O que é permacultura? Princípios ágeis para a sustentabilidade do planeta

Post de férias – “Permanent Agriculture” ou “Permanent Culture” foi proposta por Bill Mollison, professor australiano (1970), com um pacote de princípios e um framework que materializa tudo o que sabemos ser necessário para cessar de destruir o planeta e gerar um modelo mais sustentável. Uma rápida pesquisa mostra iniciativas legais no RS e Brasil, independentes e institucionais.

A proposta inicialmente dizia respeito a agricultura, com proposta de eliminação de monoculturas extensivas, optando pelo conceito de florestas produtivas, uma forma de estabelecer sistemas que parem de destruir o que resta e gradativamente comecemos a recuperar ecossistemas, fauna, flora e qualidade do ar, terra e água.

Permacultura é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza – Bill Mollison

Um movimento iniciado a favor de uma agricultura mais consciente, aos poucos foi migrando seus princípios e influência em outras áreas onde o ser humano gera desequilíbrio insustentável, como nas cidades, no relacionamento social. Seu idealizador, Mollison, viaja o mundo desde a década de 70 para difusão de suas ideias, preparando profissionais de diferentes áreas para implementação local.

Uma proposta 100% escoteira, por uma existência equilibrada entre o homem e o planeta terra, um grande desafio, que gera discursos inflamados mas que não conta com o apoio real da maior parte, quase totalidade, das empresas e governos. Todos mais preocupados em ganhos econômicos imediatos e desproporcionais que com a sustentabilidade de suas ações frente as futuras gerações.

Princípios como economia colaborativa, cooperativa, escambo, reciclagem e reaproveitamento de resíduos e excedentes, geração distribuída de energia limpa, aproveitamento racional das áreas, mantendo ecossistemas e valorizando a pequena propriedade e o mutualismo simbiótico com a terra, água, ar, fauna e flora. Na prática, não há novidades, a ONU, países, empresas e comunidades sabem o que fazer, apenas não há interesse, é mais fácil explorar sem limites.

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Valorizar a interação humana, ciclos curtos de feedback, eliminar o desperdício, privilegiar a integração e a diversidade, trabalhar um passo de cada vez, com soluções pequenas, baby steps, focando em adaptação permanente … impossível não analisar artigos e os diagramas representativos e não perceber o quanto trata-se de um releitura Lean para a agricultura. Uma abordagem forte e baseada em princípios que transformaram um framework inicial criado para agricultura sustentável para algo maior, relacionado a sociedade e cultura como um todo.

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A questão não é se é preciso ou não mudar o modelo de produção e econômico, social e político, mas quando esta mudança ocorrerá, se será em tempo hábil de reverter o que hoje parece inevitável ou não:

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Encontrei um artigo em portugues muito legal sobre este tema no site da FCA UNESP – http://www.fca.unesp.br/Home/Extensao/GrupoTimbo/permaculturaFundamentos.pdf

5 comentários sobre “O que é permacultura? Princípios ágeis para a sustentabilidade do planeta

  1. Fala Jorge!
    Gostei bastante de ler isso pois, pra mim, foi exatamente o caminho inverso. Estudo e trabalho com permacultura desde 2006 e quando comecei a ter contato com scrum e, consequentemente, os outros métodos ágeis percebi que havia muita similaridade.
    Antes de conhecer os métodos ágeis, o modelo de gestão mais próximo que eu havia encontrado era o Dragon Dreaming, talvez você conheça, que também bebe do kanban e tem muitas coisas interessantes mas, hoje em dia, tenho uma preferência em trabalhar com o scrum.

    Abraço!

    • Watuelfer, isso é o que eu digo e escrevo sobre minha trajetória … eu era escoteiro nos finais de semana e com o Agile e Scrum descobri uma forma de ser escoteiro também nos dias uteis. Já deixo um convite para falares de permacultura em um Tecnotalks. Quanto ao DD, será meu próximo post de férias, já está pronto, só falta revisar, assim como um sobre Juran. Pensa aí em como fazermos um papo sobre Permacultura, talvez DD e sobre comunidade e economia solidária. o/

  2. Kotick, como sempre, excelente artigo. É fantástica sua habilidade de achar coisas novas e cruzar coisas diferentes. Quero ser assim quando eu crescer! 🙂

    Agora, sobre o assunto em si, sendo um cientista, eu sou muito mais cético em relação aos dados que a maioria. Não estou afirmando que os dados são falsos ou estão sendo mal interpretados por má-fé, por um grupelho que deseja sequestrar o debate. Digo apenas que ainda temos poucos dados, e que a maior contribuição para a discussão é melhorar esses dados – em primeiro lugar.

    Em segundo, ainda no rastro daquele seu post sobre nossos heróis e seus aforismos, existem dois que cabem aqui:

    1) Buckminster Fuller: não se muda nada na base da força, mas apenas construindo algo melhor. É assim que o Liberalismo produziu muito mais conforto e bem-estar que todas as outras doutrinas econômicas, por exemplo. Logo, precisamos achar um modelo melhor.

    2) da Vinci: tudo que é realidade hoje, foi um sonho um dia. Precisamos sonhar alto, imaginar algo realmente distante, idílico, o famoso estudar para tirar dez, e quem sabe tirar 8 ou 9. 😉

    A minha proposta é simples: investir pesado em energia nuclear, que é a mais barata e limpa, e em liberalismo econômico que é meio no qual as inovações podem surgir. Reduzir a regulamentação da vida, e assim tornar mais fácil e baratas as mudanças.

    Assim, com energia limpa já tiramos um grande peso da ecologia global. Com mais energia, a custo menor, aliado ao liberalismo e desregulamentação, poderíamos montar uma cadeia de produção mais barata, mais limpa e mais sofisticada, com menor impacto ambiental.

    Só tem um problema: vivemos em um mundo socialista, no qual idéias de liberdade, eficiência e criatividade são ativamente combatidas por todos que querem mudar tudo! Não é uma cretinice? Quem mais propagandeia dizendo que quer que as coisas melhorem são justamente as pessoas que são contra a inovação, que condenam a iniciativa individual!!

    • Oi, não sou contra liberais, conservadores, socialistas, … o problema é que a maioria destes na verdade não são nada disso. Para a maioria o objetivo é se dar bem, explorando ao maximo, acho que é um traço humano … esgotar recursos, corrupção, contornos, … o beneficio em ser neutro e pro-bom senso é que para mim é fácil apontar riscos e defeitos sem ser passional. Meu partido são nossos netos terem agua, terra e ar, alem de minimas condicoes sociais em um mundo imerso em uma bomba relogio com bilhoes de miseraveis a margem. Qualquer doutrina ou partido que faça mais pelas proximas geracoes tem meu voto. Mas nao proximas geracoes deles, feito avestrus, como se dinheiro fosse resolver algo daqui a mais 100 anos. 😦

      • Não se trata de pessoas, Kotick, mas de idéias, e ações. Sem vigilância constante sobre os políticos, tudo é posto a perder e por isso precisamos – eu e você, nós, os eleitores – achar meios para reforçar as instituições e jogar luz nos cantos obscuros da nossa vida em sociedade.

        Você, como pensador e líder, influencia os que estão a seu redor. Como o Pequeno Príncipe ouviu da raposa: você torna-se responsável pelos que cativa. 😉

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