UX tem que ser mais Lean e menos Picasso

Há ainda uma barreira a ser rompida quando falamos de desenvolvimento ágil e enxuto, a atuação de UX precisa aprender a ser mais Lean e menos Picasso, trabalhar mais interativamente, descendo uma camada de abstração por vez, buscando convergência, transparência, em harmonia com os envolvidos.

O Scrum tem duas etapas muito explícitas, DISCOVERY e DELIVERY, a primeira é o famoso Sprint ZERO, destinado a entender as oportunidades, perceber valor e prioridade, detalhar e ter as respostas para quando a segunda etapa iniciar a equipe ter condição de estimar, construir e entregar a Sprint.


sprint-zero

Há um arsenal de técnicas destinadas a suportar a etapa de DISCOVERY, simbolizada aqui como Sprint ZERO, temos Business Model Canvas, Story Mapping, Project Mapping, brainstorming, benchmarking, Paper prototype, UX Canvas, Focus Group, laboratório, destinadas a facilitar a fusão e interação entre todos os envolvidos, valorizando acima de tudo uma linguagem ubiqua.

Linguagem Ubiqua

Em cada projeto é desejável constituirmos um domínio, termos e linguagem, desde o falado até o codificado devem manter esta integridade teórica, na busca por sempre termos e entendimentos o mais próximo possível do usuário, do negócio, potencializando a comunicação e a auto-documentação.

Mas atenção, a linguagem ubiqua é apenas uma peça neste tabuleiro, precisamos falar a mesma lingua, entender para poder questionar, discutir e argumentar antes de concordar, executar e entregar conforme valores reais e não apenas porque assim nos disseram.

Se vamos trabalhar em um sistema para o negócio X da empresa Y, precisamos entender o negócio, buscar pontos de contato, reuniões, fazer “pair” cotidiano, sentando junto do usuário e entendendo ao invés de telefonar ou mandar um email, pois décadas cometendo este erro já mostraram que não funciona.

Iterativo-incremental

Ser iterativo-incremental é a premissa, nada deveria ser surpresa para os envolvidos, quer este seja sponsor, usuário, fornecedor, cliente, equipe, as duas etapas deveriam  manter fluxo contínuo, diário, de conhecimento e proposições no DISCOVERY e de oportunidades e resultados no DELIVERY.

Não há uma receita de bolo, mas com certeza ele é em camadas, devemos descer um nível de abstração por vez, do mais alto usando um rabiscoframe ou com paper prototype, lançando mão de todos os meios e recursos, inclusive pessoas, para antecipar riscos e visão de oportunidades, validando na medida que vai detalhando mais e mais.

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UX tem que ser mais Lean e menos Picasso

Em empresas ágeis, cada vez tem menos lugar para individualistas, somos muito melhores juntos, se a idéia for exposta e mudada com a ajuda de outros, ao mesmo tempo a idéia se amplia e coletivamente vai muito além, mas ninguém passa a ter a “propriedade” dela, um problema para o Ego, mas não para o CV.

O framework de LEAN STARTUP tem uma premissa fenomenal nesta frente, “devemos ter vergonha da primeira versão apresentada“, de nada adiante perder uma semana trabalhando em algo e correr o risco de ser recusado, traduzindo-se em puro desperdício, ao invés de checkings diários, evolutivos, em layers de abstração até chegar ao produto final em acordo.

Não estou dizendo que é fácil, é preciso se expôr, correr riscos de ser mal interpretado e repreendido por um usuário mais afoito, mas isso é um exercício que nos faz crescer com pessoa e profissional e obteremos o reconhecimento por isto de forma mais certa que correndo grandes riscos de jogar semanas de trabalho fora e gerando problemas de timing e custos.

paper-prototyping

Este post é uma provocação, semelhante aos meus posts de Dojo, posto que não sou UX e muito menos desenvolvedor, pelo menos não sou mais a pelo menos 5 anos, mas tenho crença de que waterfall é uma furada e só funciona no caminho feliz, se der tudo certo, mas o PMI e o Standish Group mostram que projetos que dão 100% certo (caminho feliz) são menos de 15% … então, vamos em frente!

Um comentário sobre “UX tem que ser mais Lean e menos Picasso

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