os abaixo, encontrados em qualquer pesquisa no Google, mas acho que engessa o fluxo inquisitivo e criativo, prefiro definir cores para os tipos de informações a medida que afloram. Inicio apresentando as técnicas e depois co-criamos juntos mapas de informações que raramente são quadradinhas e cartesianas, mas sempre representam o tanto de real alinhamento e valor que definimos.

No desenho de jornada é possível visualizarmos o passo-a-passo e as informações e percepções consequentes que auxiliarão na empatia, debate e tomada de decisão colaborativa daquilo que queremos entender e melhorar, enquanto no blueprint temos uma visualização exata de camadas, alçadas e meios envolvidas a cada passo. Em ambos temos a identificação de áreas quentes, propícias a ideação e melhorias.

A cada passo em uma jornada, podemos incrementar uma infinita gama de informações pertinentes, escolhidas (com certa parcimônia) pelo grupo reunido, sempre o mais multidisciplinar possível, usando recursos presenciais ou remotos de modelagem, quer postits físicos ou virtuais, talvez com quadros brancos e paredes, mas também podendo ser com o software Miro ou Mural, sempre da forma mais colaborativa possível.

No exemplo abaixo, debatemos a ideia de negócio no #1, empatizamos com as personas no #2, desenhamos a jornada deles no #3 enriquecida com o máximo de informações a cada passo, contexto e proposta de valor, para no #4 desenharmos a jornada futura e no #5 propôr uma sequência baseada em valor, percebendo-se etapas como MVP’s ou Releases para validações e negócios. O #6 é próximos passos.

A tempo, quando ajudo a montar jornadas e blueprints eles se parecem com a imagem real abaixo (não posso deixar nítida por termo de confidencialidade) no ítem #3 e #4:

O mapeamento de uma jornada e o eriquecimento de informações junto a cada passo é, em hipótese, algo simples e descentralizado, se temos 10 pessoas discutindo uma jornada, o foco é qualquer um dos participantes, em especial se houver um facilitador, ir registrando a discussão através de passos e informações em postits, ao natural as coisas vão se estruturando, sequenciando e fazendo mais sentido.

Um amigo certa vez descreveu uma inception por um prisma muito interessante, nos primeiros passos há um misto de sentimentos, como “o tempo está passando”, “tenho pressa, assim não vai dar”, “já discutimos isso”, “gostaria de pular tudo isso e ir direto ao ponto”, mas é preciso  acreditar na lógica do processo e se engajar para que dê certo, aos poucos as coisas começam a encaixar e as decisões sempre fluem a bom termo.

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A hora é agora, daqui a uma semana estaremos atrasados uma semana

Vejo a cada dia o cancelamento de reuniões, projetos, contratos, treinamentos, muitos deles diretamente relacionados a gestão do conhecimento, facilitação, inovação, mas agora é hora de experimentação, renegociação, novos meios. Todos estão sendo impactados, logo, proponha um novo acordo, repense os tempos e as interações, essa crise vai demorar, a solução é repensar, se reinventar e seguir em frente.

O quanto antes treinarmos a todos nós com o uso de tecnologia remota, por mais difícil que pareça, melhor. Até mesmo porque tecnologia deveria funcionar e provavelmente no início vai dar trabalho, vai gerar frustração, mas só assim aprendemos, ajustamos e seguimos em frente. Balanceie seu tempo, evite se entregar a TV e ao inócuo debate de ideologismo sem resultado prático nas redes, arregace as angas e vá a luta.

A tecnologia está aí, streaming, cloud meeting, redes sociais, youtube, miro, canvanizer, trello, etc. Com certeza o timing muda e haverá mesmo assim um tempo de adaptação, de aprendizado. Mas, aprendemos melhor fazendo e não é hora de postergar o impostergável. Mantenha o engajamento em atividades remotas, use muito vídeo, mantenha janelas permanentes uns com os outros, qualquer área que possa manter algum ritmo ao se reinventar tem essa obrigação, enfiar a cabeça no chão como um avestrus não é exatamente uma estratégia.

RENEGOCIE – Gosto do exemplo do rádio, jornal e TV, uma matéria tem um único conteúdo, mas possui forma e ritmos diferentes em cada meio, logo, é preciso repensar nossos tempos, o formato, inovar, empreender, além disso, estar aberto para reajustar novamente quantas vezes necessário. Frente a certeza de que o contrato, plano, agenda originais não poderão ser cumpridas como o previsto, a solução não é cancelar, mas revisar o contrato, replanejar, reagendar, … Onde estava o presencial e a reunião, agora será remoto em interações resigificadas.

VÍDEOS – O primeiro passo é definir a(s) plataformas mais aderentes as suas necessidades ou disponibilidade para reunião por vídeo em tempos de Covid-19 … postei recentemente as principais plataformas para reuniões em vídeo, com suas características e links. Mas, temos que ir além da reunião de hora marcada, é possível manter o contato estável e contínuo, manter uma janela com acesso permanente a todos.

QUADROS – Compartilhei um post sobre quadros virtuais em tempos de Covid-19, onde compartilho vários softwares e aplicativos para criar quadros e mapas mentais colaborativos, recurso essencial para trabalho remoto colaborativo e mapeamento colegiado. Aprender a modelar mapas conceituais para convergência, tomada de decisão, planejamento, etc, não é trivial, o quanto antes desenvolvermos isso melhor.

Inovação e empreendedorismo

Agora é hora de tentar fazer diferente, de novas parcerias, com expectativas abertas, menos formatadas e previsíveis. Mais que nunca há muitas pessoas com tempo extra para aprender e descobrir … temos de uma a duas horas a manos de deslocamento, almoçando em casa. Aproveite para ler, ativar seu networking, busque ou ajude novas formas de gerar receita, conte com os seus parceiros de viagem e retroalimente sua rede.

Há um grande número de cursos gratuitos e aumentam a cada dia, grandes instituições se sensibilizam com o momento e oferecem opções antes pagas e agora abertas para que as pessoas aproveitem o tempo para aprender e se motivar, talvez instigar se reinventar. A galera pode juntos votar e escolher alguns cursos para todos fazerem e gerar reuniões de debate e interpretação, com sessões de inovação para uso prático:

(*) Da uma olhada no Youtube em tutoriais e cursos sobre Scratch … se aprende lógica e programação brincando, como em https://www.youtube.com/watch?v=poLuoL4nVCE
(*) Tenho um post de 2016 explicativo sobre a oportunidade de ensinar com Scratch
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Home Office exige disciplina e indisciplina na medida certa

Listei alguns tópicos relevantes para quem nesses dias de covid-19 está atipicamente em casa fazendo um home office forçado, marquei de forma despretensiosa com (+) aqueles que exigem um tanto de maior disciplina e com (-) aqueles que inevitavelmente, por bem ou por mal, exigirá abrir um pouco a mão da disciplina e controle:

Antes de mais nada, carinho com quem tem menos compreensão: Tenha empatia, alerte e combine com os colegas e chefe para todos terem um pouco de paciência com eventuais deslizes dos filhos. Mas, pense bem, ter o papai ou a mamãe em casa, mostrando para eles como é legal o seu trabalho, pedindo uma “ajudinha”, brincando vez em quando no vídeo com os colegas, … Assim ficará mais fácil eles colaborarem. Lembre-se que seus filhos (gatos e cachorros também) estão acostumados a ter toda sua atenção quando você está em casa, precisarão de tempo para se acostumar que você está em casa, mas não a disposição, tenha paciência com eles e se necessário alerte e peça que o chefe, o cliente e os colegas também tenham.

AMBIENTE (+): Estabeleça uma mesa para ser o seu “home office”, preferencialmente uma mesa para que tenhas uma postura ergonômica, isso vai ajudar a seu cérebro começar a se adaptar caso essa parada de covid-19 demore um pouco mais que o esperado, sem stress, mas essa definição ajuda também a conjuge, filhos, outras pessoas a lembrarem que estás trabalhando.

CHURRASCARIA (+): Divirta-se, faça uma placa tipo churrascaria, vermelha de um lado e verde do outro. Assim como o garçom, se estiver no vermelho não é para atrapalhar (vídeo, áudio ou tentando achar uma solução), só não deixe sempre no vermelho nem brigue se alguém esquecer … é uma forma de tornar esse puxa e solta com a família mais inusitado, diferente;

START (+): Eu recomendo o mindset da técnica dos 7 minutos no início de cada dia ou jornada, garanta alguns minutinhos com uma folha em branco, <1> liste as pendências do dia anterior, <2> liste os compromissos do dia, <3> seja criativo, pense o que vai rolar, ordene, priorize, veja e avise a quem está aguardando se algo não vai rolar. Um brainstorming individual e singular no início de cada dia ajuda a ter maior clareza nas prioridades, entregas, comunicações de status e é um excelente motor de arranque;

AGENDA (+): É importante manter uma agenda clara de reuniões, mesmo aquelas que antes não precisava agendar. No escritório é só cutucar o ombro do colega e bater um papo, mas lá percebemos o contexto, se o momento é apropriado, agora estamos todos distantes uns dos outros, então é preciso um pouco mais de disciplina e se possível combinar os melhores horários e agendá-los;

HORÁRIO (+/-): Por um lado, é muito positivo manter a rotina, acordar, tomar um bom banho, colocar uma roupa (**) confortável, mas por outro é preciso relaxar com os pequenos imprevistos previsíveis por estar em casa, o interfone, o vizinho, o conjuge, a filha (*), o contexto doméstico exige que não tornemos o dia “duro” demais para não tornar a experiência tensa … aproveite;

(*) FILHOS (-): Cara, relaxa, tenha uma visão de produtividade e entrega para o seu dia, mas não tente fazer de conta que está no escritório, seus filhos ou crianças não conseguirão entender isso. É preciso ser estratégico, ter papel e lápis, ir administrando e fazendo combinações de boas, sem stress, a parada tem que ser equilibrada e diplomática, senão vai ser o inferno. Em alguns casos, sua produtividade provavelmente será menor e a galera, inclusive o chefe tem que entender isso;

(**) DRESS CODE (-): Pessoalmente acho ruim trabalhar em casa de pijama e pantufa, melhor manter um mínimo de indicadores ao cérebro que você está perto do sofá, da TV, da geladeira, mas que não é final de semana e temos trabalho a fazer. Manter o habito de “ir para o trabalho” é significativo para o seu cérebro. Outra coisa, evite iniciar um vídeo sem camiseta, de cueca, etc, achando que ninguém vai perceber, daqui a pouco o celular cai, você passa na frente do espelho, o note fecha e aí vira folclore;

SW VÍDEO (+): Mantenha o(s) SW de video sempre aberto(s) e disponível(is) para chamadas (***), combine entre a galera o meio e mantenha-o aberto, porque cada um deles tem seu tempo para abrir e conectar, o Zoom usa uma chave, Teams, Whatsapp web, Skype, Hangout, Whereby, etc, cada um demora um tanto para abrir e fechar a conexão, senão terão que chamar mandar email ou Whats pedindo para abrir o vídeo ou áudio.

(***) OLHO-NO-OLHO (-): Uma coisa que aprendi com algumas equipes remotas é que podemos manter a chamada de vídeo o tempo que quisermos, mesmo sem falar, focados no trabalho, com todos em MUTE, para alguns ver os rostinhos dos colegas ali na tela ao lado ou em background torna tudo mais confortável e focado. Dá para fazer uma brincadeira, mostrar um recado, aproximar descontraindo;

GELADEIRA (+): Você vai ter que ter mais disciplina com a geladeira, no final de semana assaltar a geladeira faz parte, mas assaltar sete dias por semana não vai dar … policie-se, senão quando o covid-19 passar, você vai ter que passar uma temporada numa clínica de emagrecimento ou spa. Mantenha os mesmos hábitos do trabalho, um chimarrão, talvez um lanchinho no horário de sempre. Uma opção legal é ter frutas a mão e comprar menos bugigangas, isso tira a ansiedade gerada pela proximidade da geladeira;

Relaxe e aproveite, quem sabe é uma experiência forçada que nos autorizará a praticá-la com mais frequência por opção no futuro próximo.

A tempo, covid-19 não é o apocalipse Zumbi, então não consuma mais que o necessário, não compre mais que o necessário, seja racional em tudo, é só seguir as orientações … sem corridas aos supermercados, ok! Com calma, cuidados, consumo inteligente e usando a tecnologia a nosso favor, logo passa e dentro do possível aos poucos voltamos ao normal.

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