A premissa é: Todos caminhos levam a Roma

Se você diz acreditar em auto-organização e melhoria contínua, impôr a forma como as coisas devem ser não é um bom começo, não acelera, mais provável que desacelere. Há sempre parâmetros, restrições, mas o dia-a-dia dos fluxos de trabalho deve ser alçada dos times. Se iniciamos auto-organização sendo impositivos e ditando como devem ser para serem considerados ágeis … provavelmente quem menos entendeu fomos nós.

Esta semana me disseram que eu não me imponho, que deixo o time decidir a minha revelia enquanto meu papel “deveria ser” impor como deveriam ser para serem ágeis mais rápido. Minha resposta é que há uma diferença quilométrica entre eu instrutor ou facilitador … como instrutor sou enfático, categórico na argumentação, mas como facilitador sou apenas mais uma opinião e decidimos pela maioria.

O segredo é ter a certeza que em uma ou no máximo duas semanas faremos um balanço, verificaremos desvios, sentimentos e resultados práticos. Não importa se chamam de retrospective, replenishment, commitment, futurespective, então relaxe, um momento cíclico de melhoria contínua está previsto em toda e qualquer metodologia que se preze ou time que realmente queira melhorar continuamente.

Sistemas complexos (e empíricos)

O que eu vejo com certa frequência é que muita gente acha que Agile já é mainstream e por isso não é necessário desperdiçar tempo fazendo cursos ou workshops de nivelamento … afinal, todos já sabem o que são métodos ágeis. Será? Mesmo se fosse verdade, métodos ágeis são apenas um dos vetores da equação.

Gosto muito de uma frase twitada pelo Jason Bloomberg em 2016: “Está na hora de parar de ver Agile como um time trabalhando ágil em projetos, toda a organização precisa ser ágil!”. Tinha um gerente que falava que se melhorar um time ou área apenas, o ganho prático se dilui no desperdício das demais.

É natural que em um período de transição como nas últimas duas décadas, onde cada vez mais empresas foram melhorando seus processos a luz de métodos ágeis, finalmente começam a impor-se algum tipo de transformação cultural mais ampla, instigando um propósito maior às mudanças.

Conclusão

Para gerar auto-organização, é preciso valorizar o desenvolvimento de novas competências e a autonomia necessária para que a auto-organização aconteça. As quatro primeiras disciplinas no mascote do Management 3.0 são: Energizar pessoas, empoderar times, estabelecer restrições e desenvolver competências.

A definição que eu mais curto e repito sobre auto-organização é: “Auto-organização é deixar um grupo aproximar-se da borda do caos, onde a auto-organização acontece!”. A antítese é, vou dar autonomia, mas garantir que não cometam erros, não arrisquem-se, façam como está previsto e é recomendado.

Team building, team bonding, gestão do conhecimento, Design Thinking, Lean Startup, Agile, Growth Hacking, RH ágil, … Como disse Blank – “Este é o melhor momento para empreender na história da humanidade!”, mas quando leio empreender, é startups, pessoas, profissionais, times, produtos, serviços, negócios, empresas, …

2 comentários

  1. Ocasionalmente surge aquela peça tão polida, tão bem pensada que podemos nos ouvir falando aquelas palavras. Este seu post é umda dessas peças: você tirou da minha boca as palavras que eu tinha, mas não sabia. Deu expressão aos meus sentimentos e observações. Parabéns, mestre, e obrigado por dar voz à minh’alma. Te devo mais essa. 😉

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    1. Grande Fábio, cidadão do mundo, há muito virei discípulo, cheguei a estudar um tanto de Data Driven e me pegava relembrando teus posts e ensinamentos. Não precisei mergulhar muito neste universo tão desejado pelas grandes empresas, mas ficou claro o quanto és referência há tanto tempo, sempre estudando, compartilhando, um passo adiante no tempo. Privilégio estar a tanto tempo interagindo contigo! Grato por ser sempre tão gentil e paciente com este aprendiz de feiticeiro! o/ Bom final de semana aí na Big Apple brasileira!

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