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Conhecer o modelo de Kübler-Ross pode ajudar na reação à covid-19

Resposta emocional à mudança, esta teoria de meados do século XX nunca foi tão razoável, o Brasil precisa usar mais argumentos científicos, balizados, racionais, modelos e teorias robustas que há décadas envolvem milhares de pesquisadores mundo afora.

Este modelo, amplamente estudado pela academia pode ser percebido na morte de um ente querido, quando exposto a um incidente imprevisto,  mudanças intensas e repentinas, o que nos exige um tempo para assimilar, reagir e superar.

O site da fundação Elisabeth Kübler-Roos no Brasil é https://ekrbrasil.com/, uma instituição focada na tanatologia, no compartilhamento de teorias e estudos científicos sobre a morte, suas causas e fenômenos a ela relacionados.

A ciência não nos ajuda só a fazer modelos gráficos ou definir estratégias, mas também nos apoia na argumentação, entendimento de contextos, especificidades. Quanto melhor entendido, menor a profundidade e amplitude da curva. O objetivo não é eliminar a negação, mas acelerar as etapas iniciais e o quanto antes partir para a reação!

Um estudo coerente quando nos vemos em frente a uma pandemia global que desde seu marco zero tem poucos meses. Já passamos pelo choque, pela descrença, frustração, pela angústia do desconforto, quatro passos prévios a reação e reposicionamento.

Temos negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, aspectos emocionais de resposta a uma mudança repentina. Pensando em termos de reação positiva a mudança, é complementar à modelos de estratégia e tomada de decisão para gestão de crises.

RESPOSTA À COVID-19

Todos os modelos médicos e científicos mostram que ainda temos o pior pela frente, continuar negando ou resistindo a estes estudos e projeções é desperdício de tempo, profissionais, famílias, empresas e sociedade precisam montar planos de resposta de curto, médio e longos prazos.

Passada a negação e estado de choque, não é só cortar gastos, é mapear nosso 5w2h até aqui e desafiar-se a mudar o necessário para uma nova realidade, debater ideias, parcerias, inovação, empreendedorismo em seus diferentes extratos e possibilidades … procurar gerenciar a mudança a seu favor.

  • Está em casa e não pode sair;
  • Seus planos se inviabilizaram;
  • Você ou conjuge foi demitido;
  • Suas reservas são finitas;
  • A empresa fechou;
  • Um familiar contaminado;
  • Está sem clientes;
  • etc.

A curva de Kübler Ross pode materializar este Gerenciamento de Mudanças, acelerar sua evolução, antecipar a reação, gerar melhores respostas e resultados práticos no curto prazo. Conscientes, é possível antecipar-se a curva e gerar iniciativas para mitigá-la ou acelerá-la.

Shock, denial, frustration & depression – Acelere ao máximo estas etapas, busque informações e parta para a reação;

Experiment – Engajar-se na mudança, dedicar-se a entender, mapear, idear, contribuir com a visão da situação;

Decision – A partir de cenários, debater e escolher alternativas a serem definidas e planejadas de forma ágil;

Integration – É a vivência, experimentação, validação, inconformar-se e ir a luta. Tentativa e erro, aprendizado e adaptação.

Há variadas interpretações e variações deste modelo, como por exemplo:

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Cada empresa ainda em operação pode mitigar os efeitos econômicos da covid-19

Criar pirâmides do bem hoje é a garantia de um pós-covid menos profundo e mais curto, melhora acada empresa que favorecer os seus e quem está no seu entorno, estes repassarão adiante, garantindo empregos que gerarão a subsistência de milhões. Um exemplo é o manifesto NãoDemita, que garante milhões de empregos até o final de Maio, estes salários são o primeiro elo de uma corrente do bem, uma pirâmide, que beneficia milhões de famílias e seus compromissos, que não serão sustados, que assim garantem milhões de outros compromissos e além.

Todos perderão se no futuro tivermos milhares de empresas falidas, milhões de profissionais desempregados, tecido social tenso e desestruturado. Se as empresas que podem, dedicarem alguma energia ao seu ecossistema, estarão garantindo um mercado mais forte e sustentável pós-covid. Cada uma delas pode desenvolver uma pirâmide do bem, mantendo, equacionando, contingencializando, usando de criatividade e responsabilidade para manter minimamente ativo o mercado no seu entorno, um mínimo possível e necessário.

Exemplo, a DBServer aderiu ao manifesto, são 600 famílias que poderão manter o valor pago sem execução da diarista, da creche do filho que está fechada, cabeleireiro, academia e faculdade. Porque seria pouco ético neste momento ser privilegiado na manutenção de seu emprego e salário e ao mesmo tempo não manter seus compromissos, que manterão os seus e assim por diante. Uma só empresa como a DB está criando uma pirâmide de resistência verdadeira para o pós-covid-19, são 600 famílias diretas, mais milhares indiretas … uma corrente do bem!

Não é fácil, mas em meio a uma crise destas proporções é preciso deixar um pouco de lado a lei da selva, ou a lei de mercado se preferir chamar assim, porque inexiste sucesso para alguém se todo o seu ecossistema estiver metido em uma crise épica . Inexiste mercado somente com oferta, o mercado depende de oferta e demanda, lembrando que demanda sem recursos não resolve mercado algum, é preciso que este mesmo mercado tenha recursos para comprar produtos e serviços, senão é como um jogo de dominó, um empurrando o outro para baixo.

Com ideação e co-criação de alternativas viáveis e contingências, pode mudar a visão que muitas empresas tem do mercado e de si mesmas, que poderão lembrar Dee Hock, fundador e presidente emérito da VISA Internacional em “Birth of the chaordic age” ao desafiar o status quo do dinheiro-papel e bancos para a criação do cartão de crédito. Poderá lembrar também a Economia Donut de Kate Raworth, em busca de um equilíbrio sustentável entre TODOS os cidadãos e seu ecossistema, político, social, econômico e ecológico.

Para isso, algumas empresas estão em posição de gerar novas pirâmides do bem:

exemplo 1: Super-mercados com certeza estão com atribulações, mas milhares de famílias que comiam fora estão fazendo grandes ranchos para cozinhar em casa e manter o distanciamento social. São candidatos ao topo de grandes pirâmides do bem neste momento, funcionários, parceiros, fornecedores e, mais que importante, em apoio a lojas menores do seu entorno que poderiam usar os supermercados para reduzir seu estoque. Qualquer lojinha poderia dispor ítens em consignação, negociando diretamente com o gerente da unidade, que teria uma boa quota ou verba para fazê-lo com autonomia. Atenção a ítens perecíveis, uma solução para os pequenos não acabarem jogando muita coisa fora;

exemplo 2: Redes de farmácias, com certeza as pessoas continuam comprando remédios, talvez tenham reduzido cosméticos, mas com certeza não são o segmento mais afetado pela crise, estão abertos e com criatividade podem ser grandes pontos de resistência e disseminação de boas ideias e soluções, empreendendo em rede, focado no seu entorno, como revendendo máscaras de tecido por exemplo, jalecos, tocas de pano, talvez consignados, ajudando também pessoas que possuem algum estoque e vendiam porta-em-porta ítens de beleza e cosméticos conhecidos. A ideia é contribuir para que mais pessoas possam contribuir em sequência, em pirâmide;

exemplo 3: Postos de combustível tem um grande potencial de distribuição tipo drive-thru, que geraria um mínimo contato para distribuição de itens, poderia até mesmo criar um modelo em que as pessoas pedem pela internet ou telefone e agendam um dia e hora para recolher no posto mais próximo de sua casa. Iniciativas poderiam ter raios de 500 metros aos postos, de forma que pequenos mercadinhos e comércio montasse as sacolas os kits e deixasse estocado em um posto, que entregaria em formato drive-thrue;

exemplo 4: E se condomínios com mais de N apartamentos tivessem grandes armários de auto-atendimento, com pequeno estoque variado e diversificado de ítens dos mercadinhos e lojinhas ao redor, onde os moradores poderiam ir ao térreo, pegar os ítens e pagar através de um aplicativo, há dezenas deles disponíveis, basta um QRCode na porta do armário que remeta ao PagSeguro, PayPal, etc … O risco seria menor em condomínios com portaria e segurança 24H, ainda mais se o armário tivesse uma câmera, etc. Isso já existe em coworkings e empresas.

exemplo 5, 6, 7, 8, 9, … Basta reunir virtualmente algumas pessoas, que com certeza surgirão dezenas de boas ideias …

Nestas horas é impossível não lembrar das famosas hélices – governo, academia, empresas e população – e de que forma unem-se para criar ou neste caso gerenciar uma crise que é de todos, pois todos se beneficiam de um ecossistema o mais forte possível.

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Carreira – The six “coffees” of separation

No final da minha aula semana passada, fiquei em sala até bem mais tarde conversando com um aluno que está na busca do que ele de fato quer fazer, qual carreira seguir – data science, desenvolvimento de software web, mobile, … Falamos é claro sobre papéis, cargos, funções, emprego, mas principalmente que a resposta a essa pergunta não está nos livros, mas na vida real lá fora.

Falamos sobre networking e como ativá-lo, citei alguns exemplos de bruxos nas áreas de conhecimento que ele citava, quase todos atuando em empresas a curta distância de onde estávamos conversando naquele momento, no 32 da PUCRS. Acredito na tese de Milgram, que encontramos qualquer pessoa a no máximo seis “cafés” ou hangouts de distância (*).

(*) The six degrees of separation, estudo científico dos anos 60 do psicólogo Stanley Milgram, ele confirmou que com até seis cartas é possível conectar duas pessoas quaisquer no mundo. O experimento enviava a pessoas uma carta com um destinatário, se o conhecessem deveriam reenviar a ele, se não o conhecesse deveria mandar a alguém de suas relações que talvez o conhecesse, gerando uma sequência de no máximo seis pessoas. Em estudo mais recentes, usando redes sociais, Facebook e Yahoo provaram que a taxa de separação entre duas pessoas quaisquer caiu para 3 a 5 pessoas.

Existem muitas ferramentas para ajudar a modelar e planejar nossas carreiras, mas a maioria delas pressupõem que já temos um mínimo de convicção do que queremos fazer, com o que queremos trabalhar. Sem isso, é preciso iniciar pelo começo, pesquisar, entrevistar, conversar, mapear e conhecer melhor diferentes empresas, áreas e profissionais que atuem nos diferentes papéis que atraem nossa atenção.

Como no duplo diamante do Design Thinking, iniciando por pesquisa, entrevistas, consultas, gerando um mix de opções de carreira, então selecione um por vez, iniciando pelo mais promissor, entender suas características, hard e soft skills, mercado, empresas, valores, até escolher um deles. Então, vivenciar, crescer, consolidar ou pivotar, mudar se preciso ou desejado.

“Café” é a melhor estratégia  🙂

REDE – Se sair da inércia é o primeiro passo, então o segundo é marcar um Hangout, é usar a teoria de Milgram a nosso favor, se Data Science é uma possibilidades, é agendar alguns contatos com profissionais envolvidos em ciência de dados, BI, data warehouse, people analytics, data lake. Se não os conhece, acione quem conhece e peça ajuda, triangule, conheça melhor sua rotina, skills, etc.

PERSONAS – A medida que vamos tomando cafés (também pode ser um suco, biscoitinhos, smoothies, almoços, visitas ao trabalho, etc), vamos conhecendo o melhor possível empresas e suas diferentes oportunidades, função, cargos, profissão, vagas relacionadas. É possível manter tudo isso na memória, mas sugiro ir montando um mapa conceitual do networking e mapas de personas sobre cada uma destas opções.

EMPRESAS – Além de um mapa de possíveis colocações e atuações, importante já ir montando uma matriz ou mapa mental com as informações sobre as empresas. Times, profissionais, tecnologia, contratações, valores, pontos fortes e fracos, opiniões, tudo o que lhe auxiliar a ir estruturando suas escolhas e plano de ação.

Pouco tempo ao tempo Com toda certeza, deve ser um plano adaptativo, iterativo-incremental, cada passo deste processo deve demorar dias, o objetivo neste caso é ir validando e avançando. Nada é definitivo, então faça acontecer, não sente encima porque não é um ovo, tenha objetivos de curto prazo, o mais importante é dar um passo após o outro em alguma direção.

É importante ter em mente que para chegar a ser um profissional cobiçado, provavelmente obterá antes um estágio, um nível júnior inicial, aprendendo e crescendo, como na alegoria dos três horizontes da McKinsey. Pensar os primeiros passos é mais importante que a dúvida natural sobre o tamanho da fatia de tempo prevista, que é relativa conforme a pessoa, área, papel e desafio.

ODYSSEY – Tenho uma releitura do Odyssey Plan do Evans e Burnett, o sequenciamento só diz respeito a ordenação, não a fatias de tempo, podem ser semanas, meses até anos. O importante é que a partir do primeiro café, já é possível começar o mapa de rede, personas e empresas, logo, também começar a pensar no seu Odyssey.

Feito o Odyssey, por favor, faça um quadro físico com postits ou um virtual no Trello, garanta que seu cérebro irá se indignar se os cards não andarem e o tempo sim. Um quadro kanban é a garantia de auto-gestão, um antídoto à procrastinação … por isso, prefiro quadros físicos, na geladeira, na porta do roupeiro, porque ele nos alerta a cada dia se as coisas estão andando ou estamos rolando com a barriga.

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Entrevista para o programa Mundo VUCA

Falamos sobre paradigmas e pragmatismos, disrupção e status quo, sobre teorias e modelos, porque se o Mundo é VUCA, como fazer para surfar nessa onda? É óbvio que não tem receita de bolo, mas tem muitas dicas legais de ingredientes, gestão do conhecimento, parceiros de viagem e sobretudo autoconhecimento, autodiagnóstico e mãos a obra, experimentando, tentando e aprendendo a cada tentativa.

Conheci o Alexandre Ascal e o Ramon Peres Luis da I2DH em um dos meus workshops Toolbox 360° há um ano atras, como o universo conspira e é 100% VUCA, quis o destino que descobríssemos amigos em comum e que acabaríamos no Living 360° juntos gravando um programa sobre empresas e profissionais do século XXI para o programa Mundo VUCA da Esteio News OnLine, onde são âncora, produção, direção e câmera.

Grato pela oportunidade!

Alexandre Ascal – https://www.linkedin.com/in/alexandre-ascal-de-melo-05230921/

Ramon Luis – https://www.linkedin.com/in/ramon-luiz-486473195/

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Teoria U – Uma abordagem que pode transformar países

Mudamos porque o mundo gira, novas propostas surgem, novas gerações se impõem, por regra o status quo na área pública resiste, da mesma forma que em empresas privadas. No Brasil, por exemplo, tivemos o período de Vargas com o estado novo, tivemos o período de Kubitchek dos 5 em 50, passamos por juntas e presidentes militares, também é claro a redemocratização …

Com certeza as leis que criaram e suportaram o status quo vem aos poucos mudando, se adaptando a um novo mundo globalizado e com alto nível de competição, acesso universal a tecnologia e condições de inovar e empreender. A velocidade com que mudou o mundo corporativo contrasta com certos segmentos que tentam sobreviver com fórmulas criadas para outras fases políticas e sociais.

O mais certo é que a geração Z e Alfa não acatará muitos destes modelos anacrônicos gerados no passado, em contraponto a novas realidades, eles querem parcerias, colaboração, contribuição, saber os porquês e contribuir com objetivos que se assemelhem aos seus, porque cada vez mais estão conectados e tem o mundo a disposição … a opção à inércia, mais que nunca, é por o pé no estribo e ganhar o mundo.

Teoria U

É um método de gerenciamento de mudanças proposto por Otto Scharmer a partir dos estudos de Friedrich Glasl, tornando-se uma respeitada teoria da administração. O ponto de partida foi o desafio de mudar o status quo e inércia de funcionários públicos e líderes,  pela dificuldades destes em acompanhar o desenvolvimento de um novo mindset alinhados às organizações contemporâneas e sociedade.

Enquanto empresas privadas evoluem para modelos inovadores, colaborativos e iterativo-incrementais para entrega antecipada de valor em empatia com todas as partes envolvidas, líderes políticos e servidores públicos apegam-se a inércia improdutiva atrelada a padrões ineficazes de tomada de decisão. Sintomático, este modelo transcendeu o espectro público para ser lido e refletido também em organizações privadas.

Dado os grandes desafios postos aos líderes do século XXI, a metodologia, aprimorada por Otto Scharmer e colegas, inclusive Peter Senge, vem sendo utilizada em empresas, suas cadeias produtivas e em países. O objetivo é reconhecer as causas dos problemas atuais e como mudar as condições que os geraram, para resolvê-los de forma inovadora. O método propõe o desenvolvimento de sete passos e capacidades essenciais:

  1. Downloading – Ouvir! Escute o que a vida exige que você faça. Como processos,instrumentos e recursos funcionam;
  2. Seeing – Não julgue! Tenha a mente aberta, sem preconceitos. Compreenda o subsistema social, funções e gerenciamento;
  3. Sensing – Una e colabore! Valores, regras e políticas que moldam a organização, porque e pelo que coisas acontecem;
  4. PRESENCING – É isso que queremos? Conecte-se à fonte mais pura e profunda de si mesmo e de sua missão;
  5. Cristallizing – Agrupe quem tem a visão e intenção. Estabeleça quais valores e diretrizes queremos para o futuro;
  6. Prototyping – Engajem-se! Mente, coração e mãos, como organização, funções e papéis devem ser desenhados;
  7. Performing – Opere a partir do todo! Quais processos, fenômenos e fatos representam a organização do futuro.

Vale muito a leitura do artigo https://innodriven.com/design-thinking-and-the-u-theory/ escrito por Delfina Zagarzazú traçando pontos de contato entre as duas abordagens, ou melhor, reinterpretando a Teoria U à luz dos paradigmas do Design THinking, uma abordagem focada em redesenhar a nós mesmo enquanto organização, instituição ou instância de governo, com maior empatia e valor a todos os envolvidos.

No site do autor tem os links para os livros e resenhas  (https://www.ottoscharmer.com) informações sobre a abordagem, usada para Desenvolvimento de Lideranças (1) na sua capacidade em detectar e aproveitar oportunidades futuras emergentes, em Inovação Profunda (2), com foco na criação de sistemas com múltiplas partes interessadas e Treinamentos (3) oferecidos a governos, organizações da sociedade civil e lideranças empresariais. A imagem abaixo esta na home page do site:

A origem da Teoria U é buscar força para que teorias, modelos e métodos que tanto geram riqueza e visibilidade em grandes empresas globais com viés colaborativo, sejam exemplo para criatividade e inventividade em ambientes sociais, internos e externos. É preciso que os benefícios do estabelecimento de propósito lastreado em coletividade atinja seu ápice em todos os segmentos.

Do PDCA mais básico ao Dragon Dreaming, do Kayzen ao Design Thinking, do Agile à Teoria U, do Art of Hosting ao Lean Startup, o mundo mudou e muitas pessoas se apegam a modelos mentais que já deveriam ter sido superados, recheados de dissonância cognitiva em explícitas defesas psíquicas … para NÃO mudar há centenas de justificativas plausíveis, mas a mudança é inevitável, porque o mundo já mudou.

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Vem aí mais uma edição da Geração DUX

O programa Geração DUX para desenvolvimento de lideranças tem turmas anuais com teoria, promove vivência, treinamentos, oficinas, visitas e contatos que fomentam a preparação de novos líderes, inspiradores, com atitude, pautados pela ética e pertencimento a uma sociedade mais justa e sustentável. Quem promove o programa é a Fundação Gerações.

A “Fundação Gerações” é uma organização sem fins lucrativos, com foco no terceiro setor gaúcho. Como meio, apoiar projetos de valor social por meio de fundos de investimento e pela formação de jovens líderes – http://geracaodux.com.br –  apoio institucional do CIEE/RS, UniRitter e Instituto Jama, mantenedoras como AES Sul, Gerdau, Vonpar e FMSS.

Em 2019 tive o privilégio de poder compartilhar um workshop para a galera, conhecer cada um é uma aventura, não há nenhum padrão previsível, área de atuação, curso, mas um perfil apaixonante a procura de conhecimento e muitos com históricos de voluntariado e compartilhamento desde cedo, buscando ali novos saberes que igualmente repassarão.

A edição 2020 ainda está aberta para inscrições e selecionará turmas que debaterão uma grande amplitude de conhecimentos e participarão de diferentes vivências, com o intuito de desenvolverem diferentes hard e soft skills, incentivando o desenvolvimento de jovens líderes para o mundo melhor que queremos.

Dá uma olhada nos dois vídeos abaixo, um sensacional sobre a edição 2018 e algumas dicas com Fernando Schüler:

Qualquer profissional que não seja filho de chocadeira (*) deveria compartilhar e divulgar iniciativas como essa, qualquer um que tenha jovens na família, filhos de amigos, vizinhos, … deveria fazer chegar esse tipo de oportunidade e outras tantas como S2B, S2BA, Aceleradora de equipes do CI do TecnoPUC, Torneio Empreendedor, Arduino Day, TecnoPUC Experience, uma edição de Startup Weekend na sua cidade, …

É triste quando comento, ouvir de jovens que eles não ficaram sabendo a tempo, por um lado eles precisam aprimorar seu networking, por outro me pergunto que tipo de exemplo são seus pais, tios e adultos de seu atual networking, que ao ver algo sensacional para eles não se preocupam em compartilhar, cita-los em posts ou comentários, … alguns chegam a curtir, mas é algo mecânico, porque curtiram e não se deram ao trabalho de fazer chegar aos seus.

Filho de chocadeira é uma expressão regional quando o pinto nasceu sozinho, aprendeu a se virar sem vínculos e por isso não tem habilidade alguma em pensar em ajudar os seus, reproduzir o carinho e atenção que (não) recebeu quando nasceu dentro de uma chocadeira … Chocadeira é uma máquina para fazer chocar ovos …

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Replicação de eventos – uma experiência de grande potencial

Um colega venho falar sobre o post anterior sobre lições aprendidas e gestão do conhecimento, curioso por onde começar, há várias formas, top-down, bottom-up, middle-out, centralizado, orquestrado, em algumas empresas é meio caótico, mas igual, todos ganham se começarem por algum lugar, por ex: Programa de replicação!

Um pacto ou política para replicação de eventos é simples e fácil de aplicar e oferece uma degustação impactante através do valor gerado pelo compartilhamento de novos conhecimentos a partir da participação em um evento, elevando-o do individual para o fomento de uma cultura de aprendizado organizacional.

Caso hipotético #1 – Em algum lugar do passado, o colaborador J solicita a sua chefe, Srta T, inscrição, viagem e hospedagem para ir a um ótimo evento em Buenos Ayres, ele vai, assiste palestras, workshops e participa de debates. Ao retornar, passa pela Srta T no corredor e ela pergunta como foi o evento e ele responde: “Massa!  o/”. De fato ele curtiu, assistiu, selecionou aquilo que mais lhe agregaria a si e a seu trabalho, o que lhe gerará oportunidades de uso de boas práticas, técnicas, tecnologias e mais em sua equipe, projeto, produto. Fim da história!

Caso hipotético #2 – Em algum momento no início do século, o colaborador A solicita a sua chefe, Srta X, inscrição, viagem e hospedagem para ir a um ótimo evento em Buenos Ayres, mas ele vai com o compromisso de após retornar fazer uma palestra, lightning talks e/ou debates sobre o que de melhor vivenciou. Por isso, A ao assistir as palestras, workshops e debates, ele fotografa, filma, anota dicas, insights, aprendizados, conversa com os palestrantes e os inclui em seu networking no Linkedin, eles e outros participantes. Ao retornar, organiza e divulga um evento de replicação no qual repassa tudo o que viu, aprendeu e compartilha insights e informações de interesse dos colegas, com um debate ao final.

Caso hipotético #3 – Estamos em Dezembro, os times debateram em suas CoP’s e Grupos de discussão quais são os melhores e mais relevantes eventos para 2020, encaminhando a partir disto uma recomendação de eventos e treinamentos que julgam e justificam como importantes para crescimento e tal ano que vem. As chefias ainda estão fechando o orçamento 2020 e tem a oportunidade de defender as verbas para eventos e qualificação. No momento apropriado, passagens, estadias e inscrições adquiridos, participações registradas e enriquecidas. Os compartilhamentos organizados ocorrem dentro da agenda de CoP’s, GU’s, Chapters, Guildas, Clubes, etc que acontecem periodicamente com grande adesão da galera (*). As apresentações são gravadas em vídeos, podcasts, salvas em um repositório, linkadas em artigos na nossa wiki, enriquecendo uma grande base de conhecimento que possui crescimento orgânico consistente e que retroalimenta a gestão do conhecimento organizacional.

(*) Em alguns casos o participante convidou o palestrante durante o evento, que topou o convite para vir refazer sua palestra em uma CoP interna com presença usual de dezenas de profissionais, registro e divulgação.

Gestão do Conhecimento

Em meio a discussão de organizações exponenciais, organizações que aprendem, gestão de conhecimento organizacional, modelo SECI, conceito de Ba, exploitation/exploration, etc, qualquer empresa é capaz de argumentar e estabelecer uma cultura saudável de comunidades de prática com interesses comuns, desenvolvimento humano, hard e soft skills.

O risco é a centralização ou a hierarquização de tais comunidades, que precisam ser fluidas e despertar nelas e em seus participantes os princípios da auto-organização e melhoria contínua. Se GC ainda é meio que taboo, comece comendo esse mingau pelas beiradas, de forma prática, replicando eventos e gerando assim conhecimento de grande impacto.

Essa iniciativa pode ser o ponto de partida, um instrumento que instigará outros mecanismos de compartilhamento, criação e enriquecimento de uma grande base de conhecimento e aprendizados organizacional. Só evite idealizar, o mais importante é iniciar, e neste caso a isca da replicação é quase irrecusável como convite ao aprendizado.

Em 2015 um estudo meu com um colega de mestrado – Mário Oscar Steffen – foi aprovado em um congresso, era uma pesquisa quantitativa baseada em uma survey sobre o quanto CoP’s externas em eventos abertos influenciam CoP’s internas entre colegas da mesma organização e os resultados foram muito interessantes – https://jorgeaudy.com/2015/05/29/cop-capacidade-absortiva-e-desempenho-organizacional/

A experiência física ou virtual, real e de valor, no compartilhamento e gestão do conhecimento, identificadas no Conceito de Ba por Nonaka e Takeuchi na década de 80, inspirados em ensinamentos do filosofo Nishida, fundador do movimento filosófico japonês pela escola de Kioto:

Podemos chamar de Ba cada espaço compartilhado para a geração de conhecimento, de forma consciente e organizada, desde que investido de um contexto visando o debate, a troca, o crescimento.

O fator chave de um Ba é o pré-requisito de possuir um substrato que possibilite e fomente o processo de compartilhamento e geração de conhecimento de forma consistente.

Ba possui valor subjetivo, dependente dos atores que o constituem ou constroem, cabe a organização proporcionar as condições, incorporar estes valores em seu modelo mental e de seus integrantes.

Um conceito originário na filosofia de Nishida, proposto por Nonaka, um dos pais do SCRUM, que orienta que Ba não tem hierarquia, pois é orientado ao senso de pertença e protagonismo dos envolvidos.

Dito isto sobre Gestão do Conhecimento em um contexto organizacional, nunca é demais novamente compartilhar a significância dos estudos de Nonaka e seus parceiros: