Uma brincadeira baseada no modelo CYNEFIN de Snowden

O modelo CYNEFIN, desenvolvido por Dave Snowden, um canvas onde temos a direita os sistemas ordenados – SIMPLES e COMPLICADO – existentes em um contexto onde causas-efeitos são planejáveis e controláveis. Mas temos a esquerda sistemas desordenados – COMPLEXOS e  CAÓTICOS, onde os efeitos muitas vezes não são relacionáveis facilmente a uma causa.

Faço muito esta brincadeira em treinamentos para demonstrar facetas em projetos de sistemas em cada um dos quadrantes, apresento o modelo e na sequência realizo alguns exercícios exemplificando cada um deles, iniciando pelos sistemas simples, depois complicado, complexo e finalmente caótico. No desenho, a Luisa imaginou como simples um barquinho de brinquedo, complicado um navio, complexo um ser vivo (uma sereia) e caótico um mar revolto em tempestade.

cynefin

Distribua uma folha de papel e caneta para cada participante e desafie um exercício onde perceberemos facilmente a diferença entre cada um dos quatro sistemas, uma forma de refletir sobre a realidade e características dos sistemas complexos e a necessidade de adaptação, onde métodos colaborativos são muito mais alinhados e geram melhores resultados.

Sistemas simples – Previsível, sistema onde cada passo está planejado e é previsível, baseado em melhores práticas. Peça que todos façam uma linha com 10 círculos pequenos, um ao lado do outro. A seguir, peça que façam outra linha, mas desta vez o mais rápido possível. Finalmente, ofereça um prêmio para quem for o primeiro a concluir uma terceira linha de círculos. Reflita o quanto é possível “motivar” resultados melhores em sistemas simples baseado apenas em pressão e premiação. Eu cito Tempos Modernos de Charlie Chaplin em que o limite para a repetição é o limite e esgotamento físico, é quando no nosso exercício os círculos começarem a parecer amebas.

Sistemas complicados – Possibilidades, sistema onde o uso de boas práticas e análise causal proporciona tomada de decisão e o resultado desejado. Peça que todos façam três linhas com quatro sequências de três símbolos, um círculo, um quadrado e um triângulo. É um pouco mais complexo que os círculos, mas é tão somente entender para fazer e repetir. A primeira linha com um círculo, quadrado, triângulo e mais um círculo. A segunda linha com um quadrado e um triângulo, mais um círculo e um quadrado. A terceira linha com um triângulo e depois um círculo, quadrado e triângulo.

Sistemas complexos – Exigem o desenvolvimento de práticas emergentes, como software por exemplo, onde manuais e colegas podem dar dicas, mas para solucionar um bug é preciso debugar e cada caso é um caso. Para simular, peça que todos escrevam a primeira linha do hino nacional substituindo cada letra “A” por um número da série de Fibonacci (1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, …) a partir do número 1. Ficaria assim: “Ouvir1m do ipir2ng3 5s m8rgens pl13cid21s”. Peça que façam novamente, mas continuando a série de onde pararam, do número 21. Novamente apele para pressão e premiação, agora não é repetição, é novo a cada rodada, exige adaptação, tomada de decisão baseada em alternativas não conclusivas;

Sistemas caóticos – São situações absolutamente fora de controle. É como um incêndio inesperado, não é possível prever, não se sabe como se vai reagir: é uma grande confusão. Peça para que comecem fazendo círculos, conte em silêncio até três e peça para trocarem para quadrados. Mais um tempinho, troque para estrelas e depois triângulos, voltando para círculos. Ao final, peça para que mostrem o resultado de cada um, cada um terá elementos diferentes uns dos outros, completamente imprevisível e sem um padrão.

Eu aproveito um momento do treinamento em que estamos conversando sobre hierarquia, riscos, foco, complexidade, modelo mental. Brinco com o filme Tempos Modernos do Chaplin, a diferença entre gritaria e produtividade, operários e profissionais do conhecimento. O quanto o modelo distingue o trabalho braçal repetitivo, intelectual e de profissionais do conhecimento envolvidos em sistemas complexos, que exigem atenção, debug, abstração, … Nessas horas, nada melhor que um método que estabeleça, garanta e organize a comunicação.

Um brincadeira que gera bons insights e boas risadas ao compararmos com nosso dia-a-dia, com o mindset de sistemas simples muitas vezes aplicado a projetos de sistemas complexos. Impossível não lincar com a Lei de Yerkes e Dodson (1908), onde pressão eleva a produtividade a tetos mais altos em sistemas simples que complexos, nos complexos bem mais cedo a pressão atrapalha mais que ajuda. Uma teoria proposta em 1908, ápice da revolução industrial e 107 anos depois tem muita gente que ainda não entendeu … pronto, falei!

2 comentários sobre “Uma brincadeira baseada no modelo CYNEFIN de Snowden

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