Uma equipe é apenas um dos elos da corrente
Pois é, começamos, entendemos o recado, estamos no caminho, os resultados são visíveis, estamos melhores que antes, mas após alguns meses começamos a querer mais, queremos que as outras áreas alinhem-se ao novo modelo, entendam o que é valor iterativo, transparência, “kaizen”, realismo, “baby steps”, mínimo produto viável, etc
No curso de Kanban com o Allison Valle, a frase de um colega chamou minha atenção, eles disseram que para eles o movimento inicial em agilidade foi “subversivo”, isolado, demorou anos para que as gerências e outras áreas percebessem que valia a pena entender e replicar … antes tarde do que nunca!
Se conseguirmos melhorar em 100% os resultados de uma equipe-meio, estão melhoraremos todo o conjunto em talvez 10% ou 15%, pois uma equipe depende de insumos e endereçamentos feitos pelas demais áreas da empresa e de fora dela – clientes, fornecedores, parceiros, os famosos stakeholders.
O colega Luiz Parzianello, referência em agilidade no Brasil e no mundo, nos falava muito em “negócio ágil”, em desenvolver todo o ecosistema em que estamos inseridos dentro de princípios ágeis. Desde então, compartilhamos nossas experiências com áreas diversas, de backoffice a negócio, garantindo ganhos de comunicação, transparência, inspeção diária e adaptação.
As equipes de áreas mais tradicionais, por exemplo as administrativo-financeiras, possuem maior resistência a sequer querem abrir esta discução, mesmo que o diagnóstico inicial seja sempre o mesmo e provavelmente também seja o feedback positivo ao final :
- melhorar a comunicação;
- mais autonomia, com responsabilidade;
- ter orgulho do time e de sua execução;
- transparência e realismo a cada passo;
- reconhecer e ser reconhecido;
- ousar, inovar, surpreender;
- realizar-se e ser feliz.
Há um rol de técnicas que potencializam este esforço, algumas delas afeitas a toda e qualquer área em que se trabalhe em equipes, outras adaptáveis conforme características e talvez algumas poucas específicas para certos contextos :
- pactos de time (acordo explícito de convívio inter-pessoal);
- lições aprendidas (reuniões para identificar pontos de melhorias);
- quadro de tarefas (gestão visual das principais tarefas em curso);
- reuniões diárias (reuniões relâmpagos para colaboração e decisão);
- planejamento (reuniões para planejar as próximas entregas);
- sonhos (brainstormings com foco em relevância e priorizações);
- revisões (reuniões de entrega do trabalho realizado);
- etc
Uma premissa ágil é “não fazer estoques” de idéias, de pressupostos, coloque para rodar, experimente, comece com algo sensato e vá refatorando e melhorando continuamente. Na trilogia “Senhor dos Anéis” tem uma frase que eu gosto muito : “É perigoso sair porta afora, Frodo. Você pisa na estrada, e se não controlar seus pés, não há como saber até onde você pode ser levado.” (Bilbo Bolseiro)

