Era da Hipocrisia e dos Digimons

Hipocrisia é o “ato de fingir ter crenças, comportamento ou sentimentos. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação ou fingimento”.

Vamos combinar que essa é a natureza social humana, inocentes mentiras, pequenas omissões, por amor, amizade, ódio, medo, comodidade, alegria ou tristeza, mas atenção, o fato de todos fazermos um pouco não quer dizer que os outros não percebem o que fazemos, o bicho pega quando alguém começa a abusar por achar que realmente engana a todos.

PhoenixBanner

Alguns, de tanta desconfiança que geram, são odiados, mas enrolam-se nas próprias mentiras, se acham amigos pelos falsos sorrisos, acreditam que pelo fato de ninguém reclamar, é porque todos concordam com as cotidianas idiossincrasias, alternando sorrisos e fúrias, sempre aproveitam o bom, tratam de achar culpados para o ruim, são expoentes da Lei do Gerson (*).

(*) “Lei do Gerson” – A partir de uma propaganda de cigarro, tão infeliz quanto outra qualquer, associaram Gerson a este jargão popular – “A gente tem que levar vantagem em tudo!“, sinônimo de sempre tentar sair ganhando, afora questões éticas ou morais (clique aqui e veja a propaganda).

Digo sinceramente que no passado, o que parece ter sido outra vida, sempre achei normal usar dois conjunto de valores, maçônica e escoteira para a vida e outro com ética industrial no trabalho, como no exército, auto-justificando estar “cumprindo ordens”, a hierarquia estava acima de tudo e sempre tinha razão, gerando apreensão, stress, reféns do salário, abusando da Lei Rícupero (*).

(*) “Lei Ricupero” – Em 1994 a Globo deixou um canal aberto antes da entrevista com o ministro da Fazenda Rubens Ricupero, que sem saber, disse: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde“. Ele perdeu o cargo, mas seguiu valorizado, nomeado para a ONU (clique aqui, vídeo comentado na íntegra).

Digimon (デジモン)

Digimon é o nome dado à diversas formas de vida que só existem no mundo virtual do DigiMundo, mais conhecido como FaceBook, uma dimensão paralela originada a partir da rede de computadores da Terra.

O que criticamos nos políticos e alpinistas profissionais e sociais, nós fazemos nas redes sociais, quer ambiente mais hipócrita, carente e dissimulado que as redes sociais ? Todos são éticos, caridosos, humanitários, protetores dos animais, preservando recursos naturais, sensíveis a dôr humana, tudo isso e, de quebra, ainda muito descolados e divertidos.

Qual o problema na transição da sociedade industrial para do conhecimento? Qual dificuldade para o mundo ágil? Porque é difícil sermos sinceros, educados, pró-coletivo e sustentáveis ? Afinal de contas, isso exigiria menos de 20% de tudo aquilo que somos no FaceBook, deveria ser fácil para todos.

Os que lerem este post, vão achar que isto diz respeito aos “outros”, estou falando dos políticos, grandes empresários, industriais, aqueles seres malignos Hollywoodianos que “só fazem mal ao mundo”, desculpa ai, mas na verdade estou falando de todos nós …

O vídeo a seguir tem mais de 20 anos, da ECO-92, 100% dos seus DigiMons concordariam, não trata-se de política e políticos, trata-se da perda de humanidade e busca de resultados a qualquer custo, dinheiro, poder, trata-se de todos nós, alguns mais que os outros:

O primeiro passo para a mudança é o auto-conhecimento, há muitos pontos a refletir, a compartilhar, o primeiro pilar do Scrum é a transparência, este é o maior obstáculo, o entendimento do que é e até onde podemos exercer a transparência, outro fundamento essencial é a auto-organização, entretanto, ao meu ver, pelo aspecto antropológico, temos muito o que trabalhar em nós mesmo antes de exigir dos outros …

O Bassi tinha razão, agilidade é “trabalho duro”, eu complemento que o maior “trabalho” não é no sentido físico, mas no psicológico, no esforço necessário para a mudança real de atitude, mas ninguém em nenhum momento disse que esta seria uma estrada fácil de trilhar …

3 comentários sobre “Era da Hipocrisia e dos Digimons

  1. É meu amigo a dissimulação, o faz de conta e a sinistrose da culpa nos outros são as grandes disfunções de carater da humanidade. Elas tem na politica terra fertil para se multiplicar. Por não aceitar isto sofri em 2012 uma grande violência dentro de nosso proprio movimento que deveria por ética nunca abrigar estas praticas. Infelizmente esta praga atingi a todos de forma generalizada não escapando nada, nem aquelas entidades por mais bem intencionadas que sejam. Texto duro mas corajoso e real. Faz meditarmos e de certa forma termos esperanças de dias melhores.

  2. Pingback: Um ano e meio de blog – Obrigado galera! | Jorge Horácio "Kotick" Audy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s