1ª aula de GP – Somos gerentes e somos o projeto

A pedido, vou ilustrar rapidamente a primeira aula de Gerenciamento de Projetos para jovens de cursos de CC e SI em uma noite de sexta-feira, das 19:30 as 22:30. De antemão alerto que nada é por acaso em uma sala de aula, cada dinâmica, jogo ou energização, além de seus benefícios tangenciais de grande valor, devem ter um porque, preparação, execução e reflexão/aprendizado … eu acredito muito nisso!

Creio que metade da turma chegam com 5 a 15 minutos de atraso, porque a maioria já trabalha e tem que enfrentar o trânsito inclemente da Ipiranga em horário de pico. Após uma semana inteira de trabalho de dia e aulas a noite, meu papel é entender, energizar e manter o interesse em disciplina que tem muito a ajudar com conceitos e temas como empatia, foco em valor, práxis e agilidade.

Me apresento e digo qual é a disciplina, para caso alguém tenha entrado na sala errada, conto um pouco da minha trajetória como profissional. O quebra-gelo deste primeiro dia tem foco em mostrar que nossa carreira é nosso maior projeto, onde planejamos onde queremos chegar, uso o icebreaker do crachá, que aprendi em uma oficina de dinâmicas com a Mayra da TW, mexendo nele o necessário para atender a necessidade de valor em cada uso.

QUEBRA-GELO

Antes do quebra-gelo, apresento uma técnica que mitiga o desafio de grandes grupos, apesar de não ser uma dinâmica em equipes, sugiro que um a cada 6 ou 7 alunos, de forma auto-organizada, venha pegar postits grandes coloridos e canetas hidrocôr para si e seus colegas, uma técnica muito utilizada para rapidamente organizar em meio ao entendimento do que é auto-organização.

Em poucos minutos todos tem postit e hidrocôr em mãos, quando peço para fazerem um grande retângulo na metade esquerda do postit e acima dele coloquem seu nome de guerra, como gostam de ser chamados. A partir de agora farei com que eles interajam com diferentes colegas de toda a sala, a cada passo escolhendo aleatoriamente alguém para se apresentar e desenhando sua “foto”.

Alternadamente, com diferentes colegas, trocar seus crachá, evoluir os dados e desenho, destrocar e seguir adiante >>> [curso e semestre] > [desenhar os olhos do colega, com sobrancelha, óculos] > [qual seu cargo hoje] > [desenhar o nariz] > [onde quer estar/fazendo o que daqui a 5 anos] > [desenhar a boca] > [qual o seu hobby ou paixão] > [concluir o desenho fazendo a moldura, cabelo, barba, …]

Começo a chamar uma carreira desejada, de forma que todos que possuem o mesmo sonho formem nuvens, como GP, Governança, dev Games, dev Web, dev Mobile, Arquitetura, Segurança, Academia, … Novamente chamo a atenção para o que é nosso maior projeto, também para a técnica de clusterização, que nos permite em poucos minutos organizar com a participação ativa de todos um grande mapa com os crachás e sonhos.

Segue uma apresentação da ementa, conteúdo programático, bibliografia recomendada, avaliação via provas e trabalhos, mas o cunho construtivista até onde é possível, com foco em aproveitarmos ao máximo cada minuto. A noite de sexta já foi, será em sala de aula, qual a importância, relevância e valor para cada um em fazer valer ao máximo e construirmos juntos ensino e aprendizado 360º, sugerindo, debatendo, confrontando ideias e opiniões.

A ideia é não deixar rolar mais que 30 minutos sem exercitar os conceitos discutidos, seguindo o substrato do aprendizado experiencial de David Kolb, pelo aprendizado vicariante de Albert Bandura, no construtivismo de Piaget. Mas nada disso é hora do recreio, cada jogo tem um fim, para isso é preciso antecipar desafios ou conhecimento, pô-los a prova na prática lúdica e refletir logo após.

MARSCHMELLOW CHALLENGE ÁGIL

Se a disciplina é gerenciamento de projetos e a noite será dedicada a planejamento de carreira, o jogo Marschmellow Challenge Ágil propõe a importância de nos utilizarmos de empatia, entendendo o que se quer, onde se quer chegar e qual o critério para avaliar se o resultado foi atingido. Nada melhor que o Marschmellow em 3 sprint de cinco minutos para a construção de torres de comunicação para o exército do General Audy.

Eu coloco um chapéu camuflado e uso um apito para demarcar cada ciclo, sou o cliente, quero torres de comunicação, faço pressão por resultados, é fundamental entender a frase de “Eu Robô” quanto a “Minhas respostas são limitadas, portanto faça as perguntas certas.” Gerenciar projetos é saber fazer as perguntas certas, quer nossa carreira, férias, filhos, um novo app ou um ERP, projetos exigem empatia com o cliente para saber o que atende o problema, qual é o valor.

Auto-organização, um representante de cada equipe pega em uma mesa lá na frente um punhado de espaguete, uma tesoura e um rolo pequeno de durex, além de caneta e papel para o planejamento. Eu dou 10 minutos em dois ciclos de 5 para que se organizem, me perguntem o que quiserem, para então desenhar ou escrever o que farão em cada um dos três ciclos de 5 minutos que terão.

Sou o cliente e lhes informo tudo o que querem saber sobre o que eu quero, mas esquecem de saber qual é o meu problema (história do usuário / valor), como eu testarei a torre (critérios de aceitação), critérios para escolha da melhor torre. Nos envolvemos em questões técnicas … cito Dado Schneider, “O mundo mudou, bem na minha vez”, porque agora usamos o capital intelectual de todos, que devem usar seus conhecimentos a favor do sucesso de cada passo do time.

//jorgekotickaudy…/agile-game-marshmellow-challenge-agil

PLANEJAMENTO DE CARREIRA

O primeiro passo é entender o que é um projeto, o que diferencia um projeto de uma operação. O primeiro é algo com início, meio e fim, contendo um objetivo relevante e singular, para o qual é preciso gerir recursos e atividades necessárias. Operações são atividades continuadas e repetitivas, e é neste quadro comparativo que discuto carreira, que na prática é um programa ou mesmo um portfólio de variados projetos, que se geridos conjuntamente tendem a gerar maior valor.

A maioria dos  profissionais que conheço possuem desejos e reclamações, mas não possuem planejamento. Retomo Dado Schneider, “O mundo mudou, …” para discutir diferentes abordagens sobre o papel de profissionais do conhecimento, retomando paradigmas da revolução industrial até hoje, conceitos discutidas em “equipes de alta performance”, “equipes ágeis”, há muita discussão de valor.

Reconheço que vejo nos olhos de alguns poucos a mesma expressão que vejo em cursos Scrum Brasil afora, um certo desconforto ou até mesmo contrariedade, como se não merecessem ouvir estas provocações, mas os trato como a qualquer colega, cliente ou amigo, profissionais do século XXI. Se já sabem e já fazem, legal, excelente, mas assim relembram alguns fundamentos e princípios básicos.

Profissionais de perfil T ou Pi, é o que somos, buscamos profundidade em conhecimentos e habilidades que nos tornam especialistas, mas com a haste horizontal que nos distingue de operários do século XX, nossa amplitude de conhecimento. Falo muito e compartilho muito a minha crença de que estamos no lugar certo na hora certa, no maior ecossistema acadêmico-empresarial do Brasil.

Afora o TecnoPUC, apenas o Porto Digital tem tanta força, semanalmente rolam eventos, programas de qualificação, estágios, vagas, temos o espaço de coworking, a incubadora RAIAR, o CriaLab, uma dezena de programas do Centro de Inovação, e mesmo que não possam aproveitar tudo, como podem aproveitar o ecossistema a favor de seus planos para conquistar o mundo no menor espaço de tempo \o/

Começamos por um bom WarmUp, uma matriz SWOT ou FOFA, uma discussão com exemplos conceituais e práticos, cases para forças e fraquezas, situações que representem oportunidades e ameaças. O objetivo é aquecer sinapses, começar a refletir de forma ampla, o mais aberta possível sobre si mesmo e o seu entorno, para então começar a dirigir estas reflexões para uma modelagem de carreira.

Alexander Ostherwalder ao especializar seu best seller “Business Model Generation” para carreiras, criou o canvas de modelagem de carreiras “Business Model You”, semelhante a forma como modelamos negócios emergentes. Eu inclui algumas premissas, ícones e substrato a partir de reflexões sobre os três eventos TecnoTalks de Janeiro deste ano – Sonho, CHA e gurus!

Afora isso é o Business Model You, propondo que conversem com os colegas ao lado, pois conversando e trocando experiências é possível ir muito além, fruto da sinergia entre diferentes vivências, expertises. Insisti muito com meus conceitos aplicados de Parceiros de Viagem, oriundos de anos de Agile Coaching, sempre somos mais quando somamos forças.

Uma aula que dá o tom do semestre, realizaremos dezenas de dinâmicas, jogos e exercitaremos diferentes técnicas e boas práticas, sempre alinhadas a uma ementa sobre gerenciamento de projetos, o substrato são as dez áreas de conhecimento e planejamento do PMBOK, seus cinco grupos de processo e muito, mas muito mesmo de Scrum, SAFe e princípios e técnicas ágeis.

Vamos fazer startup dojo para escolher um projeto, vamos fazer modelagem das ideias escolhidas, inceptions dos projetos, vamos entender e modelar cada uma das áreas utilizando boas práticas, sempre baseadas em auto-organização, em empatia e Teoria da Equidade. Para isso vou trazer um tanto de Design Thinking, de Lean Startup, tanto quanto PMBOK e variadas técnicas em projetos.

Após algumas aulas, teremos novamente as paredes assim como a foto abaixo, porque a cada aula levo um rolo de papel pardo e branco, muitos postits, hidrocôr, fita crepe e meu kit básico para Agile Coach aprendiz de feiticeiro que me acompanha a 8 anos. O quórum cresceu, este semestre são 40 alunos de quinto semestre, este ano será um desafio especial manter o nível de interação \o/

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5 comentários sobre “1ª aula de GP – Somos gerentes e somos o projeto

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