Uma ideia inovadora na cabeça, então mãos a obra

Um post sob demanda, o que eu faria se eu tivesse uma ideia na cabeça, um cliente em potencial, uma equipe batuta e um bom networking para puxar pessoas de diferentes skills para cada um colaborar de alguma forma, dentro de sua área e possibilidades???

A solução em questão é de base tecnológica, web, alternativa à um trabalho de mapeamento de uma solução inovadora em colaboração com o cliente, este é um exemplo de como poderia ser. Não é uma receita de bolo, cabe a um bom facilitador na medida em que este processo de construção acontece, aproveitar o perfil dos envolvidos e da própria solução para ir navegando entre dinâmicas que agreguem mais valor e atinja nossos objetivos.

Na real, esta sugestão é para uma empresa real incubada, mas não importa se é a noite após o trabalho em uma iniciativa entre amigos, startup, pequena, média ou grande, minha sugestão não iria muito longe disso … é a práxis de princípios e práticas do Lean Startup, Design Thinking e Agile. Vai lá e faz que o resultado é o próximo passo ou pivot, igual, pedra que se move não pega limo!

A agenda normalmente são reuniões prévias para provocação e alinhamento com as diferentes áreas ou personas envolvidas, de forma que seja possível agendar um seminário com todos os envolvidos. É sobre este seminário que pretendo discorrer neste post … um possível passo-a-passo já com certo entendimento e prévio endereçamento de forma a que os participantes cheguem aquecidos.

No seminário é aconselhável que tenhamos um bom mix de profissionais e clientes, é o instanciamento do design thinking, do lean startup, do SCRUM. De nada adiante fazer brainstorming com mais do mesmo, junte pessoas não só de sua startup ou parceiros, mas clientes, pessoas criativas e cartesianas, ao mesmo tempo que queremos construir, é preciso desconstruir para antecipar riscos e oportunidades … esse é o desafio!

1. Elevator statement, BMC ou LC?

Prepare colaborativamente uma forma que especifique o que é e onde queremos chegar, além de perceber qual é a solução atual, uma dinâmica simples e eficáz para iniciar um trabalho sobre uma solução que já se vem discutindo a algum tempo. Uma forma de materializar o que se entendeu do que temos pela frente.

Você pode construir um Elevator Statement, desenvolver um Business Model Canvas ou então um Lean Canvas, todas estas opções são interessantes e agregam mais ou menos dependendo da proposta inicial e envolvidos. Já iniciei dinâmicas com BMC que abandonei e fui para um simples Elevator, mas é momento.

Para cada lacuna do modelo abaixo, estabeleça um brainstorming, se possível divida em grupos pequenos e após a construção, peça que cada um apresente e após dúvidas e comentários, ao final, monte um que convirja a opinião geral:

Elevator Pitch

2. Usuário?

Como sempre, em todos os modelos de modelagem de negócios, comece entendendo o seu cliente, pode ser uma listagem debatida a medida que surge, onde apareça os diferentes perfis, personas, talvez papéis, mas cuidado para não generalizar, pois é importante saber quais os principais grupos, sob uma abordagem psico-social, facilitadores ou restritores, exigindo atenção especial.

Para iniciar eu proporia um mapa de stakeholders, para então debater e pinçar meus principais tipos de usuários para melhor entendimento e desenvolver uma técnica de empatia, com técnicas como a de Empathy Canvas ou Personas. Cada caso tem maior conexão com uma dinâmica, cabe analisar seu grupo de trabalho e solução para optar por uma.

3. Objetivos?

Quanto a proposta de valor e objetivos, novamente é possível apenas listá-los, mas temos algumas técnicas geniais para aquecimento e modelagem, como o Value Proposition Canvas, onde estabelecemos uma maior empatia com as nossas personas, conhecendo melhor suas dores, ganhos, trabalho e o quanto podemos potencializar seus ganhos, mitigar as dores e agregar valor ao trabalho:

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3. Small Project Philosophy?

A partir da lista de proposta de valor ou de um Value Proposition Canvas, é possível trabalhar brainstormings sobre um mapeamento da solução, normalmente o que eu faço é iniciar por seus módulos, imaginando que cada um deles será um cliente e fornecedor dos outros, seguindo o conceito de Small Project Philosophy do Standish Group.

Não se preocupe em esgotar nada, o trabalho é iterativo-incremental, evolutivo, use uma parede para ir construindo este mapeamento, use chaves, siglas ou cores diferentes de postit para seus módulos, aos poucos teremos as funcionalidades e necessidades que compõem a sua construção e no final trabalharemos na definição identificação de nosso MVP, através de releases e iterações.

O resultado desta fase é uma espécie de fluxograma, com uma visão de alto nível destes módulos e a aparente relação entre eles, não há uma receita de bolo, varia dependendo do tipo de solução mapeada, o grupo achará o melhor caminho, o importante é ficar claro o contexto geral, uma divisão natural e começarmos a percebermos o nível de complexidade do todo e das partes, além de estabelecer desde já uma percepção de prioridades entre elas.

4. Storytelling para mapeamento de processos?

Cada módulo pode ser trabalhado em linhas contendo a narrativa geral do mesmo, uso para isso raias onde tentamos entender os principais processos em cada cada módulo. É para ser bom senso não entrar demais no detalhe, mas sem fugir de um entendimento suficiente do que se trata cada uma destas discussões.

É possível usar um dos diferentes modelos de Customer Journey Maps, há variados exemplos na internet, eu construo um que seja tão somente o suficiente, um equilíbrio entre entendimento e nível de abstração útil. Apontando os pontos nevrálgicos de cada raia, salientando o que e porque as consideramos valor para o cliente e o que dentro delas é mais ou menos importante.

Customer-Journey-Map

Na prática é um misto de fluxograma, Journey map e diagrama SIPOC, uma oportunidade para verificar o entendimento e alinhamento existente entre equipe e cliente, um passo antes de começarmos a marcar nos módulos prioritários, quais as histórias prioritárias, para então aplicar um bom User Story Mapping para o que será nossos primeiros ciclos de desenvolvimento.

5. User Story Mapping?

Estabelecer nosso MVP, priorizar aquilo que entendemos como necessário, na prioridade entendida, trabalhando com histórias do usuário, é a melhor técnica para este desafio, que não é pequeno. Descontando as reuniões preliminares de provocação, aquecimento e preparação ao seminário, ele consome alguns dias, não é em quatro horas, muito menos em duas.

Tem muita gente boa que curte design thinking, lean startup, agile, mas acha que entendimento e modelagem tem em drágeas na farmácia … só que não! É preciso estabelecer um debate construtivo, refletir, se necessário pedir água e deixar passar um dia para retomar, no caso de haver muitas pontas soltas que os clientes precisem entender melhor.

É possível ir trabalhando em camadas, como ao desmontar uma cebola, a cada layer decidir se é necessário descer mais uma, com o objetivo de ter um entendimento suficiente para podermos montar um mapa de prioridade, passível de ter sua complexidade estimada parte-a-parte e então abstrair um calendário de iterações, a partir de reflexões ágeis sobre este tema.

eixo-xy

6. Release Plan e Pretotyping?

O resultado final é uma percepção vertical e horizontal do projeto que estamos iniciando, estabelecendo a partir de então uma sequência de validações usando as mais diferentes técnicas. Um Validation Canvas pode ajudar, assim como entrevistas, focus groups, pretotyping, prototipagem, afinal entrando no ciclo de discovery (DoR) e Delivery (DoD), trabalhando SCRUM, mas sem nunca deixar de validar cada passo e detalhar o passo seguinte.

Curto muito uma abstração diagramática que criei com o objetivo de demonstrar o duplo diamante do Design Thinking existente em cada ciclo de detalhamento e construção iterativo-incremental-articulada do SCRUM:

Pag 74Daqui adiante posso contribuir com centenas de posts falando sobre SCRUM, Kanban, inceptions, estimativas, reviews, retrôs, etc etc etc … além de muitas teorias que nos ajudam a enriquecer nossos argumentos e prevenções, pois a pior coisa para uma ideia nascente é abrir mão de conhecimento, dicas, métodos, técnicas, via de regra alguém já tentou, errou, aprimorou, pega a onda e parte uma légua a frente ao invés de reinventar a roda.

passo-a-passo-release-plan

Um post não me permite entrar em muuuuitos detalhes e variações, só a espinha dorsal, se tiver críticas ou dúvidas ou quiser acrescentar, quanto mais melhor, até a próxima!

3 comentários sobre “Uma ideia inovadora na cabeça, então mãos a obra

  1. Você deveria chamar esse post de “crash course”, não de post! Excelente, rico, completo! E para variar aprendi um monte de coisas legais! Adorei o Elevator Pitch Cheat Sheet!

    • Grande Fábio, estes são os que eu mais uso em situações deste tipo, no post de design thinking na educação ofereço outra sequencia. Mas é no post de multi-convergencia metodológica que eu listo mais de 30 tecnicas … todas utilizadas com muita ou certa frequencia em projetos P, M ou G. Fico contente que sejam uteis e agradeço a parceria. [ ]

  2. Pingback: Acredite, documentação é muito mais que as tais histórias | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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