Uma reflexão sobre o livro “O poder do hábito”

Alguém me indicou a leitura do livro “O poder do hábito” de Charles Duhigg, um assunto que chama a atenção tanto de pesquisadores quanto de telejornais como o Fantástico, que nos últimos anos veiculou várias matérias sobre o assunto. Não há novidade de fato, mas é um tema que devemos ter sempre em mente.

Nosso cérebro não é capaz de lidar com o imenso volume de informação que nossos 5 sentidos captam a cada milésimo de segundo, para resolver esta restrição ele tenta trabalhar somente com a mudança, para isto ele deduz muito do que acreditamos estar sentindo, ainda mais nos hábitos que estabelecemos.

No fundo, nós somos a compilação de nossos hábitos desde a hora que levantamos, tomamos café, nos deslocamos para o trabalho, trabalhamos e assim por diante. Quantas vezes nos perguntam sobre algo que estava a nossa frente e não percebemos, sequer lembramos o que e como fizemos algo.

Algumas vezes não lembramos se tomamos o café, nada do trajeto de casa até o trabalho, esquecemos porque estávamos no piloto automático. Na regra, somos uma soma de hábitos, as mentes inquietas tendem a entrar em um ciclo virtuoso, por estarem mudando continuamente, são mais ligados ao mundo que os cerca.

O livro é um alerta contundente para esta realidade, especialmente para a necessidade de termos auto-conhecimento de nossos hábitos, alguns bons e outros ruins, de forma que trabalhemos racionalmente para mudar os ruins, desconstruindo-os e substituindo-os por novos.

Isto me lembra Schein e Argyris, aprender algo novo exige desaprender o antigo e isso consome energia e recursos, podendo gerar ansiedade, frustração, ativando nossas defesas psíquicas, dificultando nossa percepção e raciocínio crítico para realizar com sucesso a mudança.

Segundo o autor, hábitos possuem um GATILHO, que nos faz entrar no piloto automático, também há uma ROTINA no que fazemos, sentimos ou pensamos sem refletir, finalmente há a RECOMPENSA que nos mostra que este hábito vale a pena ser utilizado novamente em situações futuras equivalentes.

O-poder-do-hábito

O que o autor afirma, baseado em estudos e experimentos citados no livro, é que o caminho para a mudança de maus hábitos é substituir a rotina que realizamos para recebermos aquela mesma recompensa. Por exemplo, é entender qual o gatilho e recompensa do hábito de fumar, beber, correr ou agredir e trabalhar para mudar esta rotina.

Me relembra posts antigos e recentes sobre PNL, mudança, parceiros de viagens, feedback e retrospectiva, sobre o conhecimento das dezenas de teorias que nos ajudam a entender os mecanismos psicológicos e sociológicos em que estamos imersos. O pior hábito na minha opinião é onde não há recompensa, a recompensa é a falsa impressão de estabilidade, de não mudança.

Não que eu tenha feito algum curso de PNL, mas assisti algumas palestras e li alguns artigos que me geraram esta impressão sobre o conhecimento que me proporcionaram neste sentido de reprogramação de hábitos e sentimentos. Minha crença maior está na parceria, no feedback, na inquietação consciente que nos leva a permanentemente discutir a inovação, a mudança e a superação.

A maior parte do livro é uma reflexão sobre o porque dos nossos hábitos, os gatilhos se materializam com o objetivo de iniciar uma rotina na busca final pela recompensa. A mudança de maus hábitos como sedentarismo, procrastinação, fumo ou álcool depende da substituição da rotina que nos leva a recompensas. Se mudando a rotina recebermos a recompensa, maior a possibilidade de sucesso.

É claro que o livro não fala em métodos ágeis, mas está lá a necessidade primaz de auto-conhecimento, de discutir para melhorar, de registrar planos, esforços e melhorias, de comemorar cada pequena vitória, em estabelecer quais são os gatilhos, as rotinas e as recompensas, em gerar um ecossistema construtivo, baseado no modelo kaizen de melhoria contínua e participativa.

5 comentários sobre “Uma reflexão sobre o livro “O poder do hábito”

  1. Muito obrigado por trazer essa questão do hábito, me abriu novos horizontes. Fiquei um pouco chocado ao ler “agredir” na lista de hábitos, mas acho que é verdade. E sobre a relação com Ágil, nem precisava ter comentado. Acredito que esse livro deveria ser parte do currículo de qualquer líder (em especial, mas todos em geral) que vai assumir um time ágil. Pré-requisito, até.

    • Concordo contigo em gênero, número e grau! Eu inclui “agredir”, porque há profissionais que acham que falar alto, utilizar-se do poder do cargo e se exaltar é uma técnica de negociação, e isso é um tipo de agressão. Mudança de hábito é algo intrínseco, a pessoa tem que querer mudar. Eu tive que conviver com um gerente executivo que hoje já foi promovido a diretor que achava normal usar palavrões de baixíssimo calão e frases intimidatórias como força de expressão ou argumento com seus “liderados”. Era tão comum que as pessoas já nem se importavam mais, agressão é um hábito lamentável.

      • 🙂 Sabe, eu pensei em agredir mesmo, com intenção de machucar. Você foi bonzinho deixando a idéia no campo das relações profissionais. Em termos de hábito, acho que a questão se espalha por todas as dimensões – pessoal, profissional, cidadania etc. E foi isso que me chocou: agredir, em qualquer esfera, pode ser uma coisa gratuita ou resultado de um vício, pode ser um hábito!! Como dizem por aí, o horror, o horror.

  2. Audy, eu li esse livro a cerca de 1 ano atrás, e tive vários insights bons dele, achei muito bom também. Para vc ter uma ideia, uma das coisas que li nele e que achei bastante interessante é como as pessoas que estão passando por mudanças de hábitos possuem uma facilidade maior de mudarem outros hábitos mais antigos. Lendo isso, comecei a refletir se uma grande mudança recente que eu estava sofrendo na época (mudança de cidade, de empresa..) não seria um bom momento para mudar outros hábitos que eu estava adiando a algum tempo. Resolvi aplicar na prática muitas das dicas dadas no livro sobre hábito-recompensa, e fiz um projeto pessoal de reeducação alimentar. Resultado: em um ano, perdi 30kg sem um esforço gigantesco, apenas mudando meus hábitos alimentares. Não relaciono que toda mudança tenha sido causada por conta de ler o livro, mas ele com certeza me acendeu uma linha de pensamento totalmente diferente e em um momento em que eu estava realmente mais aberto a mudanças. Vale sem dúvida a reflexão 🙂 grande abraço!

    • Grande Lucas, legal esse acréscimo, inclusive a influência de uma mudança sobre outras pode ser extrínseca, ao ver colegas e amigos mudando, se reinventando, melhorando … nada mais inspirador que ver as coisas acontecendo e nos motivando a acompanhar na mesma vibração.
      Um bom 2015 para ti, cheio de desafios e conquistas!

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