Resgatando Pareto e Juran!

O economista italiano Vilfredo Pareto desenvolveu em 1906 um modelo que buscava descrever a desigualdade na distribuição da riqueza na Itália do início do século XX, seus estudos concluíram que 20% das pessoas detinham 80% da riqueza. Apesar de ter entrado para a história como “Princípio de Pareto”, foi Joseph Juran (*) que expandiu os estudos de Pareto à esfera organizacional, na qual 80% dos problemas são causados por 20% das causas, enfatizando a relevância de focar naquilo que mais gera resultados, foco em valor.

(*) Estudar a história é uma fonte inesgotável de surpresas \o/ – O consultor Joseph Juran, romeno radicado nos EUA, trabalhou na  Western Electrical Company exatamente na década de 20, mesmo período das famosas pesquisas de Elton Mayo. O mesmo Juran foi convidado pelo Japão para na década de 50 contribuir junto de Deming (ciclo PDCA) no nascente programa de qualidade e produtividade japonês e seus estudos foram utilizados no também nascente programa de produção da Toyota, embrião dos métodos ágeis.

A “regra 80/20” ou “princípio de Pareto” teve grande contribuição de Joseph Juran, que o levou para o meio organizacional, e mesmo sendo conhecido por suas contribuições para a evolução das organizações modernas, acabou sem ser reconhecido por todos nós que curtimos TO. Ele deveria ser um nome citado tanto quanto Ohno, Deming, Takeuchi, Nonaka, …

“Vital few and trivial many” (poucos vitais e muitos triviais)

Inicialmente surgiu em um estudo de Pareto sobre a concentração de 80% da riqueza italiana para no máximo 20% da população, mas esta regra 80/20 foi migrada por Juran para o mundo corporativo, onde temos em tudo 20% vitais e 80% triviais. Isto foi levado para 20% de defeitos gerando 80% dos problemas ou 20% de trabalho consumirem 80% do tempo e recursos de um projeto.

pareto-1

Pareto está aí para nos lembrar sempre que devemos focar naqueles 20% que resolvem 80% do objetivo ou problema. É lembrar reiteradamente que devemos trabalhar naquilo que gera resultados e é relevante, eficaz, evitando trabalhar ou investir tempo e energia em coisas irrelevantes ou de pouco retorno.

Um indicativo relevante, quer país, empresa ou pessoa, é quando estamos sempre atrás do prejuízo, apagando incêndios, fazendo mais do mesmo, correndo atrás da máquina, isto pode indicar que o foco esta nos 80% triviais e não nos 20% vitais. Pior, bombeiros corporativos ganham incentivos e honras, resolvendo problemas imediatos, raramente alguém questiona o porque foi necessário, as vezes o próprio bombeiro corporativo é o gerador do incêndio …

Princípios ágeis e princípio de Pareto/Juran

Devemos relembrar conceitos como o Pomodoro Technique, é esforçar-se nos pilares do SCRUM de transparência, inspeção e adaptação frente aquilo que realmente importa e faz diferença. É saber parar, distanciar-se, ver a big picture e entender o que e onde você é mais importante, é objetivar o mais importante, com resultados sustentáveis, escaláveis, repetitivos, de nada adianta resultados imediatos e que comprometam o futuro …

Estrategicamente é lembrar de técnicas de Business Model Canvas, de modelos como o Lean StartUp, Mínimo Produto Viável, reuniões de Inception, dinâmicas como o User Story Mapping e tantas outras como Customer Journey Map, Service Design, Design Thinking, da frase de que o “bom é inimigo do ótimo”. Todos os métodos e conceitos ágeis partem do debate e análise diária para convergência e foco naquilo que é mais importante a cada momento.

É lembrar a frase Lean de que o mais importante não é fazer a “ponte”, mas fazer a “ponte” no lugar e direção certa. O que queremos não é fazer a cada dia aquilo melhor possível, é fazer a coisa certa na hora certa, melhorando, sempre buscando entender e atender aqueles 20% mais importantes que geram 80% dos resultados desejados.

JMS – Juran Management System

Um modelo de qualidade que colaborou para a configuração da cultura Lean na Toyota e possui princípios obviamente convergentes, o culto a redução de desperdícios e foco naquilo que é valor, princípios Kayzen de melhoria contínua através de equipes auto-organizadas. O JMS possui três pilares:

  1. Planejamento da qualidade com entendimento exato do que é a necessidade de seus clientes, um projeto que atenda estas necessidades baseado em um modelo de melhoria contínua;
  2. Controle de qualidade estabelecido durante as operações, com um mínimo de inspeção, qualidade produzida por cada passo do processo e por todos os seus participantes;
  3. Melhoria da qualidade através de aprendizado e melhoria contínua sendo incorporada ao processo (breakthrough) para garantir o “double looping” de Argyris.

Sobretudo, Juran defendia a importância do fator humano e uma mudança cultural dos gestores, que devem integrar-se mais a estratégia de sua força de trabalho, reiterando a iniciativa de garantir os três pilares da qualidade.

“Sobre os ombros de gigantes!” é uma reinterpretação casual de Lavoisier em “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Enquanto isto temos centenas, milhares de líderes que dão as costas ao conhecimento acumulado e repete os mesmos erros repetidos por seus pares a 100 anos.

Complementar a este post, acho que no próximo post vou detalhar o gráfico de pareto, também conhecido por diagrama de causa-efeito ou diagrama de espinha de peixe, um instrumento adequado para analisar as causas e ações necessárias para atingir os efeitos desejados, quer seja a resolução de um problema ou aproveitamento de uma oportunidade 😉

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