Escuta ativa, com atenção plena? Sem isto, não existe transformação!

NÃO existe princípios ágeis sem Atenção Plena, podemos colher alguns benefícios em meio a tantas oportunidades de integração e sinergia, mas não será efetiva ou consistente com o passar do tempo se não estivermos abertos a escutar (sentir) e se não formos transparentes e abertos ao diálogo.

Direta ou indiretamente temos a atenção plena em suas origens no Zen Budismo, mas também nos princípios ágeis (de nada adiante reunir, mas sim co-criar), presente na PNL (programação Neuro-Linguística), base para diferentes tipos de Coaching, fator estudado cientificamente da educação a Neurociência.

Na minha opinião, escuta ativa, atenção plena e consequentemente a transparência, inspeção e adaptação deveriam pertencer ao currículo do ensino fundamental, médio e nos cursos de graduação. O real sucesso de trabalhar em equipe ou pertencer a um grupo social carece destas disciplinas.

ESCUTA ATIVA

A escuta ativa pressupõe que os protagonistas de uma comunicação eficaz sejam capazes de realmente se comunicar. A seu tempo, quem está ouvindo seja capaz de ficar atento o suficiente para escutar, interpretar e assimilar a informação, transformando-a em conhecimento.

Por outro lado, a escuta ativa pressupõe o empenho do emissor em ser assertivo, permitindo que a escuta ativa seja factível. Temos então o interesse genuíno de quem fala em ser ouvido e de quem ouve assimilar o que é dito de forma sincera. Não pressupõe concordar, é assimilar e responder, inclusive discordando.

A escuta ativa continua sendo um dos artifícios mais importantes na comunicação, escutar com atenção, não só com os ouvidos, mas usando todos os sentidos. Escutar as pessoas ainda é a melhor maneira de ouvir aquilo que elas tem a dizer!

Um pressuposto importante é o foco, escuta ativa garante que os atores estão de fato presentes na ação, quem momentaneamente fala atento a quem ouve e quem ouve atento a quem fala, ambos evitando distrações ou impedimentos durante este processo.

ATENÇÃO PLENA

Um conceito e prática do Zen Budismo, Atenção Plena ou Mente de Principiante é mantermos um estado real de abertura à novas possibilidades, curiosidade pelo que está acontecendo e aceitação genuína, quer concordemos ou não. Para concordar, mas muito especialmente para discordar é preciso compreender!

No Zen Budismo a atenção plena significa o Estar Realmente Presente no Aqui e Agora, sem pré-conceito ou julgamento, mas com abertura a uma nova compreensão, que poderá confirmar nossos conhecimentos ou gerar novos. É sempre escutar e estar atento como se fosse a primeira vez!

Em inglês, MindFulness (mind é mente, fulness é completo), que significa temporariamente a presença total da mente naquilo que estamos fazendo. Por isso em português, atenção plena àquilo que estamos fazendo, no tempo e espaço que estamos vivenciando, atentos a (sempre) novas informações que estamos vivendo.

Heráclito afirmou que “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio!” – Na verdade, você pode banhar-se no rio diversas vezes, entretanto, nunca na mesma água duas vezes, assim como você nunca será o mesmo a cada vez que nele entrar.

A neurociência explica, pesquisas e reportagens nos apresentam há décadas que nosso cérebro não processa tudo o que percebe, ele possui filtros para manter sua atenção naquilo que julga mais importante. A atenção plena é direcionar este potencial àquilo que conscientemente É o mais importante.

CONCLUSÃO

Em metodologias ágeis, quando falamos em transparência como pilar essencial, falamos de atenção plena, de viver ocada momento, de nos posicionarmos sem pré-conceitos, os pilares seguintes – inspeção e adaptação – dependem disso, que todos realmente escutem e se posicionem.

Sintoma #1 – Muita gente não escuta, apenas aguarda a hora de falar novamente. Não estou falando de quem fala muito, não necessariamente, mas daqueles que não escutam nada. Em conversas, debates, em apresentações, aulas, é preciso estar atento, ouvir, realmente tentar receber e assimilar, antes de devolver.

Sintoma #2 – De nada adianta experienciarmos auto-organização, se ao ouvirmos algo que aparentemente discordamos nos mantenhamos em silêncio, para posicionar-se ou discordar em outro fórum. É o oposto da atenção plena, que só faz sentido se realmente vivenciarmos plenamente o momento;

Sintoma #3 – A hierarquia rígida de séculos de relacionamento social humano pré-tolhe respostas sincera, acostumados (ou ainda) em comando-controle, muitos de nós ouvimos o suficiente para saber o que fazer, por não termos espaço real de fala, não importa compreender, mas o suficiente para obedecer;

Sintoma #4 – Mesmo com liberdade para debater e co-criar, é sempre mais confortável apenas ouvir e atender, assim nos isentamos da responsabilidade de sermos co-autores da solução, co-responsáveis pelo seu sucesso, ao invés de colocar-se apenas como executores isentos;

Sintoma #5 – O período de pandemia potencializou atitudes multithreads em videomeetings, que mesmo não sendo ideais, eram a única forma. Mesmo assim, reuniões de trabalho, eventos e aulas tinham explicitamente muitas pessoas ao mesmo tempo em dois, três ou mais aplicativos ao mesmo tempo …

Sintoma #6 – Tem muita gente que após anos ou mesmo décadas de obediência (sem direito a opinião ou voto), neste momento de abertura perdeu o foco no valor e entrega que almejamos. Em meio a pufs e Nespresso está mais preocupado com bandeiras e visibilidade do que com novas perguntas.

Experienciar a Atenção Plena é exercitar sua concentração naquilo que está acontecendo – sentimentos, emoções, ações, recepção e resposta. Não é só estar atento, mas realmente estar aberto a receber, assimilar e responder de fato, contribuindo com o resultado, ser transparente e praticar a inspeção e adaptação.

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