Os riscos na ressaca da pós-agilidade

A famosa mudança da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento não é algo trivial, após um longo período sob pressão, resultados a qualquer preço e com a corda sempre tensionada, não é fácil mudar nosso  modelo mental sem correr o risco de errar na dose da vacina.

vacina

Um pouco de história

A história esta ai para mostrar que as gerações humanas tendem a adotar padrões subsequentes complementares, hora muito rígidos, hora muito liberais, as vezes resgatando “modas” do passado, mas sendo impossível voltar a sermos os mesmos, pois nossas vivências nos mudam para sempre.

Assim, tentamos corrigir aquilo que víamos como erros em nossos pais e assim será com nossos filhos, mas esta máxima vale para muitas coisas, quase tudo, se somos muito rígidos, nos damos conta e tentamos melhorar, muitas vezes acabamos virando o fio da navalha, da rigidez para a liberalidade excessiva.

Voltemos alguns anos, em meio a projetos ricos em regras e planos a serem seguidos, pressão desmedida tentando mascarar o fato de que mudanças são inevitáveis, hierarquia, centralização, individualismo, auto-preservação, departamentalização como clientes e fornecedores uns dos outros.

Naquele modelo, a camada de gestão era instado a saber tudo o que acontecia, responsáveis por receber as demandas e distribuí-las, cobrar resultados, horas-extras compulsórias, cancelar ou manter contato em férias, frequentes desperdícios e uma permanente pressão por um resultado não entendido.

Puro estoque, na forma de represamento de idéias, soluções, alternativas, nunca podendo parar para tentar resolver, “vendendo a janta para comprar o almoço”, reuniões semanais de alinhamento de estratégia entre gerentes, coordenadores, analistas, que efetivavam os desdobramentos na equipe, que não parava.

comando-controle

Auto-organização

Taichi Ohno começou a fazer história com o Toyota Production System na década de 50, equipes pequenas e auto-organizadas com foco na própria percepção em como fazer para produzir mais e melhor, de forma colaborativa, com melhoria cadenciada e sustentável, foco em valor e sem desperdícios.

Relatos no desenvolvimento de software remetem aos anos 80 e 90, através de muita experimentação, culminando em 2001 com o famoso “manifesto ágil para desenvolvimento de software”, em que um grupo de empreendedores divulgou sua convicção em princípios semelhantes aos praticados na Toyota.

A adoção do método SCRUM é no mínimo simples e o Scrum Guide, seu manual oficial, tem em torno de 15 páginas explicando seus princípios, quais são os seus papéis, timeboxes, artefatos e regras, tudo muito enxuto, posto que é um framework e por isto não entra no detalhe ou ferramental específico.

Sempre digo que 75% do sucesso de equipes ágeis esta no entendimento dos porques, a timeboxe tem menos importância do que o porque ela esta ali, qual a natureza por tras de sua execução, bem entendida, quais os ganhos esperados, a mudança exige um mínimo de crença e vontade em querer fazer acontecer.

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Pós-Agilidade

Se durante o processo de estabilização de um método ágil adotado, a história e “porques” forem esquecidos, se não relembrarmos os princípios, se aceitarmos a necessidade de pressão, liberdade sem responsabilidade, resignação em meio ao desperdício, resultados pífios … Aí, não tem como dar certo!

Se for assim, a empresa pode então querer retomar o antigo modelo “comando-controle”, fortemente hierarquizado, até mesmo porque somos profissionais a serviço desta empresa, a meta é fazer mais, se houverem dúvidas frequentes quanto a produtividade e valor, estará aberta uma enorme brecha.

A solução não esta nas letras frias do método, esta nos princípios e valores, no sentimento de pertencimento que nos oportuniza o debate de idéias, a vontade de inovar, fazer diferente, ir além, não se contentar com pouco, se queremos ser felizes, devemos mostrar a que viemos, sermos mais ousados e assertivos.

Este post é uma provocação, quero cutucar os brios da Gauchada agilista, uma declaração de guerra a zona de conforto, se voce esta no caminho certo, parabéns, aproveite e puxe um colega para a sua vibe, não aceite explicações fáceis, proponha alternativas, peça ajuda, contenha riscos, arregace as mangas!

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Um comentário sobre “Os riscos na ressaca da pós-agilidade

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