Teoria contingencial como substrato teórico aos métodos ágeis

A essência da Teoria Contingencial é não haver um único modelo organizacional ideal, qualquer modelo está sujeito a contingencialização frente a sua realidade interna e externa, uma experiência de sucesso deve ser estudada, mas é temerário apenas copiá-la sem entender o contexto onde foi aplicada versus as características de nossa própria organização.

No dicionário é possível perceber contingência como “a possibilidade ou incerteza de que alguma coisa possa acontecer ou não”.

Os gestores da Toyota nos idos da década de 60/70 do século XX afirmavam que quanto mais os americanos e europeus que os visitavam e tentavam entender detalhadamente seu processo e replicá-lo em suas fábricas para ter os benefícios do Lean, mais se distanciavam das razões de seu sucesso. O segredo estava no mindset, a cultura organizacional interagindo com a microcultura de seus times.

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A abordagem contingencial não afirma que o processo, ferramental, estruturas sejam irrelevantes, que o estilo de liderança não é fator crítico de sucesso, mas garante que os motivos do sucesso organizacional são o resultado da equação de fatores e atores internos e externos, perpassando cultura e ecossistema.

A Teoria Contingencial origina-se do contraponto a estudos da primeira metade do século XX onde pesquisadores e pensadores tentavam ditar uma forma ideal de organização, desde sua gestão a produção. Contingencialmente, estudos tentaram mostrar como diferentes empresas reagiam a diferentes condições internas e externas, gerando oportunidades ou riscos, facilidades ou restrições.

Alguns adotam métodos ágeis mas na prática continuam achando que o único caminho é o “seu” caminho, mesmo gênios podem errar fragorosamente ao desconsiderarem que há variáveis ambientais a serem consideradas e pode haver vida inteligente além do seu intelecto e controle.

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Ambiente pode ser entendido como o contexto onde a organização está inserida e constantemente a influencia, como condições ecológicas, culturais, políticas, econômicas, legais e tecnológicas. Cada uma destas variáveis e outras mais interferem nas organizações, interagindo com elas mesmas, potencializando-se, outras anulando-se, cabendo a nós uma análise continuada, de forma a agilizar a adaptação, quer para proteção ou percepção de oportunidades.

Se trouxermos a Teoria Geral dos Sistemas como apoio, estamos falando que organizações assemelham-se a seres vivos e para seu entendimento é preciso analisar ela própria, no todo e através de seus sub-sistemas, bem como as variáveis internas e externas que a influenciem, como cultura, mercado, política, concorrência, governo, etc.

O prisma contingencial dos Métodos Ágeis

O melhor uso do capital intelectual, a interação diária com o intuito de maior aproveitamento dos conhecimentos e habilidades, a certeza de que as coisas mudam, que software são sistemas complexos e que métodos mais colaborativo e agilidade aplicada contrapõe o controle e pseudo-previsibilidade excessiva dos modelos tradicionais baseados em comando-controle.

O que mais dói é ter muitas empresas que adotam métodos ágeis pensando em ganhar mais dinheiro, fazer mais com menos em menos tempo, não abrindo mão de um centímetro do modelo comando-controle e industrial de tirar o máximo de cada um de seus “operários” até a exaustão. Não existe Time to Market, repriorização e aproveitamento quando todos sabem que não podem errar, não podem sair do plano e tem que pedir amém e cumprir contratos nos detalhes.

Métodos ágeis apoiam-se em dezenas de teorias que venho postando aqui no blog e no baguete, não só a Teoria da Contingencia, mas a Teoria Geral dos Sistemas, Construtivista, Teoria das Restrições, Pareto, Lei Yerkes-Dodson, Job Strain Model, Cynefin, Estruturalista, Human Agency, Curva de Tuckman, Dissonância Cognitiva, … Vale a pena conhecê-las, sobre os ombros de gigantes vemos além, não seria ágil desperdiçar o conhecimento de séculos, milênios.

Um comentário sobre “Teoria contingencial como substrato teórico aos métodos ágeis

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