Uma opção de validação e MVP chamada Wizard of Oz

Alguns nomes de dinâmicas ou técnicas as vezes me passam e após meses ou anos descubro que ele existe. Hoje falando com o Marcel de Jesus Silva, da incubada SOHA da RAIAR, descobri que na origem, o conceito de “Wizard of Oz” do livro Lean Startup do Eric Ries é quando oferecemos um serviço ou funcionalidade aos clientes, onde aparentemente a operacionalização é o produto real, mas nos bastidores há seres humanos “processando” e fazendo acontecer manualmente.

O caso mais famoso que conheço é o da Zappos, pois diz a lenda que Tony Hsieh construiu inicialmente uma página html com fotos, dados e formulário de pedidos, onde ao final do dia todo o trabalho de planilhamento, aquisição dos pares e entrega era feita por ele mesmo. Ele verificava os pedidos, ia nas lojas, comprava os pares, entregava e cobrava. Não sei se é 100% verdade, mas se é, deu muito trabalho, validou algo inovador e tornou-se o maior eCommerce de calçados no mundo.

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Uma variação mais ampla, profunda e trabalhosa que as funcionalidades falsas que muitas empresas utilizavam para validar o interesse de seus usuários, solicitando os dados do usuário e sua opinião quando clicasse em um botão ou link que oferecia uma ação inexistente. Também vai além das landing pages que proliferaram em startups na busca de levantamento de dados para validação de produtos ou serviços, oferecendo aos motores de buscas da internet páginas que atraiam usuários para divulgar e coletar informações de interesse e uso.

Dependendo do produto e do timing, ao invés de construí-lo, podemos fazer as coisas manualmente. Não suprime a modelagem de negócio, mas antecipa-se ao investimento em algo que pode não se confirmar e pode proporcionar insights que lhe direcionem para um pivô e uma solução muito melhor. Tanto startups ou mega-corporações, investir em uma ideia sempre é um caminho perigoso, onde a tecnologia deve ter um papel secundário no início, priorizando o entendimento do problema, do mercado e o quanto alguém pagaria por resolvê-lo.

É uma versão rápida, de baixo custo, uma simulação do seu Mínimo Produto Viável, contendo apenas as características mínimas aparentes exigidas para sua validação pelo cliente, permitindo assim a geração de uma massa de dados e informações, que suportarão as tomadas de decisão sobre os próximos passos.

Além de materializar uma hipótese para validar e enquadrar seu MVP, evitamos envolver investimento de tempo, pessoas e dinheiro para uma primeira versão validável real, evitando qualquer coisa além do mínimo necessário de código ou complexidade, mesmo assim proporcionando métricas e estatísticas, percepção de funil e aprendizado.

Outros cases fartamente ilustrados em posts e artigos são os da WestJet e suas campanhas fake, protagonizadas por pessoas e não por sistemas e máquinas.

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Fique ligado, é preciso validar cada passo, mas são Baby Steps, não Giant Steps, as técnicas e conceitos de Wizard of Oz, MVP, Pretotype, Prototype, landing pages, fake features, wireframes, etc, estão aí para serem usadas conscientes das oportunidades que geram e de suas limitações. Na dúvida, tire a bunda da cadeira em frente ao seu computador, vá para a rua e descubra, interaja, faça acontecer.

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