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Economia Circular é retroalimentação e não apenas reciclagem

Economia circular não é reciclagem, é um modelo econômico cíclico por design, onde produtos e serviços não possuem início, meio e fim a qualquer custo, mas início e meio conscientes, com destinação para mínimo desperdício.

No quesito “consciente” e “sem desperdícios” temos mínima agressão ao meio ambiente, energia verde, tratamento de resíduos, planejando e privilegiando o retorno, resgate, reciclagem como um modelos de negócios responsável.

No quesito “destinação”, vai muito além de separar o lixo, uma solução ineficaz, é um planejamento dedicado à produção, distribuição e consumo circular, consciente, com mínimo desperdício e máximo aproveitamento.

Revolução industrial

A revolução industrial respondeu à demanda em massa com um modelo empreendedor em escala desde sua fase a vapor, elétrica ou automatizada, focada em produtividade, baixo custo e demanda, algo como um one way thinking.

Vivemos o limite de uma economia linear de consumo desnecessário exponencial, 250 anos inovando conscientes da geração de desperdício, usando matérias primas, químicos, energia, recursos … de forma irresponsável.

Para muitos, a terra é chata e o ritmo insustentável de extração, desperdício e poluição é uma falácia, nada mais simbólico que containers de lixo a cada data festiva. O volume de lixo é consequência de um inconsciente coletivo … de status.

A luz do conceito sobre economia circular, leis verdes, aquecimento global, conscientização forçada e espontânea, creio que muitas startups e unicornios serão criadas neste entorno.

Grandes empresas investem em incubadoras e aceleradoras para incentivar startups a fazerem aquilo que elas não estão conseguindo fazer, uma oportunidade de ouro para quem tem ideias e empreendedorismo.

Aspectos da Economia Circular – 3R ou 4R

A economia circular possui três aspectos didáticos conhecidos como 3R, que eu brinco que deveriam ser 4R, incluindo “Recursos” ou “Resources” no aspecto de racionalidade dos processos envolvidos, fornecedores, produção, distribuição, consumo e reuso ou devolução a cadeia:

  • Reduzir ou Reduce – uso mínimo de matérias-primas;
  • Reutilização ou Reuse – reutilização máxima de produtos e componentes;
  • Reciclagem ou Recycle – reutilização de alta qualidade de matérias-primas.

Há três elementos a serem promovidos para a construção de empresas, produtos e serviços circulares (Korhonen et al):

  • Ciclos fechados – tudo o que entra no ciclo deve ser racionalizado, reaproveitado;
  • Energia renovável – máxima consciência na produção da energia e sub-produtos;
  • Sistematizar – influenciar todos os envolvidos, conscientizando e instrumentalizando.

Baby steps, começando pelas beiradas

A Timberland fez uma parceria com uma fabricante de pneus para carros, que após usados são recolhidos a uma usina de reciclagem, que os tritura e posteriormente entram na produção das solas dos sapatos Timberland.

timberland

A Eileen Fisher troca roupas usadas por créditos em suas lojas, gerando um looping de consumo, para remetê-las a uma operação que já é um sucesso, para reconfecção e vendas construída em uma área de 6 mil m2 em Nova York.

eileen fisher

A australiana Close The Loop faz parcerias para receber e reciclar cartuchos de impressora, plástico e vidro, que triturados são misturados a asfalto para a produção de estradas de qualidade superior de uso e mais duradouras.

close the loop

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Sprint Planning “Visual”

Estava eu conversando com um colega sobre o “como” se desenrola o Planning na equipe dele e percebi que independente da proximidade e alinhamento, para qualquer uma das reuniões ágeis sempre teremos uma infinidade de execuções, cada equipe criará nuances e possibilidades variadas para se sentir bem na sua condução, usando os recursos a sua maneira.

Quadro branco

Por exemplo, eu vejo a reunião de Planning como algo 100% visual, como tudo o mais em nossas timeboxes … característica minha talvez. Tudo o que é dito no transcorrer do planning, vou colocando na parede, no quadro branco. Quando a reunião é em uma sala com pouco quadro, colo folhas brancas nas paredes.

Quadros brancos de 5 por 2 metros é um privilégio e eu teimo em utilizá-los em todo o seu potencial e extenção, mesmo que isto acabe gerando trabalho extra para mim mesmo, pois ao final tenho que reescrever tudo nos postit’s, mas faz com que tudo esteja a vista durante todo o tempo … o que é bom!

Sprint Planning Visual

Começo expondo o calendário de nossa Sprint, normalmente na extrema esquerda, seguido de um espaço para DoD (definitions of done) que irá sendo preenchido no transcorrer da reunião e um espaço para os cálculos de disponibilidade e velocidade, prosseguirei fatiando espacialmente o quadro em espaços para cada User Story, tarefas necessárias e observações.

Quem olha para o quadro, verá nele absolutamente tudo o que foi tratado em seus detalhes, acredito que é útil a todo momento, quando voltamos a algum ítem já discutido ou quando traço uma linha relacionando diferentes ítens ou observações. Também, sempre que temos a mão, colamos o desenho de interface, com as telas ou blocos que construiremos.

Sempre com minha câmera na cintura, pois fotografo todos os nossos eventos e reuniões, ao final, transcrevo para os PostIts, fotografo tudo mais de uma vez e arquivo, não necessariamente nesta ordem.Agora percebi que não tenho fotos gerais de TODO o quadro, mas neste post colei alguns pedaços do quadro para exemplificar, assim espero que tenha ficado claro meu ponto de vista.

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Sprint Planning

Se você leu o post sobre Ciclos Scrum de Discovery e Delivery, sabe que planejar uma Iteração (Sprint) inicia pelo menos duas semanas antes, quando é selecionado um possível Sprint Backlog que será desenvolvido pelo PO (Product Owner), com participação do UX (User Experience), SEO (Search Engine Optimization), Tester ou SQA (System Quality Assurance), usuários, convidados e referências da equipe técnica.

Aqui, focarei apenas na timebox de Planning, quando pressupomos que podemos iniciar o ciclo de Delivery, quando estimaremos frente as definições apresentadas pelo PO e pactuaremos o que é possível trabalhar e entregar dentro do tempo de uma Sprint (nós fazemos Sprints de 2 ou 3 semanas). Quero compartilhar aprendizados e dicas para que o Planning não seja “apenas mais uma reunião”, mas que cumpra seu papel.

Sprint Planning

A nossa experiência mostra que uma boa reunião de Planning é para ser produtiva, eficiente, mas não precisa ser tensa ou chata, o melhor turno é o da manhã, com todos de buffer vazio, com frequência organizamos um café antes, entre aqueles que querem chegar um pouco mais cedo e descontrair, pois depois é trabalho focado, no geral temos:

1. Os primeiros minutos são alinhamento, datas, o que foi e para onde vamos;
2. Em seguida, calendário, cálculo de velocidade e DoD (Definition of Done);
3. Apresentação e estimativas, podendo ser na totalidade ou em blocos afins;
4. Vou transcrevendo e subtotalizando, puxando setas, alertas, explicitando;
5. Sempre que necessário ou no fim, análise geral de ocupação, P&D, Pair, …;
6. Revisão e debate até fechar pacto de trabalho para o sucesso da Sprint.

Durante a apresentação a ser feita pelo PO, a participação do UX é fundamental, pois o pleno entendimento de cada detalhe e variantes do layout e arte desenvolvidos é crítico para que as estimativas sejam o mais realistas possível. Se PO e UX não tiverem todas ou a maior parte das respostas, o volume de dúvidas e debates podem dispersar e eventualmente inviabilizar as estimativas de parte ou do todo das histórias apresentadas.

O manual diz que Sprint Planning demandam 4 Horas, separadas em 2 Horas para a apresentação do QUE precisa ser feito e qual o valor caso a caso, seguidos de até mais 2 Horas no debate para estimativas do COMO será feito, entretanto nós usamos uma variação, pois as histórias são apresentadas em pequenos grupos corelacionados, seguidos de debate e estimativa, evitando delay com repetição de perguntas ou esquecimento de respostas.

Na prática, se após algum tempo de Planning sentimos que existem mais dúvidas que entendimento, que o Discovery estava muito frágil e que não há como estimar as histórias, eu transformo aquela reunião em uma reunião de DISCOVERY, fechamos as pontas e fazemos o PLANNING na sequência ou na manhã do dia seguinte, isto evita frustrações e estabelemos um passo de cada vez, mitigando o fato de que não estávamos preparados.

Um aspecto fundamental, o Sprint Planning é Visual

Se não houver uma parede forrada de fórmica branca ou um grande quadro branco, não tem problema, use postits e folhas de flipchart colados diretamente na parede que houver, pois é lá que eu transcrevo TUDO o que é debatido, decidido e todos os números, estimados por papel, normalmente [Java] [FrontEnd] [tester], de forma visual construo uma única visão do todo e partes, destacando gargalos e oportunidades, um pacto em tempo real;

Quem olha para o quadro, verá nele absolutamente tudo o que foi tratado, com seus detalhes, pois acredito que é útil todo momento, quando voltamos a algum ítem já discutido ou quando traço uma linha relacionando diferentes ítens ou observações. Também, sempre que temos a mão, colamos o desenho de interface, com as telas ou blocos que construiremos, assim tentamos que nada passe desapercebido e que o sucesso de cada parte envolve as demais.

Como podemos ver nas fotos acima, a maioria das User Story (ou demandas) acabam gerando várias linhas com as tarefas técnicas necessárias para sua construção, como scripts de banco, serviços, frontend, …, dependendo do volume de Histórias e Tarefas pertinentes, uma das formas de montar o kanban é criando uma linha para cada História ou grupo delas, facilitando a visualização do fluxo de cada uma.

Sugestão final, tenha sempre uma câmera de qualidade a mão, não importa o tamanho, mas sempre fotografe suas reuniões, cada parte do quadro, coloque em um repositório, deixe acessível a todos … as vezes quebra o galho.

Boa sorte! Comenta ai se sua experiência aponta outras soluções ou se algo não ficou claro, sempre é difícil ser assertivo em uma lauda, sobre um assunto tão rico quanto uma timeboxe … mas a gente tenta  \o/