Além do construtivismo, usando Agile e Design Thinking!

No dia 21/03/15, na sala de convivência da DBServer no terceiro andar do prédio 99A do TecnoPUC um pequeno grupo se reuniu para discutir metodologias ágeis no ensino, algo mais construtivista, mais baseado nos princípios que regem a vanguarda da produção e serviços desde o Lean Toyota dos anos 50  e métodos ágeis para desenvolvimento de software do final do século XX.

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No Sábado discutimos o que é o papel do professor e dos seus coordenadores, o quanto um professor pode manter-se alheio aos outros professores, se é possível planejar um semestre de um curso sem estabelecer um debate permanente entre todos os professores e também alunos. O que é cada disciplina frente ao todo, qual a abordagem, quais os pontos de contato, como se fosse um projeto ágil.

Iniciamos com personas e objetivos, usando como case uma disciplina, a seguir construímos um Canvas de Empatia para um maior entendimento do cliente (aluno). Queria montar um Subway Map do conteúdo programático da disciplina, mas o debate foi tão rico que optamos por esgotar mais o mapeamento do cliente e objetivos e deixar o Subway Map para a próxima.

A melhoria significativa da aprendizagem passa pelo entendimento do quanto ela é ou não importante para crianças, jovens e adultos mais pró-ativos, criativos e inovadores. Inspirados em Piaget, no construtivismo e nos métodos ágeis, imaginamos um modelo de ensino mais voltado a construção do aprendizado e não a mera replicação e validação de conteúdos.

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Ponto de partida:

Piaget não se debruçou sobre a problemática do ensino superior ou colegial, mas discutiu o protagonismo da criança no seu processo de aprendizado. Ele discutiu as condições para a construção do conhecimento, o papel do erro e do esforço. A aprendizado exige ação e superação ao invés do papel passivo de repetição e obrigação que assumem grande parte dos professores e alunos.

Se um semestre é um projeto, inicia-se por uma dinâmica de visão, tentando entender quem são nossos clientes, o que querem, quais suas limitações, ganhos, perdas, diferenças, especialmente expectativas. O passo seguinte é  construir um planejamento com todos os professores. Uma visão clara do que estará sendo ministrado a cada iteração, por cada disciplina, com entendimento dos links possíveis que potencializarão o valor entregue a cada aluno e no conjunto.

Scrum em aula
Na maioria das escolas e mesmo universidades percebe-se cada disciplina como responsabilidade de seu professor, sendo que alguns ministram suas aulas por anos sem adaptação alguma a seus alunos. Alguns não entendem que os alunos são clientes a serem entendidos e atendidos, que sua obrigação não é só passar conteúdo secular, mas fazê-lo da melhor forma, agregando máximo valor.

A revolução industrial do final do século XIX está para a produção o mesmo que a universidades de Bologna e Paris do século XI está para a educação, foram criadas a luz de uma época que não existe mais, sob paradigmas já obsoletos. Ambos pressupunham que os operários ou estudantes existiam para fazer o que lhes diziam sem questionar, de forma padronizada, como se todos fossem iguais.

Houve época que os canhotos tinham suas mãos canhotas amarradas às costas, pois deveriam escrever e realizar suas tarefas como todos os outros, assim como houve época que todos deviam aprender o mesmo da mesma forma na mesma idade, era o que se esperava de bons súditos, quer estudantes ou operários. Ainda hoje esse paradigma é usado, por conveniência e redução de custos.

Assim como metodologias ágeis para desenvolvimento de software, design thinking para ideação ou Lean Startup para inovação, há boas e louváveis iniciativas na educação. Elas crescem a cada dia, mas ainda são exceções a regra em um mar de conveniências, zonas de conforto, equilíbrio contábil e desperdício de talentos. Está na hora de virar maioria, está na hora de virar este jogo!

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A muito tempo existem experiências diversas mundo afora através da aplicação de conceitos oriundos do construtivismo, das teorias de Piaget, temos hoje casos como a eliminação das disciplinas na Finlândia, uso de Design Thinking no planejamento e execução de aulas nos Estados Unidos, entre outros.

Conheço experiências a partir do empenho de professores que admiro e são referência, na PUCRS, UNISINOS e UNIRITTER, disciplinas e mesmo cursos mais voltados a visão de alunos em sua singularidade e potencial, incentivando sua pró-atividade na construção do próprio saber e empreendedorismo. Mas, isso é apenas o começo, ainda há muito trabalho pela frente!

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