Porque ensinar e praticar Agile na faculdade?

Curto conhecer melhor os eventos, palestrantes e organizadores quando me envolvo direta ou indiretamente com eles. Ao divulgar o TPUC/GUMA com a pesquisadora da IBM e Inst. Tecn. de Israel, fui atrás de saber mais sobre ela e além dos livros sobre agilidade encontrei um artigo fantástico sobre 10 motivos para aplicar e ensinar Agile em cursos de engenharia de software … Nota 10!

Mais um pouco da Dra Yael, um artigo dela de 2006 apresentava 10 motivos pelos quais nos idos de 2006 (10 anos atrás) JÁ era relevante o ensino de Agile e seus princípios nas faculdades de Eng de Software (clique aqui para ler o artigo na íntegra). Desde então, todas suas percepções se confirmaram e intensificaram.

A seguir minha interpretação dos 10 tópicos constantes no artigo acima, fruto da inevitavelmente admiração por uma pesquisadora de visão … tenho vários posts sobre educação, de 2006 até hoje evoluímos, mas ainda temos muito a fazer. O cartaz do evento esta no final deste post ==> clique aqui para se inscrever!

Yael-10education

1. Origem – O primeiro motivo está também na primeira página de minha dissertação, posto que metodologias ágeis nasceram e se desenvolveram na prática de mercado. Estudos anuais da Version One e Standish Group são categóricos quanto ao crescimento e valor agregado para a taxa de sucesso em projetos de desenvolvimento de software. Ensinar Agile era uma demanda natural em 2006, desde então só cresceu e hoje passou a ser obrigação, pois muitas empresas de referência já trabalham com Scrum, Kanban e XP.

2. Equipe – Desenvolvimento de software não são apenas tarefas técnicas, são o resultado de um trabalho de equipe. Ensinar futuros profissionais a perceberem que cada integrante é responsável pelo resultado do conjunto e precisa usar este mindset para interagir e colaborar diariamente. As empresas cada vez mais valorizam habilidades, atitude e cognição, as vezes mais que o conhecimento, pois uma equipe com crenças e valores ágeis rapidamente encontra meios e constrói uma trajetória de melhoria contínua.

3. Pessoas – Ela sugere o aspecto humano como fundamental. A minha dissertação foi sobre implantações ágeis e TODAS as teorias e modelos utilizados eram oriundos da sociologia e psicologia. Desenvolvimento ágil de software envolve constructos trabalhados por Tuckman, Karasek, Bandura, entre outros. Preparar profissionais para entender conceitos de auto-organização, auto-eficácia, dissonância cognitiva, complexidade … mais que comprovada esta percepção, em todos os métodos contemporâneos.

4. Diversidade – Na diversidade está a maior riqueza, com diferentes vivências, estilos, perfis, perspectivas. Dez anos depois vemos as principais metodologias – Agile, Design Thinking, Lean Startup, Gamestorming, BMG, Dragon Dreaming – valorizando a interação da diversidade. Experienciar isso desde a faculdade, nas disciplinas, curso, com outras faculdades e mesmo estados e países com recursos multimídias e virtuais, como os utilizados em muitas empresas onde acontecem diariamente reuniões de projetos com integrantes em três continentes.

5. Cognitivo – O trabalho sob princípios ágeis trazem conceitos de multi e trans-disciplinaridade, provocando permanentemente momentos inclusivos onde todos passam a ter maior entendimento do todo, tanto negócio, processo, projeto, produto, tecnologia e tudo o mais. Todos envolvem-se em imersão das modelagens estratégicas, táticas e execução, cada um realizará seu papel, mas ampliará o domínio ubiquo de negócio e abstrações de tecnologia. O aluno deve entender a importância desta abordagem e praticá-la em disciplinas e vivências.

6. Ativação neural – O exercício de abstração, argumentação, negociação, transparência, realismo, aprendizado, feedback, retrospectivas, cada um provocado pelos diferentes momentos sugeridos em um projeto ágil, instiga a mente, provoca revisão de hábitos e facilita a adaptação evolutiva.Não é a toa que PNL e neurociência são temas frequentes na comunidade ágil, aproveitando ao máximo o poder da mente e o quanto mantê-la alerta é um exercício que deve ser desenvolvido, provocado desde a faculdade.

7. Gerenciamento – A auto-organização promove um senso de equipe e de responsabilidade e esta é uma habilidade e atitude desejável que pode ser explicitada e incentivada em cada disciplina e em aprendizados transversais. O exercício desta habilidade de tomada de decisão, desde o pré-game, release plan, planejamentos de sprints, review e retrospectivas agem positivamente para a redução da Curva de Tuckman quando estes jovens forem contratados para integrar um novo projeto. Quer venha a ser um gestor ou integrante de equipe, terá que propôr e gerenciar planos de ação, execução pró-ativa de cada iteração.

8. Ética – Ensinar e execitar um código de ética para engenharia de software … eu nem sabia que existia isso (http://www.acm.org/about/se-code/) , ela oferece um exemplo e provoca uma questão óbvia. Eu sempre vou além, não é só ética, é educação, é prevalecer o bom senso onde a faculdade e os ambientes de trabalho devem estimular uma atitude construtivista, baseado em equidade, se Agile oferece liberdade, é liberdade com responsabilidade profissional, coletiva, organizacional e pública.

9. Autoimagem – É importante que os jovens tenham e exercitem uma correta imagem de seu campo de atuação, de seu papel, das empresas e de mercado. Isto poderá desenvolver nos alunos a habilidade de estabelecer vínculos, estabelecer expectativas corretas, desenvolver seu networking. Os cursos de engenharia de software precisam cada vez mais de cadeiras que tragam abordagens mais humanistas, oriundas das ciências sociais

10. Visão integrada – O conceito de faculdades com cursos e disciplinas precisa ser ampliado para visões não só verticais, mas horizontais. Uma disciplina deve ser conduzida integrada as demais, não só de seu semestre, mas do curso e até mesmo suas interações com outros cursos. Esta é uma premissa ágil, também relacionada à multidisciplinaridade, onde um desenvolvedor já não fica focado apenas ao código, mas em diferentes abstrações do negócio, no gerenciamento e todas as disciplinas necessárias para que uma equipe construa software de valor e qualidade em um ambiente sustentável e construtivista.

Esta é apenas mais uma reflexão sobre o trabalho da Yael Dubinsky, dia 26/05 ela estará no TPUC, gratuito, para quem é de Agile, de TI e também professores.

AgileWorkshop

2 comentários sobre “Porque ensinar e praticar Agile na faculdade?

  1. Meu, Kotick, indo ao contrário, não consigo imaginar um bom motivo para não ensinar ágil nas faculdades! Na verdade, nem imaginava que isso fosse uma questão… Existe faculdade que não ensina Scrum, Kanban, TDD etc.??

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