Agile Brazil 2013 – 1º Dia – 1ª parte

Manoel Pimentel Medeiros abriu o Agile Brazil oferecendo uma visão 360° do evento, suas oportunidades e logística, uma parceria instigante com o PMI-DF para este evento, uma participação intensa de empresas governamentais, finalmente convidando a todos para uma reunião a noite no Azeite de Oliva, típico bar-restaurante de entrequadra de Brasília para falar sobre StartUp.

1º KeyNote – Patrick Kua – Thoughtworks

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Iniciou valorizando o ambiente criado por equipes verdadeiramente ágeis, o prazer em trabalhar em equipes assim na TW e recomendou alguns livros, como o “DRIVE” do Daniel Pink que apresenta valores motivacionais:

  • Autonomia – escolher onde vamos dedicar nosso trabalho
  • Maestria – desenvolver e crescer, pessoal e profissionalmente
  • Propósito – importante acreditar em valores e no ecossistema

Além destes três tópicos, garantiu que deveríamos acrescentar mais dois, mal compreendidos e sem os quais desenvolver uma equipe ágil fica mais difícil, pois são questões implícitas que devem ser explicitadas:

  • Cooperação – convergir, olhar pelos olhos dos outros é essencial
  • Liderança – auto-organização também necessita de facilitação

Fez uma provocação divertida quanto a “as pessoas que ganham mais as vezes parecem fazer menos” e um mix de técnicas utilizadas em seus projetos, de onde destaquei alguns que eu não conhecia ou conhecia pouco: Pragmatic pairing, Story wall  e Big visible chart.

A cada ano algumas aspirações e respostas ganham valor e em 2013 venho escutando de todos sempre o mesmo mantra: “Confiança do cliente só é conquistada com entregas frequentes com qualidade em produção!”, frase reiterada na palestra do Eder da Dextra no final da manhã. Falou de um técnica mais envolvente de testes entre vários dos envolvidos, especialmente clientes que eles batizaram de “Guerrilha User Testing”, que motivou usuários e equipe a empenharem-se mesmo fora de horário para garantir que o que estaria sendo entregue seria o melhor possível, salientando que: “Nunca desperdice entusiasmo, valorize-o e encontre uma forma de canalizá-lo!”.

A meu ver o ponto alto de sua palestra foi o livro “FLOW”, que levanta uma teorização sobre um caminho de fluxo construtivo e iterativo entre a ansiedade de desafios inatingíveis e habilidades sub-aproveitadas, onde stress por atingir metas inviáveis geram ansiedade e desmotivação, metas fracas nos frustram e também desmotivam, entre os dois há um caminho de aprendizado e desafios factíveis sempre em ciclos iterativos-incrementais.

Expert-870x400Finalmente, apresentou um modelo chamado “DREYFUS MODEL”, que me lembrou a palestra do James Shore no ano passado, aquele da fluência (maturidade) Agile, em que devemos praticar Kaizen, baby-steps, todos devem lembrar das estrelas né, em que devemos racionalizar e ir melhorando um passo de cada vez, na medida em que estivermos prontos para o próximo, sem deméritos.

No “DREYFUS MODEL”, os irmãos Stuart e Hubert Dreyfus buscam apresentar uma explicação de como melhor o ser humano aprende, modelo aplicado depois por Patrícia Brenner para treinamentos na área de enfermagem. Tentar transferir conhecimento ou um novo mindset sem começar pelos princípios, técnicas primárias e ir evoluindo é como ensinar Inglês a uma pessoa tentando ensinar verbos, estrutura, contrações, expressões, … tudo ao mesmo tempo.

A seguir um vídeo de outra palestra do Patrick com conteúdo muito semelhante:

Paulo Furtado – Team Guides

Um papo sobre Team Guides, leia-se Product Owners, valeu principalmente por compartilhar novas abordagens e situações para conquistar o cliente e product owner para a importância dele participar efetivamente a cada passo do projeto, como maior interessado de que seu investimento seja um sucesso e supere as expectativas.

“É como ir em uma concessionária para comprar um carro e não houvessem carros lá, o vendedor lhe entrega um manual, voce o lê e decide se quer comprar ou não”, na verdade voce dispensaria o manual e exigiria ver o carro, entrar dentro dele, agendar um test drive, em software deveria ser a mesma coisa.

Mike Cohn disse que “Requerimentos de software são uma questão de comunicação”, temos que aproveitar os diferentesconhecimentos para um amplo entendimento, utilizar técnicas adequadas para levantamento e priorização dos requisitos.

Lembrei de uma aula de metodologia de pesquisa no PPGAd, uma pesquisa feita em uma feira popular de SP perguntou diretamente “Porque voce gosta do pastel da feira?” e quase todos disseram porque é saboroso. Estudantes de psicologia fizeram uma pergunta diferente “O que o pastel de feira lhe traz a memória?”, um grande número disse que relembrava a infância, os avós ou pais que o traziam e o presenteavam com um pastel … as vezes não é a resposta que esta errada, é a pergunmta que foi mal elaborada.

Ele fez a provocação sobre o a relevância de entendermos o contexto, por exemplo, o que seria mais importante entre uma garrafa d’agua e uma anel com um diamante ? Depende, se estivermos no meio do deserto do Sahara, o anel de nada adianta, precisamos mesmo é de uma simples garrafinha d’agua.

“Muitas vezes o cliente acaba pedindo diamantes de ouro porque são mais chamativos, entretanto pequenas tarefas as vezes tem mais valor para o produto”, fez uma brincadeira entre a importância de ter uma escova de dentes ou os brincos de ouro, após algum tempo os brincos não valerão nada pois não teremos os dentes.

Voltando ao carro, ilustrou que um time ágil é como um carro, que pode ser uma ferrari ou um fusca 74, o mais importante sempre será para onde estamos indo e não apenas a velocidade ou qualidade, o que realmente fará diferença é chegar ao destino e não ir para o lado errado. É uma variação da ponte: “Mais importante que fazer a ponte é fazer ela no lugar e direção corretos, senão de nada vai servir” … No Brasil tem uma porção delas, inúteis por ai, ligando nada a lugar nenhum.

Jim Highsmith disse que “Qualidade é uma opinião pessoal!”, em agilidade temos que ir além e realmente entender o que é valor e o que é qualidade dentro de cada contexto e o papel do product owner ou team guide é fundamental, mas ele deve possuir alçada e postura adequadas a este papel.

Éder Ignatowicz (@ederign) – Engenheiro de Software na Dextra

Leciona em diversos cursos de graduação e pós-graduação na Faccamp e na Unisal (ambas em Campinas-SP). Nas madrugadas, pesquisa aplicações de Cloud Computing na área de Saúde, especialmente relacionadas ao armazenamento e à recuperação de grandes volumes de informações. Éder é Doutorando e Mestre em Engenharia Elétrica pela Unicamp e Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina.

A palestra foi genial, com o Eder da Dextra sobre design e engenharia de software, equilíbrio e dívida técnica, sobre go-horse ágil, bateu muito na diferença entre refatorar ou redesenhar e sobre evolutionary design, repetiu várias vezes sobre deixarmos o software ir se decompondo até se tornar um grande estorvo, mais um legado amaldiçoado … mas foi muita informação em muito pouco tempo, mas o resumo da ópera foi – Assistam o cara se puderem:

  • “Não existe Agile sem Design Ágil”
  • Porque software apodrece?
  • Porque grandes projetos maduros se deterioram?

Evitar a todo custo: “Vamos deixar deste jeito que funciona, depois refatoramos e as estruturas e patterns emergirão!” … Como sustentar o crescimento ágil e incremental de uma arquitetura evolutiva em um projeto de grande porte? Veja a apresentação, VALE A PENA: http://www.slideshare.net/ederig

4 comentários sobre “Agile Brazil 2013 – 1º Dia – 1ª parte

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