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Um quadro estratégico e tático inter-equipes

Em uma consultoria recente os PO’s e analistas me pediram ajuda para organizar um product backlog compartilhado entre 6 equipes especialistas em suites de uma solução digital corporativa – financeiro, contábil, backoffice, etc.

Me baseei em um quadro de features por equipes do framework SAFe, onde temos cada equipe com suas features para o Train, garantindo uma visão tática por equipe x feature que dá suporte para algumas reuniões táticas e escaladas.

A necessidade era baseada em um backlog sendo priorizado por diferentes clientes e pela própria empresa para evolução e manutenção do produto. Queriamos um artefato que os ajudasse a ter uma visão clara transversal estratégica e tática para distribuição e acompanhamento.

Eu já havia ajudado a introduzir há alguns meses Scrum e Scrum of Scrums, que vinham trazendo bons resultados, mas agora os PO’s e analistas precisavam algo mais visual para o backlog nos próximos meses.

Diagramaticamente, reorganizamos os postits utilizados por eles em uma reunião recente de priorização com clientes, quando usaram um quadro de valor x esforço, com cores para 5 diferentes naturezas de ítens.

Simbolizei na imagem a principal diferenciação destacada, pois para cada time temos duas trilhas, uma para projetos (azul) e outra para sustentação (reserva técnica). O quadro visual é apenas para priorização e abstração em uma escala de tempo mensal.

O quadro ficará em um desses cavaletes com rodinhas, a granularidade dos tickets será por conveniência, coisas muito pequenas não serão representadas individualmente e o formato privilegiará selos com marcos, riscos e lembretes.

Cada postits azul representando projetos, no momento apropriado, terão sua própria inception e seu quadro de Release Plan junto ao(s) time(s) envolvidos, ficando aqui registrado apenas seus MVP’s e Releases.

O número de meses/sprints representados no quadro será um ponto de equilíbrio com foco em que o quadro facilite reuniões de estratégia com as equipes, diretoria e clientes. Também será um facilitador na mudança em curso para Agile no que diz respeito a gestão visual transversal, no plano estratégico e tático, compartilhada entre todos os envolvidos e interessados, inclusive stakeholders.

Relato GVDASA

Uma empresa de atuação nacional que vem fazendo sua transformação digital, com total apoio da alta direção, da gestão e equipes ágeis praticando Scrum, Kanban e realizando reuniões transversais seguindo Scrum of Scrums.

A mais de ano, cada equipe, desde a adoção, contando com profissionais que vem se empenhando em serem ágeis, agregar valor, evoluindo a cada ciclo, melhorando suas práticas ágeis através de experimentação x resultados.

“Já queria te dar um primeiro feedback. Recebemos um pedido de priorização de outra área, o item estava em 7º lugar no backlog, marquei um momento para discussão com os envolvidos e direção e utilizamos a técnica de comparação, ou seja o item a ser priorizado é mais importante que o 1º, 2º, 3º e assim sucessivamente. O resultado foi que todos concordaram que a priorização estava correta e deram um feedback positivo a respeito da clareza e transparência das prioridades que estão sendo trabalhadas.”

Vinicius Iager – coordenado de desenvolvimento GVDASA – Gestão educacional integrada, solução completa para a otimização dos processos acadêmicos e administrativos da sua instituição – http://gvdasa.com.br/

logotipo GVDasa

Conclusão

Não só as equipes envolvidas, mas a participação de clientes, líderes e executivos sempre é muito positivo ao se depararem com um quadro de portfólio, programa, ciclo ou Release Plan. Eles veem ali materializado seus objetivos, desejos, sonhos e expectativas.

Muito da alta pressão, “natural” em projetos de TI, é existir diferentes percepções e entendimentos relativos a prioridades e possibilidades. Ao estabelecer um quadro estratégico ou tático, toda a discussão sobre priorização (e mudanças) geram um único entendimento.

Não há regras pétrias de ticketagem (postits) ao iniciar o uso, tanto granularidade quanto diferenciação irão adaptar-se a realidade do tipo de portfólio, programa, ciclo, tecnologia, complexidade, volumes, equipes, pessoas, etc … Dê o primeiro passo, explicite e deixe que as retrospectivas se encarregarão de melhora-lo cada vez mais.

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O mindset do Design Thinking na Educação

Inicie pensando Design Thinking na educação pela sua cláusula mais pétria, a empatia, enxergando o aluno como nosso cliente, com o qual é preciso estabelecer sinergia. Inexiste ensino sem aprendizado, logo entender seu cliente é essencial, assim como em métodos ágeis, é obrigação do facilitador, mentor ou coach, encontrar a técnica mais adequada a média e a cada cliente, sua cultura, subsunçores (âncoras ou conhecimento prévio), ensino tem duas vias para retroalimentar-se e melhorar continuamente.

Novas gerações

Não acredito em gerações pela data de nascimento, não é uma maldição, todos nós evoluímos, há pessoas jovens e velhas presas ao passado, tanto quanto jovens e velhos vivendo intensamente o presente. Entretanto, estes estudos nos ajudam a entender períodos de tempo.

Geração Y (Millenials), estão a noite em aula após o dia inteiro trabalhando em empresas que buscam novos paradigmas, Agile, DT, Fábrica 4.0, organizações exponenciais e duais, em aula buscam algo que ative sua curiosidade e exercitem na prática, não só na teoria.

Geração Z, multi-threads, multimídia, uma meninada que nasceu com um iPAD nas mãos, que escolhe o assunto, o filme, o jogo, tudo é on demand, a tentativa de exigir atenção em aulas padronizadas é quase o oposto de seu mindset, crenças e valores.

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Novos tempos + novos alunos = novos professores

Ano de 2018 e tem muito professor que vê o aluno como um recipiendário, alguém que deve curvar-se a sua sapiência e receber um conhecimento de forma respeitosa, reverencial e se possível inerte, sem questionar, desconstruir e reconstruir. Na maior parte das vezes, professores cavam suas trincheiras em torno de um conhecimento estático, em meio a um mundo em movimento, impondo suas regras em aulas formatadas de forma a permitir apenas que o aluno escute, aprenda e agradeça.

Quanto a fazer diferente, tem gente que ainda acredita que aulas invertidas são disruptivas, mas aulas invertidas eram inovação na década de 80 do século XX, entretanto, no ano de 2018 do século XXI é inócuo apenas inverter, é preciso interagir e envolver, é preciso se utilizar de teorias e modelos da psicologia e sociologia para entender o aluno a sua frente e co-criar com ele o formato de aula que os mantenha atentos, interessados, alertas, reiteradamente resgatando sua vontade em experimentar.

Um resgate das escolas Gregas, cada indivíduo como único

Nenhum dos conceitos por mim defendidos é novo, ao contrário, não estou propondo uma revolução ou mudança a frente, o que proponho é um resgate, uma mudança atras, inspirando-se nas escolas gregas, com mentores e aprendizes, cada qual com muito a agregar a si mesmo (maiêutica-2016), a propôr e criar (poiesis-2015), a interagir e co-criar (pensadores do ensino e do aprendizado-2015).

Alguns posts são essenciais, um sobre Design Thinking (DT na educação-2015) e outro sobre os estudos de uma pesquisadora sobre o uso dos princípios ágeis na faculdade, não como conteúdo, mas como framework-base para disciplinas e aulas (Dra Yael-2006), com menos desperdício e mais valor agregado. É essencial termos ementas, mas instanciadas por MVP passível de ser ajustado, adaptado ao perfil e características de cada turma … na prática é a troca de professores estáticos por professores mais dinâmicos e adaptativos a seu tempo e seus alunos.

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Espaços físicos e filosóficos para geração de conhecimento

Desde 2012 escrevo sobre o universo de Piaget (construtivismo educacional-2012), tanto quanto o Conceito de Ba (Takeushi e Nonaka-2013) como meio para a criação de salas de aula em seu sentido filosófico, um ambiente gerador de experiências e conhecimento, alinhado ao aprendizado significativo (Ausubel-2015) e ao aprendizado experiencial (Kolb-2015), chegando inclusive a lembrar o Conceito de Ba em relação ao ambiente proposto pelo DT e Agile, em salas diferentes daquelas propostas há 500 anos atrás (layout e grafitti-2017).

É preciso desapegar de educação e aprendizado ligado a seriedade e reverências a sapiência secular, é para ser divertido e interessante em todos os sentidos, em 11/06/16 fiz esta provocação, afinal, até o século XX, rir na igreja, trabalho ou escola era inadequado. Finalmente, eu tento adotar em minhas aulas princípios inspirados na Curva de EbbinghausAprendizado Experiencial (exemplos: 1ª aula, 2ª aula, 3ª aula, 4ª aula, 5ª aula, 6ª/7ª aula). Cometo erros, mas muito disso dá muito certo, de um semestre para o outro mudam não só os alunos, mas suas necessidades.

Novas escolas e modelos para educadores e alunos

Como mudar o status quo de sua escola, faculdade, cursos variados? Há uma infinidade de experimentos mundo afora, um mundo cada vez mais compartilhado na web e nas redes, antes de reinventar a roda é bom saber o que está rolando mundo afora.

Na Finlândia em 2015 houve farta divulgação por aqui sobre uma experiência na escola estatal em que deixariam de ter disciplinas, posto que cada aluno precisaria ter uma visão trans-disciplinar sobre o conhecimento que teria que ajudar a organizar e aprender. Há críticas, mas o que o governo busca é um equilíbrio entre o tradicional e o novo, oferecendo conteúdo estruturado e co-criação em um ou dois ciclos anuais.

Ao falarmos da China após as conquistas de melhores alunos em matemática em competição internacional e também dos Tigres Asiáticos, há o contraste em sistemas rígidos e conteudistas, centrados em conhecimento e não em criatividade e inovação, envolvendo jovens imersos em um sistema político e cultural que valoriza competições e domínio, mas nada afeito a questionamentos e auto-organização.

Nos Estados Unidos, diferentes iniciativas baseadas em Design Thinking vem se consolidando como um meio de auto-organização, de forma que dirigentes, professores e alunos contribuam por igual na construção de novos ambientes e modelos educativos para aprendizado ativo. O site abaixo é uma versão traduzida de uma destas propostas, focada em unir as partes envolvidas em um processo criativo para esta mudança.

DT-Educação

O vale do silício atrai alunos e profissionais pelo ecossistema aberto tanto a competição quanto a coopetição e colaboração, assim como Austrália e Canadá, Irlanda e Alemanha, são regiões que se anteciparam na leitura das crianças e jovens conectados do século XXI, que buscam algo que lhes ofereça liberdade com criatividade, apoio para que construam seu próprio caminho, aprendizado, propósito e satisfação em fazer parte.

Para encerrar, uma reflexão poderosa como mola propulsora para nosso esforço e mudança: Estamos-perdendo-uma-geracao-de-talentos (2017)

 

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Mais Agile Bi-Modal

Mais um pouco, para que fique claro, eu acredito que projetos em que a probabilidade é não ser tipo #2, vale a pena e faço um planejamento em que todos participam e colaboram em um entendimento amplo de suas fases, épicos e/ou histórias, estimativas e sprints. Fazer o que, talvez eu seja um romântico saudosista e não consiga desapegar das Inceptions com User Story Mappings e Releases Plans.

Voltando a questão do modo 1 e modo 2, quando vamos planejar o primeiro MVP de um projeto de inovação, vamos de Design Sprint e mãos a obra, sabemos que precisamos de quatro rodinhas e uma prancha, parafusos e porcas. O futuro só saberemos a cada validação, usualmente o que queremos saber é quanto vai demorar e custar para fazer o primeiro passo para validar e seguir adiante, com ou sem pivots.

Mas se o projeto é de um carro, eu proponho alguns dias no processo de debate e mapeamento amplo de releases com suas sprints e histórias. O primeiro é o banco e a direção, o segundo tem o painel analógico contendo velocímetro, tanque, temperatura e contagiro, no terceiro incluiremos o chassi, rodas e tanque, no quarto o motor, no quinto a carenagem, no décimo-sexto o ar condicionado e rádio. Abstrair o conhecido da margem para múltiplas interpretações, na dúvida estabelecemos acordos e premissas … e seguimos adiante.

No modo 1, discutirmos histórias com foco em coletivo e senso de pertença, é garantir que todos sabem onde estão metidos, já facilitei dezenas, talvez uma centena para organizações – jurídico, RH, exportação, cartões, caixa, gestão, cobrança, atendimento, … – creio que o percentual de mudança de histórias fica entre 10% e alguns 20%. Há movimentação ou o DoR acaba demonstrando ser mais ou menos. No modo 2 é Lean Startup, o planejamento nunca é maior que algumas semanas, quase a cada dia ou semanalmente há debates e tomadas de decisão.

Com o passar do tempo nosso Release Plan muda, algumas coisas se antecipam, outras se postergam, algumas entram e outras saem. O Planejamento é um guia, fica registrado em selos nos postits o que mudou, cores, novidades, eu até valorizo isso, mas o mais importante é uma visão holística por todos, nada é só o hoje, porque o desafio do tempo, custo e escopo de negócio é de todos. Sem uma visão ampla o suficiente, o time não poderá criar uma visão ampla e colaborar a cada passo.

Na maior parte das vezes, pouco muda, mesmo mudando é interessante termos esta visão … na maior parte das vezes seremos cobrados pela produtividade, por exemplo eu acredito que a solução mockada é um artifício estratégico, cada mock e cada contorno tem um custo adicional, da mesma forma cada desenvolvimento que terá fase II e III, é preciso ter conhecimento e visão do todo para realmente poder ter argumentos, contra-argumentos e efetividade, redução de custo e tempo também é nossa meta … um ponto de equilíbrio.

A média dos projetos tem poucos meses de duração, de 4 a 8 meses, as vezes é o todo, muitas vezes é parte de um programa de 3 a 5 fases, etapas ou módulos, mas há um bom tanto, creio que algo em torno de 20% que são projetos que o sponsor quer planejamento com orçamento, entregas e escopo de negócio. O Definition Of Ready entrará no detalhe, mas temos um Norte muito claro, definindo se o banco é de couro ou veludo, se o tanque será de 40 ou 60 litros, se não estava previsto mas o negócio precisa de uma central multimídia, etc.

MODO 1

Em projetos do modo 1 eu recomendo levar para o planejamento tudo o que tivermos, tomar um dia demonstrando como o mercado resolve é na maioria das vezes mais que influenciar (há quem ache isso), não sendo disruptivo e o primeiro de sua espécie, é responsabilidade saber o que os players existentes fazem, o que é bom e o que é ruim, partir de um desenho de processo, são aceleradores, começar com uma parede em branco e muito debate e criatividade é abrir mão de tudo o que o mercado já sabe, é reinventar a roda.

15 sprints – 8 meses – quatro MVP e releases – 2 sprint de buffer a confirmar no 05 e 10

21 sprints – 11 meses – dois MVP e mais 7 releases incrementais

10 sprints – 5 meses – três MVP e release – 5 equipes – Uruguay, BH e POA – core, BPM, web, serviços

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MVP Blog Toolbox 360° com mais de 100 dicas e boas práticas

O MVP de um novo blog, na forma de um mural de boas práticas, desde estratégia, inovação, modelagem, validação, planejamento, execução e aprendizado. Inicia já com mais de 100 técnicas e boas práticas, as 70 do livro Toolbox 360°, mais tudo que postei desde seu lançamento em 2016.

Tem muito trabalho pela frente, incluir o maior número de links complementares a partir de cada post, propôr roteiros, fazer esse guia rápido contar com dicas de sequenciamento, o primeiro passo está dado – https://toolbox360graus.wordpress.com/ … e todos estão convidados a comentar, sugerir, criticar, etc.

Já tem um índice, mas tudo ainda é MVP, sem muitas pretensões além de validar o interesse e adesão pela galera que se interessa por técnicas e boas práticas. Boa navegada a quem se interessar, comenta depois como foi a experiência e o que mais gostaria de ter ali em conteúdo ou estrutura.

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Team Alignment Map

O TAM é um gráfico visual que permite aos participantes de diferentes equipes realizarem reuniões mais produtivas, estruturando o conteúdo de suas conversas de acordo com quatro pilares fundamentais que levam a uma melhor execução de seu trabalho – objetivos, compromissos, recursos e riscos.

Criado por Stefano Mastrogiacomo, segundo o autor, é parte de um conjunto de ferramentas para ajudar líderes e equipes multifuncionais a entregar projetos de inovação bem-sucedidos melhorando os processos internos de comunicação. O canvas possui quatro colunas, que podem ser trabalhadas de formas variadas e evolutivas.

Objetivos comuns – o que queremos alcançar juntos?
Compromissos conjuntos – Quem faz o que para quem?
Recursos conjuntos – De quais recursos precisamos?
Riscos comuns – O que pode nos impedir de ter sucesso?

Cada bloco de construção do TAM ilustra informações essenciais a serem discutidas durante as reuniões da uma equipe. O conteúdo das colunas deve ser discutido e validado por toda a equipe para minimizar as diferenças de interpretação.

Colei aqui o canvas e alguns de seus diagramas de preenchimento, mas o melhor é baixar o PDF com a apresentação e orientações de preenchimento e uso pelo próprio autor – https://www.teamalignment.co/

https://www.teamalignment.co/wp-content/uploads/2017/12/Team-Alignment-Map-Intro-Guide.pdf

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Automação de testes tem ROI … investimento e ganhos

Já escrevi sobre a miopia brasileira no que é ROI, diretamente proporcional ao medo que se tem de métricas e indicadores, tão legitima e racional quanto o dito popular de que cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça. No receio de que números e informações sejam usadas de forma indevida, melhor sermos “ágeis” e não tê-los.

Hoje perguntei a colegas qual seria o percentual médio de tempo investido no desenvolvimento de testes automatizados em um projeto de ponta, usando cobertura no front (jasmine), no back (junit) e aplicação (protractor). Os próximos 15 minutos foram dedicados a preocupação deles sobre a materialização deste número e como pode ser mal usado.

São consistentes os argumentos de que testes automatizados garantem maior qualidade, que testes de regressão mitigam o risco de erros futuros, tornando a manutenção mais rápida, segura e menos onerosa. Também agrega como auto-documentação, ao adotar TDD também garante um desenvolvimento mais enxuto e consistente.

Métricas

Na maior parte das vezes (todas as semanas), em treinamentos ou consultorias, quando me reclamam que não lhes autorizam ou não é possível trabalhar com testes como deveriam ou que testes são a primeira coisa a serem cortados quando a porca torce o rabo, eu sempre pergunto se há números, métricas de bugs em dev, tsts e prod, quando usando testes automatizados ou não.

Há diferentes formas de arregaçar as mangas e mudar, eu acredito em ROI, apresentar números, um piloto, com tempo de prova, pouca teoria e muita práxis. Mas quando imaginamos ter que levar em consideração o risco e exposição de uma curva de aprendizado, monitoramento e indicadores, a opção de ficar reclamando torna-se atraente.

Curvas e Breakeven

Sou professor acadêmico e na Curva de Tuckman ou em uma curva de aprendizado, temos uma rampa ou aceleração, estas projeções são essenciais. Por exemplo, em linha de produto de software há estudos que mostram que ganhos começam a ser percebidos a partir do terceiro projeto, é o breakeven da construção de serviços de domínio e seu consumo potencial.

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A automação de teste é um desafio a cada projeto, em cada sprint planning e design de desenvolvimento discutimos sua cobertura. Nunca participei de um projeto com 100% de cobertura, tudo o que sei sobre isso é que há um breakeven, ponto de equilíbrio, há pontos que urge e outros que não é necessário.

Na minha dissertação no mestrado, estudos de casos mostraram que entre o terceiro e quarto sprint há uma reversão da curva de storming, passando o time a se beneficiar de quase dois meses de trabalho auto-organizado e colaborativo, com planejamento, diárias, refinamentos, reviews e retrospectivas. Até então temos entregas com valor aquém do potencial do time.

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ROI

Há um ROI no uso de testes automatizados, mas só o que vejo em eventos e discussões são argumentos teóricos (ou poéticos) e promessas, nos faltam números cruzando estatísticas (80:20) de médias de investimento (custo) x benefícios (métricas) em cases reais. Talvez por isso esteja demorando tanto para tornar-se uma regra.

Sim, fatores intangíveis e alguns controversos podem compor partes do cálculos de ROI, assim muitas vezes é preciso usar uma percepção numérica plausível, média, em comum acordo, algumas vezes buscando ajuda de especialistas. De toda forma, inexiste ROI se não há um cálculo ou abstração de custo ou investimento em relação a ganhos e benefícios.

No caso de testes, é preciso perceber os vetores envolvidos de forma a podermos comparar projetos em custos e ganhos relacionados aos mesmos, entre o uso de testes automatizados e manuais.

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Estrutura em Hipertexto x Dual Operating System

Todos conhecem as estruturas hierárquicas baseadas no modelo linear de gerenciamento, com rígidas linhas de decisão, comando-controle, um modelo que ainda é o mais utilizado por organizações de todos os portes – funcional, matricial, projetizadas.

Estas estruturas impõem lenta resposta a mudanças, é a “distância do poder”, dimensão organizacional proposta por Hofstede que indica o engessamento devido a vários níveis hierárquicos desde onde a necessidade acontece e onde a decisão é tomada.

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Cada vez existem mais experimentos com estruturas menos lineares, em hipertexto, rede, invertida, holocrática, mais ou menos disruptivas. Se a linear ainda é maioria absoluta, a globalização, organizações exponenciais, a velocidade da tecnologia e mercado, incentivam a busca por alternativas.

O objetivo é mudar para uma estrutura que não sufoque a criatividade, inovação e o empreendedorismo, aliado a atrair, desenvolver e reter talentos em equipes auto-organizadas, em uma cultura de maximização de valor e minimização de desperdícios, de forma sustentável.

Hipertexto (Takeushi & Nonaka)

Proposta por Takeuchi e Nonaka, pais do Scrum, do Modelo SECI e do Conceito de Ba para Gestão do Conhecimento. Privilegia uma organização orientada a projetos apoiada em auto organização. Uma organização com uma estrutura funcional leve e enxuta, visando proporcionar o suporte necessário a equipes autônomas e disruptivas, com alçada para tocar seus projetos da melhor forma possível.

O modelo em hipertexto representa os princípios Lean e ágeis, seguindo fundamentos como Gemba e Kaizen propostos pela Toyota na década de 50, que mostrou ser possível agilizar certas decisões, flexibilizando o modelo linear hierárquico tradicional, constituindo equipes ágeis com certa alçada para fazerem mais e melhor, valorizando a inovação e empreendedorismo na dinâmica interna das equipes.

Dual Operating System (Kotter)

O conceito de Dual Operating System de John Kotter apresenta uma forma de estrutura organizacional ainda mais ousada que a hipertexto, também mantem uma estrutura funcional mínima, ao mesmo tempo em que propõe sub-estruturas em rede, interligada à funcional.

Em uma matéria na Harward Business Review, a mesma publicação onde Takeushi e Nonaka são colaboradores a mais de 30 anos, Kotter apontou alguns princípios da estrutura em Dual Operating System:

1. Todos ou muitos podem ser Agentes de Mudanças, não por projeto ou função, mas no cotidiano, promovendo inovação e empreendedorismo no seu dia-a-dia, melhorando seu trabalho, aproveitando oportunidades, evitando problemas, …;

2. É fundamental as pessoas se sentirem capazes e empoderadas em fazer a diferença, para serem Agentes de Mudanças. Bandura em seu conceito de Auto-Eficácia, afirma que somos capazes tão mais quanto acreditarmos que somos e podemos;

3. Ele fala em cabeça e coração, sob uma abordagem típica do século XXI e sua geração Millenial ganhando espaço, é preciso que haja nas pessoas um propósito em fazer além, na disrupção, inovação e empreendedorismo diários, mesmo nas pequenas coisas;

4. Finalmente, ele bate na questão de que precisamos mais líderes e menos gerentes, para se trabalhar em rede o modelo mental de gerenciamento presente e responsabilização não funciona, mas sim o de visão, inspiração, agilidade, ação inspirada e celebração.

Conclusão

Tanto na hipertexto, quanto na dual, temos duas estruturas convivendo de forma harmônica e sinérgica, uma linear e outra em rede, uma gerando o substrato e condições para que a outra se beneficie e foque na disrupção, inovação, empreendedorismo cotidiano, onde as coisas acontecem, mitigando ou eliminando de forma racional o que Hosfetede chamou de distância de poder.

Mas atenção, vemos muito hoje em dia empresas gerando factóides de delegação e auto-organização sem haver o devido tempo necessário de transformação, gerando conflitos e contradições arriscadas. Sair de um modelo linear para Hipertexto ou Dual exige treinamento, coaching, mentoria, é para ser uma mudança gradual e sustentável … alguns puffs amarelos, dinâmicas e muita retórica não tem este poder.

Eu insisto muito que o essencial é ter crença e transparência, porque exigirá muito trabalho duro e tempo, anos, colhemos alguns resultados desde o início, mas a consolidação de uma nova forma de ser demora e gerará variadas crises e momentos de tensão, que poderão ser trabalhados com crença e transparência ou mascarados, aumentando o tempo ou impedindo a mudança real.