0

Geração DUX – Fundação Gerações

A “Fundação Gerações” é uma organização sem fins lucrativos, provida por grandes empresas, com foco no terceiro setor gaúcho. Como meio, apoiar projetos de valor social por meio de fundos de investimento e pela formação de jovens líderes – http://geracaodux.com.br/

Apoio institucional do CIEE/RS, UniRitter e Instituto Jama, conta com mantenedoras do porte da AES Sul, Gerdau, Vonpar e FMSS, seleciona turmas para com elas debater uma grande amplitude de conhecimentos e vivências, diferentes hard e soft skills para jovens líderes.

O programa Geração DUX para desenvolvimento de lideranças tem turmas anuais com teoria, vivência e visitas que fomenta a preparação de líderes inspiradores, com atitude, pautados pela ética e pertencimento a uma sociedade mais justa e sustentável.

Este mês tive o privilégio de me reunir com a turma deste ano para compartilhar principios, crenças, valores e muito conhecimento vicariante. Não foi uma aula, foi um pack de provocações e não faltou um bom jogo Toolbox discutindo técnicas e ambidestria …

Dá uma olhada nos dois vídeos abaixo, um sensacional sobre a edição 2018 e algumas dicas com Fernando Schüler:

0

A ABRH trabalhou para que o CongregaRH 2019 torne-se um marco histórico

Um evento que contou com grandes nomes do RH brasileiro, com a participação de grandes empresas, uma grande feira com estandes significativos e a presença de quase mil pessoas no auditório do centro de eventos da PUCRS no prédio 40. Tema: Liderança Ágil em um Mundo Complexo!

Tive o privilégio de ser a primeira palestra, logo após a abertura, para falar sobre liderança ágil em um mercado ao mesmo tempo VUCA e exponencial, ambidestro  \o/  compartilhando minhas percepções e aprendizados práticos nos últimos anos sobre o tema.

Fiz uma breve introdução histórica e de fundamentos, embasando as características dos líderes que as empresas buscam, uma espécie de 5w2h da liderança ágil – quem, como, porque, quando, onde, quanto, quando, … com bons feedbacks da galera presente.

Durante todo o evento, a ABRH se propôs a ouvir e compilar sugestões para um Manifesto Ágil do RH brasileiro, a partir da opinião de centenas de profissionais da área durante todo o CongregaRH 2019, com percepções em quatro dimensões – Pessoas, Liderança, Processos e Organizações.

A partir de quatro murais com as dimensões propostas com sugestões de toda a comunidade de RH presente, insumo de um debate entre diretores de RH e agilistas participantes que vem vivenciando e compartilhando projetos junto a áreas de pessoas em diferentes abordagens e cases em rede.

Eu, pelos cases como consultor pela DBServer, na organização de eventos com o tema Toolbox no RH e compartilhamento recorrente de ideias, conhecimento e vivências de interesse, fui convidado a participar de um dos debates ocorrido no terceiro dia do evento.

Já existe um Manifesto ágil de RH proposto por um grupo de profissionais americanos e frequentemente divulgado em eventos brasileiros, que tem servido de inspiração para todos nós, entretanto a proposta da ABRH é construir algo que seja um marco para a transformação cultural organizacional em curso no Brasil.

Cada vez mais a área de pessoas (RH) das empresas trabalha para resignificar seu propósito e atuação, novos paradigmas de relacionamento com o mercado e visibilidade ampliada, geração de redes, descrição de cargos por T Shape, avaliação continuada, programas de desenvolvimento auto-organizados, Agile, …

Creio que em breve teremos novidades, um manifesto é apenas uma peça inspiracional, entretanto ele pode instigar o aprofundamento destas ideias e conceitos através de diferentes compilações e abordagens, um Norte para empresas em transformação … Aguardo curioso os próximos passos!

WhatsApp Image 2019-05-28 at 10.00.19 (1)

0

TDC – A história do Agile, passado, presente e futuro!

Apresentei um storytelling descontraído sobre métodos ágeis, estabelecendo padrões e paradigmas organizacionais, estrutura, hierarquia, especialização, desde a fase artesanal, revolução industrial, passando pela produção enxuta, manifesto ágil, até os dias de hoje como artesãos de software e perspectivas futuras.

A palestra foi na sala Stadium do TDC, que é transmitida e compartilhada no original (eu), traduzida para o espanhol e em libras com acesso livre em – https://www.eventials.com/Globalcode/events/tdconline-florianopolis-2019-stadium-portugues-e-libras/

10, 20 e 30

Entender a motivação e valor histórico de mediadores e moderadores que estabeleceram padrões e riqueza baseados em tempos e movimentos na administração científica e mecanicista, com base fabril estabelecida em standarização, repetição e operariado, nos faz apreender muitos dos porques da inércia empresarial de hoje.

Lembrar a segunda fase da revolução industrial, buscar auto-conhecimento, trazendo alguns dos conceitos e modelos que justificam porque comando-controle e sistemas puxados geraram uma era dourada de empresas e mercado baseado em trabalho braçal, repetitivo, se utilizando de operarios de baixa instrução.

50, 60 e 70

Estabelecer os motivadores que levaram o Japão (com a ajuda dos aliados) pós-guerra a gerar uma “revolução industrial” silenciosa, baseada em sistema puxados, em auto-organização focada em Kaizen, qualidade total, métodos estatísticos e racionais de produção enxuta, com mínimo desperdício a cada etada e no todo.

Refletir sobre a história e alegorias da produção enxuta, relatada no best seller de Womack e colegas no livro “A máquina que mudou o mundo”, contando com a pressão de reconstrução pós-guerra e com a cultura japonesa como substrato, com ícones como Ohno, Shigeo, Taoyoda, tanto quanto Deming, Juran, Crosby.

80, 90, 00

Relembrando que os métodos e abordagens Lightweight (leves) do final do século XX foram representadas através de 17 de seus visionários em uma reunião histórica nas montanhas de Utah em Salt Lake City, culminando em um manifesto ágil para desenvolvimento de software com os pontos comuns entre seus experimentos.

Já estavam lá de alguma forma representados uma dezena métodos e talvez uma centena de técnicas, conceitos e boas práticas, como Scrum, Crystal, DSDM, FDD, XP, entre outros, debatendo a construção de processos mais alinhados a sistemas complexos, profissionais do conhecimento e capital intelectual coletivo.

Década de 2010

Em meio a consolidação do Agile como alternativa quase inevitável de substrato para projetos e operações, a última década foi muito rica na consolidação de métodos, frameworks e boas práticas, com bons estudos e estatísticas que demonstrem sua evolução, como Standish Group, Version One, Deloitte University, etc.

Em especial, surpreendentemente viu-se o Gartner como um relevante e fiel protagonista, em 2012 com sua proposta de TI Bi-Modal, abrindo a brecha entre as empresas da fortune 500 a começarem a adotar Agile como opção, depois com o modelo de Combinação, desde a ideação de negócio, validação, concepção.

Década de 2020

Com métodos disseminados em pequenas, médias e grandes empresas e organizações, vemos ainda um grande foco em equipes e projetos, mas estamos no caminho, lembrando o modelo proposto por Shore e Larsen – Agile Fluence Model – mudamos a cultura e competências dos times, agora é estrutura e cultura organizacional.

Estamos vendo a área de RH cada vez mais envolvida e disposta a orquestrar esta mudança, já temos inclusive o Manifesto Ágile do RH, talvez sob inspiração do modelo Dual de Kotter ou na mítica proposta oitentista em Hipertexto de Takeushi & Nonaka propondo um empresa funcional enxuta suportando redes, sinergia e valor.

Toolbox 360°

Encerrei com minha visão de sincretismo metodológico, onde precisamos de uma estratégia racional top-down propositiva, baseada no estabelecimento de propósito, direcionadores e objetivos, ao mesmo tempo bottom-up com a resignificação de equipes e seus profissionais e middle-out com liderança, conexões e comunidades.

E, finalmente, materializando minha leitura das 10 disciplinas organizacionais, quatro essenciais – pessoas, equipe, líderes e conexões – além de seis pragmáticas com foco em execução – estratégia, modelagem, validação, planejamento, execução e resolução de problemas. Porque, afinal, somos pessoas somando com outras pessoas.

Dado todo o histórico, evolução, consolidação, cada vez mais necessitaremos de parcerias, redes, para evoluir nossa estratégia, contexto, foco em uma transformação organizacional cultural, para de forma iterativo incremental articulada não só fazer certo, mas fazer certo a coisa certa a cada momento.

0

Evento com jovens administradores CRA-RS

Nesta nova edição repaginada do Troca de Cartões tivemos duas lightning talks, uma com o Alexandre Ascal e outra comigo, ele falando de liderança ágil e eu falando do profissional do século XXI, tangenciando conceitos do meu Toolbox 360°.

A técnica não foi aquela que criei para o primeiro Troca de Cartões aqui no TecnoTalks, mas uma bem mais caótica, ao invés de grandes grupos montando na parede uma rede de conexões possíveis, pequenos grupos aleatórios debatendo identidades e oportunidades.

Ao invés de um painel, duas pequenas talks de 15 minutos, seguido de mais de 30 minutos de interação descentralizada, auto-organizada, fechando com um feedback e compartilhamento de insights. O resultado foi muito legal, com muitas trocas e depoimentos.

https://jorgeaudy.com/2015/11/25/conecte-me-uma-nova-dinamica-de-networking/

A dinâmica de Troca foi sob a provocação de “Compro Ouro”, uma folha A4 pendurada no pescoço de cada um com uma apresentação, onde a galera colou postits com as oportunidades surgidas durante as conversas em grupos. Alguns sairam com vários potits, outros sem nenhum … mas os que começaram tímidos, acabaram se envolvendo.

Este é um exercício que provoca quebra das zonas de conforto, um treinamento de desinibição e propósito, de início mais de 50% fica cabreiro, parece que quer se esconder embaixo da cadeira, tem receio de sair falando com estranhos, aos poucos este freezing inicial vai-se quebrando.

É fascinante estar no meio da sala observando, o quanto a tensão e introspecção vai abrindo espaço à conversas e trocas de opiniões, o prazer em ver que alguns percebem a dificuldade de outros e propositalmente tentam ajudar com uma aproximação divertida, descontraída ou cadenciada.

Esta no sangue de muita gente esta doação de energia e tempo para ajudar, para quem está observando é algo mágico observar os rostinhos, o distensionamento, a descontração e entrega posterior. No início resistência, a oportunidade e no final a alegria.

Esta turma em especial era mais contida, nos feedbacks finais poucos falaram, compartilharam, mas era perceptível que o exercício tinha mexido positivamente em todos. Alguns ao final vieram agradecem a experiência, outros acenam com a cabeça e desejam sorte, o objetivo desde o início é fazer (re)pensar, refletir, se questionar.

Que venha o próximo!

2

TED e TEDx – disseminando o pensamento crítico e livre

O TED é uma organização sem fins lucrativos dedicada a disseminar idéias desde 1984, inicialmente na forma de conferências sobre Tecnologia, Entretenimento e Design, mas com o tempo passou a debater questões globais em mais de 100 idiomas através de eventos locais mundo afora, os TEDx.

Criado por Richard Saul Wurman e Harry Marks sem a pretenção de tornar-se uma comunidade de dimensões globais, multi-disciplinar, multi-cultural e descentralizado, muito além de eventos presenciais ou online, mas um grande ecossistema, inquieto e questionador.

A Ana Goelzer criou o TEDxLaçador em 2010, com o papel de disseminar ideias e ideais de otimismo, compartilhando exemplos, conhecimentos e boas iniciativas. Uma tarefa continuada, milhares de eventos pelo mundo instigando o pensamento livre, independente, questionador e construtivo.

Não sei bem se sou digno desta honraria, por ideal sou um outlier, me orgulho disto, tento fazer coisas que outros não fazem … se outros já fazem eu ajudo a compartilhar ou disseminar, mas me dedico a algo que preencha lacunas, espaços faltantes.

Enquanto escotista praticava conceitos alinhados aos princípios ágeis, menos hierarquia, mais autonomia, grupos devem dialogar e encontrar a melhor maneira de fazer o que é o melhor, uma arquitetura social invertida onde o grupo delibera democraticamente norteado por valores morais e sociais.

Não me considero um exemplo, o que faço é compulsivo, mas cheio de defeitos, não me preocupa mídia, dinheiro, hipocrisia ou oportunismo. Quero uma vida digna, para mim, minha família e com quem mais puder haver empatia. Sempre outlier, fora do sistema, com erros e acertos!  🙂

O mundo tem zilhões de necessidades, se posso contribuir, foco no nosso entorno, ao nosso redor. É muito fácil ajudar a Asia ou Africa Central, porque o fazemos no computador, difícil é o olho-no-olho na vizinhança de nossa casa, na periferia de nossa cidade, junto a jovens questionadores.

Nós somos o que nos tornamos pela nossa história

Fui concursado na Procempa nos anos 80, empresário nos anos 90, coordenador de desenvolvimento de SW na ADP Brasil e no Grupo RBS nos anos 2000 e desde o início desta década sou consultor na DB e professor na politécnica da PUCRS.

Enquanto escoteiro e maçon, descobri que a disputa por poder e controle é sempre uma característica humana, deixei tudo isso para me dedicar a ser professor, compartilhar ideias e ideais, participar de ONG’s, gerar pequenos eventos úteis e construtivos para quem quiser debatê-los.

Vida, carreira, família, sociedade, construções que influenciaram empresas e organizações, que agora tem muito a retribuir em mindset, boas práticas, técnicas, … oriundas do Agile, Art of Hosting, Design Thinking, Lean Startup, entre outras. A vida pode ser um grande barato!

Debatendo a beleza da vida com os mais jovens

Participo de eventos sempre que convidado, participo ou organizo eventos locais de comunidade sobre assuntos que julgo serem construtivos, como os de gestão, sobre novas lentes para liderança ou RH, sobre educação e outros temas.

Privilegio e priorizo eventos regionais a nacionais, locais a regionais, não quero saber de ir longe para falar algo que acredito e que aqui no quintal de casa ainda não foi percebido. Por isso aceitei tal honraria, apesar de ter dito que não me achava a altura.

Em especial, como professor e nos eventos TecnoTalks, priorizando o debate e compartilhamento de visões diferentes, contraditórios, tentando mostrar que a vida é complexa, mas por isso mesmo devemos evitar a idealização e vivê-la o melhor possível, um dia por vez.

Não me imagino fazendo frases de efeito dizendo que quero salvar algo, acredito que estamos de passagem por este planeta, apenas nos resta fazer aquilo que nos orgulhe, aprender a sermos melhores … e é isso, depois reiniciaremos outras jornadas pela eternidade.

3

1° Toolbox na Educação no SENAC

No dia 27/02/19 a noite aconteceu o primeiro Toolbox na Educação na Faculdade SENAC por iniciativa da profª Aline de Campos, que fez as honras, deu as boas-vindas a casa e pareou comigo na facilitação. Presentes haviam professores do SENAC, PUCRS, IFRS, Dom Bosco, alunos e outros interessados pelo tema em debate, professores de graduação, ensino médio e fundamental, rede pública e privadas, consultores e facilitadores..

Muita gente querida, o tema era como e porque fazemos nosso planejamento de aula, pontos de atenção, fundamentos, objetivos. Logo após as boas-vindas e pacto inicial de participação e interação, fizemos um Fishbowl para aquecimento, seguido de debates em grupo no formato World Café com um giro, apresentação dos melhores pontos debatidos por grupo e consolidação … uma noite especial.

Meu maior orgulho em eventos aqui no Sul é sempre receber muitos amigos queridos, colegas, parceiros de eventos anteriores, muitos sorrisos e sempre a certeza de novos parceiros. A tempo, fazer um evento no SENAC é para mim um prazer especial, já fui patrono de uma turma, tenho especial carinho por professores da faculdade e da unidade de cursos técnicos.

O resultado foi uma pá de insights, uma noite proveitosa, divertida, materializada com uma mapa de melhores pontos e dicas para cada um dos quatro grupos e reflexões para os próximos Toolbox na Educação:

GRUPO #1

  • Seminários – prof propõe, aunos desenvolvem, prof complementa e introduz avanços;
  • Alternando conceitos pelo prof e a experiência dos alunos;
  • Sala invertida;
  • Uma visão de progressão durante o semestre, com autonomia para ir além e apoiando os que mais precisam;
  • Exercícios complementares com desafio maior para os que estão adiante não se desmotivarem;
  • Monitores;
  • Práticas sobre o conteúdo;
  • Grupos e sub-grupos dentro de cada conteúdo;
  • Problem Basis Learning.

GRUPO “Como fazer o aluno entrar no jogo?”

  • Diferenças entre infantil e superior;
  • Contrato (pacto) conforme contexto;
  • Diálogo / storytelling;
  • Apresentação de casos;
  • Cooperação / competição;
  • Expectativas;
  • Harward – Método de Casos – Prof desenvolve com os alunos casos reais ou fictícios usando facilitação visual, árvore de decisão – Aluno tem que estudar o caso, debater em grupos e o prof conduzirá a aula baseado em perguntas;
  • Quadros resgistram toda a discução.

GRUPO Edumix

  • Grupo no whatsapp – desafios durante a semana ou propostos durante a aula;
  • Desafios x Feedback;
  • Diagnosticar a expectativa do aluno;
  • Fazer a diferença em um clima de empatia;
  • Carência sistêmica do ato de planejar;
  • PDCL durante o semestre e aulas;
  • Planejamento flexível;
  • Iniciar apresentando o planejamento de aula;
  • Transformação da realidade – práticas da vida real;
  • Palestrantes;
  • Não é só para passar na disciplina;
  • Método Socrático;
  • Aprender a perguntar, aprender a aprender, aprender a construir;
  • Grupo de colaboração.

GRUPO Solução

  • Como sair da zona de conforto;
  • Metodologia Ativa – conteúdo atrativo;
  • No início apresentar os objetivos, conduzir técnicas e fechar ao final com aprendizados;
  • Ajudar o aluno através dsa problematização com propósito;
  • Criatividade, uso de vídeos, jogos, celular;
  • Provocar a troca de conhecimento.

PRÓXIMOS PASSOS

  • Medição de uso (tipo web analytics);
  • Tecnologia Zoom;
  • Debater EAD;
  • Interdisciplinaridade e sinergia inter-curso;
  • Aprendizado por Projeto;
  • Processos avaliativos;
  • Fazer enquete para definir metas para o próximo;
  • Situações além do conteúdo;
  • Dias de semana ou Sábado?

A Aline criou um atalho para o grupo – http://bit.ly/toolboxeducacao e abaixo alguns links de edições anteriores no TecnoPUC, PUCRS e F5 da GVDASA:

0

Mecanismos mínimos para Empresas Livres de Assédio (Empresas Seguras)

Que tal um evento para debater mecanismos mínimos para “empresas seguras”, livres de assédio? O objetivo seria uma espécie de manifesto sobre as características mínimas para empresas que querem ser mais transparentes no esforço de mudança e adequação a padrões éticos.

Creio que não deveríamos nos reunir para discutir a empresa, pessoas ou cases, não é um tribunal de exceção, a proposta é estabelecer qual deveria ser o mínimo explícito que caracterize uma Empresa Livre de Assédio, uma Empresa Segura. No paradigma de um manifesto, algo simples, objetivo, factível, algumas poucas linhas contendo o ciclo virtuoso da empresa segura para todos. Isso posto, as correções se endereçariam!

No escotismo somos convidados a fazer uma prova psicológica e social em que devemos refletir e dizer como seria sua atitude e comportamento frente a cases de situações passíveis de acontecer em grupos humanos, ainda mais envolvendo crianças e jovens, das mais variadas, envolvendo indícios, situações indevidas, desvios, etc.

Na minha opinião, a discussão deveria ser propôr mecanismos que viabilize algo prático, que garantam um mínimo:

  • Um código de Ética vivo – De nada adianta palavras ocas em um panfleto, é preciso protagonismo junto a entidades de classe, talvez um selo de “Empresa Segura” pelos conselhos regionais, na minha opinião a CIPA é segurança física e psiquica, muito além de cartazes e EPI;
  • Conscientização Permanente – Inicia na entrada do novo colaborador, reciclagens, incentivo a comunidades de prática auto-organizada e com protagonismo responsável para sugerir planos de ações para melhorias no ambiente, cultura organizacional, etc;
  • Ouvidoria Ativa – Se não tiver a quem recorrer além do(a) assediador(es), de nada adianta, é preciso abrir um canal seguro para receber e encaminhar averiguação e desdobramentos, mas de nada adianta criar uma e não fazer nada, ou pior, piorar ainda mais a situação;
  • Feedback Responsável – Tanto o assediador quanto o assediado, devem receber feedback de forma responsável, resguardando, não na forma de report, mas de coaching, de apoio, talvez ambos precisem de ajuda, lembrando que pode ser um mal entendido, mas também pode ser caso de polícia;
  • Melhoria Contínua – Um ecossistema, um habitat saudável, humano, capaz de gerar coisas boas e ruins, mas que saiba assimilar, corrigir, melhorar.

Pode acontecer em qualquer lugar e se nada for feito pode parar em qualquer lugar, o mais comum é perder-se o brilho nos olhos, mas as consequências pode ser bem maiores – http://www.osul.com.br/funcionarios-do-google-organizam-protesto-contra-o-assedio-sexual-na-empresa

Quais os mecanismos mínimos para evitar códigos de ética inúteis, direitos e deveres ocultos, inexistência de um canal para relatar assédio, garantias de sigilo e feedback, principalmente o apoio continuado à mudança da cultura organizacional para melhor?

A palavra ética vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao “bom costume”, “portador de caráter”. Entre o marketing e a prática, estamos em 2019 e muitos(as) “optam” por não reclamar quando assediados(as), simplesmente porque sabem que dá em nada e pode piorar.

Assédio Moral: “Conduta abusiva que se manifesta por comportamentos, palavras, atos ou gestos que podem causar danos à personalidade, dignidade, integridade física ou psíquica, colocando em risco seu(s) emprego(s) e degradando o clima de trabalho.” (Hirigoyen, 1998).

Assédio vertical é quando alguém com posição hierárquica ascendente submete subalterno a constrangimento ou situação vexatória, quer frente ao grupo ou isoladamente – pressão desmedida, agressão verbal, palavras chulas, rebaixamento cognitivo, entre outros.

Assédio horizontal ocorre entre colegas, motivado por diferenças, inveja, competição, discriminação racial, gênero, costumes, via de regra praticados de forma silenciosa, através de boatos, sabotagem, expondo, cercando ou isolando, entre seus pares.

Eu, como todo mundo, tenho dezenas de histórias de assédio em grandes, médias e pequenas empresas, mas não precisa ser assim, a solução para isso não deveria ser o aeroporto, mas um esforço conjunto por estabelecer patamares mínimos para uma mudança de paradigma.

Em diferentes leis municipais brasileiras: “Considera-se assédio moral todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência, implicando em dano ao ambiente de trabalho, à evolução da carreira ou estabilidade do vínculo empregatício:”

. subestimar esforços;
. criticar com persistência;
. espalhar rumores maliciosos;
. tomar créditos de idéias de outros;
. sonegar informações de forma insistente;
. fixação de objetivos e prazos inatingíveis;
. Perder responsabilidade para funções triviais;
. Ataques persistentes ao rendimento profissional;
. Atacar a reputação por rumores e ridicularização;
. Ignorar, excluir, se dirigir através de terceiros;
. Ofender ou desprezar sistematicamente.

O primeiro passo é o entendimento sem idealizações, debater e obter a conscientização do mínimo possível para qualquer empresa que queira começar a mudar. Em 2025 teremos 50% de Millenials na força ativa, uma empresa que queira contratar talentos, desenvolvê-los e mantê-los terá que fazer mais que pagar salários.

Já existem casos bem práticos, como o da ABRINQ, outras entidades de classe como os Conselhos Regionais por exemplo, deveriam promover algo semelhante, um selo de Empresa Segura, não só para crianças, mas para jovens, adultos e corôas como eu.

Selo de “Empresa livre de assédio vertical, horizontal, moral e sexual!”, você ainda vai ter um!