1º workshop de Princípios Ágeis

Antes de mais nada, para não ser mal compreendido, tenho mais que convicção, tenho a certeza de que cada profissional possui um perfil que o aproxima de determinadas práticas, métodos, filosofia … não é mérito nem demérito, somos assim para tudo, na gastronomia, política, esporte, artes, tecnologia, para tudo temos paixões, valores, ideais ou simplesmente predileções.

Como diz minha sogra, “Se todos pássaros preferissem trigo, não haveria pão!”.

Me convidaram a montar um workshop de 3 Hrs com foco nos princípios ágeis, sem entrar em métodos, timeboxes e técnicas. A experiência foi no mínimo curiosa, a maioria saiu com algumas positivas caraminholas na cabeça, enquanto alguns devem ter saído com uma série de certezas … afinal, nem todo mundo nasceu para ser “ágil” ou defensores dos conceitos de equipes de alto desempenho (Glenn Parker) ou princípios do Management 3.0 (Jurgen Appelo).

1. Abertura – abri com um alinhamento em que todos puderam falar de suas expectativas para o workshop, assim como eu coloquei na mesa as minhas. Importante, eEngraçado como as vezes vamos para um reuinão ou iniciamos um evento sem saber quais as expectativas de lado-a-lado, as vezes sequer existem expectativas, pois as pessoas estão lá porque alguém mandou que lá estivessem … assim não tem como dar certo, concorda ? Combinamos que a cada dinâmica, todos poderiam a qualquer momento parar e questionar os porques ou validade;

2. Quebra-Gelo – Fizemos a céu aberto, aquele jogo dos skis (no escotismo é “atravessando o rio Waigunga”), em que várias pessoas prendem seus pés nos mesmos “skis” e precisam coordenar movimentos para poderem avançar e onde o mais importante para vencer é cadenciar pelo seu elo mais restritivo (teoria das restrições), pois se forçar o ritmo acabam caindo ou não saindo do lugar. A reflexão também passe pelos sistemas puxados ou empurrados, por preceirtos do lean e kanban;

3. Jogo colaborativo – Ainda ao ar livre, um jogo divertido mais tranquilo, com foco em trabalho colaborativo (no escotismo é “Marcha do Hathy”), em que cada equipe fica sobre uma guia de madeira e seus integrantes tem que inverter suas posições. Nosso mindset competitivo e individualista imediatamente faz com que alguns saiam fazendo, sem planejar com os outros e sem perceber a necessidade de um ajudar o outro. É normal os das pontas acharem graça dos outros tentando e não se dão conta que eles falham por falta de seu suporte;

4. Feedback parcial – Importante, pois mesmo com diversas paradas durante os jogos para pequenas reflexões e abstrações, precisamos de um momento de consolidação sobre as lições aprendidas ou percebidas relativo ao mindset dos participantes, sobre aquilo que foi sendo percebido e debatido no transcorrer dos jogos, mas também sobre o que não havia ainda sido falado;

5. Quadrante mágico – Repeti com a galera um exercício que apliquei logo no início de nossa caminhada rumo ao Scrum, uma folha na parede com um quadrado com um risco horizontal e vertical formando 4 quadrados iguais (a imagem é a dos quadrantes do Gartner, o ideal é o superio-direito) … a escala horizontal é o da CRENÇA e a vertical é a da EXECUÇÃO. Dividido o grupo em equipes de 3, apresentei o texto e imagens alusivas a cada um dos 12 princípios do manifesto ágil. Para cada princípio,, cada grupo colava um postit colorido com a percepção de 0 a 100% – crença (horizontal) e Execução (vertical);

6. Aviões 2.0 – Apliquei o game ágil do Flávio Steffens e Rafael Prikladnicki, excelente forma de se discutir papéis, requisitos, planejamento, estimativa, iteração, release, foco em valor, eliminação de desperdício, trabalho em equipe, qualidade e muito mais … o jogo foi muito legal, como sempre, concepção de gênio do Flávio e Rafael – http://www.agileway.com.br/2009/08/18/dinamica-fabrica-de-avioes-2-0/;

7. Valores praticados – Apliquei um jogo de avaliação de nossos valores (usado no ramo Pioneiro do escotismo), onde coloca-se no chão uma escla de 1 a 5, cinco papéis, cada um com um número dispostos a 1 metro de distância um do outro. A partir dai eu leio uma frase que exija reflexão e cada um vai para o número que reflita seu momento … Por exemplo “Todos nós temos a chance de sugerir, propor inovações, somos ouvidos e valorizados por isto!”, se eu acho que essa frase não condiz em nada com a realidade eu vou para o Nº 1, se eu acho que isso é a mais pura verdade, vou para o Nº 5, ou os intermediários. Então rapidamente da-se a chance para pelo menos um de cada número justifique seu posicionamento.

8. Técnicas de ruptura do MindSet – Realizei uma série de exercícios e provocações, técnicas de análise causal (Parzianello), espinha de peixe, balão (Paulo Caroli), muitas referências a PNL e ao escotismo. Devemos ter sempre em mente a necessidade de chacoalhar nosso modelo profissional cartesiano, somos muito previsíveis, sem perceber voltamos sempre a nossa zona de conforto, é preciso ter um arsenal de games, dinãmicas, brincadeiras que nos façam sacudir a poeira e abrir a mente para novas percepções e conhecimento;

Relembrando Neal Ford (TW), na palestra “Abstraction Distractions” no 1º dia do Agile Brasil 2012, muitas coisas que fazemos, são resultado de abstrações que sequer sabemos a origem. O modelo comando-controle pode ser uma opção consciente, um traço “genético”, patológico, cômodo ou quem sabe não passe de uma abstração inconsequente, que trazida a prova, conscientemente desfaça-se.

3 comentários sobre “1º workshop de Princípios Ágeis

  1. Pingback: Um ano e meio de blog – Obrigado galera! | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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