Teorias da Equidade e Expectância em equipes ágeis

A teoria da equidade de John Stacy Adams propõe que relações sociais, pessoais ou profissionais, buscam equilibrar suas relações de forma que os investimentos e ganhos de cada indivíduo sejam o mais proporcionais possível. Caso contrário, isto gerará aflição e instabilização na relação, uni ou bilateralmente.

A Teoria da Expectância de Victor Vroom está alinhado a corrente cognitivista e propõe que o nível motivacional de cada indivíduo é resultado de três fatores (valência, expectativa e instrumentalidade), em meio a relações de esforço x desempenho, desempenho x recompensa e recompensa x metas pessoais.

Equidade e Expectância não tem a ver só com salário, tem a ver com motivação como mola propulsora da produtividade e inovação. Profissionais que possuem percepção de seus diferentes benefícios, compatíveis a sua colaboração, em comparação aos demais tendem a ficar mais tempo e se dedicarem mais.

A falta de equidade e justa expectância leva a baixa produtividade e desperdícios ocultos em qualquer relação humana, o que dizer então de uma relação comercial que envolve cliente, fornecedor, stakeholders e vários integrantes do time em um trabalho remunerado em que o ideal é justa produtividade, valor e recompensa.

Teoria da Equidade

Cada indivíduo em uma relação entra com algo em conhecimento, recursos, habilidades, dedicação e energia, em contrapartida retira benefícios como satisfação, conhecimento, bens e proventos. Haverá equidade quando houver a percepção de justiça, com entradas e saídas justas a cada um dos participantes.

equidade

Perceber todos os vetores envolvidos um cada relação, responsáveis por gerar entropia ou sinergia é ao mesmo tempo incrivelmente simples e extremamente complexo. Em uma relação há dados tangíveis e intangíveis, quesitos tácitos e explícitos, geradores de percepções e necessidades, nem sempre explícitos.

Teoria da Equidade discute a percepção de injustiças como geradora de angustia e aflição, a equidade não é igualdade de benefícios, mas a relação benefícios versus empenho, posto que seria justo imaginar quem mais investe retirar mais e quem menos investe retirar menos.

Teoria da Expectância

Em sua teoria, Victor Vroom afirma que a motivação individual se vale da recompensa em contrapartida ao seu esforço, motivando-os a construir resultados em prol dos objetivos propostos, havendo 3 fatores:

  • Valência, que diz respeito ao desejo;
  • Instrumentalidade, na crença de recompensas por resultados;
  • Expectativa, quando um conjunto de esforços leva a resultados.

expectancia

A valência condiz à percepção de valor de um indivíduo à determinado fator, o quanto ele o deseja e tende a buscar o valor subjetivo a ele atribuído. A instrumentalidade condiz ao empenho relacionado a uma recompensa, criando uma relação positiva ou negativa entre interesse e resultado. A expectância condiz à expectativa em atingir as metas propostas e a auto-avaliação.

Equidade e Expectância Ágil

Difícil disseminar equidade e expectância em um ambiente de comando-controle, rígida hierarquia, feudos organizacionais, porque mesmo que a equidade seja alcançada com baixa transparência e individualidade, gerará desalinhamento de expectativas e percepções, com angústias e finalmente dissonância cognitiva.

Metodologias ágeis confirmam as Teorias da Equidade e da Expectância, conquistadas com máxima transparência e colaboração, equalizando expectativas e percepções de parte a parte, oferecendo clareza de objetivos, esforço e resultados a clientes, time, stakeholders e demais interessados.

Em um time onde temos diferentes níveis de conhecimento, experiência, maturidade, habilidades e atitudes, a equidade e expectância podem ser melhor conquistadas com transparência, colaboração e comunicação, tornando claros os reais níveis de contribuição de cada integrante ao resultado do conjunto.

Se você acredita que salário e prêmios pecuniários são as únicas contrapartidas que as pessoas desejam e satisfazem, está na hora de ampliar seus horizontes. Empresas visionárias geram equidade com remuneração, ambientes e relações abertas, aprendizado, desafios, inovação e reconhecimento.

Revertendo a curva

Um indicador muito utilizado e conclusivo é o turnover, o quanto uma empresa perde talentos para o mercado, muitas vezes sem vantagens econômicas, apenas pela chance de ser mais feliz, em ambientes mais francos, abertos, com mais reconhecimento e visibilidade, mais diversão e alegria.

Ser transparente e alinhar expectativas, tem muita gente que pratica Agile pelo marketing, pelo buzz, mas esquece de trabalhar expectativas, continua tomando decisões de difícil compreensão para o próprio time, onde o reconhecimento e méritos são uma engenharia que nem a liderança consegue explicar.

A Teoria da Equidade e Expectância possuem o mesmo prisma dos princípios ágeis, com transparência, franqueza e realismo para que cada profissional conheça seu empenho e contribuição sobre os resultados, é mais fácil ser feliz se olharmos ao redor e percebermos quão justa a equidade e expectância.

Está na hora de deixar para trás Taylor, Mayo e a experiência de Hawthorne, cem anos se passaram e ainda temos gestores que acreditam que a solução é salário, endomarketing, novas baias com gaveteiros, mas mantém ausência de grades de cargos e salários, avaliação por competências e valor. O pior são profissionais também continuarem resumindo suas carreiras somente a estabilidade e salário.

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4 comentários sobre “Teorias da Equidade e Expectância em equipes ágeis

  1. Kotick, muito interessante o post. Me levou a pensar que o setor público, no Brasil, é um caso sem esperança. Empresas públicas são perfeitamente descritas pelos trechos em que você destaca as coisas que afugentam bons profissionais. Você tem experiência com o setor público? Trabalho há dez anos numa empresa do governo e a única solução que eu vejo, hoje, é privatizar. Antigamente eu acreditava que empresas públicas poderiam ser consertadas, mas perdi essa fé. Para mim, hoje, soluções racionais, que lidam com os problemas dessas empresas e os resolvem um por um, têm chance perto de nula de ser adotadas. E você, tem alguma outra perspectiva?

    • Participei nos últimos 6 meses de um projeto de pilotos SCRUM no SERPRO sob a batuta do diretor superitendente Gilberto Paganotto, uma pessoa fenomenal, com o apoio do diretor-presidente que é o Mazzoni. Também atuei durante os últimos meses como agile coach em alguns pilotos e apoio a times ágeis na PROCERGS onde há o protagonismo do diretor de desenvolvimento, Lino, e gerentes como a Fernanda e o Machado. Digo isso porque independente de ser uma empresas públicas ou privada, igual, depende de alguém que acredite e implante uma nova forma de tratar as pessoas envolvidas em projetos de software, desde o cliente a todas as equipes necessárias. Conheço outras iniciativas de igual valor no TJ e sei que Brasília tem várias outras. As vezes dá certo, certo que órgãos públicos possuem algumas restrições adicionais, mas tudo muda com uma liderança inspiradora e inspirada … o segredo e a solução está na pessoa e não na organização ou na tecnologia … Minha opinião!
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