200 anos antes do Agile, Benthan e o utilitarismo

Inexiste Agile ou uma sociedade baseada no conhecimento sem equidade, mesmo priorizando o valor entregue ao cliente e gerando valor para a empresa, inexiste agilidade em um time sem prazer de fazer o que faz, com quem faz e a quem faz. De nada adianta método, ferramenta e postits coloridos se trabalharmos sob o mesmo modelo mental industrial do século XIX, onde gerentes ordenam e operários obedecem, o erro não é aceito e o sucesso é um bem individual.

Li pela primeira vez sobre Jeremy Benthan ao me interessar pelo conceito de Panóptico (1791), mais tarde reconhecido por todos como Panóptico de Foucault. Assim como Shewart em relação a Deming, Benthan acabou não tendo seu nome vinculado a uma de suas reflexões. Benthan é um filósofo, produto de seu tempo, e como tantos outros merecem ser conhecidos e entendido em seu contexto.

Benthan foi um filósofo inglês defensor do utilitarismo, no final do século dezoito, apresentando sua percepção sobre os Princípios da Moral e Legislação a partir dos anos de 1780. A partir de então, passou a defender o princípio da utilidade, onde o valor de cada ação deve ser diretamente proporcional ao quanto ela promove de felicidade à maioria.

Em meio a sua abordagem jurídica sobre o utilitarismo, o filósofo chegou a apresentar parâmetros para que fosse possível avaliar o sentido de uma ação como geradora de felicidade, através da intensidade, duração, probabilidade, extensão, prazer e dor. O papel do estado deveria ser em prol da felicidade da maioria, enfatizando que uma melhor educação geraria melhor consciência coletiva, valorizando ações que seria para o bem comum e maior.

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Utilitarismo

Na busca pelo termo no Google, tem-se como “Teoria desenvolvida na filosofia liberal inglesa, especialmente em Bentham (1748-1832) e Stuart Mill (1806-1873), que consideravam a boa ação ou a boa regra de conduta caracterizáveis pela utilidade e pelo prazer que podem proporcionar a um indivíduo e, em extensão, à coletividade, na suposição de uma complementaridade entre a satisfação pessoal e coletiva”

No site da Infoescola temos como definição: “O Utilitarismo é uma escola filosófica que nasceu no século XVIII, na Inglaterra. Ela estabelece a prática das ações de acordo com sua utilidade, baseando-se para tal em preceitos éticos. Assim, uma atitude só deve ser concretizada se for para a tranqüilidade de um grande número de pessoas. Portanto, antes da efetivação de uma ação, ela deve ser avaliada sob o ponto de vista dos seus resultados práticos.”

Utilitarismo no trabalho e na vida

Uma proposição inicialmente dirigida ao mundo das leis, é possível traduzi-la ao nosso dia-a-dia, gerando cinco sentidos práticos, constituídos no século XVIII, necessitando portanto serem portados e ajustados ao nosso tempo:

  • O resultado almejado deve sempre ser um bem estar ético, composto pelas esferas física, moral e intelectual;
  • A regra primaz é o efeito e não a causa, qualquer ação deve ser decidida a luz das suas possíveis consequências e não motivações.
  • Não haveria então julgamento das intensões, mas do valor gerado para a maioria, um conceito no mínimo questionável, pois afirma que algo ruim para poucos é sobrepujado para o bem maior;
  • É um dever de todos a busca do bem maior e da maioria;
  • Finalmente, valoriza-se a imparcialidade, sem distinguir hierarquia ou poder, mas simplesmente maioria.

Na vida cotidiana, ao invés de decisões passionais, a necessidade de uma análise dos possíveis resultados práticos e efetividade a partir de nossas ações. É evitar fazer algo sem medir consequências, muitas vezes em oposição a nossas reais motivações e objetivos. Não é transformar tudo em análise causa-efeito, mas ser menos impulsivo, genioso, esquentado, daquele tipo de impulsividade sobre as quais nos arrependemos posteriormente e que nós mesmos discordaríamos.

No trabalho, ao invés do estado, temos as organizações, no lugar das leis, temos contratos e regras de convivência, gerando decisões diárias para resultados e metas. Estamos em pleno século XXI e muitas empresas, seus executivos e muitos de seus profissionais, desconhecem ou se fazem de desconhecidos dos princípios do utilitarismo. Muito se vê descolado de tudo o que a psicologia, sociologia e ciências sociais a muito apontam como desperdício.

Pressão gerando zonas de conforto, dominação gerando insatisfação, falta de senso justiça e equidade gerando desperdícios, a futilidade e ambições pessoais gerando relações fragmentadas e opositivas onde deveríamos gerar senso de time e convergência. O que falta a muitas organizações e pessoas é filosofia, na pressa em fazer mais do mesmo, vendendo a janta para comprar o almoço, não temos tempo para gerar sinergia, valor, utilidade as ações.

Sob a óptica do utilitarismo, o egoísmo operado por alguém sem levar em consideração as consequências negativas geradas aos outros, gerará problemas maiores que aquele benefício oportunista, que assim perde per si o sentido prático e social.

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