Desenvolvimento de jogos

A criação de jogos de cartas ou tabuleiros não possuem uma fórmula ou método, uma clara percepção após vários jogos desenvolvidos e uma dezenas de workshops Jogos 360°, onde o 1/3 final é dedicado a criação de novos jogos.

Desde 2005, já tive oportunidade de criar bons jogos nos mais variados conceitos- tabuleiro, cartas e ao ar livre. Também, em mais de uma oportunidade já compilei livros de jogos e dinâmicas. Meu background garante que criar um novo jogo tem muito a ver com Lean Startup, MVP, métodos ágeis, muito com Design Thinking. Eu uso pretotyping, prototyping, ciclos de ideação, draft e muitos play tests (validação), mais puro PDCA.

A base é Lavoisier, é inspirar-se em um jogo existente e usar muito papelão, papel colorido, fita crepe, dados, ampulhetas, postits, canetinhas e canetões coloridos … e mãos a obra, sem apego, fazer, testar, refazer. Inspiração é o que não falta, Master, Ubongo, Monopoly, Jogo da Vida, DIX, Imagem e Ação, Catan, Rock Animal, baralhos de cartas, dados, Marshmellow Challenge, etc. Qualquer um deles ou vários juntos.

tabuleiros

Em 2007 fiz um jogo gigante baseado no Rock Animal da revista Recreio, 40 placas de 50 x 30 demarcavam um enorme percurso sinuoso no chão, dois baralhos, perguntas sobre ciências ou escotismo, o dado era um cubo de 50cm2 em espuma, tenho até hoje. Eu parti de um jogo de tabuleiro tipo Master e construi regras e baralho que tinham a ver com o meu contexto, o ramo lobinho do movimento escoteiro – crianças de 7 a 10 anos. Típico, um por vez joga o dado, anda o número de casas, a maioria das casas tinha um ponto de interrogação, outros tinham um bônus ou penalidade. Quando interrogação, se pegava uma carta, lia e respondia, ao acertar, jogava o dado novamente. O jogo era em equipe, ao ar livre ou um ginásio, uma das crianças era o peão que andava no tabuleiro, o restante do time respondia as perguntas 🙂

Em 2014 criei um jogo incrível inspirado no Marshmellow Challenge, usando 50 varas de um metro de taquara, sisal, tesoura e bandeiras em matelassê para discutir GP. Rodei em um evento sulamericano em Osório e em mais de um TecnoTalks nos anos seguintes. Um jogo bastante sofisticado que exercitava planejamento, execução, tomadas de decisão, tinha que comprar taquaras e sisal para construir uma torre, as maiores construções chegaram a 5 metros de altura – https://jorgeaudy.com/2014/01/04/um-novo-game-chamado-bambu-challenge/

p1388676700515

Em 2016 criei o jogo Toolbox 360°, que se utiliza de um tabuleiro e baralho com 130 técnicas e boas práticas para ensino e aprendizado, formal ou informal de dinâmicas para estratégia, ideação, modelagem, validação, execução, melhoria e aprendizados. Já rodei em grandes eventos nacionais e regionais, além de aplicar em sala de aula e em dezenas de workshops entre os anos de 2018 e 2019. Aqui aconteceu algo curioso, porque o baralho passou a ser usado das mais diferentes formas, dada sua versatilidade, inicialmente para o jogo, como fichário de consulta, como um mural de boas práticas, … Se quiser ter um ou mais informações – https://jorgeaudy.com/desafio-toolbox/

Em 2017 lancei um jogo com um canvas e um baralho com 130 cartas de jogos, contando com icebreakers, warm ups e pedagógicos. Uma dinâmica utilizada para discussão e escolha de jogos para cada situação proposta, com foco em valor a ser entregue. O workshop homônimo começou focado em exercitar dezenas de jogos para facilitadores, professores e gestores, mas aos poucos fui demandado mais para gamification e criação ou customização de jogos especializados. Na segunda metade de 2019 inclui exercícios em grupo com a escolha de um tema e modelagem de um jogo ou gamificação. Se quiser conhecer mais e ter o seu – https://jorgeaudy.com/jogos-360o/

Entre 2013 e 2020, desenvolvi vários jogos, os quais tenho vários posts relatando sua aplicação desenvolvendo competências em equipes para gerenciamento de projetos e operações, como o Banco Intergaláctico, o Pokedéx 2014, adaptações do City Building Game em 3D e 2D, que recentemente ganhou versões para Miro. Muito usei também lego-legos e os mais diferentes materiais, desde esquemas variados de origamis, passando por um incrivelmente efetivo para discutir comunicação e auto-organização que chamo as vezes de boneco ou de robô.

Não me considero um expert, não vivo atras de conhecer novos jogos de tabuleiro nem tenho essa aspiração, apenas sou curioso e curto muito criar, adaptar, reinventar jogos para torná-los úteis a nossa necessidade, agregando a eles valor pedagógico. Acredito muito nisso – liderança, auto-organização, gerenciamento de projetos ou operações, desinibição, o céu é o limite.

Em um livrinho que compilei em 2006 sobre jogos tradicionais, descobri tabuleiros clássicos variados, como o fantástico jogo de estratégia Go e outros asiáticos, africanos, europeus ancestrais, também jogos ao ar livre com diferentes origens. Conhecer estes jogos, alguns com centenas ou milhares de anos, criados por árabes, em tribos ou feudos, é fascinante, eles nos ensinam os mecanismos básicos e essenciais em bons jogos – a diversão, o desafio, a estratégia, competitivos e/ou colaborativos.

A “nova escola” alemã de tabuleiros (anos ’90)

Eurogames ou “Nova Escola” alemã de jogos de tabuleiro é um estilo surgido nos anos 90 na alemanha, que se disseminou rapidamente pela Europa e ganhou o mundo com jogos de regras simples, fáceis de entender e jogar, privilegiando a interação e interesse de todos até o fim.

* Mantenha regras simples, privilegiando a interação – evite regras complexas, para que qualquer um possa rapidamente entender e jogar, depois a cada jogada ir evoluindo e melhorando;
* Há competição, mas preferencialmente indireta – evite regras em que um jogador elimina o outro, gere objetivos construtivos em que mesmo competitivo a meta seja ganhar e não “competir”;
* Todos interessados e participantes até o fim – evite regras em que os jogadores sejam eliminados precocemente ou torne seus objetivos inatingíveis e assim percam o interesse no jogo;
* Tempo limitado e regras instigantes – evite regras que inviabilizem um jogo divertido e instigante em menos de uma hora, há sugestões que um jogo criativo de 30 minutos é melhor que 4 horas;
* Mitigar o fator sorte (dados|sorteio) – pode incluir fatores de sorte como jogar dados ou retirar cartas, mas o imponderável não pode subjugar completamente uma boa estratégia no jogo;
* Privilegiar a tomada de decisão – dentro do possível cada jogador deve sentir-se instigado a criar estratégias e mudá-las a medida que o jogo avança, tentando mudar os rumos e resultados.

São considerados ícone deste pradigma o jogo Catan, Carcassonne, Ticket to Ride, Puerto Rico, Zombicide, 7 wonders, Dixit, entre muitos outros. Nem melhores nem piores que outros jogos, mas incentivando todos a objetivos passíveis de serem atingidos em um curto espaço de tempo, de forma instigante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s