Somos seres idiossincráticos, além do necessário!

Um post em tom de desabafo, pois fico chocado como alguns ganham dinheiro fácil, de um lado uma legião de empresas e pessoas inteligentes, mas que sonham com uma solução mágica, a procura de uma Nanny Mcphee empresarial. Do outro lado temos pessoas conectadas, com um senso aguçado de oportunismo, dispostas a oferecer aquela solução nova e mágica que tantos incautos almejam.

A tempo, antes de mais nada, escrevo este post como fruto de percepções e angústias que as vezes me tomam, qualquer semelhança com personagem ou fatos, verídicos ou ficcionais, com certeza é mera coincidência. Sério, uso aqui parábolas e analogias para falar de Brasil, de Agile, Carreira e vida!

O mercado está virando uma versão física do facebook, onde algumas pessoas requentam factóides ou inventam notícias, por insanidade ou interesse$ oculto$, apesar de eu acreditar seriamente que alguns são ingênuos mesmo, mas a ingenuidade não os exime da responsabilidade pelo estrago que causam.

No mercado, para virar especialista basta fazer meia dezena de cursos e certificações, algumas delas são brinde ao final do curso. Algumas pessoas não tem a menor ideia do que estão falando, nunca praticaram aquilo, só sabem na teoria, mas uma semana depois de se sagrarem especialistas em um curso estão palestrando e orientando empresas sobre estratégia e execução.

Muitos me lembrar o famoso bingo da reunião, repetindo frases complicadas, com respostas decoradas, alguns (de boa memória) citam a página e o manual ou livro onde acabaram de ler sua profunda experiência sobre o tema. Outros me lembram os geradores randômicos de frases “inteligentes” que polulam a internet, tipo:

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Todos estes casos merecem uma tese, mais ainda as empresas que gastam uma fortuna para aprender métodos e técnicas como o Lean, SCRUM, Kanban, Lean StartUp, Business Model Generation, Design Thinking, modelo SECI e CoP’s, XP, PMBOK, MSF, RUP e ao contrário de dezenas de milhares mundo afora, decidem reinventar a roda sem nunca ter experimentado a original.

Especialização (PF) e adaptação (PJ) deveriam vir depois da prática, a frase que eu uso é um pouco intensa, como eu gosto: “tem muita gente querendo ser francês, mas eles não querem passar pelo que os franceses passaram, eles querem acordar de repente franceses. É mais fácil, pois passar pela revolução francesa ou construir um novo iluminismo dá um trabalhão, é mais fácil colocar uma boina e virar francês, simples assim – Vive la France!

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Isto é um traço não só do brasileiro, mas é do Brasil que eu estou falando, um amigo espanhol na década de 80, dizia que o espanhol comum trabalha com uma escala de evolução baseado em décadas, enquanto o brasileiro quer tudo para ontem, quer enriquecer do dia para a noite. Não queremos resolver, queremos que se resolva, por isso todo atalho é válido, não temos paciência, não temos tempo, por isso temos que levar vantagem em tudo.

Mas nada é por acaso, se de um lado há pessoas jurídicas e físicas em busca de mágica, haverá cada vez mais magos a disposição … é a lei da oferta e da procura. A cada dia tem novos métodos, novas técnicas, queremos sempre fazer um novo curso, mesmo sem ter aproveitado nenhum dos anteriores. A meta sempre é tentar achar um consultor, coach ou especialista que tenha respostas fáceis.

Por outro lado tem gente chata que insiste em dizer que é preciso trabalho duro, que tem que suar, errar, aprender, que teremos que passar pelas revoluções e pestes negras, para um dia aos poucos nos tornarmos parecidos com os franceses … Querer ser igual a empresas que estão a 15 anos na vanguarda tem um custo espaço-temporal, menor que eles pagaram, mas não é de graça.

O Brasil quer políticos mágicos, as empresas querem métodos mágicos e profissionais agora querem coachs mágicos. Boa sorte a todos, continuem procurando, mas desconfiem de quem não pratica o que diz ou que não tenha bagagem para dizer o que diz. Se tirarmos o véu da pseudo-magia, a realidade é dura e é preciso arregaçar as mangas e começar, um passo de cada vez, sem desistir, porque dá trabalho. É uma colheita que demora, mas é certa!

De minha parte, estou com Sócrates, não o jogador de futebol, mas o ateniense que viveu em 400 AC – “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”.

1 comentário

  1. Kotick, concordo em gênero, número e grau contigo! Eu estou fazendo, meio que sem querer, uma série de post sobre BI para soprar longe essa névoa mágica que encobre o dia-a-dia da Inteligência de Negócio nas empresas. É absurda a facilidade como gente articulada, adulta, de cabeça feita, cai em bobagens de marketing (e depois acabam quebrando a cara, mas aí já é tarde – o dinheiro e o tempo já se perderam.)

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