Meio copo vazio? Cuidado para não esquecer sua história

Incrível como esquecemos rápido nossa história, anos de comando-controle, resultados movidos a stress, projetos com centenas de horas dedicadas a gestão de mudança, o custo do do famigerado “change management”, entregas de sistemas sucedidas de Fase II e III para refazer o que foi feito, alto turnover, indicadores e SLA satisfatórios, mas com clientes insatisfeitos.

Algumas semanas após a adoção de métodos ágeis, assim que quebrados os primeiros silos e derrubados os primeiros feudos, muita gente esquece como era antes e começa a valorizar apenas o que está errado, problemas legados, mas que agora precisam desaparecer imediatamente, muitos passam a retomar velhas práticas silenciosas de lavar as mãos, parecendo querer que dê errado.

O processo é mais trabalhoso que parece, mesmo tendo sido alertados de que assim seria, a realidade de ter que entender, negociar, antecipar, asvezes ganhar e as vezes perder, com foco em construção gradual de um novo status quo é por demais lento para uma cultura baseada no imediatismo. Se não posso ter o que eu quero, emburro e vou atrapalhar o que for possível, é uma auto-sabotagem.

Parece mentira, exagero, mas é a mais pura verdade. Muitos pensadores e visionários alertam sobre o empenho necessário para uma mudança real, visando maior auto-organização, co-responsabilidade, protagonismo, não se muda questões tão complexas e culturais sem tempo e investimento. Schein, Argyris, Drucker, além dos precursores da agilidade e agilistas preveem isto.

michaeljordan

Meio copo

Vou para meu quarto ano de blog, desde 2012 posto conceitos e alertas para o custo em não se conscientizar da existência desta curva de aprendizado, mesmo assim, caímos como patinhos, pois queremos tudo para já e quando não conseguimos, apesar de perceber valor, nos auto-sabotamos, complicamos e levantamos tantas restrições que acabamos botando tudo a perder. As vezes parece que entendo tudo isso, mas não aceito que outros ganhem antes de mim.

Originalmente no regime fábrica, industrial, comando-controle, waterfall, alguns praticando errado o SCRUM, mantendo esses mesmos traços em meio a postits coloridos e reuniões diárias protocolares, a mudança para uma prática ágil de verdade, baseada nacultura Lean Kaizen de auto-organização e de melhoria contínua exige crença e determinação, exige perseverança, porque a maior dificuldade somos nós mesmos.

Uma postura bastante comum que encontro em profissionais é que está tudo muito ruim, que não dá para aceitar, tomando atitudes reacionárias, de abandono do modelo ágil. Mesmo agindo de forma não compatíveis com a intenção de continuar tentando, mudando, evoluindo, ao ser confrontado com o tema deste post a quase totalidade responde que hoje está melhor que antes (?), mas nada ou muito pouco na atitude cotidiana leva a entender esta percepção.

copomeiocheiomeiovazio

Talvez seja uma cultura terceiro mundista de acomodação, é mais fácil reclamar de como era e como ficou, ser contra, transferindo a responsabilidade para os outros, temos que ser mais protagonistas e menos coitadinhos. NÃO dá para mudar tudo de uma hora para outra, mas dá para começar e aos poucos ir melhorando, talvez não do jeito que sonhamos ou queremos, mas melhor que ontem e pior que amanhã.

É como a liberdade social e política, qualquer forma de democracia é melhor que qualquer forma de dominação, pois esta última só será benéfica a poucos ou a ninguém enquanto a primeira nos dá ao menos o direito de pensar e nos propormos a trabalhar pela mudança para um futuro melhor para todos.

3 comentários

  1. Excelente lembrete. Às vezes acho que todo gestor precisava daquela seção japonesa de ginástica grupal, mas ao invés de ginástica, ficar repetindo os mantras – não esqueça sua história, backlog, dívida técnica, negociação etc.

    Quanto à sua sensação “Talvez seja uma cultura terceiro mundista de acomodação”: eu vi relatos de isso acontecer em _TODAS_ as culturas. Da francesa à japonesa, da anglo-saxônica à asiática. Como o que meu mais leio é em inglês, dos EUA, é de lá que eu vejo a maioria dessas histórias também. Então relaxe, estamos apenas sendo humanos. 😉 (Temos que tentar ser menos humanos e mais vulcanos às vezes!)

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    1. Então estamos lascados, porque nem o Sr Spock ficou a salvo das inquietações da alma humana. Ele que só tinha 50% de humano também escorregava na lógica.
      Sou bem mandado, já relaxei, rsrsrsrsrs
      [ ] companheiro!

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