A filosofia do absurdo de Camus e o manifesto ágil

Durante décadas a disciplina de gestão de projetos e operações de software lutou contra uma realidade complexa, tentando processos e regras cada vez mais rígidas com resultados pífios, até que assumimos a realidade e focamos em processos empíricos e evolutivos.

Albert Camus, na sua Filosofia do Absurdo (1941), confronta a busca humana por sentido e lógica, estabilidade e previsibilidade, contra a realidade de um mundo complexo e na maior parte das vezes surpreendente. Lutar contra uma impossível previsibilidade exige adaptação permanente.

Albert-Camus-on-being-happy

O autor propõe um ensaio filosófico conhecido como O mito de Sísifo, que foi punido com a tarefa de levar uma grande pedra da base ao topo de uma montanha, ciente que sempre que está por concluí-la, a pedra rolará novamente até a sua origem.

Desta forma, Camus propõe uma alegoria ao trabalho do “operário”, executando as mesmas tarefas todo dia, repetidamente, por dias, meses e anos. Mesmo assim, apesar da recorrência previsível, lá está ele, por necessidade ou imposição … “rolando a pedra morro acima”.

Princípios ágeis abraçam a filosofia do absurdo, aceitam a complexidade do mundo, baseado em hipóteses, experimentação e melhoria contínua. Ao invés de partir de um planejamento preditivo, pressupõe-se o imprevisível, exigindo agilidade em seus planos, experimentações e adaptação.

Sistemas empíricos

O método empírico é um método criado para testar a validade de teorias e hipóteses em um contexto de experiência. O método empírico gera evidências, uma vez que aprendemos fatos através das experiências vividas e presenciadas, para obter conclusões – https://significados.com.br

A pesquisa empírica ou de campo é a busca de dados relevantes e convenientes obtidos através da experiência, da vivência do pesquisador. Tem como objetivo chegar a novas conclusões a partir da maturidade experimental do(s) outro(s).

Métodos ágeis partem do princípio de que, em soluções complexas, o pensamento empírico, adaptativo, baseado em experimentação e melhoria contínua é mais eficaz que o planejamento e execução tradicional, baseados em previsibilidade.

Teorias da complexidade

Característica do que é complexo, de difícil compreensão ou entendimento: a complexidade da teoria. Qualidade do que é difícil, confuso, complicado. Qualidade daquilo que possui múltiplos aspectos ou elementos cujas relações de interdependência são incompreensíveis.

As teorias da complexidade estuda os sistemas constituídos por uma grande quantidade de agentes, os quais se integram para produzir estratégias adaptativas de sobrevivência para os componentes do sistema e para o sistema como um todo – Ponchirolli, 2007

O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas. – https://novaescola.org.br

O Cone das incertezas e o último momento responsável

Cientes da Filosofia do Absurdo, das abordagens oferecidas pelas Teorias da Complexidade e Sistemas Empíricos, nos métodos ágeis temos estudos comprovados por diferentes pesquisas relacionados a evitar tentar prever tudo com muita antecedência.

Antigamente, no início de cada projeto havia a necessidade de planejar em detalhes tudo o que seria feito, independente que venha a ser feito em uma semana ou alguns meses. Ao abrirmos mão de garantir predição e garantirmos um planejamento mais abstrato, aceitamos a complexidade.

Aceitar a complexidade é não lutar contra ela, mas seguir métodos e processos que se aliam a ela, evitando a antecipação desnecessária, decidindo no último momento responsável, reduzindo o custo da tentativa de decisão antecipada (*).

(*) No cone das incertezas, temos estudos que apontam que quanto mais antecipada a decisão, maior o ônus no risco de haver muitas mudanças e ajustes decorrentes do andamento natural do projeto, experimentação, fruto do empirismo e evolução pragmática.

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