Mau humorado e genioso … pode isso produção?

Se por um lado trabalhamos para que as empresas deixem o século XIX para trás e passem a pensar e trabalhar como uma empresa do século XXI, também está na hora de deixarmos de trabalhar com pessoas que se comportam como operários do século XIX e passarmos a trabalhar com profissionais do conhecimento do século XXI. Afinal, respeito, sinergia, empatia e bom humor todo mundo gosta.

Esses dias um amigo argumentou contra os escritórios Open Space, como os da Thoughtworks e DBServer, 14° e 5° andar do prédio 99A do TecnoPUC, porque estes espaços não comportam pessoas mau humoradas e geniosas, mas que são bons profissionais. Desculpa, mas a meu ver, estas palavras não cabem na mesma frase deste jeito – bons profissionais não podem ser mau humorados e geniosos.

Mau humorado: pessoa ranzinza; que está irritado, zangado ou agressivo; que expressa ou tende a estar de mau humor;

Genioso: pessoa cujo humor se altera com facilidade; de gênio exaltado; que é mal-humorado; tendência a se irritar com facilidade.

A discussão de que Open Space não são bons porque tem pessoas que bagunçam tudo, são gritonas, mau humoradas, geniosas, mas precisam ser mantidas porque são bons técnicos (não bons profissionais) não se sustenta. É como fruta estragada em um cesto, dando contra-exemplo, oferecendo a todos os demais oportunidades de aprendizados vicariantes (Albert Bandura) onde percebem que ser genioso é permitido, desde que façam a sua parte.

Desde a década de 40 nos estudos de Douglas McGregor, na construção da Teoria Y em contraposição a Teoria X da administração clássica, sabe-se que objetivos e necessidades individuais podem e devem estar harmonizados com os da equipe e da organização. A solução não é isolar os geniosos, mas proporcionar que eles deixem de ser (geniosos), através de mecanismos de aprendizado e melhoria baseados na auto-organização dos times, com apoio das lideranças, …

Não entendo mais a resignação, mas deve ser no caso de desespero de causa, que ainda podem existir, quando não tem ninguém ou opção alternativa e uma empresa opta por acomodar, engolir sapos, perder talentos “menores” para não correr riscos com o “seu genioso favorito”. Pessoalmente, como agilista convicto, acredito muito na força do coletivo mais que na força dos malas sem alça geniais geniosos … prefiro uma cultura e equipes construtivas, crescentes, empenhadas em resultados sustentáveis, que ser refém de um ou outro gênio genioso.

mau humor

Se você é um gênio, tanto quanto genioso e mau humorado,  por favor, vamos combinar uma coisa, você não me convida para trabalhar contigo e eu não mando meu currículo. Em trinta anos, já trabalhei muito mais que gostaria com gente geniosa, mal educada, desbocada, que não dá valor a ninguém além de si mesmo, já dei minha quota de paciência e resignação … por isso abracei métodos ágeis, acredito na força do coletivo, na soma, em sinergia (2+2=5).

Equipes de alta performance, profissionais do conhecimento, auto-organização, melhoria contínua, … nada disso é mágico, a receita é muita comunicação e retrospectivas de time. Se não funcionar, a segunda opção é um bom papo com um líder inspirador que mostre oportunidades e horizonte, a terceira é um papo com o RH, que indicará um bom psicoterapeuta ou psiquiatra, a quarta e derradeira é a assinatura de um bom classificado de empregos.

Fechando, o mais importante é haver feedback, não pode ser surpresa, não podemos ser omissos, coniventes, o primeiro passo é tomar consciência, sermos transparentes e realistas, só assim para melhorar. Não esperemos que cada equipe no trabalho seja  um grupo de melhores amigos felizes e saltitantes, mesmo assim podemos ser bons profissionais buscando ser uma equipe de alta performance na qual nos orgulhemos de trabalhar todos os dias.

Lugar de genioso é no octágono do MMA, lugar de cara feia é em degustador de colheita de limão. Ambientes saudáveis de trabalho não são utopia, é resultado de trabalho em equipe … com direitos e deveres, com equidade, se você ainda não tem um, não desista, trabalhe para isso que você ainda vai ter um!  🙂

4 comentários sobre “Mau humorado e genioso … pode isso produção?

  1. Talvez o ambiente seja produtivo e a equipe seja de alto desempenho mas, mesmo assim, existem pessoas que gostariam de mais individualidade, customizacao e isso nao quer dizer mau humorado (achei muito generalizado – nao ser totalmente a favor do open space nao significa querer os cubes da Dell)… Um lugar interessante que assisti dias atras no Youtube foi no AirBnB – eles tem parte do dia para pair programming no open space e parte do dia em locais no estilo bibliotecas (silencio total) se voce quer algo mais individual em um determinado periodo.

  2. Não estou falando de pessoas que querem individualidade, estou falando mesmo daqueles problemáticos, é sobre isso o texto e este era o argumento, eu conheçi e conheço vários. Tem gente que não sabe trabalhar ombro a ombro com outras pessoas, são irritadiças, problemáticas, não acreditam muito que há direitos e deveres para todos.

    Mas, já que colocastes, entendo teu argumento de que as pessoas podem querer silêncio, só não acho que ambientes open space sejam barulhentos, porque se forem são apenas salas grandes com equipes barulhentas … estou em um neste exato momento e é possível ouvir alguém conversando ao fundo, mas é um ambiente respeitoso, também o fato de ser um ambiente amplo o suficiente com aspectos arquitetônicos que facilitam a dissipação.

    Assim como muitos acham que é um direito ter uma sala ou baia individual por direito a privacidade, eu não concordo com este argumento ser mais importante que os outros, logo, não concordo, não em equipes de projeto trabalhando de forma auto-organizada e em um ambiente colaborativo …

    É como em uma user story mapping, colocamos bem alto o que gera mais valor e a esquerda o que queremos e podemos ter antes … não dá para ter tudo. Se a empresa pode oferecer espaços abertos e fechados, ótimo! Se não, eu sigo o mapping de valor conforme minhas crenças, ambientes que amplos, agradáveis, instigantes, que permitam troca direta de informações e ampla visibilidade de todos … que deverão estabelecer os seus patos e periodicamente discutir o que está bom ou não para novos pactos.

    Mas, como diz meu sogro: “Sy a todos los pájaros les gustasse el trigo, no tendríamos el pán!”. Não há nada demais na diferença de opinião, os nossos argumentos e práxis decidirão o caminho de cada um o/

    Eu vou propôr um novo nome, open space é um saco de gatos e não existe desacoplado de uma nova forma de relação no trabalho … senão é como comprar uma Ferrari original e abastecer com nossa gasolina batizada com álcool. Em breve no blog!

  3. Em Fortaleza dizia-se “o que seria do encarnado se não fosse o amarelo?” Excelente post, mais uma vez. Concordo contigo principalmente num ponto: genioso, difícil, mal-humorado, problema seu! Se for trabalhar e ver gente todo dia, vai tratando de se comportar como ser humano! Se quiser comportar-se como bicho, vai trabalhar sozinho, isolado. Não quer dizer que o cara não pode ser um pé, só que ele precisa segurar a barra e não descontar nos outros.

    E, claro, temos que lembrar do outro lado, né? Gente dodói, que se melindra por qualquer besteria. Gente que fecha a cara só porque alguém reclama ou insiste em reclamar de algo errado, ou porque um ou outro é mais exaltado. Se queremos civilidade dos outros, devemos ter a civilidade de dar liberdade aos outros de serem autênticos, de serem quem são. Há uma grande diferença entre ser mal-educado e mal-humorado e ter um estouro de raiva motivada por erros e incompetências.

    Afinal, uma sacudida de vez em quando é bom para fazer o sangue circular e desopilar o “fígo”. 🙂

    (P.S.: sim, eu sou nervosinho e boquirroto. Não vivo com o lança-chamas na mão, mas não me poupo o alívio de uma boa explosão – sempre muito educadinha, claro, kkkk. 😀 )

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