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Planejamento – Quase sempre as preliminares são cruciais

Há alguns anos eu propus e uso de um canvas para pré-inception, entretanto, não é só em software que esta abordagem faz sentido, isso vale para a vida. O canvas em questão é o SCRUM SETUP CANVAS, destinado a materializar, debater ou refletir sobre questões básicas relacionadas ao planejamento de um software corporativo.

Há exceções, reunir um grupo de pessoas para discutir um projeto de software em uma organização pode seguir um viés de inovação tal que não temos nem ideia de qual a tecnologia, quem serão as pessoas envolvidas, metodologia, bem como arquitetura ou plataforma … mas essa não é a regra, nem para tecnologia, nem boas práticas.

Em 95% dos projetos que me envolvo há um domínio e tecnologia implícita, usualmente há uma equipe envolvida, há padrões e limitações. Em sistemas financeiro, de RH, logística, varejo, entre outros, a inovação via de regra está nas histórias, nas características, ergonomia, usabilidade, etc.

A tempo, clique no link para acessar o manual com o canvas em A3 para impressão – https://jorgeaudy.com/manual-ssc-scrum-setup-canvas-ed-5/

A Mayra de Souza Machado incrementou alguns campos adicionais relacionados a outras combinações, como times remotos, ajustado a realidade do ZAP em https://medium.com/guma-rs/alinhamento-teamrules-facilita%C3%A7%C3%A3o-agreements-teams-canvas-acordos-do-time-cee832b65ba3

Nem sempre preencho todos os campos, as vezes alguns campos possuem seu próprio quadro ou canvas, como o Elevator Stetement ou um Mapa de Tecnologia, mas a intenção aqui é registrar o contexto metodológico e tecnológico em que o projeto transcorrerá.

Arquitetura e tecnologia

Um amigo meu defende que não vale a pena perder tempo mapeando a arquitetura e tecnologia no início, diz que isso deve acontecer conforme o projeto anda e decisões vão sendo tomadas, mas a minha experiência em projetos de software é que poderão haver experimentos, mas sempre temos um mapa amplamente conhecido.

Digo isso, porque frameworks, bibliotecas, linguagem, automação, boas práticas e técnicas influenciam em tudo, desde expectativas, estimativas até a aceitação, algumas vezes já prevendo possíveis variações entre MVP’s e Releases. Normalmente é rápido e muito elucidativo a todos os envolvidos – riscos e oportunidades.

Planejamento Estratégico ou Tático

Sempre que posso, saber quem somos é fundamental, já conduzi várias dinâmicas de planejamento estratégico, portfólio, programas, meu primeiro passo sempre é mapear quem são as partes envolvidas, seu dimensionamento e ao que estão dedicados, se possível, com um mapa de dedicação e portfólio.

Eu chamo estas prévias de aquecimento de sinapses, conheço muita gente que acha que ser inovador é partir de uma página em branco, mas estes casos sempre demoram mais para chegar no ponto de largada e com frequência esquecem coisas importantes que inviabilizarão suas conclusões.

O mais surpreendente e positivo em um bom briefing e combinações sobre o contexto em que estaremos planejando algo é que com frequancia não há um consenso fácil e alguns termos precisam ser pactuados, as vezes, alguém tem que ceder ou decidir para que uma só percepção seja estabelecida coletivamente.

Desperdício

Planejar a revelia de quem somos, o que somos, nossas competências e deficiências, é sinônimo de querer não perder tempo alinhando percepções essenciais, expondo conhecimentos e domínios relevantes, normalmente isso é sinônimo de engavetamento, porque na hora de fazer, surgem questões que foram deixadas de lado.

Para qualquer tipo de planejamento, quer estratégico, tático ou técnico, auto-conhecimento e alinhamento de quem somos e quem queremos ser é fundamental, porque gera uma percepção de realidade e desafios, pontos de atenção e viabilidade. O maior valor é o debate, resultando em um pacto em torno de termos de contexto.

Por exemplo, em Design Thinking se diz que um MVP (Minimum Viable Product) é a intersecção entre algo que é Desejável, Factível e Viável. Logo, é de se pressupor ser importante um bom mapeamento e auto-conhecimento para balizar o que é factível e o que é viável, ou pelo menos o que não é e exigirá mais recursos ou tempo.

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As 10 disciplinas organizacionais básicas

Comecei a disseminar de forma estruturada a compilação do meu livro TOOLBOX 360° em 2015, lancei o jogo DESAFIO TOOLBOX em 2016, a técnica TOOLBOX WALL em 2017 e finalmente um workshop baseado no jogo em 2018, que foi evoluindo para um baralho com 115 técnicas e boas práticas.

Durante o transcorrer desta estrada foi preciso diferenciar a executivos, gestores e profissionais envolvidos quais seriam as disciplinas envolvidas, já que a angústia sempre era o fato de existirem centenas de métodos, frameworks, técnicas e boas práticas … aos poucos estabeleci 10 delas.

As 10 disciplinas organizacionais por mim propostas foram divididas em 4 disciplinas essenciais – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões – e 6 disciplinas pragmáticas – Estratégia, Modelagem, Validação, Planejamento, Engenharia e Desafios.

Não tem nada a ver com polarização ou discução sobre qual o método, framework ou corpo de conhecimento ideal, mas ser preciso conhecer ao maior número possível deles, pontos fortes e fracos, especialmente complementares, caso-a-caso, conforme cultura, contexto e pessoas.

Pela visão poética do Pequeno Príncipe, do ócio criativo proposto pelo sociólogo italiano Domenico de Masi, passando por desenvolvimento pessoal, carreira, desenvolvendo projetos e operações, produtos e serviços, uma provocação à frequente miopia organizacional ao focar apenas em uma delas.

Por exemplo, materializando este sincretismo, eu mesmo publiquei alguns livros e ebooks ecléticos sobre SCRUM, Toolbox, Team Building Games, todos com reflexões sobre modelos e teorias, muitas oriundas da filosofia, psicologia, sociologia, ciências sociais, um deles só sobre isso – “Sobre os Ombros de Gigantes!”.

Tudo parte de um modelo mental iterativo-incremental-articulado, um passo de cada vez, com foco naquilo que é mais relevante e voloroso, eliminando ou mitigando todo tipo de desperdício. Isto exige empatia, sinergia e protagonismo, individual e coletivo em seu sentido mais amplo.

As essenciais refletem e provocam a necessidade da mudança pessoal, coletiva, na relação líder-liderados e principalmente na relação entre todos os envolvidos, gerando conexões fortes lastreadas em metas e objetivos comuns ou complementares, convergentes ou coopetidos (*).

(*) “Coopetição é uma estratégia de negócios baseada na Teoria dos Jogos, combinando cooperação e competição, com ganhos percebidos a todos os envolvido”.

As 4 disciplinas que eu batisei de “essenciais”, dizem respeito a base cultural, pessoas e suas relações, desde aspectos de carreira (proteana), passando por equipes (auto-organizadas), lideranças (management 3.0) e as conexões espontâneas, induzidas ou orquestradas.

Não adianta debater metodologias sem antes refletir sobre paradigmas de valores pessoais e coletivos, desenvolvimento de carreira, nossos sonhos e seus reflexos comportamentais, preferencialmente sinérgicos às metas e objetivos organizacionais – Pessoas, Equipes, Lideranças e Conexões:

Nas 6 disciplinas que batisei de pragmáticas, complementares e consequentes às anteriores, estabelece-se a necessidade de alinhamento em seus 360°, desde o mercado, empresa, missão, visão, objetivos, de forma a gerar resultados valorosos em equidade a todos os envolvidos.

O foco aqui é o permanente ajuste do próprio foco, usando de empatia e sinergia, na construção de processos fluidos onde o protagonismo é compartilhado em 360° e constantemente redirecionado à melhoria contínua – Estratégia, Modelagem, Validação, Planejamento, Engenharia e Desafios.

Cada uma destas disciplinas possui dezenas de oportunidades, algumas fundamentais, por vezes complementares, outras divergentes, mas ao todo são centenas de  boas práticas para desenvolvê-las a bom termo. Este substrato garantirá que nossas escolhas não sejam casuais, mas uma opção comparativa e depois evolutiva.

Human Thinking – Das 10 disciplinas básicas de uma organização, quatro delas são essenciais a qualquer objetivo e ao seu sucesso, dizem respeito à pessoas e suas relações, outras seis são mais pragmáticas, relativas a projetos e operações, produtos e serviços, exploitation e exploration. Em uma visão holística, todas são igualmente relevantes, mas em uma visão sustentável e exponencial, pessoas são a base

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O valor de uma certificação não está no certificado

Certificações não atestam domínio, mas conhecimento em determinado momento, podem atestar que alguém sabe ou tem boa memória, porque é a prática, experiência, vivências, interações cotidianas e evolução que atestarão nosso real interesse, aprendizados reais, práticos, evitando fazer por fazer.

A meus alunos eu afirmo que certificações são como histórias do usuário em um planejamento de produto, ela não está sozinha, e a priorização de sua obtenção e investimento, deve ser avaliado de forma holística, conforme valor comparativo a outros cursos e investimentos que poderia fazer e se beneficiar.

O Brasil possui muitas empresas reconhecidas como algumas das melhores do mundo, com excelentes profissionais, por exemplo, a PSPO que fiz com o Alexandre Mac Fadden é oficial, ele atua nos EUA e internacionalmente como instrutor preparando turmas e profissionais para certificarem-se.

Há alguns anos atrás fui aprovado na PSM I por solicitação da empresa, era importante ter alguma certificação oficial na mão. Optei pela PSM I da Scrum.org ao custo de US$100 na época, pois a Scrum Alliance e PMI eram bem mais caros. De lá para cá o mercado de certificações recebeu de forma consistente a Scrum Study, a EXIM, etc.

Uma coisa não mudou, o Brasil possui uma riqueza de eventos nacionais, regionais e locais de classe mundial – Agile Brazil, Scrum Day, Agile Trends, Agile Days, Gathering, meetups a rodo e Comunidades de Prática como o TecnoTalks. Participar de eventos e comunidades geram profundos aprendizados vicários e networking.

Eu não sou apaixonado por certificações, mas tenho consciência e recomendo a alunos e amigos que reflitam transversalmente como se sua carreira e vida tivesse sprints, nos quais eles precisam estabelecer metas e valor com mínimo desperdício e máxima agregação às dimensões que mais lhe abrirão portas e reconhecimento.

O mercado de cursos e certificações movimentam centenas de milhões, talvez bilhões a cada ano, o que não é um demérito, mas é preciso que tenhamos consciência destas cifras, para relativizar tudo o que assistimos e ouvimos versus a nossa realidade e de mercado.

Todas as organizações certificadoras de Scrum, Kanban, Lean, SAFe, PMI, coaching, e muito outros, possuem valor em determinado momento e contexto e é importante que dediquemos algum tempo tentando esclarecê-lo antes de sair investindo por impulso ou sem clareza de objetivos …

Antes de fazer, aproveite as simulações que as instituições abaixo oferecem, existem certificações gratuitas de entrada e provas simuladas que possuem questões reais da prova de certificação … leia o Scrum Guide e faça várias vezes as simulações para entrar no clima e ganhar ritmo, até atingir 100%.

Não é preciso dizer que ler algumas vezes, se possível debater o Scrum Guide, é muito importante para uma certificação Scrum, mas também tem outros materiais, ebooks, livros, até mesmo um BOK (corpo de conhecimento oferecido gratuitamente pela Scrum Study):

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Seleção e ranking like “Bolsa de Valores”

Uma vez constituido um painel com todas as ideias ou projetos, é possível usar uma técnica chamada “bolsa de valores” para priorização, com lances investidos em cada ideias, ítens de um portfólio, desafios, gerando nosso índice “Dow Jones”.

A técnica é muito simples, prepare bloquinhos de postits com valores monetários, número compatível ao número de ítens, eu já rodei com 15 “notas” (postits), de forma que totalizavam R$40.000,00 seguindo fibonacci em centenas (1, 2, 3, 5 e 8 x 1000).

A tempo, podem ser notas de 1, 2, 3, 5 e 8, mas aí quebra a mágica do fundo de cena com valores finais de milhares de reais investidos. Outra observação relevante, é chamar a atenção de que o número de notas deve ser compatível ao número de ítens, se forem 5 ou 6, pode ser apenas uma nota de cada valor por pessoa 🙂

Eu, para facilitar a visualização e controle pessoal de seus investimentos, uso uma cor para cada investidor, uso uma letra/símbolo diferente para cada 15 notas de cada participante e uma só cor para cada valor de nota. O motivo é que cada um precisa se achar onde investiu e as vezes remanejar.

Qtde Notas Total
5 $1,000.00 $5,000.00
4 $2,000.00 $8,000.00
3 $3,000.00 $9,000.00
2 $5,000.00 $10,000.00
1 $8,000.00 $8,000.00
15 $40,000.00

A dinâmica é cada empreendedor social, stakeholders, colegas, amigos, alunos ou executivos, recebam 15 postits pequenos, cada um com um valor estampado de R$1000, R$2000, R$3000, R$5000 e R$8000, podendo investir seu dinheiro a seu critério entre os ítens em discussão.

Na parede, uso uma folha A5 ou A4 para cada ítem, detalhando informações ou critérios comparativos, pessoalmente eu prefiro a seleção de campos do Lean Project Canvas, aqueles que mais nos ajudam na comparação, mas tem GUT, RAB, ANSOFF, etc.

A parede fica com várias folhas, cada uma com uma ideia ou ítem, mais informações adicionais, como solução atual, tendência, grandeza para valor e custo, volume ou comparativo, benefício, mercado, … cada participante colará postits (seu dinheiro) nas folhas.

Após concluir a rodada de distribuição de investimentos, montamos o nosso índice “Dow Jones” somando os investimentos em cada um e gerando assim o ranking daqueles que mais os participantes investiriam, seguido de um debate sobre o resultado (ranking) gerado.

  1. Prepare antecipadamento os valores em postits pequenos;
  2. São 15 postits por pessoa – 5×100, 4×200, 3×300, 2×500 e 1×800;
  3. Pode ser uma cor para cada valor ou cor/símbolo por participante;
  4. Os ítens disponíveis para investimento devem estar na parede;
  5. Cada integrante distribui seus postits (valores) a seu critério;
  6. Após 15 minutos (*) todos ajudam a totalizar os valores de ítens;
  7. Após totalizados é possível movimentá-los e materializar o ranking.
  8. Estabeleça um breve debate para confirmar o ranking.

Um overview inicial caso os ítens já venham estabelecidos, mas com frequência o ranking é uma etapa sequencial após um processo de ideação, design thinking, onde todos participaram da construção do mural de ideias, desafios ou ítens a serem priorizados.

Um debate final é importante porque por mais provável que a técnica estabelecerá um ranking bastante consistente, é muito comum que algumas alterações de posições sejam acordadas entre os presentes e isso está previsto, a matemática não pode ser absoluta frente à riqueza de argumentos e debate coletivo.

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Jogo Mega-Master em escala real

Um jogo muito divertido, um tabuleiro gigante, que pode ser feito com folhas, fita crepe, riscado com giz, eu fiz um com placas de pvc de 50 x 30 cm. São 40 placas, 70% delas com um símbolo de interrogação, 15% com bônus ou penalidades ao acaso e 15% com bônus ou penalidades mediante papel, posse ou condição prévia.

Cada um recebe ou assume um papel, de forma que haverá jogadas que apenas um ou outro possa seguir. Eu fiz um dado gigante, feito de espuma e recoberto com TNT amarelo, os pontos dos números do dado com círculos de TNT vermelho. Formadas equipes, um de cada toma posição na largada, no início da trilha das placas.

A primeira equipe arremessa o dado e seu jogador no tabuleiro dá os passos nas placas, se parar em uma interrogação, responde uma pergunta, se errar passa a vez, se acertar continua. Se cair em um bônus ou penalidade, deve cumprir, se a posição tiver uma condição, se for o caso cumpre o bônus ou penalidade.

PRINCÍPIOS: Trabalho em equipe, colaboração, valorização do capital intelectual, senso multi-disciplinar de time.

DICA: As perguntas podem ser sobre tecnologia, metodologia, pode ser uma preparação para uma certificação, pode ser princípios e valores, eu tenho um pack sobre escotismo, também sobre ciências, com polvos, morcegos e aranhas. A tempo, um dos baralhos de perguntas é o do jogo Rock Animal, que uso como fundo de cena.

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EBM – Evidence Based Management Guide

O modelo de EBM, Evidence Based Management Guide ou gerenciamento baseado em evidências em português, é uma estrutura proposta pela SCRUM.ORG e Ken Schwaber não só para orientação, mas também oferece uma plataforma que gera estatísticas relacionadas a métricas de equipes, produtos e projetos ágeis.

EBM – Evidence Based Management Guide – Como melhorar continuamente os resultados de negócios, medindo o valor e usando o gerenciamento empírico.

O fundamento é que a inspeção frequente dos resultados apóia a melhoria contínua, a tomada de decisão focada em aprendizados, não só para a melhorias da eficiência operacional, mas para melhorar sua capacidade de criar valor para clientes e stakeholders.

A EBM analisa métricas e indicadores em 4 áreas de valor-chave, selecionadas caso-a-caso de acordo com a organização, todas contribuindo para a melhor percepção possíuvel e potencialização dos melhores resultados de forma iterativo-incremental-articulada.

  • Valor corrente – Mede o valor entregue ao cliente ou usuário hoje;
  • Valor Não Realizado – Mede o valor que poderia ser realizado atendendo a todas as necessidades potenciais do cliente ou usuário;
  • Capacidade de Inovar – Mede a capacidade de fornecer um novo recurso que pode atender melhor a necessidade de um cliente ou usuário;
  • “Time to Market” – Mede a capacidade de fornecer rapidamente novas capacidades, serviços ou produtos.

O objetivo é valorizar a transparência, inspeção e adaptação a partir de métricas para esclarecer a capacidade de uma organização e suas práticas de entrega de produtos. Melhoria contínua não é uma opção, é a base do Agile, ciclos consistentes de construção, aprendizado, melhoria.

A provocação é muito oportuna, há métricas de projeto e de produto, no curso de PSPO com o Alexandre Mac Fadden fica claro a percepção de que há métricas mais influenciáveis (cycle e lead time, velocidade) e aquelas menos influenciáveis (receita, acessos, downloads), categóricas.

Vale a pena baixar o manual, ler com atenção e processar as informações com atenção:

https://scrumorg-website-prod.s3.amazonaws.com/drupal/2018-09/EBM_Guide%20September%202018.pdf

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A “nova escola” alemã em jogos de tabuleiro

Sempre curti jogos, sem nunca dedicar tempo excessivo a eles é verdade, mas a cada oportunidade eu me dedicava a planejar e preparar para que tudo desse certo – local, jogos adequados à idade da galerinha, atraentes, variados, divertidos, tinha que providenciar material, preparação e facilitação.

Em 2005 fiz uma compilação de JOGOS CLÁSSICOS, de rua, papel, cartas e muitos tabuleiros. Na época achei relevante compila-los em um livreto para usar offline, em qualquer lugar, e distribuir para lobinhos e escoteiros … dos 500 livrinhos, restaram uns 10 que guardei de recordação.

Em 2015 lancei o livro JOGOS 360° com foco em Team Building Games – Icebreakers, warm ups e Agile Games – quase uma centena de jogos para mobilizar equipes, grupos, alunos e pessoas a debaterem assuntos relevantes – conhecimento, pessoas, equipes, processo e ambiente – https://jorgeaudy.com/jogos-360o/.

Não sou um especialista em jogos, mas tenho alguma prática, desde a década de 90 usava em mini-gincanas nos aniversários infantis da família e hoje os compartilho em workshops de Team Building Games. Sempre criei variações e já criei mais de um autoral, recentemente o Desafio Toolbox 360°.

A “nova escola” alemã de tabuleiros (anos ’90)

Eurogames ou “Nova Escola” alemã de jogos de tabuleiro é um estilo surgido nos anos 90 na alemanha, que se disseminou rapidamente pela Europa e ganhou o mundo com jogos de regras simples, fáceis de entender e jogar, privilegiando a interação e interesse de todos até o fim.

* Mantenha regras simples, privilegiando a interação – evite regras complexas, para que qualquer um possa rapidamente entender e jogar, depois a cada jogada ir evoluindo e melhorando;
* Há competição, mas preferencialmente indireta – evite regras em que um jogador elimina o outro, gere objetivos construtivos em que mesmo competitivo a meta seja ganhar e não “competir”;
* Todos interessados e participantes até o fim – evite regras em que os jogadores sejam eliminados precocemente ou torne seus objetivos inatingíveis e assim percam o interesse no jogo;
* Tempo limitado e regras instigantes – evite regras que inviabilizem um jogo divertido e instigante em menos de uma hora, há sugestões que um jogo criativo de 30 minutos é melhor que 4 horas;
* Mitigar o fator sorte (dados|sorteio) – pode incluir fatores de sorte como jogar dados ou retirar cartas, mas o imponderável não pode subjugar completamente uma boa estratégia no jogo;
* Privilegiar a tomada de decisão – dentro do possível cada jogador deve sentir-se instigado a criar estratégias e mudá-las a medida que o jogo avança, tentando mudar os rumos e resultados.

São considerados ícone deste pradigma o jogo Catan, Carcassonne, Ticket to Ride, Puerto Rico, Zombicide, 7 wonders, Dixit, entre muitos outros. Nem melhores nem piores que outros jogos, mas incentivando todos a objetivos passíveis de serem atingidos em um curto espaço de tempo, de forma instigante.

Desenvolvimento de Jogos

Escolher jogos, adaptá-los ou mesmo mudá-los para adequarem-se ainda mais as características do grupo e objetivos é apaixonante, uma atividade divertida por natureza, ainda mais se houver uma boa parceria. A partir dela, seguimos um processo mais estruturado e técnico ou empírico e aleatório, não importa muito.

Mas, pode crer que as mesmas técnicas dos processos criativos de sucesso são aplicadas a qualquer tipo de oportunidade, projeto, operação … são centenas de opções conforme estratégia, negócio, pessoas, contexto e objetivos. Mas, antes de começar, sugiro alguns pontos de atenção:

  • É mais difícil se você não gosta e não joga  😦
  • Quando jogar, discuta os mecanismos com a galera;
  • Exercite pensando algumas mudanças em jogos existentes;
  • Todo jogo tem um objetivo, de pedagógicos a simples diversão;
  • Feito é melhor que perfeito, use sucata e crie uma versão inicial;
  • Realize play tests, convide amigos e colegas, peça feedbacks.

Pense em técnicas oriundas do Lean Startup, nos quatro passos para a Epifania, Design Thinking, com os canvas para modelagem de games e para gamification, business, value proposition e empatia, dinâmicas para brainstorming, criatividade, inovação e empreendedorismo.

Você pode criar um jogo sozinho, like lobo solitário, mas é muito mais divertido e produtivo se tiver parceiros para trocar ideias, prototipação e validação … as vezes não é fácil engajar alguém porque dá muuuuuito trabalho, paciência e perceverança são tão importantes quanto a paixão.

Desafio Toolbox 360°

O jogo que criei e batizei de Desafio Toolbox é um exemplo de mudanças a cada play test, buscando equilíbrio na usabilidade, inicialmente havia um dado, fichas, competição, regras bem sofisticadas que foram simplificando enquanto eu focava mais nas técnicas do baralho e no desafio que na dinâmica.

Desde o início queria algo atraente, divertido, instigante, mas valorizando o pedagógico, seguindo as premissas da nova escola alemã dos jogos de tabuleiros – regras simples, muita interação, competição indireta, todos juntos, rápido, menos sorte ao azar e mais estratégia, com tomada de decisão e estratégia.

Exemplo, um jogo do zero contendo desafio, estratégia, tabuleiro e baralho com foco em debate e aprendizado: https://jorgeaudy.com/desafio-toolbox/