Faltam profissionais ou faltam motivos?

MITO ou VERDADE? “Muitas empresas reclamam da falta de profissionais disponíveis no mercado, ouço de vários contratantes a constatação de que a mão de obra está escassa e a que temos disponível é deficiente. Alguns anos atrás o diretor de uma empresa de TI relatou a carência por profissionais qualificados e refletiu sobre a falta de preparo e interesse dos profissionais, explicando assim a necessidade de terem que buscar profissionais em outros estados e países.”

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Na minha humilde opinião, tem muita gente boa disponível, veteranos e entrantes com grande capacidade e potencial, difícil é motivar essa galera pelo que algumas empresas oferecem e exigem. A maior parte das empresas ainda sonha em contratar “baby boomers”, gente que trabalha tantas horas quanto necessário, sem questionar valor e desperdício, aceitando mandos e desmandos baseados na simples hierarquia, esperando pacientemente que as coisas melhorem ou sejam valorizados em um futuro longínquo e incerto.

Conhecemos profissionais que estão insatisfeitos onde estão e lá ficam em velocidade de cruzeiro, acomodados, não porque não tenham opções, mas porque seria trocar seis por meia dúzia. Prazos insanos, pressão desmedida, trabalho dobrado, fazer de qualquer jeito para entregar na data, a merce de estrelismos e muita insanidade, com qualidade e valor sempre no gerúndio.

Ser Millenial independe da idade, querem ter orgulho naquilo que trabalham e com quem trabalham, querem assumir desafios para gerar valor e qualidade em um modelo ganha-ganha. Difícil virar noites por culpa das conveniências e oportunismos de alguém preocupado em chamar para si os holofotes no velho caquete industrial do gerente x operários.

Acresça a isso o sentimento irracional que muitas empresas tem quando alguém começa a questionar decisões de seu gerente ou pede para sair, tratado-o como se fosse algum tipo de traidor ou desertor da causa nobre do seu líder. Se for terceiro é pior ainda, querem comprometimento e sangue, mesmo tratando-os como um mal necessários, sugando e tentando tirar vantagem da relação.

Tem executivo que está no início do século XX, onde Taylor dizia que operário não gosta de trabalhar, é como gado, não deve pensar, só deve obedecer, peça de uma máquina, facilmente substituído. Empresas que pensam em metas para o quarter, para o exercício, resultado imediato a qualquer custo, não querem saber do desperdício no médio e longo prazos, querem apenas contar a grana.

Abastecendo uma Ferrari

O resumo da ópera é sempre o mesmo, a empresa decide o tamanho das equipes, dota o orçamento com uma grana para contratações e manutenções, compõe a grade (júnior, pleno, sênior e terceiros), mas esquece de tudo isto na hora de definir a estratégia e cobrar resultados, tirando da cartola objetivos e prazos incompatíveis … não esquecendo de diariamente relembrar e culpar a equipe por sua incompetência e falta de compromisso.

É como ter uma Ferrari na garagem, pedir para abastecer com álcool de farmácia porque é mais baratinho e ficar reclamando do Comendador Enzo porque ela tem uma baixa performance na pista. Na verdade, a performance depende das condições que você mesmo está gerando para ela, compre gasolina de alta octanagem … ai sim, se não rolar, troque de posto ou devolva o carro.

Finalmente, você NÃO é obrigado a investir na gasolina de alta octanagem, pode usar o álcool, mas a sua exigência na pista tem que ser alinhada ao que o álcool pode lhe dar, não adianta botar álcool e ficar dando cascudos no motorista e pedindo para ele descer e empurrar para ir mais rápido.

ferrari

Mito ou Verdade?

Quer saber? Não faltam bons profissionais, difícil é motivar estas pessoas a investir em si mesmas e mudar. As nossas faculdades deveriam treinar a gurizada a saber perguntar em uma entrevista de emprego, hoje em dia a empresa e o profissional escolhem, mas sobra marketing e faltam motivos!

A solução são bons programas de gestão por competências e de gestão do conhecimento, adotar métodos que envolvam os profissionais, dando-lhes senso de pertencimento ao mesmo tempo que lhes dão desafios e alçada. Taylor estava errado, as pessoas não querem vadiar, elas querem desafios e trabalho, mas querem poder compartilhar, tomar decisões e sobretudo fazer acontecer.

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2 comentários sobre “Faltam profissionais ou faltam motivos?

  1. Pois é, tem diferentes vetores, onde o cultural é o mais forte. Com os jovens cada vez mais interessados em empresas que lhe deem prazer em trabalhar em algo construtivo e sustentável … quem sabe não acaba mudando devido a pressão de serem mais éticas e responsáveis 🙂 Sei lá, tempo ao tempo. Um Feliz 2014 para ti! \o/

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