Em POA o Papai Noel morreria de intermação

Mudanças culturais, quebras de paradigma, choques de realidade, com a geração Y cada vez mais inserida, a X se adaptando e os babyboomers se reinventando, novos padrões se confirmam, com mais personalidade, criatividade, inovação, na satisfação em ser e fazer diferente. Além disto, desde a década de 30 com Elton Mayo sabemos que somos mais produtivos quando estamos nos sentindo bem.

Liberdade com responsabilidade é a chave! Se Papai Noel tivesse que usar seu uniforme mesmo aqui no hemisfério Sul acho que ele morreria de intermação, imagine-o de calças longas, camisa fechada, botas e gorro, tudo isso em um país que faz 30 graus a noite, não daria certo nem se o trenó tivesse ar condicionado.

Papai noel tropical

Juran teve papel relevante no Japão da década de 50 quando diferentes atores contribuíam para aquilo que o mundo reconheceria como cultura Lean, trazendo consigo o mantra “Vital few and trivial many” ou  “20% vital, 80% trivial”. Dito isto, cabe a reflexão quanto a relevância de preocupações e questões de ordem relacionadas aos 80% que pouco ou nada agregam de valor real.

Juran ao trazer os conceitos de Pareto para as organizações afirmava que devemos nos dedicar aos 20% vitais que geram ou influenciam decisivamente os 80% dos resultados almejados. O foco de regras em projetos ágeis está mais para a constituição dos EUA que a brasileira, uma é enxuta e foca apenas no que é vital, a outra tenta tanto regular o trivial que acaba gerando um labirinto de contradições e abrindo brechas para todo tipo de insatisfação.

Na cultura Agile oriunda do Lean a auto-organização diz respeito a cada equipe encontrar as oportunidades para evoluir continuamente e construir um ambiente positivo e profícuo. Seguindo os princípios do 80/20, cabe a cada empresa estabelecer se o corte de cabelo, tatoos, piercings, roupas mais leves como bermudas e sandálias podem ou não fazer parte dos seus vitais ou triviais.

Houve época em que as mulheres mais respeitáveis eram aquelas que não se expunham ao Sol, pois mulheres de respeito deveriam manter-se recatadas. Houve época em que tatuagens eram sinal de que você passou por alguma penitenciária ou era marujo. Recentemente piercings e cabelos azuis eram sinônimo de rebeldia. Em 2014 o Surf passou a ser orgulho nacional.

Uma especialista que assisti em uma palestra sobre mercado e carreira em 2013 sugeriu para a galera evitar roupas leves em entrevistas, bermudas nem pensar, se tiver tatuagens deveriam ocultá-las, pois causa má impressão. Senão vejamos uma radiografia da nova geração, gente descolada, inteligente, que quer ser feliz e percebe diferentes formas de demonstrar sua espontaneidade e liberdade.

Eu não falo isso por modismo, nada disso nos define nem limita, são formas de expressão. Não é liberar geral, não é permitir excessos, é focar nossa energia para o que é vital, caso haja desvio eventual é só usar de comunicação. Ao irmos para o TecnoPUC uma flexibilização foi discutida e divulgada, com bom humor e assertividade, nunca houveram excessos. Algum tempo depois a personalidade e atitudes criativas e independentes foram cada vez mais valorizadas.

James Dean já foi símbolo de rebeldia e inconformismo por usar camisetas de algodão, algo que até então era considerado roupa íntima, parecido como sair de cueca nos dias de hoje. Houve tempo em que um diploma já dizia quem você era, uma roupa sofisticada também, uma certificação, um MBA, mas hoje em dia nada disso garante nada, em 30 minutos de entrevista nós separamos o joio do trigo, e joio nada tem a ver com estereótipos.

Em 2014 ao chegar em um empresa pública Gaúcha a trabalho, fui barrado na portaria por um segurança. Ele me viu chegando e perguntou: “Você está usando bermudas?” Eu achei que ele estava brincando, sorri e continuei, no que ele me interpelou: “De bermudas não pode entrar!” Eu tive que ir até minha casa, me trocar e voltar, atrasado. Regras são regras, mas esqueci de perguntar se a reunião tinha sido melhor usando Jeans, para mim não foi 😦

Buscando uma imagem alusiva, no site OABDEPRIMEIRA eu li que o TRT-RJ liberou os servidores do uso de traje até o dia 20/03, está fazendo sensação térmica de quase 50° no RJ neste verão. Eu pergunto: Será que a justiça carioca será comprometida por um escrivão usar bermudas? Lá no site tinha uma imagem muito legal que compartilho, é o cerne deste post – Impossível olhando para a foto saber qual o melhor e o pior profissional, pode ser qualquer um, o que o define como um ou outro não aparece na foto 😉

uso-de-bermuda

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